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Condecorações

HONRA E GLÓRIA - Cruz de Guerra, de 3.ª classe, e Medalha de Prata de Valor Militar com palma

 

Elementos cedidos pelo veterano Abreu dos Santos

 

 

António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira
 

Tenente Miliciano 'Comando' e 'Pára-quedista'

 

Cruz de Guerra, de 3.ª classe

 

Medalha de Prata de Valor Militar com palma

 

 

Tombou em combate no dia 8 de Julho de 1968

 

 

Nasceu a 07 de Maio de 1940 em Luanda (na freguesia urbana de Nossa Senhora da Conceição).


Filho de Manuel José Pinto Assoreira (médico), e de Maria Helena Araújo Ribeiro Pinto Assoreira.


Sua irmã Maria Manuel, nascera a 18 de Maio de 1939, também em Luanda; e sua irmã Maria Teresa, haveria de nascer a 10 de Outubro de 1943, igualmente em Luanda.


Aquando dos actos terroristas lançados na noite de 14 de Março de 1961 sobre diversas localidades e fazendas isoladas do noroeste de Angola, seu pai, então proprietário da fazenda cafeícola Quinta das Arcas (situada a cerca de 14km sul do Quitexe), recusou abandonar a fazenda e os trabalhadores que ali permaneciam.


No dia 14 de Maio de 1961, a propriedade foi atacada por bandos armados pela UPA.


O jovem António Manuel, em idade de conscrição militar, ingressou no Exército e cumpriu serviço em subunidade da guarnição normal da Região Militar de Angola durante dois anos.


- em 05 de Novembro de 1963, alferes miliciano de infantaria comandante de pelotão da Companhia de Caçadores 529 (CCac529) - «OS ONÇAS», recém-chegada da Metrópole com o Batalhão de Caçadores 532 / Batalhão de Caçadores 5 (BCac532/BC5), ficou colocado em Zemba (nos Dembos).

 

- em 01 de Setembro de 1964, após haver sido louvado pelo general comandante da Região Militar de Angola (RMA) pela sua actividade operacional, desde 1961, no noroeste de Angola, voluntaria-se para provas de selecção efectuadas no Regimento de Infantaria 20 (RI20) a oficiais e sargentos, iniciando no recém-inaugurado Centro de Instrução de Comandos (CIC) (instalado na Fazenda Belo Horizonte, imediações do Cazenga, bairro suburbano de Luanda), o período de instrução do "4º Curso de Comandos (primeiro curso realizado no Centro de Instrução de Comandos da Região Militar de Angola (CIC/RMA)";


- no final de Janeiro de 1965 toda a Companhia de Instrução do Centro de Instrução de Comandos (CI/CIC) é transportada na LDG-102 'Ariete' para Cabinda, onde decorre a fase final daquele Curso de Comandos;


- em 03 de Fevereiro de 1965 conclui com aproveitamento o 1º Curso de Comandos do Centro de Instrução de Comandos / Região Militar de Angola (CIC/RMA);


- em 05 de Fevereiro de 1965 recebe o 'crachat' Comando e fica adido à 1ª Companhia de Comandos (1ªCCmds);


- em Março de 1966 louvado pelo comandante do Centro de Instrução de Comandos (CIC), da qual resulta publicação em Ordem de Serviço do Quartel General da Região Militar de Angola (QG/RMA);


- em 22Set1966 agraciado com a Cruz de Guerra de 3ª classe, por distintos feitos em combate no noroeste de Angola;

 

 

 

- em Dezembro de 1966 no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP-Tancos), entretanto voluntário para um curso de pára-quedismo militar e colocado como chefe do 38º Curso, conclui aquele curso sendo-lhe atribuído o brevet nº 4154;


- ao longo do ano de 1967, sendo tenente miliciano 'comando' e 'pára-quedista', integra no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP) o corpo de instrutores de sucessivos cursos de pára-quedismo;


- em 24 de Junho de 1967 oficialmente abatido ao efectivo do Batalhão de Caçadores 5 (BC5) e do Exército, por, entretanto, haver tido passagem à Força Aérea e aumentado ao efectivo do Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP);


- em 29 de Novembro de 1967 colocado na 2ª Região Aérea (Angola) e ao aumentado ao Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21-Belas);


- na madrugada de 07 de Julho de 1968 voluntaria-se para uma vasta acção do "Plano Angola em Armas", a ser lançada no subsector do Úcua sob a designação "Operação Pacaça Raivosa", com diversas unidades, de entre as quais a 3.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas do Batalhão de Pára-Quedistas 21 (3ªCCP/BCP21) e na qual se integra, vindo durante a manhã do dia seguinte, na área da Mutenda (Roça Bom Jesus), a ser gravemente ferido em combate e helievacuado, tendo porém falecido antes de chegar ao hospital militar de Luanda;

 

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Com a devida vénia, transcrevemos o testemunho do veterano Pára-quedista Vasco Domingues Mendes, com o brevet n.º 4481, sobre a morte do malogrado Tenente Mil.º 'Comando' e 'Pára-quedista'
António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira:

 

 

Testemunho:

 

– «Camaradas, tendo eu participado nesta operação com a 3ªCCP do 21, vou contar como se desenrolou esta tragédia.


Na madrugada do dia 7 de Julho de 1968, por volta das 02:30-03:00 saiu [do quartel de Belas-Luanda] a 3ªCCP do BCP21 em coluna de viaturas, em direcção à zona de embarque de helicópteros Alouette-III, comandada pelo comandante Rafael Durão, na direcção ao norte de Angola.


Já de dia embarquei no primeiro Alouette na companhia do nosso tenente Assoreira. Fazíamos parte do 3° pelotão comandado pelo nosso tenente Cordeiro. Claro que 3ª Companhia se dividiu em pelotões para melhor cercar o inimigo. O 3° Pelotão foi largado sobre a "Grande Rocha", cercada de uma mata densa.


Entrados na mata, qual não foi o nosso espanto vendo dezenas de cubatas (até mesmo escola): entrámos em contacto com os turras à distância e as pessoas encontradas foram evacuadas para zona de segurança.


Nesse dia 7, passámos o tempo a queimar as cubatas e todos os vestígios presentes.


Passámos a noite na "Grande Rocha".


De manhã, dia 8 de Julho de 1968, o nosso tenente Assoreira chamou-me. Aproximei-me. Estava na companhia do nosso comandante Durão e do comandante de pelotão, tenente Cordeiro.

 

Ofereceu-me um pedaço de paio alentejano e um pequeno copo de brandy. Diz-me: "Mendes, o nosso comandante Durão quer que arranjes uns seis ou sete pára-quedistas para vermos se ainda há vestígios de turras"; mas que não iríamos muito longe.


Convoquei uns seis ou sete camaradas. Mais o enfermeiro, o comandante Durão e os tenentes Assoreira e Cordeiro, partimos.


Sempre na mata, andámos muitos quilómetros. A certa altura, uma ordem para entrarmos na picada.


Pensei – e disse –, que seria "um erro, pois os turras de certeza que nos seguiam". Mas, ordens são para se cumprir.


Passado pouco tempo, o inimigo montou uma emboscada com fogo cruzado.


Deitámos por terra, mas logo o nosso tenente Assoreira se levantou com os braços no ar para perseguimos os turras; e logo, fogo novamente.


Vi-o cair por terra, ensaiei para me aproximar; mas o fogo continuava.


A certo momento abrandou e consegui chegar junto dele, abri-lhe o camuflado e a barriga estava negra, o suor era frio.


Disse-me: "Mendes vou morrer".


- "Não", disse-lhe, "vai ser evacuado e no hospital tratam de si".


- "Não vou morrer! Quero que digas aos meus pais, que o filho que vai nascer é meu, que cuidem dele".


Chegou o enfermeiro, que logo se ocupou dele. Chamou-se o helicóptero, preparámos uma maca que levámos para uma clareira. Falei com o nosso comandante Durão, que também foi ferido, e expliquei-lhe o que me disse o nosso tenente Assoreira, para ele dizer a seus pais; também todos os camaradas presentes, estiveram ao corrente.


O helicóptero levantou, voou; e depois, a notícia que ele tinha falecido (o ferimento foi-lhe fatal, hemorragia interna).


A operação continuou.
»¹


¹ (Vasco Domingues Mendes, veterano pára-quedista c/brevet nº 4481; cfr seu testemunho, publicado no facebook: https://www.facebook.com/mendes.vasco.5)

 

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- os seus restos mortais ficaram inumados no cemitério do Alto de São João (Lisboa);


- em 21 de Setembro de 1968 agraciado a título póstumo, com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma.


A sua Alma repousa em Paz.

 

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