|
-
em Dezembro de 1966 no Regimento de Caçadores
Pára-Quedistas (RCP-Tancos), entretanto
voluntário para um curso de pára-quedismo
militar e colocado como chefe do 38º Curso,
conclui aquele curso sendo-lhe atribuído o
brevet nº 4154;
- ao longo do ano de 1967, sendo tenente
miliciano 'comando' e 'pára-quedista', integra
no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP) o
corpo de instrutores de sucessivos cursos de
pára-quedismo;

- em 24 de Junho de 1967 oficialmente abatido ao
efectivo do Batalhão de Caçadores 5 (BC5) e do
Exército, por, entretanto, haver tido passagem à
Força Aérea e aumentado ao efectivo do Regimento
de Caçadores Pára-Quedistas (RCP);
- em 29 de Novembro de 1967 colocado na 2ª
Região Aérea (Angola) e ao aumentado ao Batalhão
de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21-Belas);

- na madrugada de
07 de Julho de 1968 voluntaria-se para uma vasta
acção do "Plano Angola em Armas", a ser lançada
no subsector do Úcua sob a designação "Operação
Pacaça Raivosa", com diversas unidades, de entre
as quais a 3.ª Companhia de Caçadores
Pára-Quedistas do Batalhão de Pára-Quedistas 21
(3ªCCP/BCP21) e na qual se integra, vindo
durante a manhã do dia seguinte, na área da
Mutenda (Roça Bom Jesus), a ser gravemente
ferido em combate e helievacuado, tendo porém
falecido antes de chegar ao hospital militar de
Luanda;
--------------------
Com a devida vénia, transcrevemos o testemunho
do veterano Pára-quedista Vasco Domingues
Mendes, com o brevet n.º 4481, sobre a morte do
malogrado Tenente Mil.º 'Comando' e
'Pára-quedista'
António Manuel Ribeiro
Pinto Assoreira:
Testemunho:
– «Camaradas,
tendo eu participado nesta operação com a 3ªCCP
do 21, vou contar como se desenrolou esta
tragédia.
Na madrugada do dia 7 de Julho de 1968, por
volta das 02:30-03:00 saiu [do quartel de
Belas-Luanda] a 3ªCCP do BCP21 em coluna de
viaturas, em direcção à zona de embarque de
helicópteros Alouette-III, comandada pelo
comandante Rafael Durão, na direcção ao norte de
Angola.
Já de dia embarquei no primeiro Alouette na
companhia do nosso tenente Assoreira. Fazíamos
parte do 3° pelotão comandado pelo nosso tenente
Cordeiro. Claro que 3ª Companhia se dividiu em
pelotões para melhor cercar o inimigo. O 3°
Pelotão foi largado sobre a "Grande Rocha",
cercada de uma mata densa.
Entrados na mata, qual não foi o nosso espanto
vendo dezenas de cubatas (até mesmo escola):
entrámos em contacto com os turras à distância e
as pessoas encontradas foram evacuadas para zona
de segurança.
Nesse dia 7, passámos o tempo a queimar as
cubatas e todos os vestígios presentes.
Passámos a noite na "Grande Rocha".
De manhã, dia 8 de Julho de 1968, o nosso
tenente Assoreira chamou-me. Aproximei-me.
Estava na companhia do nosso comandante Durão e
do comandante de pelotão, tenente Cordeiro.
Ofereceu-me um pedaço de paio alentejano e um
pequeno copo de brandy. Diz-me: "Mendes, o nosso
comandante Durão quer que arranjes uns seis ou
sete pára-quedistas para vermos se ainda há
vestígios de turras"; mas que não iríamos muito
longe.
Convoquei uns seis ou sete camaradas. Mais o
enfermeiro, o comandante Durão e os tenentes
Assoreira e Cordeiro, partimos.
Sempre na mata, andámos muitos quilómetros. A
certa altura, uma ordem para entrarmos na
picada.
Pensei – e disse –, que seria "um erro, pois os
turras de certeza que nos seguiam". Mas, ordens
são para se cumprir.
Passado pouco tempo, o inimigo montou uma
emboscada com fogo cruzado.
Deitámos por terra, mas logo o nosso tenente
Assoreira se levantou com os braços no ar para
perseguimos os turras; e logo, fogo novamente.
Vi-o cair por terra, ensaiei para me aproximar;
mas o fogo continuava.
A certo momento abrandou e consegui chegar junto
dele, abri-lhe o camuflado e a barriga estava
negra, o suor era frio.
Disse-me: "Mendes vou morrer".
- "Não", disse-lhe, "vai ser evacuado e no
hospital tratam de si".
- "Não vou morrer! Quero que digas aos meus
pais, que o filho que vai nascer é meu, que
cuidem dele".
Chegou o enfermeiro, que logo se ocupou dele.
Chamou-se o helicóptero, preparámos uma maca que
levámos para uma clareira. Falei com o nosso
comandante Durão, que também foi ferido, e
expliquei-lhe o que me disse o nosso tenente
Assoreira, para ele dizer a seus pais; também
todos os camaradas presentes, estiveram ao
corrente.
O helicóptero levantou, voou; e depois, a
notícia que ele tinha falecido (o ferimento
foi-lhe fatal, hemorragia interna).
A operação continuou.»¹
¹ (Vasco Domingues
Mendes, veterano pára-quedista c/brevet nº 4481;
cfr seu testemunho, publicado no facebook:
https://www.facebook.com/mendes.vasco.5)
--------------------
- os seus restos
mortais ficaram inumados no cemitério do Alto de
São João (Lisboa);
- em 21 de Setembro de 1968 agraciado a título
póstumo, com a Medalha de Prata de Valor Militar
com palma.
A sua
Alma repousa em Paz.
|