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Armada Portuguesa

Manuel Joaquim Borges, 1.º Sargento Fuzileiro Especial

 

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

 

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

 

 

O SANGUE DUM VALENTE TRANSMONTANO REGOU A TERRA MOÇAMBICANA

 

 

 

Manuel Joaquim Borges

 

1.º Sargento Fuzileiro Especial

 

Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 4

 

Comando Naval de Moçambique

 

Tombou em combate no dia 26 de Agosto de 1969

 

Medalha de Cobre de Valor Militar com palma

(Título póstumo)

 

Cruz de Guerra de 3.ª classe

 

Medalha de Cobre de Serviços Distintos com palma

(Título póstumo)

 

 

 

 

Manuel Joaquim Borges, 1.º Sargento Fuzileiro Especial, natural da freguesia de Carva, concelho de Murça, distrito de Vila Real.

 

Em 20 de Outubro de 1967, 1.º Sargento Fuzileiro Especial n.º 4882, mobilizado para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique, embarcou em Lisboa no NTT 'Príncipe Perfeito', integrado no Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 4 (DFE4);


Em 1968 agraciado com a Cruz de Guerra de 3.ª classe, por distinção em combate durante a Operação Nau;


Em 25 de Agosto de 1969, no decurso de Operação Martelo efectuada na área da Serra Mapé (planalto maconde), gravemente ferido pela detonação de engenho explosivo plantado pelo inimigo, seguidamente helievacuado para a enfermaria militar de Mueda onde veio a falecer no dia seguinte;

 

Paz à sua Alma


Em 10 de Junho de 1971, perante as Forças Armadas Portuguesas reunidas em parada no Terreiro do Paço, em Lisboa, agraciado a título póstumo com a Medalha de Cobre de Serviços Distintos com palma, e com a Medalha de Cobre de Valor Militar com palma.

 

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Medalha de Cobre de Valor Militar com palma

 

Fonte:

Revista da Armada, edição n.º 1

 

Foi concedida a título póstumo, a condecoração com a medalha de cobre de Valor Militar com Palma, ao 1.º Sargento Fuzileiro Especial n.º 4882 MANUEL JOAQUIM BORGES, natural da freguesia de Carva, concelho de Murça, Distrito de Vila Real de Trás-os-Montes.


Na base da concessão desta condecoração está o louvor que lhe foi atribuído pelo Comandante do seu Destacamento e que foi publicado na Ordem da Armada por despacho do Vice-Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, sendo como segue:
«Morte sem glória é suicídio...


À traição morreu o 1.º Sargento FZE MANUEL JOAQUIM BORGES.


Mas a sua morte foi gloriosa: — Para ele, para a Unidade a que pertencia, para a Corporação de que era elemento constituinte.


Morto traiçoeiramente, sucumbiu no seu posto de homem e de chefe responsável, situação que nunca falseou. Estóica, cônscia e altruistamente, deu-se à morte como que em holocausto por todos aqueles que o seguiam — toda a Unidade a que pertencia. Da sua determinação, da sua coragem, do seu sangue-frio, resultou mais uma página gloriosa para a Armada Nacional.


Na participação em quase meia centena de combates, batera-se sempre com o inimigo, cara-a-cara.


Recordo, entre muitas, a Operação «NAU». Sob o seu comando, o Grupo de Assalto «DELTA», seguindo na testa da coluna, foi emboscado. Os primeiros tiros do inimigo feriram o homem que marchava à sua frente e mais dois dos que o seguiam. O Sargento BORGES, mercê da sua grande agilidade e robustez física, sem se abrigar e debaixo de fogo, ziguezagueando correu, isolado, para o numeroso grupo inimigo, disparando sempre, acabando por o pôr em debandada.


Lutando desta forma ao longo de vinte e dois meses, sem permitir que o ódio, esse ódio que destrói qualquer vitória, dele se apossasse, morreu da mais odiosa forma:

 

- À traição.


Alertado por uma detonação aguardou, a peito descoberto, que o inimigo se revelasse. Mas, cobarde, odiosa e traiçoeiramente, o inimigo que ele esperava sem receio, não seria senão um terrível e solitário engenho explosivo, colocado no meio do mato por alguém indigno de lutar frente a frente, em igualdade de meios, com esse exemplar e inolvidável combatente que foi o 1.º Sargento BORGES. Todos os que a seu lado combateram o recordam como exemplo de destemor, de audácia, de demonstração viva e determinação, levada ao risco da própria vida. E, quem assim é recordado, não é somente um combatente:

 

- É um herói.


Ao abrigo do disposto no Regulamento de Disciplina Militar louvo, a título póstumo, e 1.º Sargento FZE MANUEL JOAQUIM BORGES, pelas provas de extraordinário heroísmo, abnegação, valentia e coragem, sangue-frio e serena energia debaixo de fogo, dadas quando, em cerca de meia centena de combates, pôs em risco e perdeu a sua própria vida.»

 

 

 

 

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Fonte:

Revista da Armada, edição n.º 12

 

 

 

 



 

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