Após um notável e raro
trabalho de restauro de parte do piso térreo do edifício
principal, que pôs «a descoberto os apontamentos [de
alguns] dos antigos fornos de biscoito e as respectivas
saídas de ar», por dedicação e conhecimento de alguns
Fuzileiros e apoiado superiormente, em 1984 foi
inaugurada a Sala-Museu do Fuzileiro.
Fazendo uma breve
descrição do actual itinerário do museu, que não intenta
dispensar, mas sim aguçar o interesse para uma próxima
visita, diremos que na entrada, se simboliza a história
do complexo e a história dos Fuzileiros,
consubstanciadas pela estrutura arquitectónica da sala e
nas figuras expostas que retratam os primeiros
antecessores e os Fuzileiros da época contemporânea mais
significativa.
Ainda neste espaço,
complementado por uma das salas, expõem-se alguns dos
bens museológicos alusivos ao fabrico do biscoito, dito,
de mar que, segundo um investigador brasileiro, «são
bolachas duras e salgadas, guardadas em paióis pouco ou
nada arejados. Cada tripulante tem direito a 400 gramas
diárias dessa maçaroca assada nos fornos reais de
Palhais e do Vale de Zebro, em Lisboa. Só entre 1505 e
1507, o Zebro fabricaria 300 toneladas de biscoito por
ano. Significa um milhão de rações diárias produzidas
apenas para abastecer a despensa dos navios portugueses.
Brincam os historiadores que estas intragáveis bolachas
de farinha, de bolor fedorento e adoradas pelas baratas,
são o motor da história das navegações».
O interior do museu
dá-nos uma imagem singular da sólida traça pombalina,
onde domina o tijolo a cutelo e os tectos se organizam
em abóbadas de "barrete" as centrais e de "berço" as
laterais, ao longo das quais está exposto o acervo que
ilustra o historial dos Fuzileiros.
À saída da Sala-Museu, no
exterior, pode apreciar-se a arcada, em corredor, de
cariz, também, pombalino que se prolonga a todo o piso
térreo do edifício mais representativo do Complexo Real
de Vale do Zebro.
Pelo que representa como
valor simbólico e afectivo, a Sala Museu dos Fuzileiros,
é o local de visita obrigatória dos Fuzileiros de ontem
e de hoje, e por extensão das famílias e amigos, que
frequentemente se encontram na Escola de Fuzileiros, não
só para recordarem os momentos vividos e manterem, vivas
as referências mas, também pelas condições ambientais
impares que o local reúne.
As visitas de, como se
diz na gíria militar, "civis" cifram-se anualmente em
cerca de 600, sendo que a maioria são de escolas e de
outras instituições da área educativa, cultural e
ambiental, sobretudo do Concelho do Barreiro e
limítrofes, facto de que muito nos orgulhamos.
Foi, também, por estas
razões que se equacionou uma beneficiação e remodelação
dos espaços e do património do museu, cuja primeira fase
terminou em 29 de Julho de 2005 e posteriormente, numa
segunda fase de ampliação, inaugurada no âmbito das
Comemorações do Dia do Corpo e da Escola de Fuzileiros,
em 10 Novembro de 2006.
Que a pluralidade de
"entradas" e a diversidade de domínios que o património
natural e o historial do espaço conotado com o Complexo
Real de Vale do Zebro, inclusive a Sala Museu do
Fuzileiro, encerram, se constitua um desafio aos
investigadores e estudiosos das diversas áreas do
conhecimento potencialmente representadas.