Furriel Miliciano de Cavalaria
‘Comando’
AUGUSTO ANTÓNIO DA FONSECA MONTÊS
4ªCCmds - RAL 1
MOÇAMBIQUE
2.ª CLASSE
Transcrição da Portaria
publicada na Ordem do Exército n.º
12 - 3.ª série, de 1969.
Por Portaria de 25 de Março de 1969:
Manda o Governo da República
Portuguesa, pelo Ministro do
Exército, condecorar com a Cruz de
Guerra de 2.ª classe, ao abrigo dos
artigos 9.º e 10.º do Regulamento da
Medalha Militar, de 28 de Maio de
1946, por serviços prestados em
acções de combate na Província de
Moçambique, o Furriel Miliciano de
Cavalaria ‘Comando’, Augusto António
da Fonseca Montês, da 4.ª Companhia
de Comandos - Regimento de
Artilharia Ligeira n.º 1.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Publicado nas Ordens de Serviço n.º
28, de 30 de Agosto de 1968, do
Comando-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique e n.º 72 de 7 de Setembro
do mesmo ano, do Quartel General da
Região Militar de Moçambique)
Que, o General Comandante-Chefe das
Forças Armadas de Moçambique, por
seu despacho de 29 de Agosto de 1968
e por proposta do Comandante da
Região Militar de Moçambique, louvou
o Furriel Miliciano de Cavalaria
‘Comando’, Augusto António da
Fonseca Montês, da 4.ª Companhia de
Comandos, pela maneira magnífica
como tem demonstrado ser possuidor
de inegáveis qualidades de
estoicismo, sangue frio e de uma
excelente e enérgica determinação de
obter sempre bons resultados em
combate, alheio aos riscos pessoais,
a sacrifícios ou hesitações por mais
árdua, difícil ou perigosa que seja
a missão.
Em todas as missões em que tem
tomado parte, o Furriel Montês põe
sempre no seu cumprimento integral
toda a sua boa vontade, todo o seu
entusiasmo e espírito de sacrifício,
contagiando os seus subordinados,
que o seguem sem a mais pequena
hesitação.
Das muitas acções em que se tem
distinguido, destacamos a "Falcão
III", em que teve comportamento
brilhante, durante a acção e tendo
na parte final abatido com um único
tiro certeiro, à distância de 120
metros, uma sentinela inimiga
armada, tendo-lhe capturado a arma.
Na Operação "Marte" foi dada ao
Furriel Montês a responsabilidade de
comandar um Grupo de Comandos, tendo
cumprido total e brilhantemente a
missão de que foi incumbido. Logo
que caiu a primeira bomba, lançada
pela Força Aérea Portuguesa, correu
cerca de 500 metros, para tapar uma
das direcções mais prováveis da fuga
do inimigo; ainda não tinha atingido
a posição que lhe tinha sido
determinada, quando o inimigo abriu
sobre ele e seu pessoal nutrido
fogo.
De reacções rápidas, o Furriel
Montês, coadjuvado pelo seu pessoal,
entra em combate e abate seis
elementos armados, capturando-lhes
as armas.
Correcto no trato, disciplinado e
disciplinador, é, pelas qualidades
apontadas e pelos excelente serviços
já desempenhados, bem digno do
reconhecimento do Exército que serve
e da gratidão da Pátria, que merece.
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4.ª Companhia de Comandos
Identificação:
4ªCCmds
Unidade Mobilizadora:
Regimento de Artilharia Ligeira 1
(RAL1 – Sacavém)
Comandantes:
Capitão Mil.º
‘Comando’ Horácio Francisco Martins
Valente
Capitão Mil.º ‘Comando’ José Manuel
da Glória Belchior
Alferes Mil.º ‘Comando’ Gonçalo Nuno
Duarte Sampaio Fevereiro
Divisa:
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»
Partida:
Embarque no dia 9 de Novembro de
1966; Desembarque no dia 26 de
Novembro de 1966
Regresso:
Embarque no dia 19 de Novembro de
1968
Síntese da Actividade Operacional
Desembarcou em Lourenço Marques, a
26 de Novembro de 1966, seguindo
para Vila Cabral, onde decorreu a
2.ª fase da instrução de 2 de
Dezembro de 1966 a 22 de Março de
1967.
Na situação de intervenção do Sector
A (ali sedeado), desenvolveu intensa
actividade operacional em várias
regiões, nomeadamente:
Bandece,
Maniamba,
Cantina Dias,
Unango,
Metangula,
Lunho,
Muembe,
Massangulo, do rio Lucheringo,
confluência dos rios Litcheze e
Luangua e
Monte Chissindo, efectuando entre
outras, as operações:
"Aleluia",
"Bendo",
"Bicada",
"Condor",
"Falcão 1 e 3",
"Corvo 1 e 3",
"Marte",
"Demonstração",
"Luar Novo",
"Alferes Abreu",
"Raio de Luz" e
"Gungunhana" (no regresso desta, a
Vila Cabral, integrada numa coluna
auto em Nova Coimbra, percorridos
poucos quilómetros, a viatura da
frente, onde seguia o Comandante da
Companhia [Capitão
Mil.º ‘Comando’ Horácio Francisco
Martins Valente] e um
oficial subalterno, accionou uma
mina Anti-Carro, em 11 de Agosto de
1968, causando a morte do 1.º e
ferimentos graves no 2.º.
De salientar a operação "Marte",
efectuada com o reforço de um grupo
de milícias e apoiada pela Força
Aérea, na zona do monte Chissindo
(Lunho), que resultou em 1 de Abril
de 1968, a destruição da base
Provincial Gungunhana, muitas baixas
inimigas e a captura de grande
quantidade de material de guerra e
documentos e a destruição de
depósito com quantidade considerável
de fardamento e calçado.
Participou nas operações
"Pamplona" (nascentes do rio
Lucambo),
"Cá Estamos" (NE de Muembe),
"Bom Começo" (zona entre os rios
Luangua e Luambala e localidades de
Cantina de Matucuta e Jambone),
"Pois é" (zona do rio Lugola) e
"Filho Prodigo" (Unango).
