Esteve o Batalhão de
Artilharia 1922 (BArt1922), mais
conhecido pelo Batalhão dos
Magriços, em Angola desde Agosto de
1967 a Setembro de 1969 na fronteira
Norte junto à RDC (República
Democrática do Congo). Dois longos
anos se passaram na região de Noqui,
pois o Batalhão não rodou.

A zona à sua responsabilidade era de
características muito ingratas — o
inimigo não estava radicado, mas
passava com destino ao interior
vindo do Congo, ou vice-versa, ou
ainda permanecia alguns dias nos
locais mais afastados e de difícil
acesso a fim de caçar — sem
objectivos definidos que
proporcionassem à tropa resultados
palpáveis e que contribuíssem para
manter o seu moral elevado.

Apesar das dificuldades apontadas, o
Batalhão dos Magriços saiu-se
airosamente da sua missão,
alicerçando a sua vontade de bem
cumprir em um apreciável espírito de
corpo.
A actuação dos Magriços foi
publicamente reconhecida nos seus
múltiplos aspectos, com especial
relevo para as dificuldades que
conseguiu criar aos grupos inimigos
em trânsito, ao colaborar e apoiar
as populações locais, tanto no
interior de Angola como para lá da
fronteira, e ainda estabelecer
interessantes e frutuosas relações
de vizinhança com as autoridades
militares, civis e tradicionais do
Congo (Kinshasa).

O Batalhão de Artilharia 1922
(BArt1922), tendo como unidade
mobilizadora o Regimento de
Artilharia Pesada 2 (RAP2 - Vila
Nova de Gaia), partiu a 5 de Agosto
de 1967 no «Vera Cruz», rumo a
Angola.
Depois de curta estadia no Grafanil,
o Batalhão seguiu no dia 25 do mesmo
mês para o Norte, instalando-se na
região de Nóqui.
A fim de contrariarem os intentos do
inimigo, que utilizava aquela região
como «zona de passagem», os
especialistas de minas e armadilhas
fizeram rapidamente a cobertura de
toda a área, com especial incidência
para as infiltrantes preferidas pelo
inimigo em cada zona de acção da
Companhia.

Os resultados não se fizeram esperar
e foi neste tipo de acção que o O
Batalhão de Artilharia 1922
(BArt1922) provocou ao inimigo o
maior número de baixas.
A actividade operacional dos
Magriços, intensa, tornou-se
desgastante devido ao tipo de
terreno, fortemente acidentado, que
os obrigava a subir e descer morros
e mais morros. Alguns grupos
inimigos em trânsito ou de caçadores
foram interceptados pelas Nossas
Tropas, que lhes infligiram baixas,
tendo abandonado grandes quantidades
de caça assim como outros artigos e
também material de guerra.

As operações «Falcão», «Jagudi»,
«Jagudi 2», «Sudoeste 1», «Sudoeste
2» e «Perseguição» são de realçar
pelo volume de forças empenhadas ou
ainda pelo considerável esforço e
desgaste exigido às nossas Tropas,
atingindo-se as zonas mais afastadas
e de difícil acesso.
Os Magriços também se preocuparam
grandemente com a Acção Psicológica,
que ninguém pode ignorar neste tipo
de guerra, desenvolvida não só sobre
a reduzida população local, mas
especialmente sobre os refugiados
angolanos que residiam, desde 1961,
nas sanzalas congolesas da zona
anexa a Matadi, algumas delas mesmo
em cima da fronteira. Este tipo de
acção foi iniciado com o auxílio de
megafones, tendo posteriormente sido
possível chegar à fala com aqueles
elementos nas respectivas sanzalas,
facto até então inédito.

Ainda dentro do campo da Acção
Psicológica, o trabalho dos Magriços
fez-se sentir na assistência social
e sanitária, com a construção de
balneários e lavadouros públicos
destinados à população africana de
Nóqui e ainda de casas geminadas
para sargentos e suas famílias, que
foram entregues por estrear ao
Batalhão vindouro.

Por outro lado, tanto o Comandante
do Batalhão como elementos de
algumas das suas Companhias se
esforçaram por fomentar as relações
de vizinhança com as autoridades
congolesas, relações essas quase
sempre de amizade e de mútua
compreensão, sem no entanto se
descurar qualquer atitude mais firme
a tomar sempre que fosse oportuno.
Paralelamente, as relações com a
nossa Marinha foram as melhores,
havendo constantes reuniões entre os
oficiais e chegando-se a realizar
jogos de futebol entre as equipas
dos Magriços e das guarnições de
alguns navios.

Finalmente, deu-se grande
importância à montagem e
funcionamento das Escolas
Regimentais - 51 aprovações na 3.ª
classe e 101 na 4.ª - e à realização
de espectáculos desportivos e
recreativos, os quais tiveram sempre
a colaboração da população civil.
Todas as Companhias criaram os seus
conjuntos musicais com relevo para
«Magriços 4+1» e «Os Operacionais»
que actuaram com muito agrado em
espectáculos realizados em Santo
António do Zaire.
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Batalhão de Artilharia N.º 1922
Identificação:
BArt1922
Unidade Mobilizadora:
Regimento
de Artilharia Pesada 2 (RAP2 - Vila
Nova de Gaia)
Comandante:
Tenente-Coronel de Artilharia Manuel
Andrade de Beires Junqueira
2.º Comandante:
Major de
Artilharia José Fernando Graça
Pereira do Nascimento
Oficial
de Informações e Operações/Adjunto:
Capitão de
Artilharia Francisco Matias Barão da
Cunha
Comandantes de Companhia:
Companhia de Comando e Serviços
(CCS):
Capitão do
Serviço Geral do Exercito Abílio
Correia Neves
Companhia de Artilharia 1725
(CArt1725):
Capitão
Mil.º de Infantaria Joaquim Inácio
Machado de Sola Campos
Capitão de Infantaria Joaquim Pires
Antunes Rapoula
Companhia
de Artilharia 1726 (CArt1726):
Capitão de
Artilharia Augusto Manuel de Lima
Contente de Sousa
Companhia de Artilharia 1727
(CArt1727):
Capitão de
Artilharia João António Duarte
Figueira
Divisa:
"Os Magriços"
Partida:
Embarque
no dia 5 de Agosto de 1967, no NTT
«Vera Cruz»; desembarque em Luanda
no dia 14 de Agosto de 1967
Regresso:
Embarque no dia 8 de
Setembro de 1969, no NTT «Vera
Cruz»; desembarque em Lisboa, no dia
17 de Setembro de 1969.
Síntese
da Actividade Operacional
O Batalhão
foi destinado ao subsector de Nóqui,
no Sector F, da ZIN (Zona de
Intervenção Norte), onde rendeu o
Batalhão de Artilharia 1854
(BArt1854), assumindo a
responsabilidade do subsector em 3
de Setembro de 1967.
O dispositivo inicialmente adoptado
foi o seguinte: o
Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e Companhia de
Artilharia 1725 (CArt1725) em Nóqui,
a
Companhia de Artilharia 1726
(CArt1726) em Cabeço da Velha e a
Companhia
de Artilharia 1727 (CArt1727) em
Cabeço do Tope; de reforço, tinha a
Companhia de Caçadores 1737
(CCac1737) em M'Pala, depois rendida
em Novembro de 1968 pela Companhia
de Cavalaria 2333 (CCav 2333); os
órgãos de apoio de fogos eram o
Pelotão de Morteiros 1032
(PelMort1032), o
Pelotão de Canhões Sem Recuo 1199
(PelCanhSRc1199), e também uma
Secção de Radar do Pelotão de
Artilharia Antiaérea 111 (SecRadar/PeIAAA111),
todos em Nóqui, com mais dois Grupos
de Combate de Tropas Especiais (GComb/TE);
temporariamente, reforçou o Batalhão
de Artilharia um
Pelotão
de Artilharia da Bateria 513 do
Grupo de Artilharia de Campanha 1 (PelArt/Btr513/GAC1,
da Guarnição Normal.
Durante a comissão as subunidades do
Batalhão rodaram entre si pelos três
aquartelamentos atrás referidos.
Em meados de Junho de 1969, após ter
sido substituída em M'Pala pela
Companhia de Artilharia 1726
(CArt1726), a Companhia de Cavalaria
2333 (CCav 2333) foi deslocada para
M'Pozo, deixando de reforçar o
Batalhão de Artilharia.
O dispositivo então
existente passou a ser o seguinte: o
Comando, Companhia de
Comando e Serviços (CCS) e Companhia
de Artilharia 1727 (CArt1727) em
Nóqui, a
Companhia de Artilharia 1726
(CArt1726) em M'Pala, com um
destacamento em Cabeço do Tope e a
Companhia de Artilharia 1725
(CArt1725) em Cabeço da
Velha,
tendo em apoio de fogos o
Pelotão de Morteiros 1235
(PelMort1235), o
Pelotão de Canhões
Sem Recuo 2132 (PelCanhSRc2132) e
ainda uma
Secção de Radar do Pelotão de
Artilharia Antiaérea 2058 (SecRadar/PeIAAA2058),
todos estes em Nóqui.
Na zona de acção, o
Batalhão de Artilharia empenhou-se
numa constante actividade de
patrulhamento e emboscadas, no
sentido de barrar as infiltrações
de/e para o país vizinho.
No entanto, essa permanente e
distribuída actividade não colheu
resultados volumosos, pois que os
grupos inimigos de passagem eram
muito dificilmente detectáveis.
Entretanto, registam-se os
resultados das acções "Miramar" e
"Perseguição", que se traduziram em
baixas para o inimigo, que aliás
nunca atacou qualquer
aquartelamento, nem emboscou
seriamente as Nossas Tropas, as
quais obtiveram êxitos na densa
montagem de armadilhas que, essas
sim, causaram baixas muito sensíveis
ao inimigo.
Ainda, forças do Batalhão
colaboraram na operação "Nova Luz",
efectuada de 28 de Agosto a 30 de
Outubro de 1968, na região da
Fazenda Maria Fernanda, até ao rio
Dange.
Em 31 de Agosto de 1969, o Batalhão
foi rendido pelo Batalhão de
Artilharia 2882 (BArt2882).
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Os mortos em campanha
Damião de Melo Lopes

Damião de Melo Lopes, 1.º Cabo de
Transmissões, n.º 00264567, natural
do lugar de Vila Pouca, da freguesia
e concelho de Tarouca, filho de José
Lopes Cardoso e de Ana Rebelo,
solteiro.
Integrou a Companhia de Comando e
Serviços (CCS/BArt1922.
Faleceu no dia 14 de Janeiro de
1968, em Nóqui, no Rio Zaire, vítima
de afogamento.
Está inumado no cemitério de
Tarouca.
Torcato Plácido Coelho

Torcato Plácido Coelho, 1.º Cabo,
n.º 00569567, natural da freguesia
de Ataíde, concelho de Amarante,
filho de Rodrigo Coelho e de Elvira
Pálido Vieira, solteiro.
Integrou a Companhia de Artilharia
1726 (CArt1726/BArt1922).
Faleceu no dia 17 de Dezembro de
1967, no Cabeço da Velha, vítima de
ferimentos em combate, no itinerário
de Lucala ao Cabeço da Velha, depois
da patrulha ter passado por N'Cossa
de Baixo.
Está inumado no cemitério de
Ermesinde, no concelho de Valongo.
António Oliveira Teixeira

António Oliveira Teixeira, Soldado
Atirador, n.º 00865867, natural do
lugar da Boavista, da freguesia de
Bitarães, concelho de Paredes,
solteiro.
Integrou a Companhia de Artilharia
1726 (CArt1726/BArt1922).
Faleceu no dia 14 de Maio de 1968,
no Hospital Militar de Luanda,
devido a um acidente de viação
ocorrido no dia 7 de Maio de 1968,
numa coluna de reabastecimento de
lenha.
Está inumado no cemitério de
Bitarães, concelho de Paredes.
Manuel Dias da Costa Patela

Manuel Dias da Costa Patela, Soldado
Atirador, n.º 00968567, natural da
freguesia e concelho de Espinho,
filho de Manuel da Costa Patela e de
Maria Oliveira Dias, solteiro.
Integrou a Companhia de Artilharia
1727 (CArt1727/BArt1922).
Faleceu no dia 16 de Abril de 1968
vítima de acidente de viação,
ocorrido no itinerário Estrada Mina
- Cabeço da Velha.
Está inumado no cemitério de
Arcozelo, Vila Nova de Gaia
As suas Almas repousam em Paz
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Livro
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"Os
Morros de Nóqui"
autor: Cláudio Lima