Jornal do Exército
Edição 96, de
Dezembro de 1967
O
Batalhão de Artilharia n.º 525, constituído por
Comando, Companhia de Comando e Serviço, Companhia
de Artilharia n.º 522, Companhia de Artilharia n.º
523, Companhia de Artilharia n.º 524 e com o
Regimento de Artilharia Pesada n.º 2 (Vila Nova de
Gaia) como Unidade mobilizadora, embarcou em Lisboa
com destino a Angola em 16 de Julho de 1963,
chegando a Luanda em 27 do mesmo mês.
O Batalhão encontra-se, a partir de 1 de Setembro de
1963, ocupando as regiões de Micula e Quipedro. Esta
vasta região estendia-se entre os rios Lué, Loge,
Vamba, Calambinga e com excepção da área de Quipedro
ainda não tinha sido ocupada militarmente, com
carácter permanente, desde a eclosão do terrorismo
em Angola.

Após um período de sobreposição com um Batalhão de
Caçadores que nos antecedera em missão de
reconhecimento, iniciou o Batalhão de Artilharia n.º
525, com a Companhia de Caçadores n.º 384 em
reforço, o reconhecimento de toda a sua Zona de
Acção, tendo as Companhias desenvolvido intensa
actividade operacional que, em fins de Fevereiro de
1964, permitia ter um conhecimento perfeito do
terreno e das áreas de reconhecimento do inimigo.

De Março de 1964 a Agosto, procurou-se então reduzir
as organizações «fortes» do inimigo, tendo-se notado
cerca de uma dezena de operações, sendo de destacar,
pelas dificuldades que se tiveram que vencer, as
operações RAIO VERDE, RAIO DOURADO e CONTRADANÇA e,
pelos resultados obtidos, as operações RAIO NEGRO,
RAIO VERMELHO, VAMOS À ESPIGA, RAIO FULMINANTE e
PALANCA NEGRA. Neste mesmo período ainda o Batalhão
colaborou na operação TERCEIRO ANO e nas operações
CHELA 2 e OUTRA VEZ.
Contam-se por dezenas as acções de
fogo inimigo sobre as nossas tropas, sendo de
realçar a sua reacção à penetração numa mata de
refúgio, emboscando e atacando por cinco vezes as
nossas tropas que, apesar disso, atingiram o
objectivo que lhe fora determinado, sem quaisquer
baixas.
Rendido neste Sector por um Batalhão de Caçadores,
deixa a região com a certeza de ter cumprido a
missão que lhe fora cometida, e as vidas dos seus
homens caídos em combate, que ficaram para sempre
sepultados no pequeno cemitério de Quipedro, são
provas indeléveis do sacrifício, do valor e do
heroísmo que se opunham às dificuldades a vencer.

A 19 de Agosto inicia o seu movimento para uma nova
Zona de Acção e a partir de 3 de Setembro, com a
Companhia de Artilharia n.º 419 em reforço, passa a
ter a responsabilidade dessa zona.
Aqui passam as Companhias a desempenhar grande
actividade de patrulhamento, levando a presença das
nossas tropas até aos locais mais recônditos.
Simultaneamente, empenha-se o
Batalhão na redução do Inimigo no limite Sul do
Sector vizinho, para o que monta inúmeras
acções.
Para isso foi necessário submeter o pessoal a uma
intensa instrução para o tornar apto a fazer
operações especiais pela natureza do terreno e
obstáculos a vencer. Destas acções, pelos resultados
obtidos, é de salientar as operações LAGOAS DE ALÉM,
JACARÉS DO ZENZA, FANTASMAS NA NOITE, FANTASMAS DE
BOTE, PRENDAS DOS FANTASMAS e FESTA DOS FANTASMAS.
Em traços muito largos, deu-se uma descrição
retrospectiva do que foi a vida de uma família, que
se formou através dum trabalho constante, se foi
cimentando com os perigos vividos, e que, BRAVOS E
SEMPRE LEAIS, se deu totalmente à defesa da Pátria,
enaltecendo-a para GLÓRIA DO EXÉRCITO de PORTUGAL.
O Batalhão de Artilharia n.º 525 regressou à
Metrópole no «Vera Cruz», tendo desembarcado cm
Lisboa no dia 6 de Outubro de 1965.