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Condecorações

Gregório Vicente, Soldado de Infantaria

 

  "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas, mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA  

 

Gregório Vicente
 

Soldado de Infantaria, n.º 73070864
 

1.ª Companhia do


Batalhão de Caçadores 14
«EM GUARDA»
«FRONTEIROS DO NORTE»


Faleceu no dia 15Fev1968
 

Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma
(Título póstumo)


HOMENAGEM AO SOLDADO GREGÓRIO VICENTE


«O Brilho do Sacrifício Supremo de um Fronteiro do Norte»


«Tomando parte numa acção (...), accionou poderosa armadilha, sendo atingido pela maior quantidade de carga e estilhaços... só por um alto espírito de sacrifício e abnegação se justificará não ter esboçado qualquer gesto de defesa, mas sim o da cobertura da armadilha com o seu corpo, gesto que salvou todos os restantes elementos do grupo...» Transcrição do louvor póstumo, 1969


Evocamos hoje, com o mais profundo respeito, admiração e eterna gratidão, a memória e o heroísmo do Soldado de Infantaria Gregório Vicente (N.º 73070864).


Natural da Vila de Meconta, em Moçambique, filho de Vicente e de Elisa, o jovem Gregório era a definição do soldado devotado. Mobilizado pela Região Militar de Moçambique sob o lema «Constans et Perpetua Voluntas», integrou com orgulho a 1.ª Companhia do Batalhão de Caçadores 14, os destemidos «Fronteiros do Norte».


Durante quatro anos de serviço — mais de três dos quais na linha da frente —, o Soldado Vicente participou em mais de duas dezenas de ações de combate. Era o homem de absoluta confiança, o camarada leal e o militar eficiente que, por amor à sua pátria e aos seus irmãos de armas, já se tinha voluntariado para continuar a servir na sua Companhia operacional.


O Gesto Imortal


No dia 15 de fevereiro de 1968, na região de Quissanga, o destino exigiu-lhe o impensável. Ao caminhar num grupo que incluía o seu próprio Comandante de Companhia, uma poderosa armadilha inimiga foi acionada.


Numa fração de segundo, onde o instinto humano ditaria a fuga, a alma deste soldado escolheu a glória. Com uma abnegação sobre-humana, Gregório Vicente usou o seu próprio corpo de escudo, cobrindo a armadilha para abafar a explosão. Recebeu o impacto total e fatal dos estilhaços. Ao abdicar da sua jovem vida, salvou a de todos os camaradas que o acompanhavam.


A Eterna Memória e o Reconhecimento


Pelo seu acto de bravura extrema e generosidade pura, foi agraciado a título póstumo com a Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma, através da Portaria de 28 de Janeiro de 1969, assinada pelo então Ministro do Exército, J. M. de Bethencourt Rodrigues (Ordem do Exército n.º 7 – 3.ª série, de 1969).


O Soldado Gregório Vicente partiu cedo demais, mas o seu nome ficou gravado a letras de ouro na história militar. O seu corpo repousa na sepultura n.º 1978, no cemitério de Porto Amélia, em Moçambique, mas o seu exemplo inesquecível de heroísmo continua vivo no coração de todos os que usam e honraram a farda de Caçador.


Ao Soldado Gregório Vicente, o nosso mais sentido e respeitoso tecto de armas. Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos.


Paz à sua Alma.

 

Sempre «Em Guarda» na nossa memória!

 


 

 

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