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Nota de óbito

João Maques Gonçalves de Araújo, Alferes Mil.º de Artilharia, da CArt565

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

e

nota de óbito

Com a devida vénia, foto extraída do sítio Combatentes de Avintes, in facebook

 

e informação do óbito enviada pelo

PQ Pedro Castanheira

 

João Marques Gonçalves de Araújo

 

Alferes Mil.º de Artilharia

 

Comandante de pelotão da

 

Companhia de Artilharia 565

«BRAVOS E SEMPRE LEAIS»

 

Guiné: 18Out1963 a 28Out1965

 

 

Cruz de Guerra de 3.ª classe

 

Louvor Individual

 

João Marques Gonçalves de Araújo, Alferes Mil.º de Artilharia;


Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP2 – Vila Nova de Gaia) «BRAVOS E SEMPRE LEAIS» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné;


No dia 12 de Outubro de 1963, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Índia’, como comandante de pelotão da Companhia de Artilharia 565 (CArt565) «BRAVOS E SEMPRE LEAIS», rumo ao estuário do Geba (Bissau), onde desembarcou no dia 18 de Outubro de 1963;


A sua subunidade de artilharia, comandada pelo Capitão de Artilharia Luís Manuel Soares dos Reis Gonçalves, após o desembarque, foi atribuída ao Batalhão de Caçadores 600 (BCac600) «FIRMES E CONSTANTES», a fim de substituir a Companhia de Caçadores 152 (CCac152) no dispositivo e manobra de segurança e protecção das instalações e das populações da área da linha de Bissau, estabelecendo a sua sede em Bissau; em 18 de Dezembro de 1963, foi transferida para Fulacunda, rendendo por troca a Companhia de Caçadores 274 (CCac274) e ficando integrada no dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores 599 (BCac599), com vista à actuação em patrulhamentos, batidas, emboscadas e segurança das populações naquela zona de acção; em 10 de Agosto de 1965, foi substituída no sector de Fulacunda pela Companhia de Caçadores 1420 (CCac1420) do Batalhão de Caçadores 1857 (BCac1857) «TRAÇANDO A VITÓRIA», seguindo para o subsector de Nhacra, com um pelotão em Safim, onde rendeu a Companhia de Artilharia 495 (CArt495) «EM PERIGOS E GUERRAS ESFORÇADOS» em 12 de Agosto de 1965, ficando então integrada no Batalhão de Caçadores 1857 (BCac1857) «TRAÇANDO A VITÓRIA»; em 26 de Outubro de 1965, foi substituída no subsector de Nhacra pela Companhia de Cavalaria 1484 (CCav1484) «VONTADE E AUDÁCIA» - «QUO TOTA VOCANT» e seguiu para Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.


Em 28 de Outubro de 1965, embarcou no NTT ‘Niassa’ de regresso à Metrópole, onde desembarcou no dia 03 de Novembro de 1965;


Louvado e agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª classe por feitos em combate no teatro de operações da Guiné Portuguesa, pela Portaria de 20 de Setembro de 1966, publicado na Ordem do Exército n.º 20 – 2.ª série, página 2082, de 15 de Outubro de 1966 e referenciado no Jornal do Exército n.º 84, página 44, de Dezembro de 1966:


Alferes Miliciano de Artilharia
JOÃO MARQUES GONÇALVES DE ARAÚJO
 

CArt565 - RAP2
GUINÉ


3.ª CLASSE


Transcrição da Portaria publicada na Orem do Exército n.º 20 - 2.ª série, de 15 de Outubro de 1966.


Por Portaria de 20 de Setembro de 1966:


Condecorado com a Cruz de Guerra de classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o Alferes Miliciano de Artilharia, João Marques Gonçalves de Araújo, da Companhia de Artilharia n.º 565 integrada no dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores n.º 599 - Regimento de Artilharia Pesada n.º 2.


Transcrição do louvor que originou a condecoração.


(Publicado na Ordem de Serviço, de 20 de Dezembro de 1966, do Batalhão de Caçadores 599):


Louvo o Alferes Miliciano, João Marques Gonçalves de Araújo, da Companhia de Artilharia 565, por, durante os dois anos em que prestou serviço na Companhia sempre se ter revelado como um oficial competente, sabedor, dedicado ao serviço, sincero, correcto, camarada, disciplinado e disciplinador, tratando o pessoal do seu Pelotão com espírito de justiça, de rectidão e humanidade.


Revelou-se óptimo auxiliar do comando em todos os trabalhos de que foi incumbido, principalmente na direcção das Escolas Regimentais, onde desenvolveu um trabalho activo, impulsionando-as e assistindo-as para que todo o pessoal obtivesse o máximo de habilitações literárias possíveis, o que se verificou e, também, no âmbito das actividades recreativas e desportivas da Companhia, de que foi um incansável organizador e impulsionador, dedicando-lhes as suas merecidas horas de descanso.


Mercê das qualidades evidenciadas criou, como Comandante de Pelotão, um grupo bastante homogéneo, aguerrido, sempre pronto para todas as circunstâncias e bastante trabalhador, pelo que mereceu a confiança do Comando para qualquer missão de que fosse incumbido.


No campo operacional e durante os 19 meses em que permaneceu numa zona de actividade bastante intensa, sempre se revelou como um oficial aguerrido, mas sensato, com calma e ponderação nos momentos mais perigosos e difíceis, nomeadamente debaixo de fogo, onde pôs à prova a sua coragem e espírito de sacrifício, muitas vezes ocupando os lugares da frente, demonstrando possuir sangue-frio, grande decisão e óptimas qualidades como condutor de homens em circunstâncias de bastante risco.


Tomou parte em variadíssimas operações como Comandante do seu Pelotão ou de outras Forças Conjuntas, e em todas elas manifestou as qualidades já apontadas, sendo de realçar a sua actuação nas Operações "Gala", "Alvor", "Grato", "Dedal", "Planeta", "Jaula", e ainda na operação "6/Q/64", na qual, quando as nossas tropas entraram numa tabanca e o inimigo desencadeou fogo intenso, o Alferes Araújo, com mais alguns homens que estavam do lado onde havia mais tiroteio, reagiu prontamente e com decisão, de modo a pôr o inimigo em debandada.


Por tudo o que atrás fica referido é o Alferes Araújo merecedor da estima e consideração de todos os seus subordinados e superiores e do reconhecimento das Forças Armadas.
 

 

 

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