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Condecoração

José de Amorim Cerqueira, 1.º Cabo de Infantaria, n.º 1208/65

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

 

José de Amorim Cerqueira

 

1.º Cabo de Infantaria, n.º 1208/65

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Companhia de Caçadores 1487

 

Guiné: 20Out1965 a 01Ago19687

 

 

Cruz de Guerra de 4.ª classe

 

Biografia Militar: José de Amorim Cerqueira

1.º Cabo de Infantaria (N.º 1208/65)

1. Mobilização e Partida para o Ultramar

José de Amorim Cerqueira, 1.º Cabo de Infantaria com o número mecanográfico 1208/65, foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria 15 (RI15 – Tomar), unidade sob as divisas «NON NOBIS» e «FIRMES E CONSTANTES», para cumprir a sua comissão de serviço na Província Ultramarina da Guiné.

A 20 de Outubro de 1965, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio de Transporte de Tropas (NTT) Niassa, integrado num Grupo de Combate da Companhia de Caçadores 1487 (CCac1487). O navio rumou ao estuário do Geba, em Bissau, onde a força militar desembarcou a 26 de Outubro de 1965.

2. Percurso Operacional na Guiné

A CCac1487, comandada pelo Capitão de Infantaria Alberto Fernão de Magalhães Osório, teve uma comissão marcada por diferentes frentes de atuação:

  • Bissau (Outubro de 1965): Inicialmente instalada na capital, sob a dependência do Batalhão de Caçadores 1857 (BCac1857), a companhia rendeu a CCac557 na proteção de populações e instalações.

 

  • Mansoa (Novembro de 1965): Entre 10 e 18 de Novembro, o Cabo Cerqueira realizou instrução de adaptação operacional orientada pelo Batalhão de Artilharia 645 (BArt645), batizando-se em combate numa operação na zona de Sabá.

 

  • Subsector de Fulacunda (Janeiro de 1966 a Janeiro de 1967): A sua unidade assumiu a responsabilidade deste subsector, rendendo a CCac1420 e integrando o dispositivo do Batalhão de Caçadores 1860 (BCac1860). Ali, participou em várias operações de relevo nas regiões de Naja (Braia), Jufá e Gã Formoso — destacando-se a operação "Negaça", a 18 de Maio de 1966.

 

  • Subsector de Nhacra (Janeiro a Julho de 1967): A companhia foi transferida para Nhacra (rendendo a CCac797), operando com destacamentos em Safim, ponte de Ensalmá, João Landim e Dugal, sob a alçada do Batalhão de Artilharia 1904 (BArt1904).

A 31 de Julho de 1967, a subunidade foi rendida pela CArt1648. No dia seguinte, 01 de Agosto de 1967, o Cabo Cerqueira e os seus camaradas embarcaram no navio Niassa de regresso à Metrópole.

3. Actos de Heroísmo em Combate

No teatro de operações, o 1.º Cabo Cerqueira desempenhou as funções de Apontador de lança-granadas foguete. Destacou-se pelo seu brio, energia gélida e um desassombro invulgar debaixo de fogo, expondo-se frequentemente a descoberto para garantir a eficácia da sua arma. Os registos militares imortalizaram três ações de extremo heroísmo:

  • 08 de Abril de 1966 (Operação "Quina", Braia/Fulacunda): Durante uma flagelação inimiga noturna, com projéteis tracejantes a rasar a sua fração, Cerqueira não hesitou em correr em direção ao perigo e expor-se para retaliar com o seu lança-granadas.

 

  • 18 de Junho de 1966 (Região de Jadabá): Atravessou por duas vezes a zona mais batida pelo fogo inimigo para alcançar a melhor posição de tiro. Ali permaneceu de pé, completamente exposto, mesmo quando teve de solucionar uma avaria numa granada.

 

  • 08 de Agosto de 1966 (Gambuá-Porto): Seguindo na cauda da coluna, a sua arma avariou-se durante um contacto frontal. Incapaz de atirar, correu para a linha da frente debaixo de fogo para recolher e abastecer com munições o apontador do grupo dianteiro, mantendo-se de pé a auxiliá-lo durante todo o combate.

4. Condecorações e Louvor

Pelo comportamento exemplar e bravura demonstrados em campanha, foi alvo de um louvor militar (Louvor de Comando de Agrupamento n.º 1975, mais tarde ratificado pelo Quartel-General do Comando Territorial Independente da Guiné a 11 de Janeiro de 1967).

Como resultado direto desse reconhecimento, foi agraciado com a Medalha de Cruz de Guerra de 4.ª Classe, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné de 1 de março de 1967 (publicado na Ordem do Exército n.º 11 – 3.ª série de 1967).

O seu louvor sintetiza o perfil deste militar:

"[...] pelas qualidades de coragem, decisão e serena energia debaixo de fogo demonstradas em todas as acções em que tomou parte. [...] Sempre presente onde a sua acção se tornou necessária, demonstrou o 1.º Cabo Cerqueira, em todas as situações, coragem, determinação, espírito combativo, completo desprezo pelo perigo e serena energia debaixo de fogo."

 

 

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