Batalhão de
Caçadores N.º 1895

Identificação:
BCac1895
Unidade
Mobilizadora:
Regimento de Infantaria
16 (RI16 – Évora)
Comandante:
Tenente-Coronel de
Infantaria Joaquim Inácio Pereira
Vaz Júnior
2.º
Comandante:
Major de Infantaria José
Luís de Almeida Azevedo
Major de Infantaria Manuel Augusto
Teixeira Teles Grilo
Oficial
de Informações e Operações /
Adjunto:
Capitão de Infantaria
Rafael Ângelo Pereira dos Santos
Oliveira
Comandantes
de Companhia:
Companhia
de Comando e Serviços (CCS):
Capitão de Infantaria
Estevão Diogo Leal
Companhia
de Caçadores 1609 (CCac1609):
Capitão de Infantaria
João Henriques de Almeida
Companhia
de Caçadores 1610 (CCac1610):
Capitão de Infantaria
Alcino Alves da Costa Pina
Companhia
de Caçadores 1611 (CCac1611):
Capitão Mil.º de
Infantaria Carlos José Seiça Neto
Caldas
Capitão Mil.º de Infantaria Jaime
António Santos Coutinho Lanhoso
Divisa:
"Vincere"
Partida:
Embarque no dia
23 de Novembro de 1966, no NTT «Vera
Cruz»; desembarque em Luanda no
dia 2 de Dezembro de 1966
Regresso:
Embarque no dia 21 de
Novembro de 1968, no NTT «Vera
Cruz»;
desembarque na Gare Marítima da
Rocha do Conde d’Óbidos, em Lisboa,
no dia 30 de Novembro de 1968.
A
29 de Julho de 1966, por
determinação inserta na Ordem de
Mobilização n.º 77 do Estado-Maior
do Exército (EME), teve início no
Regimento de Infantaria 16 (RI16),
em Évora, a organização do Batalhão
de Caçadores 1895 (BCac1895),
destinado a render outra Unidade em
serviço de soberania na província de
Angola.
Em 3 de Julho principiou a ser
ministrada a Instrução Especial sob
a direcção do Comandante do
Batalhão, a qual foi orientada com
vista à futura actuação dos seus
elementos
no tipo de luta e de actividades
gerais em que iriam ser empenhados
no Ultramar.
A 22 de Agosto, terminada a
Inspecção Extraordinária (IE), a
quase totalidade dos Quadros e
Tropas que viriam a constituir o
Batalhão deslocou-se para o Campo
Militar de Santa Margarida, onde
ultimou a sua organização com os
vários elementos especialistas
atribuídos ao seu Quadro Orgânico (QO),
ali iniciando a Instrução de
Aperfeiçoamento Operacional (IAO).
Em apurado trabalho de preparação,
mentalização e adaptação às mais
difíceis situações previstas, este
período de instrução decorreu por
forma a fazer viver todo o pessoal
em ambiente quanto possível idêntico
à realidade das duras condições a
que iriam ser submetidos, de que em
muito viria a beneficiar da sua
eficiente actuação.

No dia 23 de Novembro de 1966, o
Batalhão de Caçadores 1895
(BCac1895) largava do cais da Rocha
do Conde de Óbidos rumo a Luanda,
consciente da responsabilidade da
sua missão, alguns dias após ter
recebido o guião da Unidade, em
solene cerimónia a que presidiu o
General Comandante da 3.ª Região
Militar.
Chegado a Luanda a 2 de Dezembro,
ficou aquartelado no Campo do
Grafanil até seguir para a sua ZA
(zona de acção) na região de Cuimba
às primeiras horas do dia 7 de
Dezembro.
Transportado em viaturas civis
fretadas para o efeito, atingiu S.
Salvador no dia 9.
Nesse mesmo dia o Comandante e as
suas Subunidades prosseguiram a
marcha para os respectivos
aquartelamentos do seu sub-sector
para render o Batalhão de Cavalaria
782 (BCav782) que ali terminava a
sua missão, assumindo o Batalhão de
Caçadores 1895 (BCac1895) a
responsabilidade operacional da sua
ZA (zona de acção) no dia 16 de
Dezembro de 1966 após alguns dias de
sobreposição com os elementos da
Unidade rendida.

Reforçado inicialmente com o Pelotão
de Morteiros 1031 (PelMort1031)
(rendido pelo Pelotão de Morteiros
1063 (PelMort1063), em Janeiro de
197) e Companhia de Artilharia 1564
(CArt1564), o Batalhão instalou o
Comando, o Pelotão de Morteiros e a
Companhia de Comando e Serviços
(CCS) em Cuimba, ficando as outras
Subunidades em:
Companhia de Caçadores 1609
(CCac1609) em Buela
Companhia de Caçadores 1610
(CCac1610) em Pangala
Companhia de Caçadores 1611
(CCac1611) em Luvaca
Companhia de Artilharia 1564
(CArt1564) em Coma
Zona de acção despovoada, mas
corredor de passagem de grupos
inimigos do Congo ex-Belga para o
interior da província, obrigou logo
de início a um intenso esforço de
acções de reconhecimento do Batalhão
cujos Grupos de Combate em breve
viriam a estar perfeitamente
identificados com o terreno no
conjunto do qual se impõe, pela sua
densa arborização, a tão conhecida
Serra da Ganda.

Constantes acções de nomadização nas
regiões do Rio Gima, Fulgege, Obus,
Rio Bengo, Serra da Ganda, Zamba,
Lucage, Palancas, e tantas outras,
deram ao Batalhão o domínio da sua
zona de acção (ZA), não permitindo
descanso o inimigo nas suas
tentativas de incursão, obrigando-o
a revelar-se e infligindo-lhe baixas
nos vários contactos.
Uma vez tomado conhecimento do
terreno e do processo de actuação do
inimigo, lançou o Batalhão uma série
de operações em paralelo com a
actividade dos seus Grupos de
Combate em permanente movimentação,
destacando-se pela sua importância
no esforço, sacrifício ou resultados
obtidos as Operações
«Pesquisa»,
«Veado»,
«Maçarico»,
«Controle»,
«Fronteiros»,
«Escuta»,
«Cacimbo I»,
«A Fundo»,
«Sabre»,
«Máscara» e
«Passagem de Facho».

No decorrer da Operação «Fronteiros»
sofreu o Batalhão o seu maior número
de baixas, capturou ao inimigo
apreciável quantidade de material, e
a sua Companhia de Caçadores 1609
(CCac1609) foi enaltecida em louvor
do General Comandante da Região
Militar de Angola pelo seu
excepcional comportamento em reacção
a fortíssima emboscada montada por
numeroso e bem armado grupo inimigo,
louvor cuja redacção bem merece ser
transcrita e que a seguir
reproduzimos:
«Sua Ex.ª o
General Comandante da Região Militar
de Angola cita como exemplo a todas
as Unidades da Região Militar de
Angola a Companhia de Caçadores 1609
do Batalhão de Caçadores 1895
(CCac1690/BCac1895) a quem pertence
uma força que durante o deslocamento
auto realizado no dia 16 de Abril de
1967, numa picada relativamente
próxima da fronteira Norte, caiu
numa emboscada montada pelo inimigo.
Esta emboscada, que se revestiu de
extraordinária violência, já pelo
elevado número de elementos que a
constituíam bem armados e
municiados, já pelo cuidado com que
foi montada a acção, provocou logo
às primeiras descargas graves baixas
às Nossas Tropas.
No entanto, com serenidade e
invulgar decisão e energia, as
forças emboscadas reagiram
eficazmente ao fogo adverso que
durou cerca de 60 minutos, 30 dos
quais foram de fogo cerrado, rasante
e quase à queima-roupa. Desta
reacção resultaram para o inimigo
baixas controladas e na sua retirada
deixou no local bastante material de
guerra.
Ouvidos os tiros no aquartelamento
da Companhia de Caçadores 1609
(CCac1609), distante cerca de 8 km,
o Comandante desta Companhia
prontamente reuniu as forças
disponíveis e deslocou-se em meios
auto ao local da emboscada, onde,
não obstante a aproximação da noite,
capturou algum material de guerra na
batida feita na região. O restante
material de guerra foi capturado em
batida posterior.
Atendendo às características da
acção, à surpresa para as Nossas
Tropas e às baixas por elas logo
sofridas, a reacção à emboscada pode
considerar-se exemplar pelo acerto
das ordens dadas pelo Alferes que
passou a comandar a Coluna,
nomeadamente o emprego de granadas
de mão, e pelo facto das acções
individuais, algumas heroicas, terem
impedido o inimigo de consumar os
desígnios que a sua actuação deixa
prever - o assalto, a chacina e a
obtenção de prisioneiros».
No decorrer da sua actuação mereceu
ainda o Batalhão de Caçadores 1895
(BCac1895) elogiosas referências do
seu Comandante de Sector pela forma
eficiente como se comportou perante
situações difíceis e de cuja leitura
facilmente se pode aquilatar do grau
de valor doa seus elementos:
«Encarrega-me
Sua Ex.ª o Brigadeiro Comandante do
Sector, de salientar o valoroso
comportamento das tropas do Batalhão
de Caçadores 1895 (BCac1895), a cuja
reacção se ficou a dever o facto de
o inimigo não ter conseguido o êxito
esperado e ter-lhe causado além de
baixas prováveis, uma suposta
desmoralização.
«Tomado conhecimento Relatório
Imediato emboscada 13 corrente
região Luvaca expresso minha muita
satisfação resultados obtidos
comportamento todo pessoal forma
valorosa e decisiva como reagiu face
actuação muito perigosa usada
inimiga e felicito Comando elevado
nível preparação seu Batalhão».

Em 1 de Novembro de 1967, decorridos
onze meses de intensa actividade
operacional no Sector onde cumpriu a
primeira fase da sua missão em
terras de Angola, o Batalhão de
Caçadores 1895 (BCac1895) iniciou um
breve período de sobreposição com o
Batalhão de Artilharia 1924
(BArt1924) que ali o iria render e,
em 15 desse mês, marchou para a
região de Malange sob muito difíceis
condições provocadas pelas grandes
chuvas de que resultou terem ficado
paralisadas por períodos mais ou
menos demorados cerca de metade das
40 viaturas que constituíam a
coluna, mas que em nada diminuiu a
forte determinação dos seus homens
que revelando uma vez mais o seu
elevado moral e preparação para a
luta lograram resolver todas as
dificuldades e conseguir atingir a
região de Malange dois dias depois,
iniciando no dia seguinte a
sobreposição com Batalhão de
Caçadores 1855 (BCac1855) que ali
foi render e assumindo a
responsabilidade operacional do
Sub-Sector no dia 29 de Novembro.
Na segunda fase da sua missão o
Batalhão de Caçadores 1895
(BCac1895) adoptou inicialmente o
seguinte dispositivo:
Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e Companhia de
Caçadores 1102 (CCac1102, de
reforço): em Malanje,
Companhia de Caçadores 1609
(CCac1609): em Nova Gaia
Companhia de Caçadores 1610
(CCac1610): em Marimba
Companhia de Caçadores 1611
(CCac1611): emForte República
Companhia de Artilharia 1523
(CArt1523 – de reforço): em Cacuso
Companhia de Caçadores 1518
(CCac1518 – de reforço): em Mussuco
Práticas muito diferenciadas das
daquela onde actuou durante os
primeiros onze meses da sua missão,
porquanto agora iria exercer a sua
actividade numa região povoada e sem
acções de vulto por parte do
inimigo, que em contrapartida ali
procura exercer forte pressão de
propaganda, atemorização e
aliciamento das populações.
Assim, revelando uma vez mais a sua
eficiente preparação o Batalhão teve
de exercer em paralelo com uma
intensa actividade operacional,
destinada a detectar os núcleos
inimigos que ali pretendiam
infiltrar-se na região, uma não
menos intensa acção psicológica
social e de apoio aos povos da
região no sentido de lhes
proporcionar a necessária protecção
e auxilio.
No aspecto operacional, o esforço
desenvolvido ao longo da linha de
fronteira, muito especialmente na
região do Rio Quango, multo
contribuiu para evitar a infiltração
de elementos inimigos e para o
ambiente de calma e confiança das
populações nativas e europeias,
sobressaindo pela sua envergadura e
resultados obtidos as Operações
«Osga Branca»,
«Sabre»,
«Osga Preta»,
«Chegue à Frente» e
«Alferes».
Na sua actividade psico-social, o
Batalhão de Caçadores 1895
(BCac1895) evidenciou-se pela forma
sóbria e eficiente como levou a
efeito um vasto conjunto de medidas
tendentes a melhorar o nível e
organização das populações, de que
resultou a sua inteira confiança na
acção das Nossas Tropas.

Nos últimos dias de Outubro de 1968,
termina o Batalhão a sua missão de
soberania em terras de Angola,
iniciando um período de sobreposição
com o Batalhão de Caçadores 1919
(BCac1919) que o iria render na sua
zona de acção (ZA), e em meados de
Novembro seguiu para Luanda
aguardando embarque para a
Metrópole.
Conscientes e orgulhosos do Dever
Cumprido, os homens do Batalhão de
Caçadores 1895 (BCac1895) bem
mereceram do prestigio que souberam
ganhar pelo seu esforço e
determinação, juntando mais uma
dignificante página aos anais do
nosso Exército em terras do Ultramar
onde alguns dos seus homens tombaram
para sempre, com Honra e Glória,
como alto exemplo do mais elevado
sacrifício ao serviço da Pátria.
|
|
QUADRO
DE HONRA |
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|
MORTOS |
|
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Em
combate |
7 |
|
|
|
Por outras causas |
4 |
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FERIDOS EM COMBATE |
36 |
|
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|
CONDECORAÇÕES |
|
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|
Medalha de Cobre de
Valor Militar com palma |
1 |
|
|
|
Medalha da Cruz de
Guerra de 1.ª classe |
1 |
|
|
|
Medalha da Cruz
de Guerra de 2.ª classe |
1 |
|
|
|
Medalha da Cruz
de Guerra de 3.ª classe |
1 |
|
|
|
Medalha da Cruz
de Guerra de 4.ª classe |
4 |
|
|
|
Medalha de Prata de
Serviços Distintos com
palma |
1 |
|
|
|
Medalha de Mérito
Militar de 3.ª classe |
2 |
|
|
|
Medalha de Mérito
Militar de 4.ª classe |
4 |
|