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CCac1609

Companhia de Caçadores 1609 do Batalhão de Caçadores 1895 - 16 de Abril de 1967

 

Com o apoio de um colaborador do portal UTW

 

Companhia de Caçadores 1609

 

 

Batalhão de Caçadores 1895

 

«VINCERE»

 

Angola:

 

02Dez1966 a 21Nov1968

 

 

 

 

Domingo, 16 de Abril de 1967 - dia fatídico para a CCac1609

 

Tombaram em combate ao serviço de Portugal

7 Militares Portugueses

 

O Batalhão de Caçadores 1859

 

7.º Volume, Tomo I, pág.s 211 e 212 da RHMCA /CECA / EME

Jornal do Exército, ed. 118, de Outubro de 1969

Batalhão de Caçadores N.º 1895

Identificação:
BCac1895
 

Unidade Mobilizadora:
Regimento de Infantaria 16 (RI16 – Évora)
 

Comandante:
Tenente-Coronel de Infantaria Joaquim Inácio Pereira Vaz Júnior
 

2.º Comandante:
Major de Infantaria José Luís de Almeida Azevedo
Major de Infantaria Manuel Augusto Teixeira Teles Grilo
 

Oficial de Informações e Operações / Adjunto:
Capitão de Infantaria Rafael Ângelo Pereira dos Santos Oliveira
 

Comandantes de Companhia:
 

Companhia de Comando e Serviços (CCS):
Capitão de Infantaria Estevão Diogo Leal
 

Companhia de Caçadores 1609 (CCac1609):
Capitão de Infantaria João Henriques de Almeida
 

Companhia de Caçadores 1610 (CCac1610):
Capitão de Infantaria Alcino Alves da Costa Pina
 

Companhia de Caçadores 1611 (CCac1611):
Capitão Mil.º de Infantaria Carlos José Seiça Neto Caldas
Capitão Mil.º de Infantaria Jaime António Santos Coutinho Lanhoso
 

Divisa:
"Vincere"
 

Partida:
Embarque no dia 23 de Novembro de 1966, no NTT «Vera Cruz»; desembarque em Luanda no dia 2 de Dezembro de 1966
 

Regresso:
Embarque no dia 21 de Novembro de 1968, no NTT «Vera Cruz»; desembarque na Gare Marítima da Rocha do Conde d’Óbidos, em Lisboa, no dia 30 de Novembro de 1968.
 

A 29 de Julho de 1966, por determinação inserta na Ordem de Mobilização n.º 77 do Estado-Maior do Exército (EME), teve início no Regimento de Infantaria 16 (RI16), em Évora, a organização do Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895), destinado a render outra Unidade em serviço de soberania na província de Angola.


Em 3 de Julho principiou a ser ministrada a Instrução Especial sob a direcção do Comandante do Batalhão, a qual foi orientada com vista à futura actuação dos seus elementos no tipo de luta e de actividades gerais em que iriam ser empenhados no Ultramar.

 

A 22 de Agosto, terminada a Inspecção Extraordinária (IE), a quase totalidade dos Quadros e Tropas que viriam a constituir o Batalhão deslocou-se para o Campo Militar de Santa Margarida, onde ultimou a sua organização com os vários elementos especialistas atribuídos ao seu Quadro Orgânico (QO), ali iniciando a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (IAO).


Em apurado trabalho de preparação, mentalização e adaptação às mais difíceis situações previstas, este período de instrução decorreu por forma a fazer viver todo o pessoal em ambiente quanto possível idêntico à realidade das duras condições a que iriam ser submetidos, de que em muito viria a beneficiar da sua eficiente actuação.

 


No dia 23 de Novembro de 1966, o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) largava do cais da Rocha do Conde de Óbidos rumo a Luanda, consciente da responsabilidade da sua missão, alguns dias após ter recebido o guião da Unidade, em solene cerimónia a que presidiu o General Comandante da 3.ª Região Militar.


Chegado a Luanda a 2 de Dezembro, ficou aquartelado no Campo do Grafanil até seguir para a sua ZA (zona de acção) na região de Cuimba às primeiras horas do dia 7 de Dezembro.


Transportado em viaturas civis fretadas para o efeito, atingiu S. Salvador no dia 9.


Nesse mesmo dia o Comandante e as suas Subunidades prosseguiram a marcha para os respectivos aquartelamentos do seu sub-sector para render o Batalhão de Cavalaria 782 (BCav782) que ali terminava a sua missão, assumindo o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) a responsabilidade operacional da sua ZA (zona de acção) no dia 16 de Dezembro de 1966 após alguns dias de sobreposição com os elementos da Unidade rendida.

 


Reforçado inicialmente com o Pelotão de Morteiros 1031 (PelMort1031) (rendido pelo Pelotão de Morteiros 1063 (PelMort1063), em Janeiro de 197) e Companhia de Artilharia 1564 (CArt1564), o Batalhão instalou o Comando, o Pelotão de Morteiros e a Companhia de Comando e Serviços (CCS) em Cuimba, ficando as outras Subunidades em:


Companhia de Caçadores 1609 (CCac1609) em Buela
Companhia de Caçadores 1610 (CCac1610) em Pangala
Companhia de Caçadores 1611 (CCac1611) em Luvaca
Companhia de Artilharia 1564 (CArt1564) em Coma


Zona de acção despovoada, mas corredor de passagem de grupos inimigos do Congo ex-Belga para o interior da província, obrigou logo de início a um intenso esforço de acções de reconhecimento do Batalhão cujos Grupos de Combate em breve viriam a estar perfeitamente identificados com o terreno no conjunto do qual se impõe, pela sua densa arborização, a tão conhecida Serra da Ganda.

 


Constantes acções de nomadização nas regiões do Rio Gima, Fulgege, Obus, Rio Bengo, Serra da Ganda, Zamba, Lucage, Palancas, e tantas outras, deram ao Batalhão o domínio da sua zona de acção (ZA), não permitindo descanso o inimigo nas suas tentativas de incursão, obrigando-o a revelar-se e infligindo-lhe baixas nos vários contactos.


Uma vez tomado conhecimento do terreno e do processo de actuação do inimigo, lançou o Batalhão uma série de operações em paralelo com a actividade dos seus Grupos de Combate em permanente movimentação, destacando-se pela sua importância no esforço, sacrifício ou resultados obtidos as Operações


«Pesquisa»,
«Veado»,
«Maçarico»,
«Controle»,
«Fronteiros»,
«Escuta»,
«Cacimbo I»,
«A Fundo»,
«Sabre»,
«Máscara» e
«Passagem de Facho».

 


No decorrer da Operação «Fronteiros» sofreu o Batalhão o seu maior número de baixas, capturou ao inimigo apreciável quantidade de material, e a sua Companhia de Caçadores 1609 (CCac1609) foi enaltecida em louvor do General Comandante da Região Militar de Angola pelo seu excepcional comportamento em reacção a fortíssima emboscada montada por numeroso e bem armado grupo inimigo, louvor cuja redacção bem merece ser transcrita e que a seguir reproduzimos:


«Sua Ex.ª o General Comandante da Região Militar de Angola cita como exemplo a todas as Unidades da Região Militar de Angola a Companhia de Caçadores 1609 do Batalhão de Caçadores 1895 (CCac1690/BCac1895) a quem pertence uma força que durante o deslocamento auto realizado no dia 16 de Abril de 1967, numa picada relativamente próxima da fronteira Norte, caiu numa emboscada montada pelo inimigo.


Esta emboscada, que se revestiu de extraordinária violência, já pelo elevado número de elementos que a constituíam bem armados e municiados, já pelo cuidado com que foi montada a acção, provocou logo às primeiras descargas graves baixas às Nossas Tropas.


No entanto, com serenidade e invulgar decisão e energia, as forças emboscadas reagiram eficazmente ao fogo adverso que durou cerca de 60 minutos, 30 dos quais foram de fogo cerrado, rasante e quase à queima-roupa. Desta reacção resultaram para o inimigo baixas controladas e na sua retirada deixou no local bastante material de guerra.


Ouvidos os tiros no aquartelamento da Companhia de Caçadores 1609 (CCac1609), distante cerca de 8 km, o Comandante desta Companhia prontamente reuniu as forças disponíveis e deslocou-se em meios auto ao local da emboscada, onde, não obstante a aproximação da noite, capturou algum material de guerra na batida feita na região. O restante material de guerra foi capturado em batida posterior.


Atendendo às características da acção, à surpresa para as Nossas Tropas e às baixas por elas logo sofridas, a reacção à emboscada pode considerar-se exemplar pelo acerto das ordens dadas pelo Alferes que passou a comandar a Coluna, nomeadamente o emprego de granadas de mão, e pelo facto das acções individuais, algumas heroicas, terem impedido o inimigo de consumar os desígnios que a sua actuação deixa prever - o assalto, a chacina e a obtenção de prisioneiros
».


No decorrer da sua actuação mereceu ainda o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) elogiosas referências do seu Comandante de Sector pela forma eficiente como se comportou perante situações difíceis e de cuja leitura facilmente se pode aquilatar do grau de valor doa seus elementos:


«Encarrega-me Sua Ex.ª o Brigadeiro Comandante do Sector, de salientar o valoroso comportamento das tropas do Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895), a cuja reacção se ficou a dever o facto de o inimigo não ter conseguido o êxito esperado e ter-lhe causado além de baixas prováveis, uma suposta desmoralização.


«Tomado conhecimento Relatório Imediato emboscada 13 corrente região Luvaca expresso minha muita satisfação resultados obtidos comportamento todo pessoal forma valorosa e decisiva como reagiu face actuação muito perigosa usada inimiga e felicito Comando elevado nível preparação seu Batalhão
».

 


Em 1 de Novembro de 1967, decorridos onze meses de intensa actividade operacional no Sector onde cumpriu a primeira fase da sua missão em terras de Angola, o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) iniciou um breve período de sobreposição com o Batalhão de Artilharia 1924 (BArt1924) que ali o iria render e, em 15 desse mês, marchou para a região de Malange sob muito difíceis condições provocadas pelas grandes chuvas de que resultou terem ficado paralisadas por períodos mais ou menos demorados cerca de metade das 40 viaturas que constituíam a coluna, mas que em nada diminuiu a forte determinação dos seus homens que revelando uma vez mais o seu elevado moral e preparação para a luta lograram resolver todas as dificuldades e conseguir atingir a região de Malange dois dias depois, iniciando no dia seguinte a sobreposição com Batalhão de Caçadores 1855 (BCac1855) que ali foi render e assumindo a responsabilidade operacional do Sub-Sector no dia 29 de Novembro.


Na segunda fase da sua missão o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) adoptou inicialmente o seguinte dispositivo:


Comando, Companhia de Comando e Serviços (CCS) e Companhia de Caçadores 1102 (CCac1102, de reforço): em Malanje,
Companhia de Caçadores 1609 (CCac1609): em Nova Gaia
Companhia de Caçadores 1610 (CCac1610): em Marimba
Companhia de Caçadores 1611 (CCac1611): emForte República
Companhia de Artilharia 1523 (CArt1523 – de reforço): em Cacuso
Companhia de Caçadores 1518 (CCac1518 – de reforço): em Mussuco


Práticas muito diferenciadas das daquela onde actuou durante os primeiros onze meses da sua missão, porquanto agora iria exercer a sua actividade numa região povoada e sem acções de vulto por parte do inimigo, que em contrapartida ali procura exercer forte pressão de propaganda, atemorização e aliciamento das populações.


Assim, revelando uma vez mais a sua eficiente preparação o Batalhão teve de exercer em paralelo com uma intensa actividade operacional, destinada a detectar os núcleos inimigos que ali pretendiam infiltrar-se na região, uma não menos intensa acção psicológica social e de apoio aos povos da região no sentido de lhes proporcionar a necessária protecção e auxilio.


No aspecto operacional, o esforço desenvolvido ao longo da linha de fronteira, muito especialmente na região do Rio Quango, multo contribuiu para evitar a infiltração de elementos inimigos e para o ambiente de calma e confiança das populações nativas e europeias, sobressaindo pela sua envergadura e resultados obtidos as Operações


«Osga Branca»,
«Sabre»,
«Osga Preta»,
«Chegue à Frente» e
«Alferes».


Na sua actividade psico-social, o Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) evidenciou-se pela forma sóbria e eficiente como levou a efeito um vasto conjunto de medidas tendentes a melhorar o nível e organização das populações, de que resultou a sua inteira confiança na acção das Nossas Tropas.

 


Nos últimos dias de Outubro de 1968, termina o Batalhão a sua missão de soberania em terras de Angola, iniciando um período de sobreposição com o Batalhão de Caçadores 1919 (BCac1919) que o iria render na sua zona de acção (ZA), e em meados de Novembro seguiu para Luanda aguardando embarque para a Metrópole.


Conscientes e orgulhosos do Dever Cumprido, os homens do Batalhão de Caçadores 1895 (BCac1895) bem mereceram do prestigio que souberam ganhar pelo seu esforço e determinação, juntando mais uma dignificante página aos anais do nosso Exército em terras do Ultramar onde alguns dos seus homens tombaram para sempre, com Honra e Glória, como alto exemplo do mais elevado sacrifício ao serviço da Pátria.


 

 

QUADRO DE HONRA

 

 

 

 

 

 

 

MORTOS

 

 

 

Em combate

7

 

 

Por outras causas

4

 

 

 

 

 

 

FERIDOS EM COMBATE

36

 

 

 

 

 

 

CONDECORAÇÕES

 

 

 

Medalha de Cobre de Valor Militar com palma

1

 

 

Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª classe

1

 

 

Medalha da Cruz de Guerra de 2.ª classe

1

 

 

Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª classe

1

 

 

Medalha da Cruz de Guerra de 4.ª classe

4

 

 

Medalha de Prata de Serviços Distintos com palma

1

 

 

Medalha de Mérito Militar de 3.ª classe

2

 

 

Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe

4

 

 

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23Nov1966: Partida do NTT «Vera Cruz» com destino a Luanda

 


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30Nov1968: Chegada do NTT «Vera Cruz» a Lisboa

 

 

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