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Falecimento

José Nunes Ruivo, Tenente Mil.º de Artilharia e de Operações Especiais

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

  HONRA E GLÓRIA

e

nota de óbito

Informação do óbito e fotos cedidas pela

Sra. D. Sandra de Villiers
 

 

Faleceu no dia 15 de Junho de 2026, no Hospital de Santa Maria, o veterano

 

José Nunes Ruivo
 

Tenente Mil.º de Artilharia e de Operações Especiais na situação de disponibilidade

 


Comandante de Pelotão / Grupo de Combate


Companhia de Caçadores 1633


Batalhão de Caçadores 1899 «EM ACÇÃO»


Moçambique: 05Mar1967 a 05Fev1969


Cruz de Guerra de 2.ª classe

 

Biografia: Tenente José Nunes Ruivo (1944–2026)

1. Elementos Biográficos e Origens

José Nunes Ruivo nasceu no dia 11 de Dezembro de 1944, na freguesia e concelho das Caldas da Rainha.

Era filho de Henrique Antunes dos Santos Ruivo e de Ivone Pinto Nunes Ruivo.

Faleceu no dia 15 de Junho de 2026, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Ao longo da sua vida pós-guerra, manteve-se na situação militar de disponibilidade, honrando até ao fim o posto de Tenente Miliciano de Artilharia e de Operações Especiais.

2. Recrutamento e Formação Militar (1966)

O seu percurso nas Forças Armadas Portuguesas consolidou-se em 1966 através das seguintes etapas:

  • 03 de Abril de 1966: Ingressou como Soldado-Cadete na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas — unidade cujo lema é «…MAIS AFINANDO A FAMA PORTUGUESA».

 

Foi promovido a Aspirante-a-Oficial Miliciano Atirador de Artilharia.

 

04 de Julho a 01 de Setembro de 1966:

 

Frequentou com aproveitamento o exigente curso C3 de operações especiais no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego («QUE OS MUITOS POR SER POUCOS NAM TEMAMOS»).

 

01 de Novembro de 1966: Foi promovido ao posto de Alferes Miliciano de Artilharia e de Operações Especiais.

3. Mobilização e Embarque para o Ultramar (1967)

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 (RI1), sediado na Amadora («UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE»), foi indigitado para servir no Teatro de Operações de Moçambique durante a Guerra do Ultramar.

No dia 3 de Fevereiro de 1967, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Niassa’.

Partiu na qualidade de comandante de um Pelotão / Grupo de Combate da Companhia de Caçadores 1633 (CCac1633), pertencente ao Batalhão de Caçadores 1899 (BCac1899) («EM ACÇÃO»).

Desembarcou em Mocímboa da Praia a 5 de Março de 1967.

4. Atividade Operacional em Moçambique (1967–1969)

Sob o comando do Capitão Miliciano João Luís da Costa Martins Ares, a sua subunidade dividiu a comissão em duas fases geográficas distintas:

Zona de Intervenção Norte (Março de 1967 – Fevereiro de 1968)

Após o desembarque, seguiu para Diaca, rendendo a CCac1474 do BCac1871. A 8 de Maio de 1967, na sequência de alterações na zona de ação do subsector, a unidade foi rendida pela CCac1711 e transferida para Mocímboa da Praia, onde rendeu a CArt1515.

Nesta região marcada por terrorismo ativo, o Alferes Ruivo comandou os seus homens em várias operações de grande envergadura:

  • Operação "Vista Longa" (entre os rios Sinheu, Baluco e Licoco);

 

Operação "À Unha" (na zona de Marere e rios Nango e Bandaxe);

 

Operação "Feixe Grosso" (vale do rio Bandaxe);

 

Operação "Relâmpago" (regiões de Pirimita e Cunhonha);

 

Operação "Colheita" (zona de Ingoniva e rios Chibanine e Muenguede);

 

Participação nas operações "Nabeco" e "Polvo Gigante".

Sector do Centro / Chire (Fevereiro de 1968 – Fevereiro de 1969)

Em Fevereiro de 1968, a companhia foi rendida em Mocímboa da Praia pela CCac2303 e transferida para o Chire, onde rendeu a CCav1509.

A sua companhia guarneceu com um pelotão o destacamento de Metolola e, de 25 de Junho a 21 de Agosto de 1968, reforçou temporariamente a Companhia de Caçadores 1632 (CCac1632).

Até ao fim da comissão, manteve ações contínuas de patrulhamento, destacando-se as missões da série "Vulcano" (regiões dos rios Chire, Liaze e Luala). Em Fevereiro de 1969, a unidade foi rendida no Chire pela CCac1796.

5. Actos de Heroísmo e Bravura em Combate

O Alferes Ruivo distinguiu-se como um líder nato, destemido e profundamente focado no bem-estar e eficácia dos seus subordinados.

Dois momentos em combate consagraram a sua bravura:

O Assalto na Operação "Colheita" (16 de Dezembro de 1967):

 

Durante a aproximação a um acampamento inimigo fortificado, uma das secções ficou isolada e debaixo de fogo intenso entre as primeiras palhotas. Numa manobra precisa, o Alferes Ruivo posicionou duas secções para dar cobertura e, assumindo o comando direto da secção restante, avançou pessoalmente sob fogo cruzado em socorro dos seus homens. Combateu o inimigo palhota a palhota, desalojando-o com baixas e garantindo a conquista do acampamento.

 

A Reação à Emboscada na Operação "Apoteose" (18 de Janeiro de 1968):

 

Ao sofrer uma violenta emboscada, foi ferido numa perna pelo estilhaço de uma granada. Demonstrando extraordinário sangue-frio e estoicismo, rastejou até ao apontador do lança-granadas foguete do seu Grupo de Combate, tomou a arma e avançou para uma posição de onde alvejou diretamente o inimigo, forçando a sua retirada imediata. No regresso, recusou ceder à dor: apoiado numa bengala improvisada, insistiu em ajudar a carregar as macas dos soldados que também haviam sido feridos.

6. Condecorações e Louvores

Pelas suas invulgares qualidades de chefia, coragem e exemplo moral, recebeu o devido reconhecimento do Estado Português e do Exército:

  • Louvores: Foi louvado por feitos em combate pelo General Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique, publicado nas Ordens de Serviço n.º 31 (22 de Outubro de 1968) do Comando-Chefe e n.º 90 (9 de Novembro de 1969) do Quartel-General da Região Militar de Moçambique.

 

7. Regresso e Legado

No dia 5 de Fevereiro de 1969, o Alferes Ruivo embarcou no porto da cidade da Beira no NTT ‘Niassa’, regressando à Metrópole onde desembarcou a 3 de Março de 1969.

Passou à situação de disponibilidade com o posto de Tenente Miliciano.

Descrito nos registos históricos como um oficial disciplinador, humano e de apurada consciência do dever, o Tenente José Nunes Ruivo deixou um legado de honra que orgulha o Exército e serve de exemplo público de coragem.

Faleceu em 15 de Junho de 2026, com o merecido descanso dos justos e dos heróis.

Paz à sua Alma.

 

 

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