José Nunes Ruivo,
Alferes Mil.º de Artilharia, da CCac1633/BCac1899
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

José
Nunes Ruivo
Alferes Mil.º de Artilharia
Comandante de
pelotão da
Companhia de
Caçadores 1633
Batalhão de Caçadores 1899
«EM ACÇÃO»
Moçambique:
05Mar1967 a 05Fev1969
Cruz de Guerra de 2.ª classe
Louvor Individual
José Nunes Ruivo, Alferes Mil.º de
Artilharia;
Mobilizado
pelo Regimento de Infantaria 1 (RI1
- Amadora) «UBI GLORIA, OMNE
PERICULUM DULCE» para servir
Portugal
na
Província Ultramarina de Moçambique;
No dia 03 de Fevereiro de 1967, na
Gare Marítima da Rocha do Conde de
Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT
‘Niassa’, como comandante de pelotão
da Companhia de Caçadores 1633
(CCac1633) do Batalhão de
Caçadores
1899 (BCac1899) «EM ACÇÃO», rumo a
Mocímboa da Praia, onde desembarcou
no dia 05 de Março de 1967;
A
sua subunidade de infantaria,
comandada pelo Capitão Mil.º João
Luís da Costa Martins Ares, após o
desembarque, seguiu para Diaca, onde
rendeu
a Companhia de Caçadores 1474
(CCac1474) do Batalhão de Caçadores
1871 (BCac1871) «OS CENTURIÕES»; a
08 de
Maio
de 1967, em consequência de
alteração da zona de acção do
subsector de Mocímboa da Praia, foi
rendida em Diaca, pela Companhia de
Caçadores 1711 (CCac1711) do
Batalhão de Caçadores 1916
(BCac1916)
«SEMPRE
EXECELENTES E VALOROSOS» -
«FRONTEIROS DE CHAVES» e transferida
para Mocímboa da Praia, onde rendeu
a Companhia de Artilharia 1515
(CArt1515) do
Batalhão
de Artilharia 1882 (BArt1882)
«QUERER É PODER»; de Março de 1967 a
Fevereiro de 1968, executou, entre
outras, as operações:
"Vista
Longa" (entre os rios Sinheu, Baluco
e Licoco), "À Unha" (zona de Marere
e dos rios Nango e Bandaxe), "Feixe
Grosso" (vale do rio Bandaxe),
"Relâmpago" (Pirimita e
Cunhonha)
e "Colheita" (zona de Ingoniva e dos
rios Chibanine e Muenguede);
participou nas operações "Nabeco" e
"Polvo Gigante"; em Fevereiro de
1968, foi rendida em
Mocímboa
da Praia, pela Companhia de
Caçadores 2303 (CCac2303) do
Batalhão de Caçadores 2831
(BCac2831) «DIXI» e transferida para
o Chire, onde r
endeu
a Companhia de Cavalaria 1509
(CCav1509) do Batalhão de Cavalaria
1880 (BCav1880) «OS CENTAUROS» - «A
SORTE PROTEGE OS VALENTES»;
guarneceu com um pelotão
o
destacamento de Metolola; de 25 de
Junho a 21 de Agosto de 1968,
reforçou com um pelotão a Companhia
de Caçadores 1632 (CCac1632) do
Batalhão de
Caçadores
1899 (BCac1899) «EM ACÇÃO»; de
Fevereiro de 1968, até final da
comissão, efectuou patrulhamentos,
designadamente as operações da série
"Vulcano" (regiões
dos
rios Chire, Liaze e Luala); em
Fevereiro de 1969, foi rendida no
Chire,pela Companhia de Caçadores
1796 (CCac1796) do Batalhão de
Caçadores 1935 (BCac1935) «OS GALGOS
– SEMPRE EXCELENTES E
VALOROSOS»;
Louvado por feitos em combate no
teatro de operações de Moçambique,
por Sua Excelência o General
Comandante-Chefe das Forças Armadas
de Moçambique, publicado nas Ordens
de Serviço n.º 31, de 22 de Outubro
de 1968, do Comando-Chefe das Forças
Armadas de Moçambique, e n.º 90, de
09 de Novembro de 1969, do
Quartel-General da Região Militar de
Moçambique;
Em 05 de Fevereiro de 1969, no porto
marítimo da cidade da Beira,
embarcou no NTT ‘Niassa’ de regresso
à Metrópole, onde desembarcou no dia
03 de Março de 1969;
Agraciado com a Medalha da Cruz de
Guerra de 2.ª classe, pela Portaria
de 28 de Janeiro de 1969, publicada
na Ordem do Exército n.º 4 – 2.ª
série, página 449, de 15 de
Fevereiro de 1969:
Alferes
Miliciano de Artilharia
JOSÉ NUNES RUIVO
CCac1633/BCac1899 – RI1
MOÇAMBIQUE
2.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na
Ordem do Exército n.º 4 – 2.ª série,
de 15 de Fevereiro de 1969.
Por
Portaria de 28 de Janeiro de 1969:
Condecorado
com a Cruz de Guerra de 2.ª classe,
ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do
Regulamento da Medalha Militar, de
28 de Maio de 1946, por serviços
prestados em acções de combate na
Província de Moçambique, o Alferes
Miliciano de Artilharia, José Nunes
Ruivo, da Companhia de Caçadores n.º
1633 do Batalhão de Caçadores n.º
1899 - Regimento de Infantaria n.º
1.
Transcrição do louvor que originou a
condecoração.
(Publicado nas Ordens de Serviço n.º
31, de 22 de Outubro de 1968, do
Comando-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique, e n.º 90, de 09 de
Novembro de 1969, do Quartel-General
da Região Militar de Moçambique):
Que, Sua Ex.ª
o General Comandante-Chefe das
Forças Armadas de Moçambique, louvou
o seguinte oficial:
Alferes Miliciano de Artilharia,
José Nunes Ruivo, da Companhia de
Caçadores n.º 1633, do Batalhão de
Caçadores n.º 1899, porque, desde a
constituição da sua Companhia, tem
vindo a revelar excelentes
qualidades de chefe e de militar,
concretizadas pela sensatez,
ponderação e energia com que sempre
orientou e conduziu a actividade do
seu Grupo de Combate.
Oficial com apurada consciência dos
seus deveres, disciplinador, e, em
extremo, interessado pelos problemas
dos seus subordinados, entregou-se à
tarefa de instruir e preparar os
componentes daquele Grupo,
conseguindo, à custa de empenho e
discernimento, elevá-los a
apreciável nível de eficácia em
combate, tudo a par de aprumado
comportamento em todas as
circunstâncias.
Merece ser enaltecida, ainda, a sua
conduta nas operações em que
participou enquanto a sua Subunidade
permaneceu na Zona de Intervenção
Norte, em área de terrorismo activo.
Corajoso, decidido, colocando-se à
testa dos seus homens em todas as
situações de perigo, distinguiu-se
em diferentes recontros com o
inimigo.
De salientar o seu comportamento na
operação "Colheita", em 16 de
Dezembro de 1967, na qual conduziu
com valentia e decisão os seus
subordinados na abordagem dum
acampamento, tipo quartel, ocupado
pelo adversário. Quando uma das
Secções, momentaneamente destacada
do seu Grupo de Combate, se viu,
inesperadamente, entre as primeiras
palhotas daquele acampamento e ali
detida por intenso fogo inimigo, o
Alferes Ruivo, depois de, em
judiciosa manobra, ter levado duas
Secções a ocupar posições
favoráveis, comandando directamente
a Secção restante, e a despeito do
violento fogo adverso, acorreu, em
auxílio da primeira, batendo os
terroristas de palhota em palhota,
numa valorosa e decidida intervenção
que possibilitou a total conquista
do acampamento, do qual o inimigo
foi desalojado, com baixas.
É, igualmente, de justiça enaltecer
a bravura, o estoicismo, o
sangue-frio e a serenidade com que o
Alferes Ruivo reagiu a uma violenta
emboscada sofrida pelas nossas
tropas, no dia 18 de Janeiro de 1968
no decurso da operação "Apoteose".
Ferido numa perna pelo estilhaço
duma granada, rastejou até junto do
apontador do lança-granadas foguete
do seu Grupo de Combate e, munido
daquela arma, adiantou-se até à
posição donde logrou alvejar o
inimigo emboscado, contribuindo,
assim, decisivamente, para a sua
retirada imediata. Posteriormente,
no regresso ao aquartelamento, ficou
também demonstrada a fortaleza do
seu ânimo, pois que, coxeando, e
apoiado a improvisada bengala, quis
ainda, enquanto as suas forças o
permitiram, cooperar no transporte
duma das macas ocupadas pelos
elementos das nossas tropas feridos
na emboscada.
As invulgares qualidades militares
que concorrem no Alferes Ruivo levam
a considerá-lo como Oficial muito
apto, que, em campanha, honrou a sua
Unidade e o Exército,
constituindo-se num exemplo digno de
ser apontado à consideração pública.
