João Rosa de Oliveira Bengala, 1.º Cabo de
Infantaria
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas, mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

João
Rosa de Oliveira Bengala
1.º Cabo Atirador de
Infantaria, n.º 01497266
Companhia de Caçadores
1720
Batalhão de Caçadores 1920
«EXCELENTE E VALOROSO»
Angola: 17Jul1967 a
28Mai1968 (data do falecimento)
Medalha de Prata de
Valor Militar com Palma
(Título
póstumo)
HOMENAGEM AO 1.º CABO JOÃO ROSA DE OLIVEIRA
BENGALA
«O Exemplo de
Bravura de um Excelente e Valoroso Caçador»
«Nesta emergência, deu provas, mais uma vez,
da sua extraordinária força de ânimo e
valentia, continuando a orientar os seus
camaradas e a disparar eficazmente a sua
arma...» — Transcrição do louvor póstumo,
1969
Evocamos hoje, com profunda vénia, eterna
admiração e orgulho, a memória e o
sacrifício supremo do 1.º Cabo Atirador João
Rosa de Oliveira Bengala (N.º 01497266).
Natural
da freguesia de Ulme, no concelho da
Chamusca, filho de António de Oliveira
Bengala e de Quitéria Rosa Angélica, o jovem
João Bengala respondeu ao apelo do dever.
Mobilizado pelo histórico Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes), sob o lema «Excelente
e Valoroso», partiu à aventura do
Ultramar
na Gare Marítima da Rocha do Conde de
Óbidos, a 8 de julho de 1967, a bordo do NTT
'Vera Cruz'.
Integrado na Companhia de Caçadores 1720 do
Batalhão de Caçadores 1920,
desembarcou
em Luanda para servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola. Passou pelo
isolamento de Luvuei e, mais tarde, em maio
de 1968, seguiu com a sua subunidade para a
exigente zona de Ninda, no Leste de Angola.
A Força de Ânimo e o
Sacrifício no Chiume
No dia 28 de maio de 1968, a escassos
quilómetros a noroeste do aquartelamento de
Chiume, o destino convocou o 1.º Cabo
Bengala para a imortalidade.
Dias antes, perante um ataque inimigo à
população civil que pescava num rio, João
Bengala demonstrara a sua têmpera:
voluntariou-se de imediato para uma força de
perseguição que destruiu o acampamento
adversário e capturou armamento.
Foi na marcha de regresso, enquanto
coordenava com perícia e brio a retaguarda
da coluna, que a força portuguesa foi
surpreendida por uma violenta emboscada.
Atingido gravemente pela explosão de uma
granada de mão, o 1.º Cabo Bengala
recusou-se a ceder à dor ou ao pânico. Num
acto de extraordinária valentia e força de
ânimo, manteve-se firme no seu posto,
continuando a orientar os seus camaradas e a
disparar eficazmente a sua arma contra o
inimigo até à sua debandada.
As feridas eram profundas e, algumas horas
depois, a sua vida esvaziou-se no altar da
Pátria. Tinha cumprido, até ao último
fôlego, a sua missão.
O
Reconhecimento e a Memória Eterna
Pelas suas invulgares qualidades morais,
rara abnegação e heroísmo em combate, foi
agraciado, a título póstumo, com a
prestigiada
Medalha de Prata de Valor Militar com Palma,
por Portaria de 18 de março de 1969,
assinada pelo Ministro do Exército, J. M. de
Bethencourt Rodrigues (Ordem do Exército n.º
12 – 3.ª série, de 1969).
O seu corpo repousa hoje no cemitério de
Pinheiro Grande, na sua terra natal da
Chamusca, mas o seu nome ficou perpetuado
nas páginas de ouro da história militar
portuguesa.
Ao 1.º Cabo João Rosa de Oliveira Bengala,
prestamos o nosso mais sentido e respeitoso
tecto de armas. O seu exemplo inesquecível
de generosidade e valentia continuará a
guiar-nos.
Paz à sua Alma.
Sempre «Excelente e
Valoroso»!
