"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
Tombou em combate
no dia 07 de Fevereiro de 1973:

José
Júlio Fonseca Gil
Alferes Mil.º,
graduado, de
Infantaria
Comandante de pelotão da
Companhia de Caçadores 3473
«TÃO POUCOS QUANTO FORTES»
Batalhão de
Caçadores 3868
«OMNES IN UNUM»
Moçambique: 02Jan1972 a 07Fev1973
(data do falecimento)
Cruz de Guerra de 3.ª classe
(Título póstumo)
Louvor Individual
(Título póstumo)
José Júlio Fonseca Gil, Alferes
Miliciano, graduado, de Infantaria,
n.º 11246568, nascido na localidade
de Oliveira Fazerão, na freguesia de
São
João da Boa Vista, concelho de
Tábua, distrito de Coimbra, filho de
José Marques da Fonseca Gil e de
Maria Claudina da Fonseca Gil,
solteiro;
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 15 (RI15 – Tomar) «NON
NOBIS» - «FIRMES E CONSTANTES» para
servir Portugal na
Província
Ultramarina de Moçambique;
No dia 04 de Dezembro de 1971, na
Gare Marítima da Rocha do Conde de
Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT
‘Império’, como comandante de
pelotão da Companhia de Caçadores
3473 (CCac3473) «TÃO POUCOS QUANTO
FORTES» do Batalhão de
Caçadores
3868 (BCac3868) «OMNES IN UNUM»,
rumo a Mocímboa da Praia, onde
desembarcou no dia 02 de Janeiro de
1972;
A sua subunidade de infantaria,
comandada pelo Capitão Mil.º Manuel
Isidoro Martins Vaz, após o
desembarque foi colocada em
Nambude
onde rendeu a Companhia de Caçadores
2704 (CCac2704) do Batalhão de
Caçadores 2913 (BCac2913) «FACTA NON
VERBA»; de Janeiro de 1972 a Julho
de 1973, executou, entre outras, as
operações:
"Beco
9", na região da "Base Inhambane"),
"Beco 12" (vale do rio Nango),
"Boato 7" (entre os rios Nango e
Bandaxe), "Boato 16" (entre o rio
Nango, estrada Mocímboa da Praia,
Nambude e o vale do rio Narnindela)
e "Selim 1"(região de Chitido).
Tomou parte nas operações “Balada”,
“Olimpo”, Lavagem 1”, “Lavagem 4” e
“Simbiose”;
Faleceu no dia 07 de Fevereiro de
1973, na região de Nambude, em
consequência de um engenho
explosivo, accionado por uma
viatura, na passagem a vau de um
rio.
Paz à sua Alma
Está inumado no cemitério municipal
de Tábua;
Louvado, a título póstumo, por
despacho de 24 de Junho de 1974, do
Comandante-Chefe das Forças Armadas
de Moçambique, publicado na Ordem de
Serviço n.º 54, de 05 de Julho de
1974, do Quartel-General da Região
Militar de Moçambique;
Agraciado com a Medalha da Cruz de
Guerra de 3.ª classe, a título
póstumo, por despacho do
Comandante-Chefe das Forças Armadas
de Moçambique, de 26 de Julho de
1974, publicado na 0rdem do Exército
n.º 21 – 2.ª série, página 3274, de
15 Novembro de 1974.
Cruz de Guerra de 3.ª classe
Alferes
Miliciano, graduado, de Infantaria
JOSÉ JÚLIO FONSECA GIL
CCac3473/BCac3868 - RI15
MOÇAMBIQUE
3.ª CLASSE (Título póstumo)
Transcrição do Despacho publicado
na 0rdem do Exército n.º 21 – 2.ª
série, página 3274, de 15 Novembro
de 1974.
Agraciado, com a Cruz de Guerra de
3.ª classe, nos termos do artigo
20.° do Regulamento da Medalha
Militar, promulgado pelo Decreto n.°
566/71, de 20 de Dezembro de 1971,
por despacho do Comandante-Chefe das
Forças Armadas de Moçambique, de 26
de Julho de 1974, a título póstumo,
o Alferes Miliciano, graduado, de
Infantaria, José Júlio Fonseca Gil,
da Companhia de Caçadores n.º 3473
do Batalhão de Caçadores n.º 3868 -
Regimento de Infantaria n.º 15.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Publicado na Ordem de Serviço n.º
54, de 05 de Julho de 1974, do
Quartel-General da Região Militar de
Moçambique):
Por seu despacho de 24 de Junho de
1974, louvou, a título póstumo, o
Alferes Miliciano, graduado, de
Infantaria, José Júlio Fonseca Gil,
da Companhia de Caçadores n.º 3473
do Batalhão de Caçadores n.º 3868 -
Regimento de Infantaria n.º 15,
pelas elevadas qualidades de
dedicação, excepcionais dotes de
comando, poder de decisão e audácia,
zelo e competência que sobejamente
revelou durante a sua comissão
militar na Região Militar de
Moçambique.
Oficial muito competente e
desembaraçado, disciplinado e
disciplinador, revelou-se um
extraordinário condutor de homens, o
que justifica os excelentes
resultados obtidas nas muitas
operações em que tomou parte, em
algumas delas com grave risco da sua
vida, onde sempre demonstrou uma
grande coragem e agressividade,
firme determinação em combater o
inimigo e especial aptidão para a
concepção das operações a efectuar,
nunca deixando de recorrer à
exploração imediata dos elementos
capturados, atacando de surpresa e
variando, sem hesitações, a forma de
manobrar as suas forças de acordo
com as particularidades de cada
situação.
É de destacar a sua acção, não só
nas operações "Olimpo 2", "Logro 2"
e Lavagem 3", que comandou com
acerto e decisão e em que foram
eliminados e capturados numerosos
elementos inimigos e apreendido
diverso material, camo também o seu
comportamento durante uma emboscada
que o seu grupo sofreu ao sair de um
acampamento inimigo, na qual
evidenciou sangue-frio, serena
energia debaixo de fogo, decisão e
indómita valentia e menosprezo
pelavida, correndo directamente de
encontro ao inimigo e contribuindo
assim para a dispersão e fuga do
mesmo.
A sua brilhante e intensa
actividade, bem como a sua exemplar
conduta, contribuíram para o óptimo
comportamento da sua Companhia que
algumas vezes comandou interina e
eficientemente.
Na passagem a vau de um rio, estando
presente como sempre no local de
maior perigo, a comandar
directamente e a animar os seus
soldados que procediam a complexa
manobra, foi vítima do rebentamento
de um engenho explosivo, accionado
por uma viatura, que lhe causou a
morte.
O seu excepcional comportamento,
aliado ao seu aprumo, ao exigente
espírito de bem servir, a uma
lealdade extrema, constitui um
extraordinário exemplo de heroísmo e
abnegação tornando-se merecedor que
os seus serviços sejam considerados
altamente valorosos e muito
prestigiantes para o Exército que
serviu de forma brilhantíssima.
