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Condecorações

José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro, Furriel Mil.º Atirador

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"


Barata da Silva
, Vice-Comodoro

 

  HONRA E GLÓRIA:

Imagens cedidas pelo veterano

Vítor Baião

 

 

José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro

 

Furriel Miliciano Atirador

 

Companhia de Caçadores 412

«CAPACETES VERDES»

 

Guiné: 09Abr a 25Set1963 (data do falecimento)

 

EM MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

FURRIEL MIL.º JOSÉ INÁCIO DA ASCENSÃO DA COSTA PINHEIRO

Identificação Correcta e Origem

José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro, Furriel Miliciano Atirador, da Companhia de Caçadores n.º 412.

Natural da freguesia e concelho de Sousel, distrito de Portalegre, onde nasceu em 1 de Fevereiro de 1940.

Era filho de Inácio da Costa Pinheiro e de Antónia Maria, estado civil solteiro. Foi mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 10 – Chaves, Unidade Mobilizadora da CCac 412. Está sepultado no Cemitério de Sousel, em jazigo com homenagem da sua mãe.

A Unidade: Companhia de Caçadores 412 "CAPACETES VERDES"

A CCac 412 pertencia ao BC10 – Chaves e tinha como divisa "Capacetes Verdes".

O seu comandante era o Capitão de Infantaria Manuel Joaquim Gonçalves Braga.

O embarque para a Guiné deu-se no dia 03 de Abril de 1963, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, a bordo do NTT "Índia", integrado num grupo de combate da Companhia, rumo ao estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 09 de Abril de 1963.

Actividade Operacional da Subunidade até à Data do Falecimento - 25 de Setembro de 1963

Após o desembarque em Bissau, a CCac 412 seguiu imediatamente para Bafatá, a fim de substituir a CCac 90 no dispositivo e manobra do BCac 238 e depois do BCac 506, com o seu efectivo disperso por Contuboel, Sare Bacar e Paúnca.

É neste dispositivo que o Furriel Pinheiro exerce o comando do destacamento de Sare Bacar. O período até 25 de Setembro de 1963 corresponde exactamente à primeira fase de implantação da Companhia na região de Bafatá.

Durante esse tempo, a subunidade ainda não tinha transitado para Enxalé – movimento que só ocorreria a partir de meados de Outubro de 1963 – nem tinha destacado pelotão para Xitole/Saltinho, nem iniciado as operações de 19 de Fevereiro de 1964 em Ponta Luís Dias e Xime-Ponta do Inglês, nem a colocação em Camamudo/Cantacunda de Maio a Agosto de 1964, ou em Bissau/Prábis-Antula em 1965. Toda essa actividade posterior serve para enquadrar o sacrifício do Furriel como um dos primeiros tombados da Companhia em combate.

O desempenho do Furriel no comando de Sare Bacar foi determinante para a ligação à população. Como refere o louvor oficial, desempenhou-se com o maior acerto, tendo conseguido a estima e amizade das populações, tanto europeia como nativa.

O Combate de Porto Gole e o Falecimento

O Furriel José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro faleceu no dia 25 de Setembro de 1963, em Porto Gole, na Guiné Portuguesa, vítima de ferimentos em combate.

Segundo o registo militar, a causa da morte foi "Ferimentos em combate" no local de operações Porto Gole.

No início do combate de que veio a falecer, apesar de ter ficado com uma perna decepada e a outra muito maltratada em consequência do rebentamento de uma granada de mão lançada pelo inimigo, em nada diminuiu a sua coragem. Tirando a cavilha de uma granada de mão, manteve-se pronto a lançá-la sobre qualquer elemento inimigo que se aproximasse, ordenando a alguns dos seus homens que acorreram a socorrê-lo, que ocupassem os seus postos e não se preocupassem consigo.

Este gesto de suprema abnegação, com o corpo gravemente mutilado, constitui o núcleo moral da sua acção final.

Condecoração – Teor Integral da Medalha de Prata de Valor Militar com Palma (Título Póstumo)

Por Portaria de 21 de Janeiro de 1964, publicada na Ordem do Exército n.º 5 – 3.ª série, de 1964, o Governo condecorou e louvou o Furriel a título póstumo.

A) Transcrição do louvor publicado na Ordem do Exército n.º 5 - 3.ª série, de 1964:

Por Portaria de 21 de Janeiro de 1964:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, adoptar para todos os efeitos legais, o seguinte louvor conferido em Ordem de Serviço n.º 21, de 21 de Outubro de 1963, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa:
Louva, a título póstumo, o Furriel Miliciano de Infantaria, José Inácio da Ascensão Costa Pinheiro, da Companhia de Caçadores n.º 412, porque, no início do combate de que veio a falecer, apesar de ter ficado com uma perna decepada e a outra muito maltratada, em consequência do rebentamento de uma granada de mão lançada pelo inimigo, em nada diminuiu a sua coragem, tirando a cavilha de uma granada de mão e assim se mantendo pronto a lançá-la sobre qualquer elemento inimigo que se aproximasse, ordenando a alguns dos seus homens que acorreram a socorrê-lo, que ocupassem os seus postos e não se preocupassem consigo.
Dotado de invulgares qualidades de bravura, energia e decisão militar, disciplinado e disciplinador, era possuidor de elevado espírito de iniciativa que, aliado à sua conduta irrepreensível e excelentes predicados morais, o impunham à consideração e estima dos seus superiores, camaradas e subordinados.
Durante o tempo que comandou o destacamento de Sarebacar, desempenhou-se com o maior acerto, tendo conseguido a estima e amizade das populações, tanto europeia como nativa.
Por tudo isto, revelou noção exacta do cumprimento dos seus deveres militares e uma coragem, espírito de sacrifício e abnegação verdadeiramente admiráveis. Ministério do Exército, 21 de Janeiro de 1964. O Ministro do Exército, Joaquim Luz Cunha.

B) Transcrição da Portaria que concede a condecoração, publicada na mesma Orem do Exército:

Por Portaria de 21 de Janeiro de 1964:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar, a título póstumo, com a Medalha de Prata de Valor Militar, com palma, nos termos do parágrafo 1.º do art.º 51.º, com referência ao artigo 7.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o Furriel Miliciano de Infantaria, José Inácio da Ascensão Costa Pinheiro, da Companhia de Caçadores n.º 412/Batalhão de Caçadores n.º 506 — Batalhão de Caçadores n.º 10, porque no início do combate de que veio a falecer, apesar de gravemente ferido em consequência do rebentamento de uma granada de mão lançada pelo inimigo que em nada diminuiu a sua coragem, tirou a cavilha de uma granada de mão e assim se manteve pronto a lançá-la sobre qualquer elemento adverso que se aproximasse e ordenou a alguns dos seus homens, que acorreram a socorrê-lo, que ocupassem os seus postos e não se preocupassem consigo. Revelou noção exacta do cumprimento dos seus deveres militares, coragem, espírito de sacrifício e abnegação verdadeiramente admiráveis. Ministério do Exército, 21 de Janeiro de 1964. O Ministro do Exército, Joaquim da Luz Cunha.

Memória e Homenagem Final

Ao Furriel José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro prestamos honra e glória.

Ele não foi apenas um número na lista dos tombados do BC10 em 25 de Setembro de 1963. Foi um jovem de Sousel, de 23 anos, que comandava homens em terra estranha e que soube transformar a dor extrema em dever.

No momento em que qualquer homem pensaria apenas em si, ele pensou nos seus soldados e na missão. Mutilado, no chão de Porto Gole, ainda encontrou força para armar a mão e para dar uma ordem: voltem aos vossos postos. Esse gesto resume o que é ser Furriel, ser dos Capacetes Verdes, ser português de armas na mão.

Que o seu nome permaneça no mármore de Sousel e na história da CCac 412. Que o seu exemplo de bravura, energia, decisão militar, disciplina e elevado espírito de iniciativa, aliado a conduta irrepreensível, continue a impor-se à consideração de todos nós.

Paz à sua Alma.

 

 

 

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