

Alfredo Valente Alves
Soldado de
Infantaria, n.º 2670/63
Companhia de Caçadores 613
«SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»
Moçambique:
20Fev1964 a
05Jun1966
Cruz de Guerra de 1.ª classe
Biografia Militar: Soldado Alfredo
Valente Alves
Alfredo Valente Alves foi um Soldado
de Infantaria (n.º 2670/63) do
Exército Português que se destacou
heroicamente pelo seu desempenho em
combate no teatro de operações de
Moçambique durante a Guerra do
Ultramar.
Mobilização e
Embarque

Mobilizado
pelo Batalhão de Caçadores 10 (BC10
– Chaves), cujo lema era «SEMPRE
EXCELENTES E VALOROSOS», Alfredo
Valente Alves foi integrado num dos
pelotões da Companhia de Caçadores
613 (CCac613).
A
sua partida para a Província
Ultramarina de Moçambique ocorreu a
25 de Janeiro de 1964, na Gare
Marítima da Rocha do Conde de
Óbidos, em Lisboa, a bordo do Navio
de Transporte de Tropas (NTT)
‘Niassa’. O desembarque deu-se no
porto de Nacala, a 20 de Fevereiro
de 1964.
Percurso
Operacional em Moçambique
A CCac613, comandada pelo Capitão de
Infantaria António Manuel Duarte
Botelho, teve um percurso dinâmico e
de elevado risco:
•
Mueda (Fevereiro a Agosto de 1964):
Sob o comando do Batalhão de
Caçadores 558 (BCac558), a unidade
iniciou a sua atividade com
patrulhamentos, apoio médico e ação
psicológica junto das populações.
Após o primeiro ataque inimigo à
população de Esposende (21 de Agosto
de 1964), a atividade evoluiu para
ações de combate direto (emboscadas,
cercos e batidas).
• Muidumbe e Destacamentos (Janeiro
a Junho de 1965): A companhia
alternou posições defensivas e
operacionais entre Muidumbe e Mueda,
destacando pelotões para zonas
sensíveis como Nangololo, Imbuo,
Nangade e Mocímboa do Rovuma.
•
Dondo (Junho de 1965 a Junho de
1966): Transferido para o Dondo, o
contingente ficou na situação de
reserva do Comando Territorial do
Centro (CTC). A partir de Abril de
1966, sob dependência do Batalhão de
Caçadores da Beira (BCacBeira), o
soldado participou em patrulhamentos
e contactos com autoridades locais
em diversas regiões (Savane, Tica,
Vila Machado, entre outras).
O Acto de
Heroísmo (11 de Março de 1965)
O momento mais marcante e heroico da
folha de serviço do Soldado Alfredo
Alves ocorreu na manhã de 11 de
Março de 1965, pelas 07h20.
Durante a escolta a uma coluna de
reabastecimentos, o seu pelotão foi
violentamente emboscado por um grupo
de guerrilheiros com fogo de
lança-granadas e rajadas de
pistola-metralhadora. Perante o
perigo imediato, o Soldado Alfredo
Alves demonstrou um sangue-frio
invulgar:
Colocou-se de pé sobre um jipe e,
operando uma metralhadora pesada
"Breda" montada na viatura, expôs-se
deliberadamente como alvo principal
do inimigo. Com o seu fogo contínuo
e certeiro, conseguiu suster o
avanço dos atacantes e dar a
proteção necessária para que dois
dos seus camaradas pudessem socorrer
os feridos. Manteve a posição
isolada e sob fogo intenso até à
chegada dos reforços que vinham na
cauda da coluna.
Condecorações
e Louvores
Pelo
seu comportamento exemplar e bravura
debaixo de fogo, foi agraciado com
uma das mais altas distinções
militares portuguesas:
•
Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª
Classe: Atribuída por Portaria de 4
de Maio de 1966 (publicada na
Ordem do Exército n.º 18 – 3.ª
série, de 1966) pelo Ministro do
Exército, reconhecendo os seus
excecionais feitos em combate.
• Louvor Oficial: Originário do
Comando da Região Militar de
Moçambique (Ordem de Serviço n.º 39,
de 31 de Julho de 1965), onde foi
formalmente apontado como um
"heroico exemplo aos seus camaradas"
pelas suas qualidades de coragem,
decisão e valentia.
Regresso à
Metrópole
Após o cumprimento da sua comissão
militar e com o dever plenamente
cumprido, o Soldado Alfredo Valente
Alves embarcou a 5 de Junho de 1966
no porto da cidade da Beira, a bordo
do NTT ‘Pátria’. Chegou à Metrópole
a 19 de Junho de 1966, data em que
desembarcou em Lisboa.
