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Condecorações

António do Nascimento Fontão, Furriel Mil.º de Infantaria, da CCac622

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

António do Nascimento Fontão

Furriel Mil.º de Infantaria


Companhia de Caçadores 622
«ARMAS NA MÃO E OLHOS NA PÁTRIA»


Guiné: 03Mar a 26Jun1964 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 2.ª classe

(Título póstumo)

EM MEMÓRIA, COM HONRA E GLÓRIA

Ao Furriel Miliciano de Infantaria
ANTÓNIO DO NASCIMENTO FONTÃO

Da Companhia de Caçadores n.º 622 / Batalhão de Caçadores n.º 507 - Regimento de Infantaria n.º 16 - ÉVORA

Tombado em combate em 26 de Junho de 1964
Local de Operações: Bula - Guiné

Homenagem prestada pelos seus Camaradas de Armas da CCac 622 e por todos os Veteranos que combateram nas três Frentes - Angola, Guiné e Moçambique.

Natural da Freguesia de Marialva, Concelho de Mêda, filho de Eliseu Augusto Fontão e de Vicência de Jesus, Solteiro, António do Nascimento Fontão respondeu, como tantos da sua geração, ao chamamento da Pátria.

No dia 25 de Fevereiro de 1964, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou com a sua Companhia de Caçadores 622 no NTT ‘Alfredo da Silva’, rumo ao estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 03 de Março de 1964, para integrar a guarnição da Província da Guiné Portuguesa.

A sua Companhia, a CCac 622, comandada pelo Capitão de Infantaria José Bento Guimarães Figueiral e mobilizada pelo RI 16 - Évora, assumiu a partir de 08 de Março de 1964, em substituição de dois pelotões da CCav 567, a responsabilidade do subsector de Binar, então criado na Zona de Acção do BCac 507 e depois do BCav 790, com a dura e exigente missão de impedir o alastramento da luta de guerrilha para a região de Bula - Teixeira Pinto.

Foram três meses e meio de intenso esforço operacional. Patrulhas, escoltas, golpes de mão e emboscadas. Foi nesse chão duro, de picadas traiçoeiras e de mata cerrada, que o Furriel Fontão se afirmou.

Não tombou por acaso, nem por inexperiência. Tombou na linha da frente, a fazer o que sempre fez.

No dia 26 de Junho de 1964, numa emboscada, no subsector de Binar - Bula, o Furriel Miliciano António do Nascimento Fontão foi mortalmente atingido por ferimentos em combate. Foi o primeiro sangue da CCac 622 vertido naquela terra. Foi o preço mais alto, pago com a própria vida.

Diz dele o louvor que lhe deu origem à condecoração, publicado na OS n.º 75, de 01 de Setembro de 1964, do Comando Territorial Independente da Guiné:

Louva, a título póstumo, o Furriel Miliciano de Infantaria, António do Nascimento Fontão, da CCac 622, morto em combate no dia 26Jun64, numa emboscada, porque durante o tempo em que serviu na Guiné se afirmou sempre como um graduado cheio de valor, tanto pelas suas qualidades de comando e de camaradagem, como pela sua calma e sangue frio quando em contacto com o Inimigo nas diversas emboscadas que sofreu.

Sempre pronto a desempenhar qualquer missão, por várias vezes tomou o lugar de camaradas seus de momento impossibilitados, granjeando assim a estima e a admiração de todos eles e o apreço do Comando do Batalhão 507, a que pertencia.

Pelo seu comportamento em combate e pelas extraordinárias qualidades militares que sempre revelou, o Furriel Fontão é digno de ser apontado como exemplo e merecedor do maior apreço e consideração das Forças Armadas e da Nação.

Por esses serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, houve por bem condecorá-lo, por Portaria de 24 de Maio de 1965, publicada na O.E. N.º 22 - 3.ª série, de 1965, com a CRUZ DE GUERRA DE 2.ª CLASSE, a título póstumo, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946.

Hoje jaz no Cemitério de Marialva, na terra que o viu nascer.

Nós, que consigo partilhámos a camarata em Évora, o porão do Alfredo da Silva, a poeira de Bissau e o perigo de Binar, não o esquecemos. A sua coragem, a sua calma debaixo de fogo, o seu espírito de missão e a sua entrega aos camaradas, quando tomava o lugar dos que ficavam impossibilitados, são património da nossa Companhia e exemplo para todos os que vestiram a farda.

Aos Veteranos das três frentes, que sabem o que é o medo, a camaradagem e o luto, cabe manter vivo o seu nome.

Furriel Fontão!
Presente na nossa memória!
A tua Cruz de Guerra não é só tua - é da CCac 622, é de todos nós.
Descansa em Paz, Camarada.

Honra e Glória à tua Memória.

Bula - Binar - Marialva
26 de Junho de 1964 - SEMPRE

 

 

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