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Estado da Índia Portuguesa
Com
a colaboração de um
Veterano
Padre Joaquim
Ferreira da Silva
Tenente Capelão
10Mai1916-09Dez1987
Um Herói Português
O
Padre Joaquim Ferreira da Silva, religioso da
Companhia de Jesus, nasceu na freguesia de
Rebordões, em Santo Tirso, em
10.Maio.1916, numa família
muito
religiosa, sendo que, cinco dos seus irmãos seguiram
a vida sacerdotal e três irmãs foram freiras.
Faleceu na Póvoa de Varzim em 9 de Dezembro de 1987,
estando sepultado no cemitério da Póvoa de Varzim,
cidade onde chefiava então a residência da Companhia
de Jesus, da qual foi nomeado Superior a 24 de
Dezembro de 1976.
Alistou-se no Exército Português em 6 de Maio de
1958, como alferes graduado Capelão, tendo sido
graduado no posto de Tenente Capelão em 1 de
Dezembro de 1960. Tendo resultado como provado — por
investigação realizada no Arquivo Geral do Exército
e no Arquivo Geral da Marinha, com análise de
documentação original e bibliografia sobre o
período, bem como através da audição de várias
individualidades envolvidas — que
na tarde de 19 de
Março de 1962, o Capelão Joaquim Ferreira da Silva,
deu solução, com indómita coragem, a um grave
incidente ocorrido no campo de prisioneiros de
Pondá, na antiga Índia Portuguesa, arriscando a sua
própria vida e, avaliadas as circunstâncias de
grande instabilidade emocional, tensão e risco
vividos nesse dia, o acto heróico e abnegado
protagonizado pelo Capelão Joaquim Ferreira da
Silva
evitou que a situação tivesse uma escalada
imprevisível pondo em risco a vida dos cerca de 1750
militares portugueses e civis presentes foi-lhe
concedida, a título póstumo, pela Portaria nº.
1217/2007, do D.R. II Série, nº. 251, de 31 Dezembro
2007, a Medalha Militar de Serviços distintos, grau
ouro, com palma, “pelas raras e notáveis qualidades
de abnegação, coragem moral, firmeza de carácter e
virtudes militares, dignas de serem apontadas como
exemplo, classificando-o como distintíssimo e
relevante, do qual resultou honra e lustre para as
Forças Armadas Portuguesas.”
Em Maio de 2008 foi homenageado, na Póvoa de Varzim,
por um grupo de prisioneiros de guerra no campo de
Pondá (Índia), que lhe devem a vida pelo atrás
referido acto de coragem do dia 19 de Março de 1962.
Fonte:
http://ww.cm-pvarzim.pt/biblioteca/index.php?op=h_personalidades&id=54
Imagem do memorial extraída do sítio: «Portugal
torrão natal"
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Tenente Capelão Joaquim Ferreira da Silva,
in
http://www.jf-rebordoes.pt/index.php?lang=pt&optch=c2229:
 “Os
acontecimentos reportam-se a 1962 e ao campo de
concentração de Pondá, onde estiveram presos durante
largos meses cerca de 1750 militares e civis, na
sequência da invasão de Goa, Damão e Diu pela União
Indiana. O episódio em causa foi presenciado pela quase
totalidade dos prisioneiros e viria a ser relatado por
um dos oficiais que ali esteve detido. Foi no livro ‘A
Queda da Índia Portuguesa. Crónica da Invasão e do
Cativeiro’ (Estampa), que o coronel Carlos Alexandre de
Morais descreveu o sucedido no dia 19 de Março de 1962,
e que poderia ter redundado num massacre.
Tudo começou
com uma tentativa de fuga por parte de três
prisioneiros, que procuraram evadir-se no meio do lixo
transportado pela camioneta que todos os dias fazia a
limpeza do campo. Quando a viatura se preparava para
transpor a porta de armas, um furriel - que Carlos de
Morais não nomeia -, denunciou a tentativa de fuga ao
comando indiano. Dois dos três fugitivos foram
imediatamente detidos, mas o terceiro escapuliu,
misturando-se com “a multidão de prisioneiros que
acorreu ao local”. Ao mesmo tempo, o delator,
identificado pelos restantes prisioneiros, teve que ser
retirado do campo pelos militares indianos, para evitar
um provável linchamento. Um major indiano avisou então
que, caso se repetisse uma tentativa de evasão, não
hesitaria em fuzilar os seus autores - o que mereceu um
protesto de um dos oficiais portugueses mais graduados,
invocando a Convenção de Genebra.O caso parecia sanado,
até à chegada do brigadeiro Sagat Singh,
comandante-geral dos Campos de Prisioneiros de Goa.
Mandou formar os prisioneiros, enquanto montava em seu
redor todo um aparato bélico: metralhadoras, bazucas,
morteiros. E, em frente da porta de armas, um ameaçador
pelotão armado. Foi ainda a quente que o padre Ferreira
da Silva descreveu os acontecimentos de que foi o
principal protagonista, num artigo publicado na revista
‘Magnificat’, em 1962. Conta o jesuíta (à época, tenente
capelão de Pondá) que o brigadeiro “mandou formar os
soldados e perguntou se alguém queria castigar o
delator. Ao contrário do que esperava, os rapazes
responderam em coro: “Todos!” O homem ia indo aos
arames. Mandou perguntar se tinham entendido bem. E a
resposta foi igual: “Todos!” Manda então preparar o
pelotão de fuzilamento e carregar as metralhadoras.
Perante o risco iminente de uma carnificina, o
ex-missionário saiu da formatura e dirigiu-se ao
brigadeiro. “Pedi licença para falar e perguntei-lhe se,
como capelão, desejava que dissesse alguma coisa aos
homens. Mas a resposta foi seca: “Não! É demasiado
tarde! É preciso dar uma lição a todos”. Insisti,
pedindo que desse aos homens uma oportunidade. Negou
novamente, perguntando se tínhamos sido alguma vez
maltratados. Respondi que não, mas que já tínhamos
sofrido bastante para merecermos que nos fosse dada uma
oportunidade. Disse outro não muito seco e, voltando-se
para trás, mandou avançar o pelotão de fuzilamento.
Lancei então o último pedido desesperado, convencido da
sua inutilidade: ‘Senhor, dê-nos uma oportunidade. É a
primeira. Nunca teve razão séria de queixa. Por favor,
dê-nos uma oportunidade’. ‘Está bem’ - respondeu - ‘mas
diga-lhes que será a última’”. O brigadeiro indiano
exigiu então um pedido de desculpas. O sacerdote
dirigiu-se aos presos: “Rapazes, o sr. brigadeiro quer
ouvir uma palavra de desculpa. Depois de a pedirem em
coro, o brigadeiro deu-se por satisfeito. Agradeci,
saudei e afastei-me. A tempestade terminara”.”
José Pedro
Castanheira
Junta de Freguesia de Rebordões
(Santo Tirso)
«Memorial aos Prisioneiros da Índia: Homenagem póstuma
ao Tenente Capelão Joaquim Ferreira da Silva pela acção
heroica na defesa dos seus camaradas aquando da invasão
da Índia em 1961 e a todos os prisioneiros desta
odisseia»
Inaugurado em Outubro de 2009
Imagem cedida pelo veterano José Mirra
Goa recordada por prisioneiros
É o dia 19 de Março de 1962, pelas 18.30 horas.
Campo de prisioneiros de Pondá, Goa, Índia. Três
prisioneiros tentaram a fuga. Denunciada por um
furriel português, a ousada manobra falhou e o acto
de indisciplina iria ser pago com o fuzilamento dos
1750 militares portugueses, prisioneiros, em Pondá,
desde 17 de Dezembro de 1961. A coragem e a
diplomacia do tenente-capelão Ferreira da Silva
haveria de evitar o banho de sangue.
Quarenta e seis anos depois, Fausto Diabinho ainda
não consegue conter as lágrimas ao recordar o
fatídico 19 de Março. Viu a morte à frente. Lembra
os companheiros a desmaiar, as metralhadoras
apontadas, o pelotão de fuzilamento e a voz que
gritava "Quem se mexer será abatido". Lembra,
sobretudo, o tenente-capelão que, num acto heróico,
sai da formatura, arriscando a vida, e consegue
negociar com o brigadeiro indiano o perdão dos
portugueses, evitando o massacre.
Reconhecimento
Quarenta e seis anos depois, o Ministério da Defesa
reconhece, finalmente, o acto heróico de Joaquim
Ferreira da Silva, a quem atribui, a 7 Dezembro do
ano passado, a título póstumo, a Medalha Militar de
Serviços Distintos, grau ouro.
"Se hoje estamos aqui, devemos-lhe a ele", garante o
vice-presidente da Associação Nacional dos
Prisioneiros de Guerra (ANPG), que, anteontem,
prestou, na Póvoa de Varzim, homenagem a Ferreira da
Silva.
"Se fosse vivo, faria 92 anos", recordou Fausto
Diabinho, explicando a escolha do dia para
homenagear o tenente-capelão, sepultado no cemitério
poveiro.
Foi igualmente em Maio, em 2003, continuou a
explicar, que o Governo reconheceu a condição de
prisioneiros de guerra, condecorando todos os
ex-militares presos na Índia, Timor, Angola,
Moçambique e Guiné. Finalmente, foi também em Maio
de 1962 que os mais de três mil portugueses presos
na Índia começaram a ser libertados.
"O ministro da Defesa, na altura Castro Caldas, teve
a ousadia de dizer que não houve prisioneiros de
guerra na Índia porque simplesmente estavam à espera
de transporte", lembrou Fausto Diabinho, que
recorda, com tristeza, os mais de 40 anos
necessários para que Portugal reconhecesse que, a
defender a pátria, três mil militares portugueses
foram feitos prisioneiros, durante seis meses, e 29
perderam a vida. Agora, os ex-prisioneiros na Índia
festejam, finalmente, o reconhecimento justo de quem
"serviu a pátria e perdeu a vida" em defesa dos
territórios portugueses de Goa, Damão e Diu.
Ana Trocado Marques, 12Mai2008
Fonte:
http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=940509&page=-1
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