

Abel Santos
Soldado de Artilharia, n.º
00081467
Companhia de Artilharia 1742
«Os Panteras»
Guiné
Nova Lamego e Buruntuma
1967 a 1969
Texto da autoria
de Abel Santos:
"Paludismo"
Ainda a temática sobre o
paludismo.
Amigos e camaradas, envio esta
pequena resenha sobre o paludismo que atacou alguns camaradas nossos
no teatro operacional da Guiné, no qual também fui um dos afectados
(apesar ser consumidor da Pirimetamina) mas que até foi meu aliado
nessa altura.
No longínquo ano de 1967 mês de
Dezembro, estando a CART 1742 da qual eu fazia parte, posicionada em
Nova Lamego no chamado quartel de baixo, no dia 14 do mês de Natal
sou confrontado com uma mudança brusca de temperatura após o almoço,
dando baixa à enfermaria onde o furriel enfermeiro Lopes (técnico de
farmácia na vida civil na cidade do Porto) que me aplicou de
imediato a (mezinha) injecção da ordem. Ao fim de três dias tudo
tinha passado e fui dado como operacional.
Mas como disse atrás, o paludismo
foi um aliado meu, já que no dia 17 o comandante da companhia
Capitão Cohen manda formar o pessoal, e escolhe metade do grupo de
combate a dedo, onde o primeiro a ser escolhido fui precisamente eu,
para irmos a Sinchã Jobel na mata do Oio conjuntamente com a CART
1690 do capitão Marques Lopes, e o pelotão de Milª 110, executar uma
batida na região com o fim de desalojar o IN que possuía uma base
nesse local. Como ia dizendo o paludismo interferiu a meu favor
manifestando a minha incapacidade para tal através da voz do Furriel
enfermeiro
-O Abel está com o paludismo meu
capitão
-Então que vá para a caserna
disse ele - e eu fui, pudera.
O segundo caso de paludismo
aconteceu após a minha chegada a casa logo na primeira semana, mas
tudo foi resolvido rapidamente, já que eu era portador de um
contacto telefónico dos serviços infectos-contagiosos que na altura
estava instalado em Ermesinde (Porto), que acorreram imediatamente
após o telefonema, e assim ao fim de uma semana estava novamente
operacional.
Envio também uma foto que prova
que o pessoal era medicado. Em primeiro plano da esquerda para a
direita, o Abel Santos, o Oliveira e o Aníbal, mais atrás em pé, o
furriel enfermeiro Lopes a distribuir a (mezinha) Pirimetamina.
Espero ter contribuído com este
pequeno relato para a temática sobre o paludismo.
Sem mais, recebam um abraço
combatente.
Abel Santos.
