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Guiné

GUINÉ - Notícia de 08Mai2013, publicada no Jornal de Notícias

 

Elementos enviados por um colaborador do portal UTW

 

«Antigo militar regressa à Guiné para fazer uma creche»

 

 

 

Fernando Ramos

 

Companhia de Caçadores 2700

 

Batalhão de Caçadores 2912

 

Guiné (Dulombi)

 

04Mai1970 a 10Mar1972

 

 

 

                                

 

 

«Antigo militar regressa à Guiné para fazer uma creche»

 

Publicado no Jornal de Notícias, de 08Mai2013

Texto da jornalista Ana Correia Costa

 

 

Transcrição:

 

«Antigo militar regressa à Guiné para fazer creche

 

Vila do Conde

Fernando Ramos em missão liderada pelo filho e pelo sobrinho

 

Fernando Ramos nunca deixou verdadeiramente a Guiné: trouxe-a agarrada à alma e por lá ficaram gravados dois anos de vida em que foi militar a força, dos 19 aos 21, numa aldeia perdida no mato de onde ninguém sabia como sairia. Ou sequer se sairia.

 

Dulombi virou nome mágico pronunciado à família, terra inóspita com que Gil, o filho, e Ricardo, o sobrinho, cresceram a sonhar, em Vila do Conde: o pai e o tio encheu-lhes as vidas com histórias de um outro mundo, a mais de cinco mil quilómetros, onde, entre 1970 e 1972, construiu um quartel, um heliporto, uma escola, uma ponte, um forno, um poço, um monumento de homenagem aos mortos.

 

Longe de imaginar que um dia, Gil e Ricardo partiriam em busca de tudo isso e do nome que deixara gravado em Dulombi, naquilo que ergueu – “Fernando Ramos – Vila do Conde”. E incapaz de supor que, dessa aventura, nasceria uma missão humanitária (ver caixa) que o levaria de volta à Guiné, aos 63 anos, para construir uma creche.

 

Orientar a obra

 

“A ideia é ser o meu pai a orientar a obra. Principalmente, a estrutura, porque ele já construiu naquele terreno e sabe como se deve fazer para que os edifícios sejam duráveis”. Explica Gil Ramos, pai da Missão Dulombi, a par do primo.

 

E Fernando, que trabalha na construção civil desde os 11 anos, fará questão de colocar a primeira pedra. Sabe que, ali, ficará uma parte de si. Mais uma, numa aldeia tribal onde, em 40 anos, quase nada mudou. “Eles ainda fazem o pão no forno que o meu pai construiu”, diz Gil. E recorda, de seguida: “A foto do Daniel [Rodrigues, fotógrafo que venceu uma categoria do prémio World Press Photo com uma imagem captada em Dulombi, durante a missão de Março de 2012] foi tirada no campo de futebol que eles [companhia militar de Fernando Ramos, a 2700] fizeram. As balizas são as mesmas”.

 

O chefe da aldeia de então também se mantém no posto, e foi ele quem cedeu terreno para erguer a creche. “ O objetivo é que as crianças tenham um espaço para se desenvolverem, em termos educativos, desde que nascem até irem para a escola primária”, explica Vera Costa, da Missão Dulombi.

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RUMO A DULOMBI

 

“Quando, em 2010, decidi ir lá com o Ricardo, era para conhecer a aldeia onde o meu pai tinha estado e trazer imagens dos vestígios que lá deixou. Ir a Dulombi foi isso: queríamos conhecer a aldeia de que o meu pai sempre falou”, conta Gil Ramos. A missão humanitária nasceu após visita ao hospital de Galomaro. “Foi um choque. Não tinham medicamentos, estava tudo sujo, camas partidas … Inacreditável”, recorda Gil. No regresso, o vila-condense de 35 anos e o primo, de 31, trouxeram a vontade de ajudar e baptizaram-na de Missão Dulombi. A próxima expedição (a quinta) é em novembro, para fazer a creche que se quer abrir em março de 2014. “É um projecto enorme a nível local. Pode desenvolver muitas coisas e pôr aquela gente a trabalhar em prol das crianças”, diz Gil Ramos.»

 

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