|
GUINÉ
- IMAGENS - Cedidas por ex-Combatentes ou em
sites próprios
Imagens cedidas por
Ana Duarte
O último combate do Ranger
Humberto Duarte
RANGER Humberto Carneiro Fernandes Duarte – 4º
Curso de Operações Especiais de 1972
"É um dos nossos melhores Homens, que,
honrando a nossa Unidade mãe, o C.I.O.E. (Centro
de Instrução de Operações Especiais), cumpriu o
melhor que sabia e podia, a sua comissão militar
em África, na Guerra do Ultramar, tendo no
pensamento os dois mais altos desígnios, que são
incutidos na instrução de um RANGER Português:
Vontade e Valor."
Eduardo J.
Magalhães Ribeiro, Ranger
|

|
Ranger Humberto C. F. Duarte
Companhia de Comando e
Serviços
Batalhão de Caçadores 4514
Guiné
1973/1975
Faleceu no dia 28Fev2010 |
 |
Um
escrito de Carlos Coutinho e imagens em
Mafra
HUMBERTO CARNEIRO FERNANDES DUARTE
O último combate do Sargento-Mor Op. Esp.
Humberto Carneiro Fernandes Duarte
Serviu como Furriel O.E. na CCS do Bat
Caç.4514/72 no Catanhêz – Guiné
Conheci o meu amigo e camarada há uns
anos largos num jantar de
confraternização promovido pela A.O.E.,
prós lados de Rio de Mouro, para o qual
tinha sido convidado, tendo entabulado
conversa apercebemo-nos que havia
lugares comuns no nosso passado, - Ele
tinha sido aluno do LAFOS, eu do PILAO,
ambos arranhamos em tropas esquisitas,
ambos andamos um bocado fora da mãe
etc., etc.
Tendo ficado para o fim do jantar
cravaram-me para levar o Humberto a
casa, mas ele assim que entrou no carro
adormeceu e ressonava que nem um leão, e
pior, não me respondia a nada, tive que
abrir o vidro todo, e, estávamos em
Dezembro, pôr-lhe a carola de fora a
apanhar vento, até ele recuperar um
pouco e então começou o festival:
-Oh mano, onde é que tu moras?
-resposta; em frente á esquerda, e eu á
esquerda, e agora pra onde? - em frente
á direita, e eu, pra direita ia, não
muito convencido pois ele nem os olhos
abria, como é que sabia onde estava,
bom, tantas esquerdas e direitas, que
decidi sair da IC 19, passei pra
Nacional, entrei nos Bairros da zona, e
depois na estrada de terra batida, e
por fim picada no meio dum pinhal prós
lados de Sintra, e o meu amigo era; em
frente á esquerda, em frente á direita.
Eu, a começar a ficar fddo, voltei á IC
19, e não querendo mexer-lhe na
carteira, pois se o "muadié" acordava
ainda me pregava um par de bananos,
ainda pensando que estava lá no meio das
bolanhas, tive que insistir, e no meio
daquele breu-breu-breu, percebi RINCHOA
- Ah algo de concreto.
Direito á Rinchoa, passo por debaixo da
linha do comboio e vejo uma placa a
dizer GNR.
Tou safo, alguém na Guarda tem de
conhecer este sócio, assim foi, parei o
pópó, á porta do posto, e aqui, começa a
segunda parte do filme.
Entrei, apresentei-me, disse ao que
vinha e – Aleluia - Um dos guardas á
civil conhecia o Humberto.
Mas como tinha uns papéis para tratar
pediu-me para esperar, pelo que sentamos
o amigo Humberto no banco da saleta de
entrada, banco esse do tipo jardim, de
ripas mas bem envernizadas.
O meu amigo recostou-se e larga de
ressonar, eu fiquei, como devem
entender, na palheta com a rapaziada,
por sinal todos eles jovens e,
interessados em ouvir o que já tinha
passado para ali chegar, pois eu nunca
tinha posto os "mokotós" prá aquelas
bandas nem me sabia orientar bem.
Nisto o amigo Humberto inclina-se para a
frente até ficar com o tronco na
vertical, mas, não a manteve, e num
movimento, digamos, uniformemente
acelerado ora frente e descendente,
prega uma marrada, completamente
desamparado, não me dando tempo de o
segurar pela gola do casaco, numa mesa
de vidro que estava em frente ao dito
banco.
Só não rachou a tola toda nos vidros
porque havia uma série de revistas e
jornais que evitaram que ele cortasse a
cara toda, curiosamente com o choque ele
faz ricochete e volta a recostar-se ás
costas do banco sem dar por nada.
Escusado será dizer que a dita ficou
feita em pedaços com a mocada que ele
lhe pregou.
Então, foi ver o conhecido dele a varrer
cacos, e, eu claro tive que me chegar á
frente com as despesas, que diga-se em
abono da verdade o Sargento do posto (Do
qual não me recordo do nome,
infelizmente), no outro dia quando lá
voltei para tratar do assunto fartou-se
de rir e não quis receber nada pelos
estragos.
Chegado a casa dele entrei a "matar", um
salamaleque á antiga portuguesa e – Oh
minha Senhora por quem é! Não leve a
mal é a emoção de encontrar camaradas da
tropa. Diz o Leitão o tal amigo da GNR:
Oh camarada, não há problema esta é das
nossas.
Foi assim que conheci tanto o meu amigo
Humberto como a esposa, Senhora Dona Ana
Mittermeyer, que tem sido, como sempre
foi, desde os tempos de Moçambique uma
Mulher de armas.
Muitas outras cegadas tivemos, umas mais
"contáveis" se assim se pode dizer, que
outras, mas todas elas terminaram bem e
com um sentido de camaradagem elevado.
Só contra a "matacanha" no pâncreas o
não pude ajudar.
Despeço-me dele, tendo a certeza que o
Humberto estará numa mesa com um
jarrinho de branco á frente á minha
espera, lá em cima.
Lamento camarada, não poder estar
contigo na hora final porque estou na
Argélia, mas virarei uma garrafa de JB,
e cantarei todas as velhas canções de
marcha da velha Legião. (E que tu tantas
vezes me aturastes)
Até um dia destes camarada
DANS LA BOUE, DANS LE SABLE BRULENT,
MARCHON L´AME LEGERE ET LE COUER
VAILLANT
MARCHON CAMARADE
Canto de marcha do 2º estrangeiro
Carlos Coutinho



|