GUINÉ
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Faleceu no dia
18 de Setembro de 2012 o ex- Alferes Mil.º Médico
Luiz Fernando de
Sousa Pires de Goes
Luiz Fernando de Sousa Pires de Goes,
ex- Alferes Mil.º Médico, nasceu no dia 5 de Janeiro de 1933, em
Coimbra, prestou serviço no Comando Territorial Independente da Guiné,
integrado na
Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Caçadores 506, no
período de 20 de Setembro de 1963 a 25 de Abril de 1965.
05Jan1933 > 18Set2012
Que a sua Alma repouse em Paz
Nascido em 1933, em Coimbra, Luiz Fernando de Sousa Pires
de Goes licenciou-se em Medicina, tendo exercido a profissão de médico
dentista em paralelo com a carreira artística. Iniciou-se no fado por
influência do tio paterno, Armando Goes, contemporâneo de Edmundo
Bettencourt, António Menano, Lucas Junot, Paradela de Oliveira, Almeida
d'Eça e Artur Paredes. O cantor Luiz Goes, de 79 anos, uma das
referências da canção de Coimbra, morreu hoje em Mafra, nos arredores de
Lisboa.
Luiz Goes é uma das referências da Canção de Coimbra
Luiz Goes, 79 anos, falecido hoje em Mafra, vítima de doença prolongada,
é uma das referências da Canção de Coimbra, área em que se destacou como
poeta, compositor e intérprete.
Sobrinho de Armando Goes, que foi contemporâneo de Edmundo Bettencourt,
António Menano, Paradela de Oliveira e Almeida d'Eça, referências da
canção de Coimbra nas décadas de 1920 a 1940-50, Luiz Goes começou a
cantar aos 14 anos, em público, e gravou o primeiro disco aos 19, a
convite de António Brojo.
O médico Camacho Vieira, que foi seu amigo, afirmou à Lusa que "a
dimensão artística de Luiz Goes nunca foi devidamente reconhecida".
"Era um cantor de uma invulgar convicção na forma como interpretava as
letras, a profundidade que dava às palavras, além da melodiosa voz de
grande extensão", afirmou.
O médico referiu ainda "as inúmeras digressões internacionais,
nomeadamente um memorável espetáculo que deu nas Nações Unidas, na
Suíça".
Luiz Goes apontado como "menino prodígio", cantou acompanhado por Artur
Paredes, e mais tarde, gravou acompanhado por António Portugal e José
Afonso, que foram seus colegas de liceu em Coimbra, onde nasceu a 05 de
janeiro de 1933.
Integrou o Orfeão de Coimbra, na categoria de barítono solista, tendo
percorrido o Brasil integrado neste agrupamento. Participou aliás
noutras formações académicas, nomeadamente o Teatro dos Estudantes da
Universidade de Coimbra, assim como na Tuna e no Coral da Faculdade de
Letras.
Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, em 1958, tendo
nesta década formado o Coimbra Quintet, com os instrumentistas António
Portugal, Jorge Godinho, Manuel Pepe e Levy Batista.
O disco "Serenata de Coimbra", que gravou em 1957, é "um dos álbuns mais
vendidos da música portuguesa, em Portugal e no estrangeiro, contando
com mais de 15 edições com capas diferentes", contou à Lusa o músico
Manuel Alegre Portugal, também seu amigo.
Na ocasião, recordou Manuel Alegre Portugal, Luiz Goes recebeu um
convite da discográfica Philips, que recusou, "tendo afirmado que queria
antes terminar o curso".
Recrutado para o serviço militar, tendo sido destacado para a
Guiné-Bissau no contexto da guerra colonial, terminou a aventura do
Coimbra Quintet. Quando regressou, em 1966, Luiz Goes fixou residência
em Lisboa, onde exerceu a profissão de Estomatologista até à reforma em
2003.
Em 2002, celebrou o 50. aniversário da carreira artística, tendo a
discográfica EMI Music -- Valentim de Carvalho publicado a obra integral
numa edição intitulada "Canções Para Quem Vier".
Além de ter gravado dezenas de fados, baladas e canções de Coimbra, como
autor, Luiz Goes assinou 25 fados e 18 baladas, dos quais se destacam
"Fado da Despedida", "Toada Beirã", "Balada da Distância", "Canção do
Regresso", "Homem Só", "Meu Irmão", "Romagem à Lapa", "É Preciso
Acreditar", entre muitos outros.
Luiz Goes é considerado um dos artistas portugueses mais internacionais.
Entre as muitas digressões à Europa, África e Américas, destacam-se as
suas atuações no Congresso da Cultura da Língua Portuguesa na
Universidade de Georgetown, em Washington D.C., no aniversário das
Nações Unidas, na Suíça, e na homenagem a Beethoven, na Áustria.
Participou em vários programas da RTP e também nas televisões do Brasil,
Espanha, França, Suécia, Áustria, Estados Unidos e África do Sul.
No período anterior ao 25 de Abril de 1974, militou na oposição à
ditadura de António de Oliveira Salazar e Marcello Caetano.
A Lusa, numa entrevista realizada em 2003, contou que muitas das canções
que compunha "continham subliminares de oposição ao regime".
Da sua extensa discografia - no início da carreira, ainda gravou em 78
rotações -, refiram-se os álbuns "Coimbra de ontem e de hoje" (1966),
"Coimbra do mar e da vida" (1969), "Canções de Amor e de Esperança"
(1969) e "Canções para quase Todos" (1983).
Em 1998 foi editada uma biografia sua, "Luiz Goes de Ontem e de Hoje",
de autoria de Carlos Carranca.
Defensor da "Canção Coimbrã, da balada, mas não fado", como sublinhou à
Lusa, Luiz Goes, foi condecorado com a Ordem do Infante Dom Henrique,
grau de Grande Oficial, a Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, a
Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Cascais e o Prémio
Amália Rodrigues 2005, na categoria Fado de Coimbra.
"Neste vídeo,
à esquerda, ao lado do Prof. Brojo, está o Dr.
Aurélio Reis que foi chefe da Saúde Militar em
Timor (1966-68)." - informação de José Bárbara
Branco