
O que foi a actividade do B. Caç. 1856
vamos dar breve súmula nas linhas que se seguem:
Os trabalhos do Batalhão, que teve como Unidade
mobilizadora o RI 1, principiaram na cidade da Guarda,
aonde foi receber o IAO. A reabertura das instalações do
BC 7, fechadas há cerca de 7 anos, a preparação da
instrução, a cerimónia solene da entrada da Unidade na
cativante cidade beirã, o ministrar da instrução com
meios reduzidíssimos, tudo foram tarefas exigindo
esforço enorme e elevado espirito de sacrifício, mas que
foram criando laços de amizade entre todos os
componentes do Batalhão, permitindo um melhor
conhecimento mútuo e constituindo um elevado espirito de
corpo e um sentimento de equipa.
Em 31 de Julho de 1965, na Gare de Alcântara, embarcou
para a cidade de Bissau a fim de na nossa Guiné — a
primogénita do Infante — velar pela soberania nacional,
lutando contra os que no estrangeiro equipam, instruem e
armam bandos terroristas que vêm ao território português
lançar a dor, e provocar derramamento de sangue e
incalculáveis prejuízos.
Inicialmente ficou o Batalhão como força de intervenção,
orientada especialmente para o Leste da província, tendo
as suas Companhias, enquanto nesta situação, tomado
parte em 55 operações, ao longo de 9 meses. Começaram a
revelar-se as qualidades magnificas do Soldado
Português, sóbrio, modesto, sofredor mas corajoso, não
receando o perigo, procurando o inimigo onde quer que
ele se acoite, seja no mais profundo da mata, seja para
além de extensa bolanha, cuja travessia, muitas vezes
com água pela cintura ou pelo peito, o expõe ao fogo de
armas potentes bem instaladas e com magníficos campos de
tiro, seja colocando minas traiçoeiras ou montando
emboscadas nos locais mais propícios.
Em 1 do Maio de 1966 assumiu o Batalhão a
responsabilidade de um sector no extremo Leste da
província, o maior e mais povoado da Guine, com os dois
maus vizinhos, o Senegal e a Rep. da Guiné, com uma
extensão de fronteira de cerca de 300 km, na sua quase
totalidade apenas convencional.
Revelar o que foi a actividade do Batalhão, agora
reforçado com numerosas subunidades metropolitanas e
nativas, elementos da milícia e da Polícia
Administrativa, não é fácil em poucas linhas. A defesa
do território guineense contra bandos armados vindos de
além-fronteiras, a segurança das populações à nossa
guarda, a detecção de engenhos explosivos anti-carro e
antipessoal e de armadilhas, a manutenção de liberdade
de circulação nas vias rodoviárias e nas respectivas
obras de arte, a captação de elementos que às primeiras
ameaças do terrorismo se tinham refugiado em territórios
estrangeiros, tudo foram acções realizadas sem descanso,
de dia e de noite, ao sol intenso ou sob chuva
diluviana, na selva ou por entre o capim denso, na
planície, nas bolanhas ou nos contrafortes acidentais do
Boé.
O que estas acções nos custaram pode avaliar-se pelos 23
mortos em combate e em mais de uma centena de feridos.
O que conseguimos não é fácil expressar em números, mas
o inimigo sofreu perdas estimadas em mais de 120 mortos
e 30 prisioneiros, centenas de feridos e inúmeros
acampamentos destruídos, perda de material, documentos e
populações sob o seu domínio.
Durante os 11 meses em que o Batalhão tem à sua
responsabilidade o sector L 3 são planeadas e executadas
112 operações e 20 acções de natureza psico-social além
dos patrulhamentos diários, das escoltas, da
movimentação de um milhar de toneladas de
reabastecimentos, trabalho insano e esgotante, sem uma
pausa, sob um clima extraordinariamente duro, em
itinerários que disso muitas vezes só têm o nome.
Mas a acção psico-social reveste-se também de volume
muito assinalável: nos numerosos postos de socorros são
assistidos diariamente centenas de milhares (até dos
países vizinhos acorrem elementos que nas suas terras
não contam com qualquer assistência sanitária e se
servem dos conhecimentos dos nossos médicos e
enfermeiros e, por vezes, são evacuados por via aérea
para Bissau: chegam, num mês, a ser assistidos 250
estrangeiros); as ajudas em utilização de mão-de-obra.
aquisição de géneros ou produtos hortícolas, as dádivas
em roupas e alimentação, a formação profissional e a
educação, são aspectos relevantes: construímos escolas,
ministramos ensino primário a crianças e adultos,
damos-lhes sessões de educação física, chegamos a
transportá-los para a escola na ida e no regresso ao
lar.
Foi a acção do B. Caç. 1856 em terras da Guiné
devidamente compreendida e premiada pelas entidades que
a puderam apreciar, e, para justa recompensa do esforço
despendido e do mérito demonstrado em campanha,
atribuídos ao seu pessoal os seguintes louvores e
condecorações:














