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Guiné

Batalhão de Caçadores 1856

 

 

 

Batalhão de Caçadores 1856

 

«UBI GLORIA OMNE PERICULUM DULCE»

 

Guiné

 

06Ago1965 a 15Abr1967

 

 

 

 

Jornal do Exército, ed.101 e 102, Maio e Junho de 1968

 

 

 

O que foi a actividade do B. Caç. 1856 vamos dar breve súmula nas linhas que se seguem:


Os trabalhos do Batalhão, que teve como Unidade mobilizadora o RI 1, principiaram na cidade da Guarda, aonde foi receber o IAO. A reabertura das instalações do BC 7, fechadas há cerca de 7 anos, a preparação da instrução, a cerimónia solene da entrada da Unidade na cativante cidade beirã, o ministrar da instrução com meios reduzidíssimos, tudo foram tarefas exigindo esforço enorme e elevado espirito de sacrifício, mas que foram criando laços de amizade entre todos os componentes do Batalhão, permitindo um melhor conhecimento mútuo e constituindo um elevado espirito de corpo e um sentimento de equipa.


Em 31 de Julho de 1965, na Gare de Alcântara, embarcou para a cidade de Bissau a fim de na nossa Guiné — a primogénita do Infante — velar pela soberania nacional, lutando contra os que no estrangeiro equipam, instruem e armam bandos terroristas que vêm ao território português lançar a dor, e provocar derramamento de sangue e incalculáveis prejuízos.


Inicialmente ficou o Batalhão como força de intervenção, orientada especialmente para o Leste da província, tendo as suas Companhias, enquanto nesta situação, tomado parte em 55 operações, ao longo de 9 meses. Começaram a revelar-se as qualidades magnificas do Soldado Português, sóbrio, modesto, sofredor mas corajoso, não receando o perigo, procurando o inimigo onde quer que ele se acoite, seja no mais profundo da mata, seja para além de extensa bolanha, cuja travessia, muitas vezes com água pela cintura ou pelo peito, o expõe ao fogo de armas potentes bem instaladas e com magníficos campos de tiro, seja colocando minas traiçoeiras ou montando emboscadas nos locais mais propícios.


Em 1 do Maio de 1966 assumiu o Batalhão a responsabilidade de um sector no extremo Leste da província, o maior e mais povoado da Guine, com os dois maus vizinhos, o Senegal e a Rep. da Guiné, com uma extensão de fronteira de cerca de 300 km, na sua quase totalidade apenas convencional.


Revelar o que foi a actividade do Batalhão, agora reforçado com numerosas subunidades metropolitanas e nativas, elementos da milícia e da Polícia Administrativa, não é fácil em poucas linhas. A defesa do território guineense contra bandos armados vindos de além-fronteiras, a segurança das populações à nossa guarda, a detecção de engenhos explosivos anti-carro e antipessoal e de armadilhas, a manutenção de liberdade de circulação nas vias rodoviárias e nas respectivas obras de arte, a captação de elementos que às primeiras ameaças do terrorismo se tinham refugiado em territórios estrangeiros, tudo foram acções realizadas sem descanso, de dia e de noite, ao sol intenso ou sob chuva diluviana, na selva ou por entre o capim denso, na planície, nas bolanhas ou nos contrafortes acidentais do Boé.


O que estas acções nos custaram pode avaliar-se pelos 23 mortos em combate e em mais de uma centena de feridos.


O que conseguimos não é fácil expressar em números, mas o inimigo sofreu perdas estimadas em mais de 120 mortos e 30 prisioneiros, centenas de feridos e inúmeros acampamentos destruídos, perda de material, documentos e populações sob o seu domínio.


Durante os 11 meses em que o Batalhão tem à sua responsabilidade o sector L 3 são planeadas e executadas 112 operações e 20 acções de natureza psico-social além dos patrulhamentos diários, das escoltas, da movimentação de um milhar de toneladas de reabastecimentos, trabalho insano e esgotante, sem uma pausa, sob um clima extraordinariamente duro, em itinerários que disso muitas vezes só têm o nome.


Mas a acção psico-social reveste-se também de volume muito assinalável: nos numerosos postos de socorros são assistidos diariamente centenas de milhares (até dos países vizinhos acorrem elementos que nas suas terras não contam com qualquer assistência sanitária e se servem dos conhecimentos dos nossos médicos e enfermeiros e, por vezes, são evacuados por via aérea para Bissau: chegam, num mês, a ser assistidos 250 estrangeiros); as ajudas em utilização de mão-de-obra. aquisição de géneros ou produtos hortícolas, as dádivas em roupas e alimentação, a formação profissional e a educação, são aspectos relevantes: construímos escolas, ministramos ensino primário a crianças e adultos, damos-lhes sessões de educação física, chegamos a transportá-los para a escola na ida e no regresso ao lar.


Foi a acção do B. Caç. 1856 em terras da Guiné devidamente compreendida e premiada pelas entidades que a puderam apreciar, e, para justa recompensa do esforço despendido e do mérito demonstrado em campanha, atribuídos ao seu pessoal os seguintes louvores e condecorações:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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