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Condecorações

João Bacar Jaló, Capitão Graduado 'Comando', da 1ªCCmdsAfr

 

 "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

 

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

HONRA E GLÓRIA

 

 

 

Capitão Graduado 'Comando'

João Bacar Jaló

 

Comandante da 1.ª Companhia de Comandos Africanos da Guiné

 

Grau Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito

 

Cruz de Guera, colectiva, de 1.ª classe

 

Cruz de Guerra, de 2.ª Classe

 

Cruz de Guerra, de 4.ª classe

 

Medalha de Ouro de Serviços Distintos, com Palma (a título póstumo)

 

 

Capitão João Bacar Jaló, um Herói da Guiné

 

pelo Major de Cavalaria Carlos Alexandre de Morais

in Jornal do Exército, de 1972

 

 

O Capitão João Bacar Jaló morreu em combate, na Guiné, em 15 de Abril de 1971.


Figura de notável prestígio entre a população daquela nossa Província, o seu nome ganhou jus a figurar entre aqueles que melhor serviram a Pátria, na guerra que enfrentamos no Ultramar.


O seu indefectível patriotismo, as suas inequívocas qualidades de chefe e de combatente e o seu alto espírito de abnegação e de coragem, jamais poderão ser esquecidos e deverão constituir permanente exemplo para todos aqueles que combatem em terras da Guiné, de Angola ou de Moçambique.


João Bacar Jaló nasceu em 2 de Outubro de 1929, em Banir, freguesia de Cacine e concelho de Catió, no Sul da Província.


De raça fula-toranta e religião islâmica, casou em 1956 com Aissato Jaló e era pai de nove filhos.


Incorporado no Exército, como voluntário, em Março de 1949, prestou serviço em Bolama, tendo sido licenciado em 1951.


A partir dessa data, desempenhou funções na Administração Civil de Bissau e de outras localidades vizinhas da capital; foi fiscal da fronteira Sul, Comandante de ronda à vila de Catió e Comandante de Caçadores Nativos, tendo sido promovido a Alferes de 2.ª linha em 1965, comandou a Companhia de Milícias N.º 13, e foi promovido por distinção, em 1966, a Tenente de 2.ª linha.


Logo no início do terrorismo a sua actividade revelou-se notável, particularmente no desempenho do importante papel da subtracção de elementos da população à acção de aliciamento do inimigo.


Devido à sua reconhecida lealdade à causa nacional, teve a cabeça posta a prémio pelo chefe dos bandos terroristas da zona, que por não terem conseguido concretizar os seus intentos, lhe destruíram a casa e lhe mataram um parente, ferindo outro.

 


Actuando quer integrado em forças regulares, quer no Comando de grupos isolados, evidenciou invulgares dotes de chefia em acções de contraguerrilha, infligindo sempre ao inimigo, por vezes mais numeroso, pesadas baixas.


A sua acção teve particular relevância na Operação Resgate, nas ilhas de Como e Caiar, numa tentativa de recuperação de um piloto da FAP, capturado pelo IN, após uma aterragem forçada.
Foi ferido em combate em 30 de Junho de 1963, atingido por uma rajada de pistola-metralhadora, no braço esquerdo e no ombro direito, recusando-se a ser evacuado, pois sabia que a sua presença incutia confiança e coragem aos seus homens.


Os êxitos por si alcançados sucedem-se, e, daí o prestígio de que passou a desfrutar, tornando-se elemento seriamente temido pelo adversário.


A actividade operacional em que se empenha, processa-se em ritmo acelerado, sendo o seu nome sempre posto em evidência em todos os relatórios elaborados pelos Comandos sob cujas ordens serviu e onde se salientam os seus invulgares dotes de coragem, sangue-frio e rara decisão frente ao inimigo. Destacam-se as referências elogiosas relativas às operações «Salamandra», «Valquírio», «Previsto», «Penetrante», «Sempre a carregar», «Encontro combinado», «Nilo» e tantas outras.


Na primeira destas operações, realizada em 1966, João Bacar Jaló revelou-se de forma notável no ataque realizado a um acampamento inimigo. Embora ele e os seus homens se encontrassem depauperados por um longo período de nomadização e sabendo ir defrontar um inimigo muito superior, poderosamente armado e bem entrincheirado, que através de várias ciladas tentava cercá-lo, João Bacar decide-se ao ataque e fá-lo de forma fulminante, galvanizando os seus homens com a sua coragem e total desprezo pelo perigo, conseguindo ocupar o objectivo e causar cerca de cinco dezenas de baixas.


Da sua destacada actuação em campanha ressaltam vários e brilhantes louvores que serviram de base a condecorações que lhe foram conferidas. Em 10 de Junho de 1965, em cerimónia realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa, João Bacar recebe duas medalhas de Cruz de Guerra.


A sua actividade prossegue com o ardor e o entusiasmo que o caracterizavam.


Em 9 de Setembro de 1966 é ferido, uma vez mais, em combate, ao ser atingido por um estilhaço, quando tentava entrar numa tabanca inimiga, baixando, com gravidade, ao Hospital de Bissau.


Foram as suas excepcionais qualidades de chefe e de combatente de eleição, que o impuseram como o homem indicado para assumir o comando da 1.ª Companhia de Comandos Africana, criada na Província. Assim, em 13 de Fevereiro de 1970, em cerimónia pública realizada em Bissau, com a maior solenidade e presidida pelo Governador e Comandante-Chefe, General António de Spínola, assumiu o então Tenente João Bacar Jaló o comando da 1.ª Companhia de Comandos Africana. Em 4 de Junho do mesmo ano era graduado em Capitão.
Em 10 de Junho de 1970 recebe em Lisboa, das mãos do Chefe do Estado, o colar de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor Lealdade e Mérito, justo prémio da sua valentia e total doação à causa da Pátria.


No comando da sua Companhia inicia um novo período de intensa actividade operacional nas zonas Leste e Sul da Província, obtendo resultados apreciáveis quer em baixas, quer na captura de material, quer ainda na destruição de inúmeros acampamentos inimigos.


As suas características de combatente, aliadas ao seu espírito voluntarioso, aos elevados dotes de humanidade, senso, reflexão e amor à disciplina, impuseram-no como chefe querido e respeitado, que soube congregar à sua volta o esforço e a dedicação dos seus subordinados. Das operações em que a sua Companhia participou destacam-se, não só pelos resultados obtidos como pelas características particulares de que se revestiram, as operações «Turra», «Recontro combinado», «Traulitada Especial», «Mar Verde» e «Nilo».


Em 15 de Abril de 1971, na operação «Nilo», realizada na zona Sul, conduziu de forma desassombrada a acção sobre o adversário, avançando debaixo de fogo e a peito descoberto, levando os seus homens, pelo exemplo da sua conduta, a lançarem-se decididamente sobre as posições inimigas. Foi no decurso dessa operação que, ao acorrer prontamente em socorro de um dos seus homens, que caíra ferido, indiferente ao fogo cerrado, foi vítima da sua abnegação, num acidente provocado por urna granada de mão, que transportava, e que lhe veio a causar a morte.


Ficou assim a Guiné privada de um dos seus mais dedicados filhos e o Exército perdeu um combatente de eleição, um patriota devotado, que sempre soube fazer jus às honrosas condecorações que ostentava no seu peito.


A Medalha de Ouro de Serviços Distintos com Palma foi-lhe concedida, a título póstumo, tendo-a recebido seu irmão Saido Saló, das mãos do Governador e Comandante-Chefe General António de Spínola, na cerimónia realizada em Bissau, em 10 de Junho de 1971.


A notícia da morte de João Bacar Jaló foi motivo de profunda consternação para o povo da Guiné e para todos os seus irmãos de armas, que se haviam habituado a ver nele, não só o heroico combatente e o chefe valoroso, mas também o amigo leal, o homem simples, despido de vaidades, que via sempre com naturalidade e modéstia os seus rasgos de audácia, a sua inegável intrepidez.


A Pátria jamais o esquecerá!

 

 

 

 

 

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