.

 

Início O Autor História A Viagem Moçambique Livros Notícias Procura Encontros Imagens Mailing List Ligações Mapa do Site

Share |

Brasões, Guiões e Crachás

Siga-nos

 

Fórum UTW

Pesquisar no portal UTM

Condecorações

João Bacar Jaló, Capitão Graduado 'Comando', da 1ªCCmdsAfr

 

 "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

 

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

HONRA E GLÓRIA

 

 

 

Capitão Graduado 'Comando'

João Bacar Jaló

 

Comandante da 1.ª Companhia de Comandos Africanos da Guiné

 

Grau Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito

 

Cruz de Guera, colectiva, de 1.ª classe

 

Cruz de Guerra, de 2.ª Classe

 

Cruz de Guerra, de 4.ª classe

 

Medalha de Ouro de Serviços Distintos, com Palma (a título póstumo)

 

 

O Homem - O Soldado Herói

 

 

Fonte: «Rangers & Coisas do MR»

 

 

O HOMEM


Numa pequena aldeia do sul da GUINÉ, CACINE, no Concelho de CATIÓ, nasceu a 2 de Outubro de 1929 um dos heróis da GUINÉ, um dos valentes portugueses dos nossos tempos. Seus pais, SAJO JALÓ e FATUMA SÓ, deram-lhe o nome de JOÃO BACAR - nome pelo qual, até há bem pouco, todos o chamavam porque todos lhe queriam e todos o admiravam, até o inimigo.


JOÃO BACAR foi crescendo na humildade como qualquer outra criança da sua época e com 20 anos ofereceu-se voluntariamente para as fileiras do Exército.


O dia I de Março de 1949 marca, pois, o início de uma carreira militar que haveria de ser brilhante, e a primeira dádiva de um português que, ao longo dos seus 41 anos de existência, sempre se pôs à disposição da sua terra e do seu País.


O seu primeiro período de serviço militar foi normal. Os tempos calmos que se viviam não propiciavam actos para além do cumprimento dos deveres militares. Em Junho de 1951 JOÃO BACAR terminou o seu serviço na 2.ª Companhia de Caçadores em BOLAMA, tendo começado a trabalhar, ainda nesse ano, como funcionário da Administração Civil de BISSAU. Desde então jamais abandonou uma carreira que se pode considerar «pública», sempre ao serviço da Nação, servindo-a com toda a determinação e entusiasmo que o ideal do Povo e da Pátria lhe inspiravam.


Assim, durante 1952, esteve como funcionário no Palácio do Governo tendo sido depois e até 1958, funcionário da Administração Civil, sucessivamente em BISSALANCA, ANTULA, PRÁBIS e SAFIM.


De 1958 a1961 foi fiscal de fronteira no sul da Província, tendo em seguida ocupado o posto de Comandante de ronda na vila de CATIÓ, onde desempenhou igualmente as funções de Oficial de Diligências do julgado municipal.


O início do terrorismo fez reacender no peito de JOÃO BACAR a chama dos ideais que sempre fizeram dele um bom português e um bom filho da GUINÉ.


Consciente do perigo que as perversas maquinações do PAIGC representavam para o progresso e felicidade do Povo que tanto amava, JOÃO BACAR responde ao apelo da sua alma de grande Português; deste modo, já com 33 anos, alista-se de novo como voluntário, determinado a lutar heroicamente em defesa do seu Povo e da sua Pátria sendo-lhe confiada a função de Comandante de Caçadores Naturais.


Pela acção que desempenhou, fazendo sobressair a sua valentia e a sua coragem, aliadas a um espírito de comando que sempre se evidenciou, JOÃO BACAR JALÓ é graduado em Alferes de 2.ª linha em 8 de Junho de 1965. A cerimónia teve lugar entre os seus, em CATIÓ, onde entretanto tinha ascendido a régulo. A estima em que já era tido fez da cerimónia um dia de festa e JOÃO BACAR sente-se aureolado pela fama de que começa a disfrutar, como exemplo vivo de todos quantos gostariam de ter as suas qualidades, como elemento terrível a quem a guerrilha temia, com a consciência respeitadora do seu valor. JOÃO SACAR é depois nomeado Comandante da Companhia de Milícias n.º 13, onde continua a dar provas das suas altas qualidades de chefe e de combatente.


Apenas um ano depois, o excepcional valor de JOÃO SACAR recebe nova consagração, sendo promovido por distinção a tenente de 2.ª linha.


A Nação, atenta aos méritos deste grande Português, mostra-lhe o seu reconhecimento: JOÃO BACAR é convidado a frequentar um curso de Oficiais juntamente com mais um punhado de bravos portugueses filhos da GUINÉ. E deste modo, em 4 de Junho de 1970, JOÃO BACAR é graduado em Capitão do Exército Português, sendo-lhe imediatamente conferida a honra de comandar a 1.ª COMPANHIA DE COMANDOS AFRICANA.


A sua actividade de comando fá-lo alcançar fama em toda a Província. Os guerrilheiros, se já antes temiam a sua audácia e coragem, somavam agora a sua experiência como mais um obstáculo intransponível, e o despeito dos chefes guerrilheiros transformava-se em ódio invejoso.


JOÃO BACAR era mais do que um Capitão do Exército Português, ora o inimigo número um dos guerrilheiros, verdadeiro ídolo-odiado, era um dos mais valentes defensores do seu Povo e da sua Pátria, um dos maiores Portugueses do seu tempo.


Mas o homem que vivia em JOÃO BACAR igualava-se ao herói. Para os seus subordinados era o protector a quem todos se acolhiam na certeza da justiça. A palavra de compreensão para o problema pessoal ou de inflexibilidade na ordem, eram características de que JOÃO BACAR se orgulhava, na modéstia da sua nobreza de carácter.


Primeiro do que ele estavam os seus homens. Por isso as lágrimas correram polo rosto endurecido de muitos valentes quando JOÃO BACAR foi a enterrar. Morto da forma menos vulgar para um guerreiro, mas característica de um chefe que. abnegadamente, quer proteger os seus homens, com o destemor que a má sorte, por vezes invejosa, destrói traiçoeiramente. O Capitão JOÃO BACAR JALÓ morreu ao acorrer estoicamente em socorro de um seu soldado ferido, indiferente ao fogo cerrado dos guerrilheiros. Era o dia 16 de Abril de 1971.


Foi assim que morreu um Homem. Foi assim que nasceu, na História, mais um herói português. Para os homens como JOÃO BACAR JALÓ a morte não é o fim, mas antes o início duma outra vida de glória no coração do Povo e da Pátria que ele tanto amou e a quem sacrificou a própria vida. A Pátria Portuguesa continuará através dos séculos a iluminar a figura heroica do Capitão JOÃO BACAR, eternizando a sua memória. O seu exemplo continuará a ser cantado pelas vozes puras das crianças das tabancas e aldeias de Portugal como um voto de fé nos ideais que ele serviu; e continuará também a iluminar a fé e a coragem de todos os bravos portugueses filhos da Guiné que lutam em defesa da Paz e do Progresso da sua terra, batendo-se por uma Guiné Melhor à sombra da Bandeira verde-rubra da liberdade, da justiça e da fraternidade Humana.


O SOLDADO-HERÓI


Até à sua graduação em Capitão, JOÃO BACAR JALÓ tomou parte em cerca de 350 operações. Toda a região Sul, do Quinara a Cacine (Tite, Cufar, Cachaque Caiora, Darsalame, S. João, Como) era um pequeno mapa que não tinha segredos para os olhos atentos e para a inteligência do adversário tenaz do terrorismo, do defensor permanente da paz do Povo.


A folha de serviços de JOÃO BACAR, desde o início da rebelião do PAIGC de Amílcar Cabral, é um verdadeiro manancial de louvores, confirmação justa do seu notável valor como militar.


A acção de JOÃO BACAR não se limitou, no entanto, à simples actividade militar, desempenhando também importante papel na protecção de elementos da população contra o aliciamento subversivo do PAIGC. Ele próprio sempre repudiou todas as tentativas feitas pelos «comissários políticos» de Amílcar Cabral. Energicamente «NÃO», foi a sua resposta constante, indiferente às ameaças e represálias de que foi vítima. Destruíram-lhe casa e haveres. Maltrataram-lhe as mulheres. Mas isso nada era para o portuguesismo de JOÃO BACAR.


Revelando, desde sempre, invulgares qualidades de chefia, desenvolveu uma relevante actividade operacional, «ao longo da qual deu insofismáveis provas de coragem, sangue-frio, espírito de sacrifício e serena energia debaixo de fogo».


Desde os comandantes de Batalhão a que esteve adido, ao próprio Comandante-Chefe, de todos recebeu JOÃO BACAR a palavra elogiosa, adjectivação incompleta do seu valor.


Em 1963, já o Comandante Militar de então louvava JOÃO BACAR porque «dotado de um patriotismo consciente, inteligente e indefectível», sempre dos primeiros nas situações mais críticas, «são considerados do mais alto valor os serviços prestados à Pátria pelo caçador JOÃO BACAR JALÓ na luta que decorre nesta Província da Guiné».


A 1.ª Companhia de Comandos Africana teve o chefe que merecia. Que as circunstâncias aconselhavam e impunham.


Com a mais alta condecoração existente em Portugal, JOÃO BACAR JALÓ era Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, cuja medalha lhe foi imposta, na Praça do Comércio, em Lisboa, pelo Presidente da República, Almirante Américo Tomás, no dia 10 de Junho de 1970. Possuía ainda mais duas medalhas de Cruz de Guerra. A título póstumo, na cerimónia do 10 de Junho de 1971, na Praça do Império, em Bissau, o Governador e Comandante-Chefe, General António de Spínola, depositou no peito de seu irmão, Saido Jaló, a medalha de Ouro de Serviços Distintos com Palma.


E já depois da sua morte, na data dos heróis nacionais, que é o Dia de Portugal, o Ministro do Exército mandou publicar:


«Louvo, a título póstumo, o Capitão graduado JOÃO BACAR JALÓ, pela forma altamente eficiente como comandou a 1.ª Companhia de Comandos Africana durante um ano, na Província da Guiné.


Dotado de excepcional experiência de campanha, adquirida ao longo de vários anos de guerra na Guiné, evidenciou sempre notáveis qualidades de combatente e de condutor de homens, que estão na base da sua graduação e escolha para o comando da 1.ª Companhia de Comandos Africana, criada no Teatro de Operações.


Tendo-se integrado perfeitamente nas suas difíceis funções e na missão que lhe foi cometida, soube impor-se, mercê da sua inteligência, forte personalidade e invulgar sentido do dever, ao respeito, à admiração e à estima dos seus subordinados, criando assim uma sub-unidade altamente coesa, eficiente e disciplinada.


Na intensa actividade operacional desenvolvida pela Companhia, por vezes no cumprimento de missões do mais alto interesse, deu inequívocas provas do seu elevado poder de decisão, coragem, espírito de sacrifício e tenacidade.


Na acção «NILO» realizada em 16 de Abril, comandou a sua Companhia de forma dinâmica e agressiva, avançando debaixo de fogo, a peito descoberto, levando os seus homens a lançarem-se sobre as posições inimigas, com o exemplo da sua conduta. Ao acorrer abnegadamente em socorro de um soldado que fora ferido, indiferente ao fogo cerrado, foi vítima de uma explosão que lhe causou a morte, privando assim o Exército de um combatente de eleição e de um chefe que soube fazer jus às honrosas condecorações de Torre e Espada e Cruzes de Guerra que ostentava no seu peito.


O Capitão JOAO BACAR JALÓ, combatente por excelência, figura notável de prestígio entre as Forças Armadas e a população da Guiné Portuguesa, soube cumprir heroicamente a sua missão, depondo a vida em sublime holocausto, no sagrado altar da Pátria, tornando-se credor do agradecimento público pelos altos, relevantes, extraordinários e distintíssimos serviços que prestou à Nação, em campanha, no «Teatro de Operações» da Guiné».


Foram essas as qualidades que, em verdade, serviram de causa às valiosas condecorações que possuía. Que transformaram o soldado valente em português heroico.


Disciplinado, leal e honesto, com tantas outras qualidades, JOÃO BACAR JALÓ conquistara a estima e respeito dos seus subordinados, a profunda admiração e reconhecimento dos seus superiores e de toda a população civil. E foi essa a razão, e causa única, que transformou o funeral de JOÃO BACAR JALÓ num choro colectivo de milhares de pessoas, militares e civis, portugueses de todas as condições - que outra coisa igual não se tinha jamais visto na Guiné, segundo a voz daqueles a quem os anos fazem saber muita coisa.


JOÃO BACAR JALÓ morreu! O seu nome, porém, ficará perenemente ligado História da Guiné e, anos volvidos, ressurgirá no granito de alguma lápida ou no bronze de uma estátua.


Até lá, a memória dos homens ainda reterá, em força, a figura franzina de um Homem que a História esculpirá no tempo. E milhares de outros Portugueses filhos da Guiné, em comunhão de armas e ideais com os seus irmãos de ouras parcelas da Pátria Portuguesa, continuarão a batalha até à vitória completa sobre as ambições estranhas que pretendem impedir o progresso e a felicidade da Guiné - vitória que JOÃO BACAR ajudou a conquistar com a sua luta, o seu sacrifício e o seu exemplo de GRANDE PORTUGUÊS.

 

 


 

© UTW online desde 30Mar2006

Traffic Rank

Portal do UTW: Criado e mantido por um grupo de Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar

Voltar ao Topo