Carlos Manuel de
Azeredo Pinto Melo e Leme
General na situação de reforma

Estado da Índia Portuguesa: 1954
a 1955
Comandante de um
Pelotão de Reconhecimento
Esquadrão de Cavalaria 2 (Mapuçá)
Estado da Índia Portuguesa: 1960
a 1962
2.º Comandante da
Polícia de Segurança Pública
«PELA ORDEM E PELA PÁTRIA»
Angola:
1964 a 1966
Comandante da
Companhia de Cavalaria 681
Batalhão de Cavalaria 682
«CAVALEIROS DE CABINDA» - «NA GUERRA
CONDUTA MAIS BRILHANTE»
Guiné: 1967 a 1969
Comandante da
Companhia de Cavalaria 1616
Batalhão de Cavalaria 1897
Comandante do
Comando Operacional do Sector de
Aldeia Formosa
Comando Operacional Temporário 1
Comandante do
Centro de Instrução Militar
Guiné: 1970 a 1972
Chefe da
Secção de Organização e Defesa
das Populações
Comando-Chefe das Forças Armadas
da Guiné
Cruz de Guerra de 1.ª classe
2 Medalhas de Prata de Serviços
Distintos com palma
Brevíssima resenha castrense
Carlos Manuel de Azeredo Pinto Melo
e Leme, General na situação de
reforma.
Nascido a 4 de Outubro de 1930 na
Casa do Cabo "dos primos condes de
Leiria", sita na freguesia da Várzea
de Ovelha e Aliviada, concelho do
Marco de Canavezes, filho de
Maria
Cândida de Noronha e Távora Pereira
Mamarraque e de Francisco Carlos de
Azeredo Pinto Melo e Leme.
Em 26 de Novembro de 1948 ingressa
na Escola do Exército, para
frequentar o curso de cavalaria;

Em Agosto de 1952, promovido a
Aspirante-a-Oficial de Cavalaria,
conclui o tirocínio na Escola
Prática de Cavalaria (EPC - Torres
Novas) «MENS
AGITAT MOLEN»;
Em 21 de Outubro de 1952 Alferes
colocado no Regimento de Cavalaria 6
(RC6 - Porto) «AVANTE PARA A
GLÓRIA»;

No ano lectivo de 1953/54 frequenta
no Centro Militar de Educação
Física, Equitação e Desportos
(CMEFED - Mafra) «CORPUS MENTIS
SERVUS» o 1º ano do curso de mestres
de equitação;
Em 8 de Setembro de 1954, voluntário
para servir
Portugal na Índia
Portuguesa, embarca em Lisboa no N/M
'Serpa Pinto' rumo ao porto de
Mormugão;
Em 6 de Outubro de 1954 colocado no
Esquadrão de
Cavalaria 2 (ECav2 -
Mapuçá), como comandante de um
Pelotão de Reconhecimento (PelRec)
destinado a vigilância da fronteira
norte distrital de Goa;
Em Outubro de 1955, entretanto
promovido a Tenente, regressa ao
Regimento de Cavalaria 6 (RC6 -
Porto) «AVANTE PARA A GLÓRIA»;

Em Outubro de 1957 volta ao Centro
Militar de Educação Física,
Equitação e Desportos (CMEFED -
Mafra) «CORPUS MENTIS SERVUS» para
frequentar o último ano do curso de
mestres de equitação;
Em 18 de Dezembro de 1959 conclui na
Escola Prática de Cavalaria (EPC -
Santarém) o curso de promoção a
Capitão;

Em 21 de Outubro de 1960 embarca em
Lisboa no NTT 'Timor' rumo ao porto
de Mormugão, a fim de assumir em
Pangim funções como
segundo-comandante da Polícia de
Segurança Pública «PELA ORDEM E PELA
PÁTRIA» do Estado da Índia
Portuguesa;
Em 19 de Dezembro de 1961
aprisionado pelas tropas invasoras
da União Indiana, fica confinado ao
campo de tendas em Pondá;

Em 26 de Maio de 1962 desembarca em
Lisboa do navio 'Pátria';
Em 12 de Junho de 1962 apresentado
no Ministério do Ultramar;

Em 17 de Julho de 1962 regressa ao
Regimento de Cavalaria 6 (RC6 -
Porto) «AVANTE PARA A GLÓRIA»;
Em 9 de Maio de 1964, tendo sido
mobilizado pelo Regimento de
Cavalaria 3 (RC3 – Estremoz) «…NA
GUERRA CONDUTA MAIS
BRILHANTE» para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, embarca em
Lisboa no NTT 'Vera Cruz' rumo ao
porto de Cabinda, como comandante da
Companhia de Cavalaria 681 (CCav681)
do Batalhão de Cavalaria 682
(BCav682) «CAVALEIROS DE CABINDA» -
«NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE»;
Em 2 de Julho de 1966 regressa à
Metrópole;
Em 23 de Setembro de 1966 agraciado
com a Medalha de Prata de Serviços
Distintos com palma:
Louvado o
capitão de cavalaria Carlos Manuel
de Azeredo Pinto Melo o Leme,
porque, durante vinte meses
consecutivos na zona de intervenção
norte, tem
revelado, a par de grande
competência profissional, ser um
oficial dotado de muito especiais
características para o tipo de luta
que enfrentamos, pela sua lúcida
inteligência, agressividade,
capacidade de organização, espírito
de sacrifício e forte determinação,
conseguindo assim o máximo
rendimento dos seus homens e cumprir
com grande brilho as missões que lhe
têm sido confiadas.
Acompanhando os seus grupos de
combate em operações e ocupando
sempre os lugares que se afiguravam
de maior perigo e esforço, o capitão
Azeredo comprovou todas as
qualidades apontadas, muito em
especial no decorrer da operação
«Bossa nova» na organização e
realização de importantes
reconhecimentos e de uma «acção
especial» de resultados assinaláveis
e ainda na profunda e bem orientada
acção sobre as populações nativas da
zona de acção onde tem actuado.
Baseado em fotografias aéreas o no
profundo conhecimento que tem da sua
zona de acção, elaborou uma perfeita
e pormenorizada carta, de grande
valor para a actividade operacional,
e, pelo seu constante interesse em
melhorar o bem-estar do seu pessoal,
está ainda levando a efeito a
construção de um aquartelamento cujo
projecto é da sua inteira concepção,
notavelmente funcional e económico.
Por todas as suas qualidades,
considero os serviços já prestados
em campanha pelo capitão Azeredo à
região militar de Angola e ao
Exército extraordinários, relevantes
e muito distintos.
(Ordem do Exército n.º 8 – 2.ª
série, de 1967, págs. 864 e 865)
No final de Agosto de 1967
mobilizado pelo Regimento de
Cavalaria 3 (RC3 – Estremoz) «…NA
GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE» em
regime de rendição
individual para
servir Portugal na Província
Ultramarina da Guiné;
Em 2 de Setembro de 1967 passa a
comandar a Companhia de Cavalaria
1616 (CCav1616) do Batalhão de
Cavalaria 1897 (BCav1897)
aquartelada no Olossato;
Em 10 de Maio de 1968 promovido a
Major;
Em 12 de Junho de 1968 colocado em
Aldeia Formosa como comandante do
Comando Operacional do Sector de
Aldeia Formosa (COSAF) do Comando
Operacional Temporário 1 (COT1);
Em 15 de Janeiro de 1969 transferido
para o comando do Centro de
Instrução Militar (CIM – Bolama);
Em 25 de Março de 1969 agraciado com
a Cruz de Guerra de 1ª classe:
Major de
Cavalaria
CARLOS MANUEL DE AZEREDO PINTO MELO
E LEME
CCav1616/BCav1897 - RC3
GUINÉ
1.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na
Ordem do Exército n.º 9 – 2.ª série,
de 1969.
Por Portaria de 25 de Março de 1969:
Condecorado com a Cruz de Guerra de
1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9º
e 10º do Regulamento da Medalha
Militar, de 28 de Maio de 1946, por
serviços prestados em acções de
combate na Província da Guiné
Portuguesa, o Major de Cavalaria,
Carlos Manuel de Azeredo Pinto Melo
e Leme.
Transcrição do louvor que originou a
condecoração.
(Por Portaria da mesma data,
publicada naquela Ordem do
Exército):
Louvado o Major de Cavalaria, Carlos
Manuel de Azeredo Pinto Melo e Leme,
pelas excepcionais qualidades de
comando reveladas em campanha no
comando da Companhia de Cavalaria
n.º 1616.
Militar dotado de vincada
personalidade, de viva inteligência,
de elevado espírito de missão, de
inquebrantável vontade e firmeza nas
suas decisões, interpretando de
forma notável as suas obrigações de
chefe militar, o capitão Azeredo
granjeou o mais alto respeito,
amizade e gratidão dos seus
subordinados e das populações das
áreas onde actuou.
No campo operacional distinguiu-se
pela sua elevada competência
profissional, bem evidenciada na
forma eficiente como planeou e
preparou as operações da sua
responsabilidade, e ainda na forma
como as executou, conduzindo-se em
combate com elevada coragem, decisão
e serena energia debaixo de fogo,
ocupando sempre as posições de maior
risco, em permanente exemplo de
raras qualidades de valentia frente
ao inimigo.
O seu valor como combatente ficou
bem expresso nas inúmeras acções de
combate em que participou, entre as
quais é de realçar a sua actuação no
ataque à povoação de Olossato,
desencadeado pelo inimigo em 30 de
Dezembro de 1967, onde ocupou os
lugares de maior risco, conduzindo
as reacções das nossas tropas com a
maior eficiência, rara serenidade e
total indiferença ao perigo; em 29
de Setembro de 1967, na operação
"Epinema", não hesitou em ocupar a
testa da coluna numa situação
crítica, galvanizando com o seu
exemplo a força que comandava, e
posteriormente em acorrer debaixo de
intenso fogo inimigo à zona de maior
perigo, a fim de pessoalmente
dirigir um núcleo que se encontrava
na zona de morte de uma emboscada do
inimigo; em 15 de Setembro de 1967,
na operação "Esponja III", o seu
dinamismo, coragem e entusiasmo
arrastaram o primeiro escalão das
nossas forças, ao incorporar-se nele
no assalto à base de Iracunda,
sendo-lhe inteiramente devido o
êxito da operação.
Promovido a Major, foi-lhe
atribuído, em situação crítica, o
comando operacional da região de
Aldeia Formosa, onde o inimigo
exercia intenso esforço de
penetração. Mais uma vez o Major
Azeredo revelou as suas
ex-cepcionais qualidades de chefe de
eleição, restabelecendo
imediatamente a confiança das
populações locais na actuação das
nossas forças, estabelecendo um
intenso plano de reordenamento, que
pôs em execução integrado num
eficiente dispositivo de autodefesa.
Nesta missão, que cumpriu com pleno
êxito sob a constante pressão do
inimigo, o Major Azeredo, com os
seus altos dotes intelectuais e
morais e com o seu contagiante poder
de convicção, tal como sucedera na
região do Olossato, conquistou as
almas dos seus subordinados e das
populações nativas, que o veneram
como chefe militar de excepcional
valor.
Em 6 de Setembro de 1969 embarca em
Bissau de regresso à Metrópole a
bordo do NTT 'Rita Maria';

De 1 de Abril a 30 de Julho de 1970
frequenta no Instituto de Altos
Estudos Militares (IAEM – Pedrouços)
«NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO
FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE» o 2º
estágio de actualização para
oficiais superiores das armas e
serviços;

Em Agosto de 1970 na Curia aceita o
convite do Comandante-Chefe das
Forças Armadas da Guiné (CCFAG)
General Spínola para regressar à
Guiné, a fim de chefiar a Repartição
de Reordenamento e Autodefesa
territorial (SecOrgAutDef/CCFAG);
Em 24 de Outubro de 1970 embarca em
Lisboa no NTT 'Manuel Alfredo', rumo
a Bissau;
Em 1 d Novembro de 1970 assume a
chefia da Secção de Organização e
Defesa das Populações do
Comando-Chefe das Forças Armadas da
Guiné;

Em 4 de Novembro de 1972 regressa
definitivamente à Metrópole;
Em 27 de Novembro de 1972 fica
colocado no Centro de Instrução de
Condução Auto 1 (CICA1) «BRIOSOS NO
ENSINO» / Regimento de Artilharia
Pesada 2 (RAP2 – Gaia) «BRAVOS E
SEMPRE LEAIS», como director de
instrução e 2º comandante;
Em 14 de Abril de 1973 agraciado com
a segunda Medalha de Prata de
Serviços Distintos com palma:
Manda o
Governo da República Portuguesa,
pelo Ministro da Defesa Nacional,
louvar, por proposta do
comandante-chefe das Forças Armadas
da Guiné, o
major de cavalaria
Carlos Manuel de Azeredo Pinto Melo
e Leme, pela forma altamente
eficiente, dinâmica e delicada como
desempenhou as funções de chefe da
Secção de Organização e Defesa das
Populações do Comando-Chefe das
Forças Armadas da Guiné durante a
sua comissão de serviço no teatro de
operações da Guiné.
Tendo servido nesta província na sua
anterior comissão, onde se
distinguiu por actos de bravura em
combate que lhe valeram a honrosa
cruz de guerra de 1.ª classe que
ostenta, adquiriu perfeito
conhecimento dos problemas e das
gentes da Guiné, em que alicerçou a
actividade agora desenvolvida, que
bem se coaduna com a sua formação
profundamente humanitária e a que se
entregou com inexcedível desvelo e
entusiasmo.
À sua acção se deve o incremento e
concretização do plano provincial de
reordenamentos e autodefesas, o que
lhe exigiu, além de muitos
sacrifícios e canseiras, o
conhecimento de matérias que saem do
âmbito militar, mas que a sua viva
inteligência e vasta cultura geral
lhe permitiram rapidamente absorver.
Para acompanhar e impulsionar a
execução desta obra, que, entre
outros benefícios, se materializou
na construção de numerosas escolas,
postos de saúde e milhares de
habitações, deslocou-se o major
Azeredo a todos os pontos da
província onde a sua presença se
impunha, estimulando as tropas com o
seu dinamismo e estabelecendo
estreito e afectuoso contacto com as
populações, que lhe têm rendido
inequívocos testemunhos de
veneração. Desempenhou-se ainda, com
o mais alto sentido do dever,
eficiência e dignidade, de todas as
missões extraordinárias de serviço
de justiça de que foi incumbido, com
base no reconhecimento da sua
inflexível verticalidade.
O major Azeredo, pelas suas
excepcionais qualidades militares e
de carácter, de que sobressaem a sua
rica personalidade e uma grandeza de
alma por todos reconhecida, mais uma
vez prestou à Pátria, em campanha,
serviços que é de elementar justiça
considerar extraordinários,
relevantes e distintos
(Diário do Governo, 2.ª série, n.º
98, de 26 de Abril de 1973)
Em Agosto de 1973 passa a
comandante-interino do
Centro de
Instrução de Condução Auto 1 (CICA1)
«BRIOSOS NO ENSINO» / Regimento de
Artilharia Pesada 2 (RAP2 – Gaia)
«BRAVOS E SEMPRE LEAIS»;
De 1973 a 1974 frequenta o curso de
transportes-auto 'Plano TEC' do
Centro de Instrução de Condução Auto
1 (CICA1) «BRIOSOS NO ENSINO» /
Regimento de Artilharia Pesada 2
(RAP2 – Gaia) «BRAVOS E SEMPRE
LEAIS»;
Em 1 de Janeiro 1974 promovido a
Tenente-Coronel;
Na madrugada de 25 de Abril de 1974
assume no Porto as operações
delineadas pelo CC/MFA e usurpa
'manu militari' o comando do
quartel-general da Região Militar
Norte (RMN) «HONRA E BRAVURA»;
Em 27 de Abril de 1974 chamado a
Lisboa e nomeado pela JSN/MFA como
«delegado para a Madeira», seguindo
de avião para o Funchal;
Em 28 de Novembro de 1974 graduado
em Brigadeiro «enquanto exercer as
funções de comandante militar» do
Comando Territorial Independente da
Madeira (CTI – Madeira) «PELA HONRA
E PELA PÁTRIA»;
Em 20 de Fevereiro de 1975
«governador civil e presidente da
junta governativa do distrito
autónomo do Funchal»;

Em 04Mar1975 confirmado governador
militar do Comando Territorial
Independente da Madeira (CTI –
Madeira) «PELA HONRA E PELA PÁTRIA»;
Em 20 de Março de 1975 promovido a
Brigadeiro «por conveniência urgente
de serviço público»;
Em 1976 regressa ao Porto (vindo a
ser, antes de 2 de Março de 1977,
despromovido de Brigadeiro e
promovido a Coronel);
Em 1979, entretanto novamente
promovido a Brigadeiro, assessor
militar do Primeiro-Ministro Sá
Carneiro;
Posteriormente inspector da Arma de
Cavalaria
«MERECEMOS O NOME DE
SOLDADOS» e 2º comandante da Região
Militar Norte (RMN) «HONRA E
BRAVURA»;
De 1986 a 1989 director da Arma de
Cavalaria «MERECEMOS O NOME DE
SOLDADOS» e general comandante da
Região Militar Norte (RMN) «HONRA E
BRAVURA»;
Seguidamente aceita convite do
PRESIDENTE Mário Soares para chefiar
a casa militar da Presidência da
República;
Em 9 de Março de 1996 cessa funções
de chefe da casa militar da
Presidência da República;
Em 18 de Novembro de 2003 conclui a
sua autobiografia, epigrafada
"Trabalhos e Dias de Um Soldado do
Império".
Faleceu no dia 19 de Agosto de 2021
na sua residência no Porto, como
General na situação de reforma.
Paz à sua Alma.
