Celebrações do 10 de
Junho - Dia de Portugal


Dia de Portugal
10
de Junho - As cerimónias
10
de Junho de 1965 (Bissau)
Imagens cedidas por um Veterano
Texto de João Benamor
Imagens de Emídio Tavares

O General
Arnaldo Schulz faz entrega do Guião à P.S.P.
A História repete-se, disse
Bonaparte. Realmente, como se a sentença
exigisse confirmação, nos tempos que
vivemos, os actuais portugueses igualam, em
feitos e sacrifícios, os mais destacados
rasgos de heroicidade que iluminaram as
belas páginas da nossa História, batendo-se,
sofrendo e morrendo nos distantes
continentes onde tremula, indómita, a nossa
Bandeira, para que a coesa integridade
nacional se mantenha e o património que os
ancestrais nos legaram seja por nós doado,
intacto, às gerações vindouras.
10 de Junho - Dia de Camões, Dia de Portugal
- é, em todo o vasto mundo português,
celebrado com muito especial simbolismo e
multo afectivo significado. Então se faz a
chamada e se distinguem os heróis, então se
evocam outros heróis que, caídos no
cumprimento da sua alta missão de soberania,
não podem responder presente. Na capital da
pequena Guiné Portuguesa, comemorou-se, uma
vez mais, a tradicional data, com uma série
de cerimónias a que presidiu o Governador,
General Arnaldo Schulz.
Após uma velada de armas à Chama da Pátria,
junto ao monumento ao Esforço da Raça, feita
por filiados da M. P., foi, pelas oito
horas, rendida a guarda no palácio
governamental, com desusado aparato.
Concentraram-se, então, na Praça do Império,
as forcas da P. S. P., comandadas pelo
Capitão Pedro Alves Cabral, a quem o
Governador fez entrega da Bandeira e do
Guião,. atribuídos à prestimosa corporação.
Os elementos da P. S. P. apresentaram-se
envergando, pela primeira vez, uniformes
brancos de gala, com cordões e agulhetas
escarlates.
Depois da P. S. P. ter desfilado perante as
altas individualidades provinciais, formou,
frente às mesmas, um Batalhão a 3
Companhias, representativas dos três ramos
das Forças Armadas - fuzileiros navais,
caçadores e pára-quedistas - com a banda e
fanfarra do CTIG. Depois das honras do
estilo, o Governador prestou singela
homenagem aos estandartes das Unidades em
serviço na Provínciaa e passou revista à
guarda de honra.
O General Arnaldo Schulz proferiu, então,
vigorosa alocução às tropas e população, de
que transcrevemos algumas passagens:
«Disse um dia, publicamente, que
estamos vencendo e assim o creio firmemente.
A vitória já não é apenas uma promessa,
custará ainda grandes esforços e
sacrifícios, mas constitui certeza
consoladora.
Estamos vencendo militarmente a guerra que
nos foi imposta e combatendo, com êxito
indiscutível, a miséria que ela trouxe a
tantos inocentes nossos irmãos. Progredindo
claramente, apesar de todas as dificuldades.
Teremos mais e melhores estradas, mais
escolas, mais postos sanitários, mais
indústrias, mais empregos, mais quadros,
portos mais bem apetrechados, em suma, mais
riqueza, que virá beneficiar toda a
população. O inimigo, implacável e
ambicioso, sabe-o e desespera-se.
Todos conhecemos que ainda nos esperam
trabalhos e sacrifícios, mas os homens
sairão da luta mais conscienciosos, mais
fortes, mais aptos a enfrentar os escolhos
que sempre se opõem aos povos dignos como o
nosso, no mundo de hoje.
A Guiné não deixará de ser terra portuguesa!
Portugal não perecerá! Saberemos honrar os
nossos mortos!»
Em seguida, foi feita a chamada dos Oficiais
de 2.ª linha a promover por distinção e dos
militares a condecorar, com vários graus da
Cruz de Guerra e com a Medalha de Serviços
Distintos com Palma.
Terminada a cerimónia, soou o toque de
sentido e foi guardado um minuto de
silêncio, evocando aqueles que tombaram,
contribuindo, com o holocausto das suas
vidas, para a defesa da Pátria e para a
manutenção da paz e da ordem.

Condecoração
dos Heróis

Altas
entidades da vida provincial assistem às
cerimónias
