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10 de Junho

Celebrações do 10 de Junho - Dia de Portugal

 

 

Dia de Portugal

 

 

10 de Junho - As cerimónias

 

 

10 de Junho de 1971 (Lisboa)

 

 

Imagens cedidas por um colaborador do portal UTW

 

 

A mais alta condecoração do Exército Português — Ordem Militar da Torre e Espada — foi entregue pelo Chefe do Estado, Comandante Supremo das Forças Armadas, ao Primeiro-Sargento de Infantaria, Manuel Isaías Pires, e ao Segundo-Sargento de Fuzileiros-Especiais, Manuel Martins Teixeira, durante as cerimónias do Dia de Portugal, no Terreiro do Paço, em que cem bravos militares, dos três ramos das Forças Armadas, receberam medalhas e louvores.


QUATRO MIL HOMENS EM PARADA


Uma menina de dez anos, filha do 1.º Sargento Fuzileiro-Especial Manuel Joaquim Borges, subiu à tribuna das altas entidades, no Terreiro do Paco. Foi o Presidente do Conselho, Prof. Marcello Caetano, quem lhe entregou a Medalha de Prata de Valor Militar com palma. Silêncio absoluto, no Terreiro do Paco.


Um ancião, envergando fato preto, subiu também e recebeu a Medalha de Prata de Valor Militar, conferida a titulo póstumo, a seu filho, Alferes Miliciano de Artilharia. José Manuel de Araújo Gonçalves.


Com a presença de mais de quatro mil homens, em parada, o Terreiro do Paço oferecia um aspecto imponente, pendendo, das varandas e janelas dos edifícios ministeriais, bandeiras nacionais com a Cruz de Cristo.


Na tribuna principal, junto do Cais das Colunas, encontravam-se além do Chefe do Estado e do Presidente do Conselho, o Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira; presidentes da Assembleia Nacional e da Câmara Corporativa; todos os membros do Governo - à excepção dos Ministros da Defesa Nacional e do Exército, Marinha, Ultramar, e Secretário de Estado da Aeronáutica, os quais se encontravam a presidir a cerimónias idênticas, respectivamente, no Porto, Coimbra, Évora, Tomar. Em Angola, Guiné e Moçambique presidiram os Governadores-Gerais; no Funchal e em Angra do Heroísmo os Governadores dos Distritos Autónomos.


Na tribuna de honra, viam-se, ainda, as esposas do Presidente da República e de alguns membros do Governo; Embaixador Dr. Pedro Teotónio Pereira; o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e numerosas altas patentes dos três ramos das Forças Armadas.


CONDECORAÇÕES PARA 100 MILITARES


Foram cem os militares dos três ramos das Forças Armadas que receberam medalhas e louvores pelas suas acções em combate nas províncias da Guiné, Angola e Moçambique; Brigadeiros: Pinto Bessa, Alexandre Serrano, Joaquim de Carvalho e piloto-aviador João Quintela; Comodoros: Luciano Silva e António Teixeira; Coronéis: Amílcar Chaves, Artur Silva, Octávio Figueiredo, Alfredo Tello, Joviano Ramos, Armando Abreu, Bernardino Pombo, Eduardo Sousa, Alcino Ribeiro e José Fernandes; Tenentes-Coronéis: Alberto Osório, Fernando Santos, José Carvalho, Domingos Cravo, Fernando Lopes, João Leitão, Luís Araújo, António Machado, Carlos Costa, Guilherme Vieira e Tomás Ferreira; seis condecorações foram entregues a titulo póstumo ao Brig. Eugénio Carlos Nascimento, representado pelo filho; ao Cap.-de-Mar-e-Guerra Guilhermino Augusto Real, representado pela esposa; ao Alferes Miliciano José Manuel de Araújo Gonçalves, representado pelo pai; ao Primeiro-Sargento Fuzileiro-Naval Manuel Joaquim Borges. representado pela filha, e ao marinheiro Fuzileiro-Naval, Henrique Candeias Casimiro, representado pelo pai.


HOMENAGEM AOS MORTOS EM COMBATE


Terminada a entrega de condecorações, viveu-se outro momento particularmente emocionante; a homenagem aos mortos em combate. Após um instante, em que se ouvia apenas o drapejar das bandeiras, a fanfarra do RC 7, formada em frente da tribuna principal, tocou a silêncio e, logo a seguir, a «militares mortos em combate». Ao mesmo tempo, uma bataria do RAL 1 disparou uma salva de 18 tiros, finda a qual se observou um minuto de silêncio tendo por fim a fanfarra executado o toque de alvorada.


Uma alocução, previamente gravada, foi transmitida durante as cerimónias do Terreiro do Paço. Aliás a mesma que se escutou nos outros pontos do território nacional em que, à mesma hora, decorriam cerimónias idênticas. O seu teor era o seguinte:

 
Soldados:


Celebra-se hoje o Dia de Portugal.


E neste dia o País honra as suas Forças Armadas, não esquecendo que a Pátria portuguesa é obra de soldados e marinheiros.


Foi em luta contra os sarracenos que Portugal firmou a sua independência. Foram marinheiros que, embarcados em frágeis navios, navegaram por mares até aí desconhecidos e descobriram ilhas desertas e continentes ignorados onde raras populações selvagens levavam vida primitiva.


Marinheiros e soldados povoaram e defenderam as ilhas desertas e as terras inexploradas de além-mar. Cinco séculos de esforços, de trabalhos e de sofrimentos espalharam pelo mundo o nome e o sangue portugueses, e, depois da colonização do Brasil, asseguraram a lusitanidade das províncias ultramarinas.


Hoje Portugal é um grande Pais que faz parte da Europa, da Africa, da Ásia e da Oceânia. Um grande Pais onde muitas raças convivem fraternalmente. Um grande País que tem a aspiração de mostrar à Humanidade, dividida por tantos ódios e tantas convulsões, como é possível a uma população de diversas culturas e cores, dispersa por tantos lugares, constituir uma Nação unida, unida peia História, pelos ideais e pela vontade de vencer o futuro.


Agredidos no Ultramar por estranhos ao serviço de interesses estrangeiros, os portugueses defendem-se, defendendo a terra onde, pretos ou brancos, vivem em paz, as famílias que constituíram, as casas que ergueram, as lavouras que arrotearam, as indústrias que estabeleceram, as cidades magníficas e alegres que são o seu e o nosso orgulho. Civis e militares, marinheiros e soldados do Exército e da Força Aérea, todos têm colaborado nessa defesa, que persistente e vitoriosamente dura há dez anos e de que não estamos dispostos a desistir.


Aqui juntos lembramos hoje os mortos que tombaram em glória ao serviço de Portugal. Lembramos quantos sofreram ou sofrem por causa desta luta a que não sabemos fugir. Lembramos todos os portugueses que nela têm cumprido nas fileiras o seu dever para com a Pátria. E saudamos aqueles que, sem hesitação e sem temor, estão prontos a cumprir esse dever à sombra da bandeira nacional, a bandeira que simboliza a nossa unidade, a nossa independência e a nossa vontade de vencer, que contém no escudo das quinas a nossa História e desfraldada ao vento nos encaminha para o futuro.


É com os olhos postos nela que recordamos os versos imortais do Hino Nacional.
 

«Desfralda a invicta bandeira
A luz viva do teu Céu!
Brada à Europa, à Terra inteira:
Portugal não pereceu!»


Pouco passava das 11 horas quando, com o Terreiro do Paço a ser sobrevoado por esquadrilhas de caças, da Base de Tancos, se iniciou o desfile das Forças em parada comandadas pelo 2.º Comandante da RML, Brig. Delgado e Silva. Os Presidentes da República e do Conselho o Secretário de Estado do Exército adiantaram-se na tribuna, ao mesmo tempo que as bandas tocavam marchas militares. Passaram, primeiro, as unidades dos estabelecimentos de ensino - Colégio Militar, Pupilos do Exército, Escola Naval e Academia Militar; depois, um batalhão da Armada; a seguir, seis batalhões do Exército; batalhão de especialistas, com soldados das Províncias Ultramarinas integrados; batalhão de caçadores pára-quedistas e, por fim, as forças militarizadas: G. N. R., Guarda Fiscal, P. S. P. e Legião Portuguesa. Encerrava o desfile o Regimento de Cavalaria da G. N. R., em grande uniforme.


O Chefe do Estado correspondia à continência que lhe era prestada por cada um dos escalões

 

 

 

 

 

LISBOA — Na capital, as cerimónias decorreram no Terreiro do Paço com a presença do Chefe do Estado, do Presidente do Conselho e de todos os membros do Governo, a excepção dos Ministros da Defesa Nacional e do Exército, Marinha e Ultramar, e do Secretário de Estado da Aeronáutica que, noutras cidades do pais, presidiram a cerimónias idênticas. Foram condecorados cem militares, seis dos quais a titulo póstumo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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