Informações e imagens cedidas por um Veterano
1.º
Encontro Nacional de Combatentes
Lisboa, 10 de Junho de 1994
Miguel Lencastre, Tenente Miliciano de
Infantaria

Transcrição:
« ... De um
ex-Combatente do Ultramar (Miguel Lencastre - Tenente
Miliciano de Infantaria), residente no Porto,
transcrevemos uma exaltante passagem escrita da sua
vivência, quando militar:
Muito
jovem parti para o estrangeiro e em dois países europeus
permaneci bastante tempo.
Sentia-me, então, muito europeu e pouco português. A
palavra Pátria não tinha para mim grande significado.
Um dia
fui convocado para ir prestar o Serviço Militar.
Só o
muito respeito e admiração que nutria por meu Pai fez
com que eu regressasse.
É que eu
sabia que, para ele, seria a desonra o ter um filho
refractário. Teria um imenso desgosto!
Voltei a
contra gosto e, de uma forma um tanto ou quanto
displicente, ingressei nas Forças Armadas.
Ao fim
de um ano embarquei para Angola, onde permaneci dois
anos.
Curiosamente ou não, foi nesse território africano que
aprendi a amar a Pátria-Mãe e a ter orgulho de ser
Português.
Ao
presenciar a obra imensa lá feita e as tarefas e missões
que o futuro perspectivava aos portugueses, acreditei
firmemente no desafio aliciante que era a construção do
Mundo Lusíada.
O
desabar deste sonho, que se podia ter concretizado, foi
para mim um choque terrível.
Confesso
que, então, algumas vezes cheguei a ter vergonha de ser
Português.
Espero
que este encontro de Antigos Combatentes, seja o
fermento de novos e mais ousados Empreendimentos.
Estivemos demasiado tempo calados, inertes, descrentes e
dispersos.
É tempo
de, em conjunto, passarmos à acção, sempre tendo como
objectivo os superiores interesses de Portugal.
Só assim
seremos dignos dos Mortos cujos feitos e memória
vivificam o nosso Monumento.»