COMBATENTES
COMBATENTES DE ONTEM, DE HOJE E DE
AMANHÃ
Portugal continua e continuará sempre
a precisar de vós. Quem, um dia, jurou perante o
estandarte nacional, servir a Pátria, mesmo com
sacrifício da própria vida, certamente está
disponível para de novo lutar por um Portugal
melhor. Não com armas na mão, porque não é disso que
se trata. Mas com o mesmo espírito de dádiva e
entrega, lutando por princípios e valores que tornem
a nossa sociedade melhor e mais digna, para que
tenhamos orgulho na herança que deixamos aos nossos
filhos e netos.
COMBATENTES
Pelo 17º ano consecutivo, num
verdadeiro exercício de cidadania, encontramo-nos
junto a este monumento para comemorar o dia de
Portugal. Porque a forma mais nobre de o fazer será
homenagear todos quantos, ao longo da nossa
história, chamados um dia a Servir Portugal,
tombaram no campo da honra, em qualquer época ou
ponto do globo. E não se julgue que estes
sacrifícios terminaram. Já se combateu para alargar
fronteiras, já se combateu para manter fronteiras,
hoje combate-se para defender princípios
civilizacionais, para garantir a liberdade. Por isso
estas homenagens fazem sentido e devem continuar a
ser feitas. Homenagear os combatentes no Dia de
Portugal é mostrar que temos orgulho na nossa
História e em sermos portugueses.
Mas nesta homenagem não esquecemos
também os deficientes das Forças Armadas, nem todos
os que dão o seu melhor pela causa dos combatentes.
Aqui fica pois uma palavra de agradecimento e
estímulo não só à Liga dos Combatentes, mas também a
todas as Associações de Combatentes, sem o apoio das
quais esta cerimónia não seria possível.
COMBATENTES
A melhor forma de honrar todos os que
deram a vida por Portugal é meditar junto a este
sublime monumento se os nossos actos, em cada dia
que passa, são dignos do sacrifício que todos os que
têm os seus nomes inscritos nestas lápides, frente a
vós, um dia fizeram, por Portugal. E que melhor
lugar para esta meditação que este, frente à “Chama
da Pátria”, que nunca deixaremos apagar, com o mar
como respaldo, esse mar de tantas glórias, de tantos
sacrifícios, que já foi futuro
e que tem que voltar a ser futuro.
COMBATENTES
Porque a memória dos mais velhos é
traiçoeira e os mais novos ainda têm pouco em
memória, decidimos de novo, este ano, homenagear
todos os que tombaram pela Pátria, através de um
deles, um português maior, um homem com H grande,
cujo exemplo de conduta, de valores e de virtudes
não devemos esquecer e manter como referência – o
Senhor Comandante Jorge Manuel Catalão de Oliveira e
Carmo, morto em combate em 18 de Dezembro de 1961,
nos mares de Diu, então Índia Portuguesa.
Um texto descritivo da sua acção em
combate será lido por um oficial que entrou para a
Escola Naval menos de um ano depois, em 1962, e teve
este herói nacional como patrono de curso.
Convido-vos a ouvir este texto no maior silêncio e
com o maior respeito. Vão descobrir nele o Portugal
nobre, que dá valor à honra e à verdade, corajoso, e
que continua a existir, por muito que nos custe a
acreditar. Cabe a nós fazê-lo despertar, para que
não mais se tenha vergonha de falar em Pátria ou em
Patriotismo. Basta quebrar o silêncio dos bons.
Basta lembrarmo-nos de que somos perto de um
milhão. E acreditaremos que esta tarefa é
possível.
COMBATENTES
Todos nós, quando estávamos em
missão, tínhamos sempre alguém que nunca nos
esquecia e que também sofria, embora de forma
diferente, a nossa decisão de ter aceite ser
combatente. A nossa família, mas muito
particularmente as nossas mães e as nossas mulheres,
no seu silêncio, sempre de forma discreta, viviam
sofridamente, certamente com enorme angústia, o
dia-a-dia dos seus filhos ou maridos. E sempre o
fizeram e continuarão a fazer porque sabem e sentem
que a família é um dos pilares essenciais de uma
sociedade de princípios e valores.
Por isso, também hoje e aqui,
queremos homenagear a Mãe e a Mulher do combatente,
fontes da sua força, referências para a sua acção e
importantes pilares da família militar, tão
esquecida, tão ignorada, por uma teimosa recusa em
aceitar o seu importante papel. Ela constitui parte
do segredo da estabilidade emocional necessária ao
combatente. Ela é a segurança dos vivos, o
imprescindível apoio dos que ficaram deficientes, a
única alternativa para cuidar dos filhos dos que, em
missão, antes do tempo já nos deixaram.
Esta homenagem à Mãe e Mulher do
combatente, neste dia de Portugal de 2010, será
feita através da presença nesta cerimónia da Senhora
Dona Maria do Carmo de Oliveira e Carmo, viúva do
Senhor Comandante Oliveira e Carmo, que hoje
homenageamos, e que vos vai falar. Oiçam as suas
palavras. Meditem nelas e no seu significado. É que
as mães e mulheres dos combatentes, pelo papel
essencial e insubstituível que desempenham na
construção e equilíbrio da família, também muito
podem fazer por um Portugal melhor, que fale
verdade, um Portugal de princípios, e de
dignidade, um Portugal de esperança, de
valores, de ética, e de que todos nos possamos
orgulhar. Por isso, também é tão importante
contarmos convosco.
COMBATENTES DE ONTEM, DE HOJE E DE
AMANHÃ
Termino como comecei. A vossa missão
não acabou. Portugal continua e continuará sempre a
precisar de vós. Saibamos honrar os que se
sacrificaram por Portugal.
VIVA PORTUGAL
Lisboa, 10 de Junho de 2010