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10 de Junho

Celebrações do 10 de Junho - Dia de Portugal

 

 

Dia de Portugal

 

10 de Junho - As cerimónias

 

 

10 de Junho de 1972 (Lisboa)

 

Imagens cedidas por um colaborador do portal UTW

 

 

 

 

A Torre de Belém serviu, este ano, pela primeira vez, de pano de fundo às cerimónias militares de consagração daqueles que se distinguiram, nas frentes de batalha da Guiné, Angola e Moçambique, em defesa da integridade nacional.


Três mil homens, pertencentes aos três ramos das Forças Armadas, dos Estabelecimentos de Ensino Militar, e das Forças Militarizadas, emolduraram o terreiro frente à Torre de Belém, onde oitenta e nove militares, - alguns a título póstumo - foram condecorados pelos seus feitos.


Presidiu à cerimónia o Chefe do Estado, que se encontrava ladeado pelos Presidentes do Conselho e da Assembleia Nacional. Presentes, Membros do Governo, à excepção daqueles que noutras localidades, presidiram a cerimonias idênticas, o Patriarca de Lisboa, Adidos Militares estrangeiros, acreditados no nosso país, diplomatas e Oficiais Generais das Forças Armadas.


«DITOSA PÁTRIA QUE TAIS FILHOS TEM»


Um vento forte fustigava as bandeiras e estandartes disseminados pela praça. Impecáveis, as Forças em parada, comandadas pelo 2.° Comandante da Região Militar de Lisboa, Brig. Delgado e Silva, escutaram os acordes do Hino Nacional e, depois, a alocução gravada que foi difundida, simultaneamente, em rodo o território nacional onde decorriam cerimónias idênticas:


«É hoje dia de Portugal. Desfraldam-se bandeiras, tocam-se hinos e vestem-se galas para honrar a memória de todos aqueles que desde há 8 séculos firmaram, tantas vezes lutando, a Pátria portuguesa, e honrar também todos os que no presente lutam para a manter intacta e indestrutível. E glorificar os militares das Forcas de terra, mar e ar que por obras valorosas nos campos de combate mais se distinguiram ultimamente na nossa acção contra o inimigo, alguns até com o sacrifício da própria vida.


«A nossa Pátria não apareceu no Mundo por acaso. Foi feita pelo querer e pela determinação dos primeiros portugueses há 800 anos, e prolongada depois por todo o Mundo pelo génio e pelo destemor dos seus filhos, e ao serviço da civilização e da fé.


«Foi o nosso povo que abriu para a Humanidade caminhos novos que tornaram o mundo maior, mais conhecido e mais rico, lhe abriu as grandes rotas dos mares, como hoje outros países abrem as rotas do espaço. Nesse esforço organizámos terras portuguesas onde só havia incapacidade de utilização das riquezas, gentes incultas, onde dominavam as doenças, onde havia um mundo de olhos fechados para o nosso Mundo. Desde então têm sido alvo de cobiças essas terras portuguesas, que portugueses elevaram, cultivaram e trataram. Tivemos assim que as defender dessas cobiças, e de defender as populações que pacificamente trouxemos para a sombra da bandeira portuguesa, e que à sua sombra sabem que podem viver em paz e em amizade, contribuindo pelo seu trabalho para o bem geral. Desde há 11 anos que novamente aí fazem esforços não portugueses para destruir nas terras portuguesas de África os sinais portugueses.


«Gente estrangeira, com armas estrangeiras, quer aproveitar-se daquilo que em África tanto nos custou e tem custado a fazer em benefício das populações que lá vivem, da grandeza daquelas terras e das suas riquezas incomparáveis. Gente estrangeira procura tirar a Portugal o trabalho de muitas gerações de portugueses de todas as estirpes e de todas as camadas sociais, ricos ou pobres, pretos ou brancos.»


E a terminar:


«Por isso o nosso povo não tem regateado esforços, e as vozes dos «velhos do Restelo» continuam a ser abafadas pelos rasgos de coragem e de bravura dos soldados de terra e ar e pelos marinheiros portugueses.


«Portugal continua confiante no patriotismo dos seus filhos, que não cessam de pensar que - «Esta é a ditosa Pátria minha amada».


E se hoje premeia os que mais se salientaram na luta contra o inimigo, a Pátria reconhece em todos o seu esforço e louva o seu sacrifício: - «Ditosa Pátria que tais filhos tem».


Após a alocução, o Chefe do Estado deixou o seu lugar na tribuna para entregar as insígnias de «Torre e Espada» a quatro militares. Em seguida, o Presidente do Conselho entregou três medalhas de prata de Valor Militar com Palma a outros tantos agraciados, uma das quais a título póstumo. As restantes condecorações foram entregues pelo Secretário de Estado do Exército, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Chefes dos Estados-Maiores do Exército, Marinha e Força Aérea, Secretários-Adjuntos da Defesa Nacional, Governador Militar de Lisboa, Comandante Naval do Continente, Director da Arma de Cavalaria, Gen. Oliveira e Sousa, Superintendente do Serviço de Material da Armada, Director da Arma de Artilharia, e Comandante da 1.ª Região Aérea.


Após a imposição de condecorações, escutou-se o toque a silêncio, depois a «mortos em combate» e, por fim, o de alvorada.
Seguiu-se o desfile das Forças em parada, em continência ao Chefe do Estado que, de pé, ladeado pelo Presidente do Conselho, e pelo Secretário de Estado do Exército, retribuía a saudação.

 

O Chefe do Estado, acompanhado do Presidente do Conselho e do Secretário de Estado do Exército, corresponde às honras que lhe são prestadas.

 

 

Alguns dos condecorados prestam continência às individualidades que se encontram na tribuna

 

Aspecto do início do desfile das Forças em parada

 

 

 

 

 

 

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