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Companhia de Caçadores 274 -
Batalhão Independente de Infantaria 18
 Companhia
de Caçadores 274
Serviu Portugal na Província Ultramarina da
Guiné, no período de 28 de Janeiro de 1962 a
17 de Janeiro de 1964
Capitão de Infantaria Adérito
Augusto Figueira
O dia 6 de
Fevereiro de 1963
Com a devida vénia transcrevemos a narrativa
exposta no facebook no sítio dos
Amigos e camaradas-de-armas,
A nossa história, enquanto combatentes na
Guerra do Ultramar, teve contornos que só
aqueles que os viveram são capazes de os
sentir e de os descrever. Nós, porque os
vivemos, somos os únicos capazes de
compreender aqueles episódios que marcaram
vivas jovens, abnegadas, cumpridoras.
O dia 6 de Fevereiro desta história
certamente marcou a vida de todos aqueles
que o viveram. Nós apenas podemos
acompanhá-los com o coração.
Esta história, que o nosso amigo e
camarada-de-armas Zeca Amaral amavelmente me
mandou para publicar, é uma daquelas que,
tenho a certeza, mais uma vez, nos fará
mergulhar na vala, atrás do morteiro, em pé
no manuseamento do lança-granadas e, porque
não, tirar o cruxifixo e beija-lo mais uma
vez. Não é de somenos importância relembrar
que a 274/BII18 e a 273/BII17 foram as
companhias açorianas pioneiras na Guiné.
Nesta apresentação limitei-me a aproveitar o
excelente trabalho daquele nosso camarada.
Fiz os possíveis para deixar as notas das
fotografias de acordo com o texto. Peço a
vossa indulgência para algum erro da minha
parte. Como várias vezes confessei, tenho
muitas dificuldades no uso das novas
tecnologias.
Obrigado Zeca Amaral por mais este excelente
trabalho e partilha. Esta colaboração é mais
que preciosa.
EM MEMÓRIA
DE:
O QUASE MASSACRE QUE VOLTOU MILAGRE
O
dia seis de Fevereiro de 1963, caiu numa
Sexta Feira.
Em tempos normais, seria o princípio de fim
de semana, mas não é isto que vai acontecer
no que vai narrar a macabra história, que
assim começa:
Em
Caboxanque havia uma das grandes
propriedades do Grupo CUF, gerida localmente
pela Casa Gouveia a qual tinha todo o
controlo e gestão de todas as actividades de
negócios, desde a indústria, comércio,
economia e até o exclusivo dos transportes
marítimos para Portugal, Europa e mais
partes do mundo. Foi para ali destacado um
pelotão para trabalho de quadricula ou
reconhecimento, comandado pelo Alferes
Miliciano António Robalo Valente, visto a
situação parecer calma na altura, sem
receios de represálias.
Tinham conhecimento que antes houvera ali
tropas indígenas comandadas por oficiais e
sargentos portugueses e que antes da secção
ser despachada para lá, havia uma companhia
indígena e que o capitão da mesma tinha
abandonado a unidade militar e desertado
para os Estados Unidos, roubando todo o
pecúlio ali existente. O alferes Valente,
comandante de um dos pelotões da companhia
274, antes de mandar os seus homens, digo, a
famigerada Secção, foi lá para se certificar
e ali soube de imediato que não havia o
mínimo de segurança e comodidade para deixar
os seus rapazes e em escrito deixou saber
aos seus superiores e a resposta veio de
cima muito pronta “SIGA E CUMPRA ORDENS!”.
A partir de agora vou começar a narrar o que
me foi dito verbalmente por testemunho
ocular e que ainda vive e reside em
Cambridge, na Província do Ontário, Canadá.
Eis, pois, mais ou menos, como ele ma
descreveu: Uma casa grande, enorme e espécie
de armazém medonho [armazém de mancarra
(amendoim)], mas sem a mínima proteção.
Quero
dizer,
sem arame farpado, em caso de alguma
eventualidade. A guarda era feita em frente
da casa e outra sentinela era colocada nas
traseiras ou quintal. Fui rendido à meia
noite e pouco tempo depois de entrar no que
vou chamar de caserna, mas que não era senão
um armazém, senti o que nunca dantes tinha
ouvido e que pensei estivesse a ter algum
pesadelo. Mas não. Soube que era realidade,
quando notei que tinha sido atingido num
braço e pela porta da frente ouço a voz do
Furriel Rebelo que protegêssemos as
entradas, de contrário morreriam todos e ao
dize-lo é atingido com uma rajada que lhe
ceifou a vida tão horrível e brutalmente
caindo à entrada da porta. A sentinela que tinha
dado o alarme também já tinha sido baleado
momentos antes e mortalmente. O rádio
telegrafista nada podia fazer a pedir por
socorro, pois que as transmissões eram
encerradas depois da meia noite, e por
qualquer motivo e mesmo que quisesse dar uma
ajudinha não tinha arma, pois que esta fora
roubada no primeiro assalto. Havia um outro
soldado no quarto de banho, O MIL HOMENS,
não sei o porquê do pomposo nome, e por lá
se deixou ficar até tudo acabar o que ainda
levou uma eternidade. Ficou, por
conseguinte, a defesa daquela instalação a
dois primeiros cabos e três soldados! E é
aqui que começa todo o drama. Do outro lado
não desistiam. Se recuavam para dentro da
selva, era para levar os mortos que estes
cinco heróis iam dado cabo sem desperdício
de munições, pois que sabiam que parte dela
já tinha sido roubada, por conseguinte
tinham de economizar e acertar no alvo o
mais possível.
Embrenhados na selva, esperavam os do outro
lado e que nós chamávamos de terroristas
precisamente que se rendessem as sentinelas.
O ataque foi feito repentinamente, com tiros
e muita gritaria,
tentando invadir as
instalações que sabiam apetrechada com armas
e munições de que eles bem necessitavam. A
sentinela da parte traseira o soldado número
381, José Carvalho Carreiro, o da foto em
cima e que parece olhar para o fotógrafo
,que a Freguesia da Maia, 22 anos atrás
tinha visto nascer, foi atingido com as
primeiras balas ,tendo morte instantânea ,
dizem uns ,outros que devido á maneira com
que desempenhava a sua missão de sentinela
conseguiu ainda a tempo dar o alarme
evitando o massacre dos seus camaradas ,mas
pagando com a vida o cumprimento do seu
sagrado dever. O comandante da secção,
Furriel Miliciano José Rego Rebelo que a
foto da direita testemunha, que no último
dia do mês de Dezembro de 1939 e na
Freguesia da Fajã de Cima tinha aberto os
olhos para a vida, estando ciente da
situação, mas em pânico, nervoso e
desorientado, gritou aos seus homens para
que protegessem a porta da frente, de
contrário, morreriam todos. Foram estas suas
últimas palavras as quais foram ainda
ouvidas pelo soldado # 271 que tinha sido
ferido numa mão antes de entrar em casa e
acabado de sair do seu posto de guarda.
Distinguiu-se este nosso Furriel Rebelo pela
maneira heroica como comandante dos seus
homens antes de morrer, dando-lhes a coragem
necessária para conseguirem pôr em fuga, por
várias vezes, os assaltantes. Seu corpo
ficou sepultado em BEDANDA em campa não
assinalada, assim como o do outro soldado
que também tinha sido alvo do primeiro
ataque, ficando mesmo ali à porta sem que os
camaradas o pudessem socorrer. Anos mais
tarde seus corpos foram transladados para os
sítios que os viu nascer.
A sentinela que tinha acabado de sair do
posto também tinha sido ferida, se bem com
pouca gravidade, um outro soldado de apelido
de Mil Homens, (não sei o porquê do pomposo
nome) encontrava-se no quarto de banho na
ocasião e lá permaneceu até cessar o fogo.
Tudo isto começou pouco mais ou menos da uma
da madrugada e prolongou-se até ao romper do
dia!
A situação tornou-se terrivelmente
complicada. Complicada pelo seguinte: Haviam
dois mortos, um ferido, outro no quarto de
banho, que como já foi dito conservou-se lá
até às sete horas, o radio telegrafista não
tinha arma\, pois que tinha já sido roubada
naquela primeira invasão à casa , assim como
mais equipamento e a secção ficou reduzida a
quatro homens, dois soldados e dois
primeiros-cabos (Cabo Raúl à esquerda
e cabo Freitas na direita em tempos mais
alegres).
É a
partir desta altura que estes cinco valentes
e Heroicos rapazes vão sentir na pele o
pior, o mais horripilante que pode acontecer
ao ser humano. Cada vez que os assaltantes
atacavam, eles pensavam: vai ser desta vez
que morreremos todos !?,,,,,,ll
E
atacavam, atacavam , não com muitos tiros,
pois que na altura não tinham ainda
armamento competente a resistência, mas como
eram muitos a correr e a gritar todos ao
mesmo tempo, que segundo a dita testemunha
ocular já aqui mencionada e que entrevistada
pelo autor destas palavras, pensou, não
então, mas presentemente ,que parecia um
daqueles filmes de COWBOYS em que os Índios
perseguem os personagens da fita e sempre
que isto acontecia, estes rapazes de nervos
de aço, atiravam, mas com a mira de matar o
mais que pudessem do lado inimigo. Sempre
que havia mortos do outro lado, eram levados
para o interior da selva e, claro, esta
operação era satisfatória e de que maneira,
aos nossos rapazes, pois que tinham algum
tempo para comunicar e até usar novas
estratégias, para o próximo reencontro.
Grande Freitas que na altura não fazia a
mínima ideia de sair desta com vida e ainda
por ele esperavam mais duas emboscadas nos
dias 22 de Abril e 5 de Maio. Na primeira
viu cair o seu conterrâneo e municiador João
de Freitas que tombou com uma bala
traiçoeira que nem ele sentiu a dor da morte
nem os camaradas notaram de imediato o que
ali e tão repentinamente se estava a passar!
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José Carvalho Carreiro
José Carvalho
Carreiro, Soldado de Infantaria n.º 381/61, nascido no
dia 5 de Agosto de 1940, no lugar da Maia, da freguesia
da Maia, concelho da Ribeira Grande (Açores), filho de
José Braga de Carvalho e de Maria dos Anjos Carvalho,
solteiro.
Mobilizado pelo Batalhão Independente de
Infantaria 18 (BII18 - Ponta Delgada) para servir
Portugal na Província Ultramarina da Guiné integrado na
Companhia de Caçadores 274 (CCac274)
Faleceu no dia 6 de Fevereiro de 1963, em
Salancaur-Cul
(povoação a 17 Km nordeste de Bedanda),
vítima de ferimentos em combate, devido à ataque do inimigo ao aquartelamento.
Tinha 22 anos
de idade.
Está sepultado
no cemitério da localidade da sua naturalidade.
João do Rego Rebelo
José do Rego Rebelo, Furriel Mil.º de
Infantaria, nascido no dia 31 de Dezembro de
1939, na freguesia da Fajã de Cima, concelho
de Ponta Delgada, filho de José do Rego
Rebelo e de Maria Gilda, solteiro.
Mobilizado pelo Batalhão
Independente de Infantaria 18 (BII18 - Ponta
Delgada) para servir Portugal na Província
Ultramarina da Guiné integrado na Companhia
de Caçadores 274 (CCac274)
Faleceu no dia 6 de Fevereiro de 1963, em
Salancaur-Cul
(povoação a 17 Km nordeste de Bedanda),
vítima de ferimentos em combate, devido à ataque do inimigo ao aquartelamento.
Tinha 23 anos de idade.
Está sepultado no cemitério da localidade da
sua naturalidade.
João de Freitas
Pereira
João
de Freitas Pereira, Soldado Atirador n.º 267/61, nascido
no dia 8 de Abril de 1940, no lugar de Feteirinha, da
freguesia do Santo Espírito, concelho da Vila do Porto
(Ponta Delgada), filho de José Joaquim Pereira e de
Maria C. Freitas, solteiro.
Mobilizado pelo Batalhão Independente de
Infantaria 18 (BII18 - Ponta Delgada) para servir
Portugal na Província Ultramarina da Guiné integrado na
Companhia de Caçadores 274 (CCac274)
Faleceu no dia 22 de Abril de 1963 na picada Jabadá > Fulacunda,
vítima de ferimentos em combate, durante a Operação Sapo
Tinha 23 anos de idade.
Está sepultado no cemitério da Fulacunda - Guiné (em
Novembro de 2009 campa inexistente)
Paz às suas Almas
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