HONRA E GLÓRIA:
Sipaio
Joaquim Amona
[Guerra do Ultramar,
Guiné, 1969]
Louvor e Medalha da Cruz de Guerra
de 1ª classe
(a
título póstumo)
Manda o Governo da República
Portuguesa, pelo Ministro da Defesa
Nacional, louvar, por proposta do
Comandante-Chefe das Forças Armadas
da Guiné, o Sipaio Joaquim Amona, da
Administração do Posto de Binar,
porque no ataque particularmente
violento que o inimigo efectuou
sobre esta localidade em 17 de Julho
de 1969,
ao tomar parte na reacção das
nossas tropas, debaixo de
nutrido fogo adversário, conduziu
um grupo de caçadores nativos em
perseguição do inimigo, de modo a
obter uma reacção violenta que fez
quebrar o ímpeto inicial da acção.
Apesar do intenso fogo, o Sipaio
Joaquim, reagindo pelo fogo e
movimento, com risco de vida,
conseguiu aproximar-se muito dos
elementos inimigos, numa acção de
coragem, sangue-frio e desprezo pelo
perigo, incitando o seu grupo à
reacção e conseguindo abater um
elemento inimigo a pequena
distância, de tal modo que a sua
acção plena de decisão e serena
energia conseguiu pôr em fuga os
elementos inimigos que sobre si
faziam fogo, não sem que antes lhe
tivessem provocado ferimentos de que
veio a falecer.
Para além das qualidades e virtudes
evidenciadas nesta acção, que não
foram mais do que a confirmação das
mesmas já amplamente conhecidas, o
Sipaio Joaquim, desde o inicio dos
acontecimentos, sempre trabalhou com
as nossas tropas, apesar da sua
avançada idade, de molde a merecer
sempre os mais rasgados elogios,
respeito e consideração de quem teve
a honra de o ter por colaborador.
Extremamente leal, de acrisolado
patriotismo e dedicação pela causa
que serviu até morrer, o Sipaio
Joaquim soube sempre comportar-se de
molde a merecer a consideração,
respeito e a admiração pelas
qualidades que a todo o momento
evidenciava, quer em operações, quer
no trato pessoal.
Dispondo em cada militar de um amigo
desinteressado, mereceu sempre dos
comandantes com quem trabalhou
inúmeros louvores e elogios que não
só devido às suas qualidades de
combatente evoluído, experiente e
experimentado, mas também devido às
suas qualidades excepcionais de guia
das nossas tropas, ainda há bem
pouco tempo reconhecidas por um
louvor que lhe foi concedido.
Dispunha ainda o Sipaio Joaquim,
devido às suas qualidades humanas,
de um prestígio difícil de igualar
junto de todas as populações da
área, o que foi também demonstrado
nas cerimónias do seu funeral, que
fizeram reunir à sua volta milhares
de nativos.
Por tudo o que acima fica exposto, o
Sipaio Joaquim Amona, para além da
perda que representa, foi bem um
exemplo de amor pátrio, dedicação
pela causa que serviu de modo
exemplar, e digno de ser realçado
como personalidade invulgar e
merecedor do maior respeito e
admiração de todos nós, e elevado
exemplo de qualidades e virtudes que
nunca será de mais enaltecer.
– Portaria de 5 de Fevereiro de 1970
(Diário de Governo nº 37 / II Série
/ 1970)
