Alcino de Jesus Adão, Soldado Atirador, do
CCac3353/BCac3842
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas, mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

Alcino
de Jesus Adão
Soldado Atirador, n.º
11736370
Companhia
de Caçadores 3353
«UBI
GLÓRIA OMNE PERICULUM DOLCE»
Comandante
do
Posto de
Carinde do Destacamento Policial do Songo
Moçambique: 16Mai1971 a
29Nov1972 (data do falecimento)
Cruz de
Guerra de 3.ª classe
(a título
póstumo)
Louvor
Individual
(a título
póstumo)
Alcino de Jesus Adão, Soldado de
Infantaria, n.º 11736370, nascido na localidade de
Eiriz, na freguesia de Vreia de Bornes, concelho de Vila
Pouca
de Aguiar, filho de Agostinho Alves Pereira e de Ana de
Jesus Adão, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1
(RI1
- Amadora) «UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE» para
servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique.
No dia 21 de Abril de 1971, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Niassa’,
integrado num dos pelotões da Companhia de Caçadores
3353 (CCac3353) do
Batalhão
de Caçadores 3842 (BCac3842) «JUSTUM ET TENACEM», rumo
ao porto da cidade da Beira, onde desembarcou no dia 16
de Maio de 1971.
A sua subunidade de infantaria, comandada
pelo
Capitão Mil.º Manuel Baptista Ramos, após o desembarque,
foi retirada definitivamente do quadro orgânico do
Batalhão de Caçadores 3842 (BCac3842), seguindo de
comboio para Moatize, onde foi
colocada
sob o comando operacional do Batalhão de Caçadores 17
(BCac17) «AGORA, SEMPRE E ALÉM DO FIM», onde rendeu a
Companhia de
Caçadores
2514 (CCac2514) do Batalhão de Caçadores 2875 (BCac2875)
«CORAGEM LEALDADE AMIZADE».
Encontrando-se em diligência no
Destacamento
Policial do Songo, foi escolhido, pelas qualidades até
então reveladas, para comandar o Posto de Carinde.
Faleceu heroicamente no dia 29 de Novembro de 1972, no
Posto de Carinde, vítima de uma granada inimiga durante
um violento ataque ao posto, quando abandonou o seu
abrigo a peito descoberto para ripostar convenientemente
com um morteiro. Pelo seu exemplo de bravura, foi
condecorado a título póstumo com a Cruz de Guerra de 3.ª
Classe.
Paz à sua Alma
Está inumado no cemitério da localidade da sua
naturalidade.
Louvado, a título póstumo, por feitos em combate no
teatro de operações de Moçambique, por despacho do
General Comandante-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique, de 13 de Setembro de 1973, publicado nas
Ordens de Serviço n.º 25, de 21 de Setembro de 1973, do
Comando-Chefe das Forças Armadas de Moçambique e n.º 77,
de 29 do mesmo mês e ano, do Quartel-General da Região
Militar de Moçambique.
Agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª classe,
por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique, de 23 de Maio de 1974, publicado na Ordem do
Exército n.º 22 - 3.ª série, de 1974:
Soldado
de Infantaria, n.º 11736370
ALCINO DE JESUS ADÃO
CCac3353/BCac3842 -
RI1
MOÇAMBIQUE
3.ª CLASSE (Título
póstumo)
Transcrição do
Despacho publicado na Ordem do Exército n.º 22 - 3.ª
série, de 1974.
Agraciado, com a Cruz de Guerra de 3.ª classe, nos
termos do artigo 20.º do Regulamento da Medalha Militar.
promulgado pelo Decreto n.º 566/71, de 20 de Dezembro de
1971, por despacho do Comandante-Chefe das Forças
Armadas de Moçambique, de 23 de Maio de 1974. a título
póstumo, o Soldado de Infantaria, n.º 11736370, Alcino
de Jesus Adão, da Companhia de Caçadores n.º 3353 do
Batalhão de Caçadores n.º 3842 - Regimento de Infantaria
n.º 1 e em diligência no Destacamento Policial do Songo.
Transcrição do
louvor que originou a condecoração.
(Publicado nas Ordens de Serviço n.º 25, de 21 de
Setembro de 1973, do Comando-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique e n.º 77, de 29 do mesmo mês e ano, do
Quartel-General da Região Militar de Moçambique):
O General Comandante-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique, por seu despacho de 13 de Setembro de 1973,
louvou, a título póstumo, o Soldado de Infantaria, n.º
11736370, Alcino de Jesus Adão, da Companhia de
Caçadores n.º 3353 do Batalhão de Caçadores n.º 3842, e
em diligência no Destacamento Policial do Songo, pela
forma altamente eficiente como exerceu as funções de
Comandante do Posto de Carinde. Escolhido pelas
qualidades até então reveladas, para comandar o referido
posto, situado em local isolado e em zona
particularmente importante e sensível, cumpriu
valorosamente as funções que lhe foram confiadas,
revelando uma invulgar noção dos seus deveres como
militar.
Nas várias flagelações de que o Posto foi alvo, sempre
se evidenciou pela sua tenacidade e destemor, acorrendo
aos locais de maior perigo, orientando a defesa e
encorajando os seus subordinados com o seu exemplo, sem
desfalecimentos ou hesitações.
No ataque, que viria a causar a sua morte, perpetrado
por numeroso e bem armado grupo inimigo, mais uma vez
deu provas de grande coragem, sangue-frio, decisão e
serena energia debaixo de fogo, ao abandonar o abrigo
onde se encontrava, mas que não lhe permitia ripostar
convenientemente, deslocando-se a peito descoberto, para
um local mais propício à sua acção, a fim de actuar com
um morteiro, altura em que uma das várias granadas
inimigas que junto de si caiam o atingiu, vitimando-o
mortalmente.
O seu exemplo de bravura, desprezo pelo perigo e
consciência do dever ficam a atestar as reais virtudes
de militar e de Português, honrando-se em frente do
inimigo e prestigiando o Exército e a Pátria, ao serviço
da qual perdeu a vida, pelo que merece ser apontado como
exemplo.
