Alferes de 2.ª Linha
DAUDA CASSAMA
CMil6 - CTIG
GUINÉ
2.ª CLASSE
Transcrição da Portaria
publicada na Ordem do Exército n.º 30 – 3.ª série, de
1966.
Por Portaria de 31 de Agosto de
1966:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 2.ª
classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento
da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços
prestados em acções de combate na Província da Guiné
Portuguesa, o Chefe de Voluntários, Dauda Cassama, da
Companhia de Milicias n.º 6 adstrita à Companhia de
Caçadores n.º 616 do Batalhão de Caçadores n.º 619.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
do Exército, adoptar para todos os efeitos legais, o
louvor conferido em Ordem de Serviço n.º 5, de 03 de
Fevereiro de 1966, do Comando Territorial Independente
da Guiné, ao Chefe dos Voluntários, Dauda Cassama, da
Companhia de Milícias n.º 6 adstrita à Companhia de
Caçadores n.º 616 do Batalhão de Caçadores n.º 619, com
a seguinte redacção:
Porque, em mais de três anos consecutivos de serviço
operacional, colaborando com as Forças Militares,
primeiro como guia e caçador auxiliar, mais tarde como
Chefe dos Voluntários, donde, posteriormente, se formou
a Companhia de Milícias n.º 6, sempre se mostrou um
combatente de rija tempera, com grande apego à luta,
actuando sempre na vanguarda dos seus homens,
incitando-os com o seu exemplo e dinamismo, indiferente
ao perigo como indiferente à morte, de uma lealdade
digna do maior apreço.
No contacto iminente com o inimigo sempre demonstrou
grande temeridade, oferecendo-se para se destacar
isoladamente, a fim de observar a situação do mesmo e
poder informar concretamente os seus Comandantes.
Nos ataques sofridos pela sua povoação, surgiu sempre no
aquartelamento, inúmeras vezes debaixo de fogo a fim de
se integrar na força de intervenção que se deslocava aos
pontos de maior perigo.
O Chefe Dauda esteve presente em todas as operações e
ações que durante este tempo se efectuaram no subsector
da Unidade, e em todas elas, foi elemento digno de ser
apontado como exemplo.
De todas as acções e operações citam-se, por exemplo, as
operações "Relâmpago" e "Saco", a emboscada em 28 de
Março de 1965 e operações "Recorde" e "Incógnita".
Nesta última, integrado num pequeno grupo a quem fora
confiada a missão mais perigosa, uma vez mais as suas
qualidades se tornaram notadas. Ao ser necessária para o
bom êxito da operação, a localização exacta da sentinela
inimiga que se sabia existir na zona, o Chefe Dauda,
evidenciando excepcional valentia e sangue frio,
ofereceu-se para se embrenhar no capinal, apenas com
mais dois elementos, conseguindo a informação
necessária, que veio transmitir ao Comandante da
operação.
Como a sentinela tivesse sido referenciada armada de
lança-granadas foguete, num acto de abnegação e
estoicismo, ofereceu-se voluntariamente para se
aproximar com outro atirador até escassos metros, a fim
de certeiramente a eliminar, facilitando o cumprimento
total da missão aos restantes elementos do grupo em que
logo de seguida se integrou, entusiasmando-o com o seu
espirito combativo durante o assalto às instalações do
inimigo e à sua perseguição, quando este,
precipitadamente, se pôs em fuga.
Estes factos, aliados ao seu espírito de sacrifício,
simpatia natural, amizade e respeito que soube
conquistar, quer perante a população, quer perante as
autoridades militares, fazem considerar a sua conduta
digna do maior apreço e nobre exemplo a seguir.
Ministério do Exército, 31 de Agosto de 1966.
O Ministro do Exército, Joaquim da Luz Cunha.