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Falecimento

Ernesto do Carmo Pereira Bruno, Capitão Mil.º de Infantaria, comandante da CCac3439/BCac3856

 

Nota de óbito

Informação do óbito de sua filha Sofia Bruno

Outros elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

Faleceu no dia 29 de Julho de 2022 o veterano

 

Ernesto-do-Carmo-Pereira-Bruno-350-1

 

 

Ernesto do Carmo Pereira Bruno
 

Capitão Mil.º de Infantaria
 

Comandante da
Companhia de Caçadores 3439


Batalhão de Caçadores 3856
«DIGNOS, LEAIS E JUSTOS»


Angola: 04Out1971 a 07Jan1974

 

 

 

Ernesto do Carmo Pereira Bruno, Capitão Mil.º de Infantaria, nascido no dia 22 de Novembro de 1946;


RI2Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) «EXCELENTE E VALOROSO» para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola;


BCac3856Em 25 de Setembro de 1971, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarca no NTT ‘Vera Cruz, como comandante da Companhia de Caçadores 3439 (CCac3439) do Batalhão de Caçadores 3856 (BCac3856) «DIGNOS, LEAIS E JUSTOS», rumo ao porto de Luanda, onde desembarcou no dia 4 de Outubro de 1971;


Em 29 de Outubro de 1971, a sua subunidade de infantaria marchou para Luma-Cassai (Lunda Sul), instalando-se no antigo acantonamento da Companhia de Cavalaria 2720 BCac3856-280(CCav2720 – no período de Abril de 1970 a Julho de 1971), onde estava o Grupo Especial 326 (GE326), reforçado com o Grupo Especial 341 (GE341 – no período de Março de 1971 a Fevereiro de 1972);


Em 5 de Fevereiro de 1973, foi rendida pela 1.ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4911 (1ª/BCac4911) e recuou para descanso em Calomboloca (subsector de Catete), onde rendeu a Companhia de Cavalaria 3315 (CCav3315);


Em 31 de Maio de 1973, regista-se a morte de 1 soldado da sua subunidade [Elísio Alves da Silva, natural do lugar de Chousa de Baixo, da freguesia de Fiães, concelho de Vila da Feira] em consequência de acidente de viação ocorrido 5 dias antes;


Em 11 de Dezembro de 1973 a sua subunidade concluiu a comissão e regressou a Lisboa, aerotransportada por escalões.


Em 7 de Janeiro de 1974, após a Comissão Liquidatária, regressou à Metrópole.


Faleceu no dia 29 de Julho de 2022
 

Paz à sua Alma


Cerimónias fúnebres:


01Ago2022, das 17H00 às 23H00, na Capela da Igreja de São João de Deus – Praça de Londres (Lisboa);
02Ago2022, terá lugar a cerimónia de homenagem às 10H30 e posteriormente o enterro será no cemitério do Alto São João às 11H15.

 

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in revista "Domingo", de 17 de Julho de 2011,

do Correio da Manha

 

Ernesto-do-Carmo-Pereira-Bruno-CM"Era um puto responsável por 230 homens"

 

Em Abril de 1970 foi-me recusado o adiamento de incorporação.

Interrompi os estudos e parti para Angola, onde herdei um 'abarracamdento'

 

Fui o que se convencionou chamar um 'capitão do fim’. Aqueles que assumiram comando com pouco tempo de treino, para colmatar as falhas dos que já não existiam para ir.


EPIEm Abril de 1970, após as revoltas estudantis de 69, foi-me recusado o pedido de 'adiamento de incorporação' para continuar os estudos superiores de Ciências Sociais.


Fui parar à Escola Prática de Infantaria (EPI), frequentei o Curso de Oficiais Milicianos CArt2626(COM). E em Setembro, já como alferes, embarquei para Angola, para um estágio na Companhia de Artilharia 2626 (CArt2626), no Saliente Cazombo, Calunda, onde realizei actividade operacional junto ã fronteira com a Zâmbia.


Regressei em Janeiro de 1971 e reentrei no Escola Prática de Infantaria (EPI) para o 1.º
RI2Curso de Comandante de Companhia oriundos do Curso de Oficiais Milicianos) COM.


CM-Santa-MargaridaEm Maio de 71, já mobilizado para Angola, sou colocado no Regimento de Infantaria 2 (RI2), em Abrantes.


Em Agosto fui concentrado no campo militar de Santa Margarida para constituir o batalhão
BCac3856-280(Batalhão de Caçadores 3856) e realizar a Instrução de Actividade Operacional (IAO).


Embarque no 'Vem Cruz’


Por antecipação de embarque para Angola, interrompi a BCac2899Instrução de Actividade Operacional (IA0) e segui no navio ‘Vera Cruz' a 25 de Setembro de 1971. Cheguei a Luanda a 4 de Outubro e realizei a segunda parte da IAO na zona da Funda, com o BCav2899 'Ás de Espadas’.


Em finais de Outubro ful deslocado para o Leste de Angola e em apenas 24horas assumi a Zona de Acção de Luma Cassai, no Sul da Lunda, com cerca de 15 mil quilómetros quadrados e 30 mil habitantes, concentrados em 12 aldeamentos.


Era 'um puto de calções’ com 24 anos, e vejo-me responsabilizado por 230 homens.


Não herdei um aquartelamento mas um ‘abarracamento’, disperso por 'cantinas' abandonadas e em risco de derrocada, onde os praças 'dormiam' em tendas rotas a meter água, sem instalações sanitárias.


Construção e ensino


Nos meses seguintes, em paralelo com intensa actividade operacional com minas anticarro, antipessoa, emboscadas, flagelações, fomos uma verdadeira companhia de construções.


As instalações sanitárias só ficaram prontas 15 dias antes de ‘rodarmos’.


Durante esse tempo, as minhas preocupações foram preservar a segurança e integridade física das nossas tropas e melhorar as condições de vida.


Lembro-me que ao embarcar no ‘Vera Cruz' disse ao pessoal: ‘quem vai tem de voltar’.


Só perdi um homem, num acidente de viação, mas tivemos vários feridos em combate.


Fiz questão de dotar os nossos homens de ferramentas que ajudassem à integração na vida civil após a passagem à disponibilidade: 40 tiraram a 4.ª classe e foram passadas 120 cartas de condução. Era o que podia fazer na altura.


No apoio às populações locais, a tarefa foi especialmente na área médico-sanitária. Deu-me gozo e alguma bagagem, até para a minha profissão.


Em Fevereiro 'rodámos' para Calomboloca, a 70 km de Luanda, na estrada mais importante de Angola para Sul e Leste.


Em Dezembro de 1973, a CCac3439 regressou, via área, e eu em 7 de janeiro de 1974, após a comissão liquidatária.


A situação mais complicada para nós, que estávamos no chamado 'ferrolho de Angola’, foi uma flagelação sofrida em Junho de 1972 num ataque ao aquartelamento pelo ELNA.

 

Eram 22h00 quando ouvimos rockets e rajadas sobre o aquartelamento. Houve feridos e é difícil suportar situações de violência física, como ver um camarada com a perna desfeita por uma mina.


Passados estes anos admito que foi complicado gerir pessoas, apesar de ser aliciante.

 

Além de ser comandante deles, era quase um pai, um irmão mais velho. E tinha apenas 24/25 anos.

 


Foto1
Fase de construção do aquartelamento, em Angola, na zona militar Leste.

Na foto em cima, de óculos, acompanho de perto os trabalhos de construção


Foto2
Vista geral da zona do aquartelamento, em Angola


Foto3
Visita do comandante [15Dez1972 - General Bethencourt Rodrigues] às

tropas que actuavam na zona militar Leste


Foto4
Ao volante, numa visita de acção posicológica às populações locais, em

que seguiam também um médico e autoridades administrativas


Foto5
Em Angola, com o soba Cafita (líder da comunidade local e responsável

pela manutenção da ordem) e um ajudante do soba
 

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Ernesto-do-Carmo-Pereira-Bruno-920-1

 

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