Furriel
Miliciano de Cavalaria
ESTÊVÃO MARIA SÁ COUTINHO DE LANCASTRE
CCav1465/BCav1868 - RC3
ANGOLA
4.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na Ordem do
Exército n.º 17 – 3.ª série, de 1968.
Por Portaria de 30 de Dezembro de 1968:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 4.ª
classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento
da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços
prestados em acções de combate na Província de Angola, o
Furriel Miliciano de Cavalaria, Estêvão Maria Sá
Coutinho de Lancastre, da Companhia de Cavalaria n.º
1465 do Batalhão de Cavalaria n.º 1868 - Regimento de
Cavalaria n.º 3.
Transcrição do louvor que originou a
condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela Ordem do
Exército):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Cavalaria,
Estêvão Maria Sá Coutinho de Lancastre, da Companhia de
Cavalaria n.º 1465 do Batalhão de Cavalaria n.º 1868 -
Regimento de Cavalaria n.º 3, porque servindo durante
dois anos na Zona de Intervenção Norte, na Companhia de
Cavalaria n.º 1465, como Comandante de Secção,
demonstrou ser possuidor de elevado sentimento de
dignidade e forte vontade de bem cumprir, e, pelo seu
exemplo de serena energia e coragem em ocupar sempre em
frente do inimigo os lugares de maior risco, impôs-se à
consideração de superiores e subordinados.
O Furriel Lancastre, que em todas as acções de
internamento no mato marchou sempre na vanguarda da sua
Secção, esteve várias vezes sob o fogo inimigo, sempre
revelando exemplar serenidade e coragem.
É de destacar a sua acção durante uma operação em que o
seu Pelotão, que fazia escolta a uma coluna de viaturas,
foi emboscado, tendo então o Furriel Lancastre, que se
encontrava a meio da coluna, corrido imediatamente,
sempre debaixo de fogo, em auxílio do pessoal da
primeira viatura, que eram apenas três homens e se
encontravam a ser fortemente atacados.
É de distinguir também a sua acção durante uma operação,
quando voluntariamente se ofereceu para, debaixo de
fogo, ir socorrer dois elementos de outra Companhia, que
se encontravam feridos e a ser batidos pelo fogo
inimigo. Alcançou com êxito o objectivo a que se propôs,
juntamente com outros elementos também voluntários,
trazendo para local abrigado os dois feridos.
Este Furriel deixou assim bem demonstrado o seu espírito
combativo, coragem e abnegação, pelo que é de toda a
justiça conferir-lhe o presente louvor, e considerar
importantes os serviços que prestou à Pátria e ao
Exército.
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Louvor colectivo
BATALHÃO DE CAVALARIA N." 1868
Louvo o Batalhão de Cavalaria
n.º 1868 por durante a sua
permanência de 13 meses no
Sector A da Zona Intervenção
Norte, ter demonstrado um
elevado espírito de bem servir
no cumprimento das várias
missões que lhe foram
atribuídas, conseguindo
adaptar-se plenamente às
características operacionais da
Zona de Acção à sua
responsabilidade, graças à acção
impulsionadora e dinâmica do
Comandante, Oficiais do Comando
e Comandantes das Companhias
Operacionais, que além disso
tiveram a preocupação constante
de melhorar as várias
instalações do Batalhão, numa
ânsia louvável de elevar o nível
de condições de vida e educação
de todo o pessoal sob as suas
ordens.
É ainda de realçar a proveitosa
e sempre oportuna actuação de
todo o pessoal do Batalhão junto
das populações autóctones, cuja
estima e admiração soube
conquistar, graças à excelente
mentalização dos quadros e das
tropas.
O Batalhão de Cavalaria n.º 1868
tornou-se, assim, merecedor do
muito apreço do Comando que ao
deixar de o ter sob as suas
ordens, julga seu dever destacar
a meritória actuação deste
Batalhão, que muito contribuiu
para prestigiar o Exército,
honrando simultâneamente a Arma
de Cavalaria a que pertence.
(Despacho do Comandante do
Sector «A», de 19 de Janeiro de
1967)
in Revista da
Cavalaria, edição de 1967,
página 207
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Batalhão
de Cavalaria N.º 1868
Identificação:
BCav1868
Unidade Mobilizadora:
Regimento de Cavalaria 3 (RC 3 -
Estremoz)
Comandante:
Tenente-Coronel de
Cavalaria João Pedro de Almada
Saldanha Quadros e Gouveia
2.°
Comandante:
Major de Cavalaria
Dionísio de Almeida Santos
Oficial
de Informações e Operações /
Adjunto:
Capitão de Cavalaria
Arnaldo Eduardo Souto Pires
Capitão de Cavalaria António José
Pereira Calixto
Comandantes de Companhia:
Companhia de Comando e Serviços
(CCS):
Capitão do
Serviço Geral do Exército António
dos Santos
Companhia de Cavalaria 1464
(CCav1464):
Capitão de
Cavalaria Carlos Alberto Pereira
Gomes da Silva
Capitão de Cavalaria Rui Manuel de
Almeida Trigueiros de Sampaio
Companhia de Cavalaria 1465
(CCav1465):
Capitão de
Cavalaria Rui Mamede Monteiro
Pereira
Companhia
de Cavalaria 1466 (CCav1466):
Capitão de
Cavalaria Viriato Manuel Assa
Castel-Branco
Divisa:
"Na Guerra Conduta Mais
Brilhante"
Partida:
Embarque no dia 20 de Novembro de
1965, no NTT «VERA CRUZ»;
desembarque em Luanda no dia 29 de
Novembro de 1965
Regresso:
Embarque no dia 14 de
Janeiro de 1968, no NTT «VERA CRUZ»;
desembarque em Lisboa no dia 23 de
Janeiro de 1968 -
Dia 24 de Janeiro de 1968: Recepção
em Estremoz
Síntese da
Actividade Operacional
O Batalhão de Cavalaria
1868 (BCav1868) foi destinado ao
subsector de Tomboco, no Sector A,
da ZIN (Zona de Intervenção Norte),
onde rendeu o Batalhão de Caçadores
514 (BCac514) e assumiu a
responsabilidade da ZA (zona de
acção) em 19 de Dezembro de 1965.
O dispositivo foi o seguinte:
Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e Companhia de
Cavalaria 1464 (CCav1464) em Tomboco,
esta posteriormente em Zau-Évua; a
Companhia de Cavalaria 1465
(CCav1465), - sucessivamente, em
Quinzau e Tomboco; a
Companhia de Cavalaria 1466
(CCav1466) em Casa da Telha, Zau-Évua
e Quinzau por esta ordem e a
7.ª Companhia de Caçadores do
Regimento de Infantaria de Luanda,
da Guarnição Normal (7ªCCaç/RIL - GN)
no Lufíco.
Havia destacamentos em Quiaia e Casa
da Telha.
Em
Dezembro de 1966, a Companhia de
Cavalaria 1466 (CCav1466) foi cedida
ao Comando do Sector A (ComSecA), e
ao Batalhão de Cavalaria 1868
(BCav1868) foi atribuída como
reforço a Companhia de Caçadores 771
do Batalhão de Caçadores 774
(CCac771/BCac774), no Lufico;
Também em Janeiro de 1967 a
Companhia de Caçadores 1435
(CCac1435), reforçou o Batalhão de
Cavalaria 1868 (BCav1868), no
Quiende; o
Batalhão de Cavalaria 1868
(BCav1868) destacou para actuação
fora do Sector, na operação "Quissonde",
por diversos períodos, duas das suas
Companhias.
Na ZA (zona de acção) embora o
inimigo não se fixasse, fazia actuar
poderosos grupos móveis que
desencadearam emboscadas nos
itinerários, causando fortes baixas
às Nossas Tropas, como em 22 de
Janeiro de 1966, 16 de Junho de 1966
e 9 de Julho de
1966 (nota).
Das
operações das Nossas Tropas
destacam-se pelas baixas, material
capturado e destruição de
instalações:
"Vale do Rio Luso",
"Tira Dúvidas" e
"Perseguição e Batida", saldando-se
esta por uma extraordinária
quantidade e qualidade de material
apreendido - armas, munições e
material logístico.
Em 28 de Fevereiro de 1967, após uma
remodelação do dispositivo, o
subsector foi integrado no Sector E
passando à dependência do Comando de
Agrupamento 26 (CmdAgr26).
Em 12 de Março de 1967, o Batalhão
de Cavalaria 1868 (BCav1868) foi
rendido pelo Batalhão de Caçadores
1903 (BCac1903) e rodou para o
Sector B2, com sede em Catete, onde
rendeu o Batalhão de Artilharia 753
(BArt753); assumiu a
responsabilidade da ZA (zona de
acção) em 16 de Março de 1967.
O dispositivo foi o seguinte:
Comando e Companhia de Comando e
Serviços (CCS) em Catete, a
Companhia de Cavalaria 1465
(CCav1465) em Calomboloca e depois
em Cassoneca, a
Companhia de Cavalaria 1464
(CCav1464), em Zenza do Itombe e a
Companhia de Cavalaria 1466
(CCav1466) em Barraca;
Recebeu como reforço,
sucessivamente, as Companhias de
Caçadores 101, 102 e 103 do
Regimento de Infantaria de Luanda
(CCac101, 102, 103/RIL) em Cabo
Ledo.
Na ZA (zona de acção), o controlo
das populações assumia carácter
prioritário com uma actividade
operacional de resto sempre intensa,
obtendo-se resultados compensadores,
quer por subunidades cedidas a
outros sectores da ZIN (Zona de
Intervenção Norte), quer na própria
ZA (zona de acção) do Batalhão de
Cavalaria 1868 (BCav1868), como nas
operações
"Muralha", "
Apoio" e
"Estreia".
Em 9 de Janeiro de 1968, o Batalhão
de Cavalaria 1868 (BCav1868) foi
rendido pelo Batalhão de Caçadores
1901 (BCac1901).
(nota)
No dia 9 de Julho de 1966, entre a
ponte do Rio Lué Grande e a antiga
Sanzala Baio, no itinerário após a
saída do Lufico, a 7.ª Companhia de
Caçadores do Regimento de Infantaria
de Luanda (7ªCCac/RIL), adstrita ao
Batalhão de Cavalaria 1868
(BCav1868), sofreu 5 baixas mortais
e 16 feridos graves (um dos quais
veio a falecer no dia seguinte):
Afonso José Clemente Lopes

Afonso José Clemente Lopes, 1.º Cabo
Mil.º Atirador, n.º 930/65, natural
da freguesia e concelho do Luso, em
Angola, filho de Afonso Fernandes
Lopes e de Gracinda da Conceição
Clemente Lopes, solteiro.
Mobilizado pela Escola de Aplicação
Militar de Angola (EAMA) da Região
Militar de Angola para servir
Portugal naquela Província
Ultramarina.
Faleceu no dia 9 de Julho de 1966,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério do Luso,
em jazigo de família, em Angola.
Carlos Alberto da Costa

Carlos Alberto da Costa, 1.º Cabo
Mecânico de Auto Rodas, n.º 881/64,
natural da freguesia e concelho de
Tábua, filho de Arnaldo da Costa e
de Luiza dos Prazeres da Costa,
solteiro.
Mobilizado pela Região Militar de
Angola para servir Portugal naquela
Província Ultramarina.
Faleceu no dia 9 de Julho de 1966,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado na campa n.º 15,
fileira n.º 2, talhão n.º 10, no
Talhão dos Combatentes, do cemitério
de Nova Lisboa, em Angola.
Carlos Alberto dos Santos

Carlos Alberto dos Santos, Soldado
Auxiliar de Enfermeiro, n.º 737/65,
natural da freguesia de Santo
António, concelho do Libolo
(Angola), filho de José dos Santos e
de Cristina de Aguiar, solteiro.
Mobilizado pela Região Militar de
Angola para servir Portugal naquela
Província Ultramarina.
Faleceu no dia 9 de Julho de 1966,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério de Calulo,
em Angola.
Dionísio de Almeida Feliciano

Dionísio de Almeida Feliciano, 1.º
Cabo Atirador, n.º 824/65, natural
da freguesia do Carmo, concelho de
Luanda (Angola), filho de Joaquim
Feliciano dos Santos Sobrinho e de
Ana Laurinda de Almeida, também
conhecida por Ana de Almeida
Feliciano, solteiro.
Mobilizado pela Região Militar de
Angola para servir Portugal naquela
Província Ultramarina.
Faleceu no dia 9 de Julho de 1966,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério de Luanda,
em jazigo de família, em Angola.
Florentino Vitula

Florentino Vitula, Soldado Atirador,
n.º 34/65, natural do lugar de
Canjanja, da freguesia de Chipindo,
concelho de Ganguelas (Angola),
filho de André Caveia e de
Changuendela Chilombo Uandi,
solteiro.
Mobilizado pela Região Militar de
Angola para servir Portugal naquela
Província Ultramarina.
Faleceu no dia 10 de Julho de 1966,
vítima de ferimentos em combate,
ocorrido no dia 9 de Julho de 1966.
Está inumado na campa n.º 246, do
Talhão Militar do cemitério Novo de
Luanda, em Angola.
As suas Almas repousam em Paz
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Notícia: Diário de Lisboa, ed.
15421, pág. 13, de 20 de Novembro de
1965
Embarque do Batalhão de Cavalaria
1868 com destino à Província
Ultramarina de Angola

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Notícia: Diário de Lisboa, ed.
16199, pág. 8, de 24 de Janeiro de
1968
Regresso do Batalhão de Cavalaria
1868 - RECEPÇÃO EM ESTREMOZ

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