"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
|
HONRA E GLÓRIA |
Fontes:
5.º Volume, Tomo V,
pág.s 398 e 399, da
RHMCA / CECA / EME
7.º Volume, Tomo I,
pág.s 239 e 240, da
RHMCA / CECA / EME
8.º Volume, Tomo I,
pág.s 83 a 85, da RHMCA
/ CECA / EME
Jornal do Exército, ed.
114, pág. 22, de Junho
de 1969
Diário de Lisboa, ed.
16964, pág. 16, de 14 de
Março de 1970 (recorte)
Imagens dos distintivos
cedidas por Carlos
Coutinho
|

Francisco
António Correia
Furriel Mil.º de
Infantaria
Companhia de Caçadores 2306
Batalhão de
Caçadores 2832
«EXCELENTE
E VALOROSO»
Angola:
13Jan1968 a 03Mar1970
Cruz de Guerra, de 4.ª classe
Prémio Governador-Geral de
Angola

Francisco António Correia, Furriel
Mil.º de
Infantaria
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola integrado
na Companhia de Caçadores 2306 do Batalhão de
Caçadores 2832 «EXCELENTE E
VALOROSO».
Cruz de Guerra, de 4.ª classe
Furriel
Miliciano de Infantaria
FRANCISCO ANTÓNIO CORREIA
CCac2306/BCac2832 - RI2
ANGOLA
4.ª CLASSE
Transcrição do Despacho publicado
na OE n.º 11 - 3.ª série, de 1969.
Agraciado com a Cruz de Guerra de
4.ª classe, nos termos do artigo
12.º do Regulamento da Medalha
Militar, promulgado pelo Decreto n.º
35 667, de 28 de Maio de 1946, por
despacho do Comandante-Chefe das
Forças Armadas de Angola, de 17 de
Fevereiro de 1969:
O Furriel Miliciano de Infantaria,
Francisco António Correia, da
Companhia de Caçadores n.º 2306 do
Batalhão de Caçadores n.º 2832 -
Regimento de Infantaria n.º 2.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Publicado na OS n.º 104, de 27 de
Dezembro de 1968, do Quartel General
da Região Militar de Angola
(QG/RMA):
Louvado o Furriel Miliciano de
Infantaria, Francisco António
Correia, da Companhia de Caçadores
n.º 2306 do Batalhão de Caçadores
n.º 2832 - Regimento de Infantaria
n.º 2, porque numa violenta
emboscada em 5 de
Setembro de 1968 (nota),
realizada por um numeroso grupo
inimigo, bem armado e municiado,
revelou possuir excelentes dotes de
comando, coragem e verdadeiro
espírito do cumprimento do dever.
Verificando que logo aos primeiros
tiros o inimigo havia causado
importantes baixas às Nossas Tropas,
entre as quais o comandante do Grupo
de Combate, imediatamente assumiu o
comando, determinando e orientando
as acções convenientes. Após se ter
certificado da segurança e
remuniciamento de todos para uma
reacção que se tornava necessária,
pois o inimigo varria com nutrido
fogo toda a zona de morte, onde a
coluna se encontrava e se aproximava
para tentar o assalto, depois de
repelir este, tomou a iniciativa de,
com mais três homens, se deslocar à
frente da primeira viatura e
capturar, com o respectivo
armamento, um elemento inimigo,
evitando que fosse arrastado e
levado, como com outros sucedera.
Actuando com muito acerto, calma,
discernimento, competência e
incutindo nos homens elevado moral,
possibilitou a excelente reacção das
Nossas Tropas que, reduzidas a menos
de metade, conseguiram não só
repelir o inimigo, não o deixando
nunca chegar às nossas posições,
como causando-lhes numerosas baixas
e capturando-lhe material.
A serena energia, extraordinária
valentia, decisão e sangue frio,
evidenciadas debaixo de fogo, tornam
a conduta do Furriel Correia um
exemplo que honra as gloriosas
tradições do Exército Português.
(nota):
Dia 5 de
Setembro d 1968 - Tombaram em
combate 7 Militares Portugueses
Agostinho Soares Ferreira Dias


Agostinho Soares Ferreira Dias, 1.º
Cabo Auxiliar de Enfermeiro, n.º
09333867, nascido no lugar do
Outeiro, da freguesia de Arrifana,
concelho de Santa Maria da Feira,
filho de Manuel Ferreira Dias e de
Lucinda Soares Mota, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério de
Arrifana, concelho de Santa Maria da
Feira.
António Augusto Proença de
Almeida Trindade


António Augusto Proença de Almeida
Trindade, Alferes Mil.º Atirador de
Infantaria, n.º 08194365, nascido na
freguesia e concelho do
Entroncamento, filho de António de
Almeida Trindade e de Maria da
Anunciação de Sousa Proença de
Almeida Trindade, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério do Lumiar,
concelho de Lisboa.
António Luís de Jesus Alves

António Luís de Jesus Alves, Soldado
Condutor Auto Rodas, n.º 09906867,
nascido na freguesia e concelho de
Cascais, filho de Luís Valério Alves
e de Maria de Jesus Alves, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério da Guia,
concelho de Cascais.
Carlos Alberto Flores Dias

Carlos
Alberto Flores Dias, 1.º Cabo
Atirador de Infantaria, n.º
00935867, nascido na freguesia de
Águas Belas, concelho de Ferreira do
Zêzere, filho de Carlos Flores Dias
e de Elvira da Conceição, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério do Águas
Belas, concelho de Ferreira do
Zêzere.
Henrique Tavares Fé


Henrique Tavares Fé, Soldado
Atirador de Infantaria, n.º
06422567, nascido na freguesia do
Alegrete, concelho de Portalegre,
filho de Isidoro Jesus Fé e de Maria
Rosa Tavares, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério municipal
de Campo Maior.
Joaquim do Rosário Carrilho


Joaquim do Rosário Carrilho, Soldado
Atirador de Infantaria, n.º
05424667, nascido na freguesia de
Nossa Senhora da Graça, concelho de
Nisa, filho de Adelaide da Cruz
Carrilho, casado com Maria Carlota
Mourato Salgueiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério de Nisa.
Manuel António da Conceição

Manuel
António da Conceição, Soldado
Atirador de Infantaria, n.º
05657267, nascido na freguesia de
São João, concelho de Abrantes,
filho de António José e de Maria da
Conceição, solteiro.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 2306 do
Batalhão de Caçadores 2832
(CCac2306/BCac2832) «EXCELENTE E
VALOROSO».
Faleceu, no dia 5 de Setembro de
1968, no Lufico, perto do Rio Fumazi,
vítima de ferimentos em combate.
Está inumado no cemitério de
Alferrarede, concelho de Abrantes.
---------------------------------------------------------------
Jornal do Exército,
ed.
114, pág. 22, de Junho
de 1969
Prémio
Governador-Geral de
Angola
FURRIEL MIL.º
FRANCISCO ANTÓNIO
CORREIA
da CCac2306 -
BCac2832
«Pela forma decidida
como assumiu o comando
do seu grupo de combate
decorrer duma acção de
fogo logo que verificou
que o seu Comandante se
encontrava ferido,
determinando e
orientando a mais
conveniente reacção
perante intenso fogo de
numeroso grupo inimigo e
tomando a iniciativa de,
com mais três elementos,
se lançar resolutamente
ao contra-assalto
conseguindo capturar um
adversário.
É condecorado com a Cruz
de Guerra de 4.ª Classe.»

---------------------------------------------------------------
Batalhão de Caçadores N.º 2832
Identificação:
BCac2832
Unidade
Mobilizadora:
Regimento de Infantaria 2
(RI2 - Abrantes)
Comandante:
Tenente-Coronel de
Infantaria Pedro Barcelos
2.º
Comandante:
Major de Infantaria Élio
Pires Afreixo
Oficial de
Informações e Operações/Adjunto:
Major de Infantaria Luís
dos Santos Rafael

Comandantes de
Companhia:
Companhia
de Comando e Serviços (CCS):
Capitão do Serviço Geral
do Exército José Mateus Cardoso
Companhia
de Caçadores 2306 (CCac2306):
Capitão de Infantaria
José Augusto Serra Pinto
Capitão de Infantaria António
Augusto Pinto da Cunha Leal
Capitão de Infantaria José Augusto
Serra Pinto
Companhia
de Caçadores 2307 (CCac2307):
Capitão de Infantaria
António Augusto Pinto da Cunha Leal
Capitão de Infantaria Manuel Estevão
Martinho da Silva Rolão
Capitão de Infantaria António
Augusto Pinto da Cunha Leal

Companhia
de Caçadores 2308 (CCac2308):
Capitão Mil.º de
Artilharia Fernando Manuel de Lemos
Campeão Silveira
Divisa:
"Excelente e Valoroso"
Partida:
Embarque no dia 4 de
Janeiro de 1968, no NTT «Vera Cruz»;
desembarque no dia 13 e Janeiro de
1968
Regresso:
Embarque no dia 3 de Março de 1970,
no NTT «Uige»; desembarque em
Lisboa, no
cais
da Rocha do Conde de Óbidos, no dia
14 de Março de 1970.
Síntese da
Actividade Operacional
O Batalhão [BCac2832] foi
inicialmente destinado ao subsector
de Tomboco, no Sector F, da ZIN
(Zona Intervenção Norte), onde
rendeu o Batalhão de Caçadores 1903
(BCac1903), tendo assumido a
responsabilidade da ZA (Zona de
Acção) em 28 de Janeiro de 1968.

O dispositivo adoptado foi o
seguinte:
Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e Companhia de
Caçadores 2308 (CCac2308) em Tomboco,
a
Companhia de Caçadores 2303
(CCac2306) em Lufico, a
Companhia de Caçadores 2307
(CCac2307) em Zau-Évua.
Como reforços, o Batalhão [BCac2832]
dispôs da
Companhia de Artilharia 1658
(CArt1658) em Quiaia e da
Companhia de Artilharia 1700
(CArt1700) em Quiende, esta
substituída em Junho de 1969 pela
Companhia de Caçadores 2530
(CCac2530).
A partir de 25 de Junho de 1968, em
virtude duma remodelação de
dispositivo, o Comando e Companhia
de Comando e Serviços (CCS)
deslocaram-se para Zau-Évua, uma vez
que Tomboco deixou de pertencer à ZA
(Zona de Acção); por idêntico
motivo, a Companhia de Artilharia
1658 (CArt1658) deixou de reforçar o
Batalhão [BCac2832] e a Companhia de
Caçadores 2308 (CCac2308) rodou para
Quiximba. Em 1 de Julho de 1968,
passou esta ZA (Zona de Acção) a
designar-se por subsector de Zau-Évua.
O
inimigo utilizava a ZA (Zona de
Acção) como passagem para a zona
fulcral dos Dembos. Todavia,
manifestou-se com alguns grupos
numerosos e bem armados, montando
fortes emboscadas às Nossas Tropas,
no terreno ou a colunas auto, como
no dia 9 de Agosto de 1968, em Buene,
onde causou às Nossas Tropas
sensíveis baixas.
Em 5 de Setembro de 1968, montou
nova emboscada na estrada
Lufico-Tomboco, na região de Fumanzi,
com cerca de 200 elementos inimigos,
fortemente armados e municiados, que
provocaram às Nossas Tropas muito
graves baixas; em qualquer das
acções mencionadas, a reacção causou
ao inimigo baixas igualmente graves.
Refere-se ainda a eficaz e rápida
reacção a outro ataque inimigo em 28
de Abril de 1969, que frustou o
propósito propagandístico traduzido
na presença de jornalistas e
cineastas, que acabaram por
constatar uma precipitada fuga, com
baixas.
Para lá de intensos e permanentes
patrulhamentos, emboscadas e
escoltas, o Batalhão [BCac2832]
construiu os aquartelamentos de
Quiximba e Zau-Évua, abriu inúmeras
picadas construiu pontões e instalou
novos povoados, com populações
apresentadas em Quiende e Quiximba.

De 21 de Julho a 8 de Agosto e 1969,
o Batalhão [BCac2832] foi rendido
pelo Batalhão de Caçadores 2877
(BCac2877), deslocando-se para o
sector de Malanje, onde rendeu o
Batalhão de Caçadores 1919
(BCac1919), tendo assumido a
responsabilidade da ZA (Zona de
Acção) em 8 de Agosto de 1969.
Na cidade de Malanje aquartelaram o
Comando e Companhia de Comando e
Serviços (CCS); as Companhia de
Caçadores 2306, 2307 e 2308 ocuparam
respectivamente Nova Gaia, Forte
República e Marimba; como reforços,
o Batalhão [BCac2832] recebeu a
Companhia de Caçadores 2335
(CCac2335) em Malanje, a Companhia
de Caçadores 1102 do Regimento de
Infantaria 20 (CCac1102/RI20 -
Guarnição Normal) em Quela e a
Companhia de Artilharia 2337
(CArt2337) em Luquembo, além de
alguns grupos de GE (Grupos
Especiais).
A ameaça de infiltrações levava a
constante acção de vigilância e
patrulhamentos de contacto com as
populações. Todavia nesta ZA (Zona
de Acção), onde o inimigo não se
manifestava, foi obtido êxito contra
uma coluna que atravessava o sector
desde a Lunda para os Dembos; com
efeito, essa coluna foi totalmente
eliminada na operação "Carnaval",
tendo sido capturadas 19 armas
automáticas, das quais 2 ML
(Metralhadoras Ligeiras), 1 LGFog
(Lança Granada-Foguete), dezenas de
granadas e minas de todos os tipos e
milhares de cartuchos para armas
ligeiras, para além de volumoso e
variado material sanitário e de
intendência.
Em 26 de Fevereiro de 1970 o
Batalhão [BCac2832] foi rendido pelo
Batalhão de Caçadores 2859
(BCac2859).
---------------------------------------------------------------
Recorte de jornal:
Diário de Lisboa, ed. 16964, pág.
16, de 14 de Março de 1970
"O
«UÍGE» REGRESSOU COM MILITARES
A
bordo do paquete «Uíge», que hoje de
manhã fundeou, no Tejo, e atracou ao
cais da Rocha do Conde de Óbidos,
regressou à Metrópole mais um
contingente que terminara a sua
missão de serviço no Ultramar.
O navio acostou ao cais às 8 da
manhã e uma hora depois, começou o
desembarque"

