Comandante
Francisco Daniel Roxo
"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom
que para preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
HONRA E GLÓRIA


Comandante Francisco
Daniel Roxo
Moçambique -
Niassa
Cruz de
Guerra, 4.ª classe
(1968)
Cruz de
Guerra, 1.ª classe
(1972)
Medalha de
Serviços Distintos
Prémio
Governador-Geral de Moçambique
Em 1972 condecorado com uma Cruz de
Guerra de 1ª classe; e uma outra anterior, de 4ª
classe, tinha-lhe sido entregue no 10 de Junho de
1968
Quaisquer daquelas condecorações
foram-lhe concedidas, por propostas dos sucessivos
governadores distritais do Niassa ao
governador-geral de Moçambique e por este acolhidas
e endereçadas ao CCFAM (Comando Chefe das Forças
Armadas de Moçambique, em vista de qualquer uma ter
características do fôro militar.
1.º Sargento Francisco Daniel
Roxo (África do Sul -
Batalhão 32 "Búfalos")
01Fev1933 >
23Ago1976

Faleceu no dia 23 de Agosto de 1976, ao
serviço das Forças Armadas Sul Africanas
- Batalhão 32 "Búfalos"
e está sepultado no cemitério militar de
Pretória, na África do Sul, com mais
dois militares de origem portuguesa.
Homenagem do poeta Rodrigo
Emílio ao Comandante Francisco Daniel Roxo
Poema de luto pesado II,
do poeta
Rodrigo Emílio
Morreu a combater
por um Portugal de Portugal –
Além-Mar-em- África, em fins de Agosto de 1976,
ao cair numa armadilha de fabrico soviético,
quando acudia em salvação de um dos seus
homens).
No livro “Reunião de Ruínas”
publicado em 1976, em Lisboa,
Rodrigo Emílio
Em louvor e memória de Francisco
Daniel Roxo, lendário comandante das milícias do Niassa, Herói e meu
amigo
O teu habitat há-de sempre ser à
prova de devassa.
Está nesse mato
Mulato
Em que assentaste praça,
E que já hoje, de raiz, te abraça
- Viriato
Do Niassa!
Ao peso da verde capa de capim, que te revista,
Ou sob o tórrido tampão de terra que assista
À tua ausência
- É de pé, e bem a prumo, que o teu corpo agora jaz!
E, ao terrorista
Sem rumo,
Ainda hoje impões tenência
E passo atrás!
Tu cuidaste apenas de arriscar a pele…
Até ao fim, fizeste a guerra
Por amor de um país chocho,
E frouxo,
Hoje por hoje entregue à cobardia.
(ouves-me aí, Daniel,
DANIEL ROXO?...
- Esta pobre terra não te merecia!)
Mas, lá do regaço – ingrato –
Desse mato tropical,
Em que tu, afinal, ficaste intacto
- Já nem a própria morte te rechassa,
Viriato
Do Niassa!
E daí que eu cante
E que te conte,
Comandante,
No horizonte d´este instante
Sem horizontes defronte;
E que daqui em diante
Não me cale –
Em recado encomendado
Para o solo, sacral
E tão sagrado,
Ao colo do qual Já tu estás soldado.
Vivo horas d´um Outro Horto
Mortal,
Meu herói morto…
Irado,
Absorto e reclinado
Sobre a sombra do teu corpo
Ou aos pés da tua alma
Ajoelhado,
Eu sei que estou, afinal,
Perante o desconforto,
Sem igual,
De ver baixar ao teu coval,
Portugal amortalhado!
Acolhe-te, agora à sombra lisa d´uma lousa.
E, na sempre abrasadora asa da brisa,
Em paz repousa
De todo o esforço quinto-imperial,
Que tens levado.
Dá longas tréguas de sono
A esse teu corpo moço
- De colono
E de colosso;
De soldado
Ao solo dado!...
