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Notícia

 

 

 NOTÍCIA - Guerra do Ultramar

 

 

Com o apoio de um colaborador do portal UTW

 

Comentários

 

(recebidos pela equipa do UTW e outros extraídos do ciberespaço)

 

Caros Amigos, Companheiros, e Camaradas de Armas da Guerra do Ultramar,

No passado 15 de Outubro de 2007, à noite na RTP1, no programa "Prós e Contras" moderado pela senhora jornalista Fátima Campos Ferreira, ocorreu um debate sobre a guerra no Ultramar.

A maioria dos Combatentes não foi ouvida naquele debate, por isso a equipa do UTW abriu um espaço no portal, com o título "Opinião de Antigos Combatentes", para que todos se pronunciem, elogiando ou criticando, sobre o que foi dito ou não naquele debate.

Enviem uma mensagem para a equipa do UTW. As mensagens irão ser transcritas para a página em questão, para que todos os Combatentes possam visualizá-las. Pedimos somente que se identifiquem com nome, Unidade Militar a que pertenceram, e local onde combateram (Angola, Guiné, Moçambique).

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«For Ever Pemba»

Vem sendo anunciada com destaque esta série documental «A Guerra», realizada por Joaquim Furtado sobre o período da guerra colonial [...].

O documentário, que percorre de forma cronológica 13 anos de conflitos nas antigas colónias portuguesas, resulta de uma «pesquisa bastante aprofundada com recurso a muitas fontes para dar uma visão global dos acontecimentos», explicou Joaquim Furtado à Agência Lusa. [...]

Na passada noite de 15 de Outubro/07, o programa "Prós e Contras" da RTP1, moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, debateu o tema sem a participação da maioria dos ex-combatentes que vivenciaram essa guerra.

Em sequência, o mesmo portal [UTW - Ultramar Terraweb] abrirá espaço aqui para que ex-combatentes se pronunciem, elogiando ou criticando tal debate.

Resta-nos aguardar que os primeiros nove episódios, com cerca de uma hora cada, que vão ser exibidos na RTP1 até ao final do ano [de 2007] a partir de hoje, retratem, contribuindo para a História, a verdade da guerra colonial com imparcialidade e sem emoções políticas.

Esperemos para ver...

(gotaelbr em 16/10/2007 01:11)

2 comentários:

Anónimo disse...

Neste tipo de programas nada se aprende e acredito até que o objectivo é mesmo esse: servem para nada esclarecer e apenas de passatempo!

Assisti a vários destes programas e noto muitas vezes que quando o orador quer concluir a sua explanação a palavra lhe é retirada e entregue a outro comentador ou simplesmente lhe é formulada uma nova questão.

Eu aconselharia a que os oradores confrontados com esta situação se levantassem e se retirassem do debate. Já vi alguns ameaçarem fazê-lo e consta que outros já o fizeram mesmo.

Zé da Burra o Alentejano

Terça-feira, 16 Outubro, 2007  

 Anónimo disse...

Os "moderadores" (apresentadores) da RTP são useiros contumazes desse tipo de comportamento grosseiro, prepotente, coercivo de idéias e que diminue quem participa transpirando boa-vontade democrática...

Surpreende como existe quem, no meio dessa rídicula fogueira de vaidades saloias, se predispôe a aturar e "dar-corda" a esse tipo de pseudo profissional da mídia lusitana...

Dá vontade, realmente, ao assistir, de mandá-los "dar uma volta na esquina" (para não dizer mandá-los à m...) e mudar para canais sérios, com melhor conteúdo!

Para mim não têm credibilidade nem há muito que esperar dessa tal série de reportagens que vão apresentar sobre a guerra das ex-colónias.

Apresentarão, tendenciosos, só o que lhes convém e acham que é politicamente correto. O que, muitas vezes não corresponde à realidade do que se passou e viveu nessa guerra.

Abraços,

Silva Paiva - Bruxelas

Terça-feira, 16 Outubro, 2007

[José Maria da Silva Paiva, Sld Tms CCac2364 (Fzd Maria Fernanda, Mavoio e Fzd Costa), Angola Mai68-Jul70]

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último reduto

"Antes de mais, viver é comprometer-se" (Pierre Drieu La Rochelle)

 

Fonte: http://ultimoreduto.blogspot.pt/search/label/Stand-up%20comedy

 

TERÇA-FEIRA, OUTUBRO 16, 2007

 

Mudança de planos

Tencionava escrevinhar aqui mais umas quantas pinceladas parisienses mas já não consigo - e assim deixo as montras de Montmartre para mais logo. Eu explico: é que estive a ver o Prós e Contras, em que mais uma vez e como sempre sucede, os "contras" estavam na assistência - desta feita superiormente liderados por João José Brandão Ferreira que, para quem não saiba, assina mensalmente prosa de respeito na Alameda Digital. Mas o problema é outro. A drª. Fátima - assim a interpelam habitualmente os convivas - deu tempo de antena, a meu ver excessivo, a esses vultos do stand-up comedy que respondem pela graça de Otelo, Duran Clemente e Sousa e Castro. E eu, ainda a braços com uma barrigada de riso, tenho mesmo que me ir deitar sob pena de não conseguir trabalhar amanhã.

Etiquetas: Stand-up comedy

 

PUBLICADO POR PEDRO GUEDES @ 02:39 

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 Opinião de Antigos Combatentes:

  

Vítor Manuel Cristovam Baião

Alferes Mil.º Atirador de Infantaria

CCacMP e CCacVC – (Cabo Delgado e Niassa), Moçambique Jul66-Mar70

de: Vítor Baião
para:
UTW

data: 16 de Outubro de 2007 às 02:37
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Meu Caro Amigo

Acabei agora de ver o programa.

Para ser franco não gostei.

Do painel só dois elementos estavam preparados para discutir o assunto, o Cor. Matos Gomes e o Dr. Pinto, com versões antagónicas dos acontecimentos.

Os representantes da Guiné e de Moçambique apresentaram posturas diferentes, reconciliadora e pragmática o primeiro, conflituosa e pouco esclarecida o de Moçambique.

Nos militares (do quadro permanente) continuam as clivagens. E nos técnicos a sua linguagem codificada dificulta a compreensão.

Salvaram-se, em minha opinião, os representantes dos deficientes e o sargento mil.º guineense.

Quanto aos representantes dos espoliados muito ficou por dizer.

O jornalista, autor da nova série sobre esta temática que vai para o ar a partir de amanhã, divulgou parte do seu trabalho e opinou sobre a temática com base nos depoimentos recebidos. Esperamos que os 18 episódios contem uma história verdadeira do que foi a gesta portuguesa nestes 13 anos de Guerra.

Enfim considero que o debate sobre a Guerra (de África, Colonial ou do Ultramar) defraudou as minhas expectativas.

Faltou-lhe a intervenção, o vigor, a paixão, o empenho, o improviso e a frontalidade dos milicianos, autênticos peões desta verdadeira gesta portuguesa que não devemos olvidar.

Um abraço do

Vítor Baião

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José António de Albuquerque Dias

Alferes Mil.º n/m 09113667

CCac3310 – (Omar e Toma do Nairoto), Moçambique Fev71-Mar73

 

de: José António de Albuquerque Dias

para: UTW


data: 16 de Outubro de 2007 às 11:11
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras15OUT2007

 

Camaradas,

Nunca esperei nada de especial deste programa, porque ninguém está preparado para enfrentar de repente e quase de improviso um tema desta natureza ...
A areia do tempo e a máquina ideológica instalada vão apagando as memórias e os argumentos vão-se desvanecendo e estreitando.
Resta (ainda) algum tempo, mas já muito curto, para conseguir demonstrar uma traição que se instalou e enraizou no quotidiano cultural dos portugueses de hoje.
Penso que devemos estar todos melhor preparados para aproveitar as raras ocasiões que como esta possam surgir.

Enorme abraço para todos !
José António de Albuquerque Dias

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João António Tunes

Alferes Mil.º de Transmissões

CCS/BCac2884 e CCS/BCac2930 – (Pelundo e Catió), Guiné Mai69-Fev71

Mas eu não falei no "Prós e Contras". Referi (e mantenho) expectativas positivas sobre a série documental de Joaquim Furtado que começa hoje. Concordo que o programa de TV de ontem foi péssimo. Venha a série.

16Out2007 às 13:28 

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Rui Pedroso Neves

Alferes Mil.º

CCac3310 – (Omar e Toma do Nairoto), Moçambique Fev71-Mar73

de: jazzpress
data: 16 de Outubro de 2007 às 14:50
para: opinioes@rtp.pt; pros.contras@rtp.pt
assunto: PRÓS E CONTRAS

Boa tarde.

Sou Rui Pedroso Neves que participou na Guerra Colonial/Ultramar de 1971-73 como Alferes Miliciano da Comp. Caçadores 3310, Bat. Caç. 3834 no Sector de Mueda, Moçambique, no destacamento de Omar perto do Rio Rovuma e da linha de infiltração Kilido onde a Frelimo fazia entrar os seus equipamentos e pessoal vindos da vizinha Tanzânia, muito apoiados pela China.

A minha Companhia teve 14 mortos em combate, 7 em emboscadas e 7 por accionarem minas. Fomos a 3ª Companhia da Guerra de Moçambique com mais baixas, um score que fala por si.

Vi, hoje, em diferido na RTP multimédia, a 1ª parte do programa Prós & Contras e, devo dizer, que notei a ausência de verdadeiros operacionais da época com consciência política e experiência suficiente para dissertar com credibilidade. Vi, sim, oficiais superiores caducos a defenderem pontos de vista completamente fora da realidade, vi um guerrilheiro (que tinha sido enfermeiro) a dizer a cassette e um embaixador da Guiné com manifestas dificuldades de comunicação mas, que, não deixou de dizer que a consciência, na época, não era lá muito a de se libertarem da colonização.

A nossa consciência de jovens oficiais arrebanhados para irem à guerra originava duas opções: ou se desertava (mais fácil), ou se alinhava. Desertar era mais fácil pois havia muitos países abertos a receber, quer refractários, quer desertores e muitos ficaram a residir nesses países. Como oficiais com formação universitária, alguns de nós, de tendências esquerdistas e que alinhavam, tinham a consciência que a solução não era prosseguir a guerra mas sim, no terreno, controlá-la e, mesmo, sabotá-la. Por exemplo, como ex-oficial, posso dizer que falseávamos relatórios de operações.

Na minha Companhia chegámos mesmo a retirar o poder administrativo dos sargentos que, como muitos, desviavam dinheiro na gestão da Unidade. Corrupções deste género não eram raras e todos se lembrarão do caso do Major Valentim Loureiro que foi suspenso da carreira militar e, mais tarde, reintegrado depois do 25 Abril, uma ironia, precisamente porque na sua posição de oficial de Administração Militar, tinha a faca e o queijo na mão. Era, na verdade, muito fácil, golpear o sistema, pois a maior parte dos oficiais superiores estava farta da guerra onde não se vislumbrava solução. Pessoalmente, tinha conversas com o meu Comandante de Batalhão sobre este assunto, pois um militar de carreira não se importa de ir para a guerra, quer é que ela tenha um princípio e um fim e o fim da Guerra Colonial não se vislumbrava de todo. Mais: o apoio logístico e operacional era deplorável.

Cheguei a Moçambique em Março de 1971 - depois de uma viagem de 21 dias no navio Niassa com dois Batalhões a bordo, 1.500 pessoas, os soldados a viajarem em condições infra humanas nos porões, tal como gado - no rescaldo da Operação Nó Górdio, planeada pelo General Kaúlza de Arriaga, um ultra do regime e que até era um óptimo estratega e que, quando a imaginou, era para ganhar. Quando o general solicitou mais dinheiro ao poder central para terminar a operação, foi-lhe recusada a pretensão, pois, era uma ameaça para Marcelo Caetano. Kaúlza de Arriaga era ambicioso e inteligente e não custa imaginá-lo 100% vitorioso no terreno e a tentar tomar, de seguida, o poder em Lisboa. A Frelimo estava quase desfeita no terreno, contudo com os seus quadros intactos, mas, a sua derrota esteve eminente.

No vosso programa notei a discussão em torno de Guerra Colonial e Guerra do Ultramar, mas ninguém fez notar que a dicotomia de Esquerda/Direita na época, era bem definida e não como agora, que está diluída. Assim como, também ninguém se referiu à situação particular de Angola onde nasci em 1948. Ir para Angola, estabelecer-se e fazer uma vida, não era para todos. Eram pessoas escolhidas com emprego assegurado e, sobretudo, aqueles que não sendo activistas de Esquerda, eram assim mantidos afastados, caso de meu pai que trabalhou na ex-Diamang, Companhia de Diamantes de Angola, de 1945 a 75. Na verdade, em Angola, os tentáculos da Pide eram mais ténues. Em Angola, quando o MPLA se constituiu, englobava poucos negros, bastantes mulatos e alguns brancos que sustentavam a Independência negociada mas mantendo uma relação próxima com a ‘Metrópole’. Nada disto Salazar contemplou, nascendo assim o movimento armado. O novo regime do 25 de Abril, feito por oficiais descontentes com a Guerra Colonial/Ultramar, um golpe de Estado, despachou à pressa a independência, originando a guerra civil com os resultados que se conhecem, ou seja, um tremendo erro histórico que permitiu todo o tipo de corrupção e a depauperação de um povo cuja terra é das mais ricas do planeta. Em 1974, a guerra em Angola estava circunscrita a pequenas zonas no Leste e a Unita fazia jogo duplo com o colonizador atacando o MPLA que se enfraquecia cada vez mais.

Vivemos um tempo em que, finalmente, podemos historiar este assunto.

Elogio, naturalmente, o vosso trabalho, bem como o de Joaquim Furtado.

Contudo, a ausência de testemunhas mais credíveis é o que lamento.

Ser-vos-ia interessante visitar o site dos ex-combatentes http://ultramar.terraweb.biz pois aqui se depositam memórias daquilo que mais ficou em nós, malgré tout, o espírito de corpo e de irmandade que nos une para sempre, independentemente de se ser a favor ou contra.

Cordialmente,

Rui Pedroso Neves

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 Salvador Leonardo Grilo da Silva

Alferes Mil.º

Comandante de GE's – (Vila Cabral), Moçambique Jul73-Dez74

de: Salvador Silva
para:
UTW

data: 16 de Outubro de 2007 às 16:29
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Caríssimos:

Subscrevo inteiramente o que diz na sua mensagem o Ex-Alf. Mil.º Victor Baião. É caso para dizer que me tirou as palavras da boca.

Acrescento, no entanto, que estou curioso de conhecer a série A GUERRA... que hoje vai começar na RTP, mas pela intervenção que ontem ouvi ao seu autor (Joaquim Furtado) ponho em dúvida o grau de isenção da mesma. Veremos...

Como este "site", não estou aqui para justificar ou denegrir as razões da Guerra, mas gostaria de ver este País a assumir o seu passado recente e a não ter "vergonha" da geração que tanto sacrificou e tão mal tem tratado.

Quero ainda confirmar a minha grande admiração pela intervenção do representante da Assoc. dos Deficientes das F.A., mas lembrar-lhe que também devem olhar para dentro e limpar o mau que também por lá há.

Saudações Amigas

Salvador Silva 

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 António Barbas Pires

Furriel Mil.º de Infantaria

CArt3514 e CCav3517 – (ZML), Angola Out72-Out74

de: Antonio Pires
para:
UTW

data: 16 de Outubro de 2007 às 16:58
data: Debate Prós e Contras em 15/10, na RTP1 sobre a Guerra do Ultramar

Caros Companheiros

Sinceramente, depois de tanta publicidade, esperava mais e bem mais do debate.

Os aspectos negativos começam logo pelos intervenientes seleccionados pelos realizadores do programa. Continua a apostar-se nas opiniões de quem na realidade, não sofreu as agruras reais da guerra. O Dr. Jaime Nogueira Pinto é um estudioso do tema, tudo bem, mas não participou na guerra. Pareceu-me que o Cor. Matos Gomes é um historiador e está bem documentado. Mas será que isso é suficiente? Para mim claramente que o não é. Quando ele, em determinado momento do programa, desdenha dos milicianos pois estes "… se limitavam a fazer uma comissão de dois anos, enquanto os do quadro permanente faziam comissões seguidas…", limita-se a confirmar que para ele a guerra não passa de tomadas de decisão em gabinete, pois era, com honrosas excepções, o que os militares do quadro permanente faziam.

Tanto ele como os restantes, parecem ignorar que os sargentos e oficiais do quadro, ou estavam nas cidades, muitas vezes acompanhados da mulher e filhos ou, no pior caso, em quartéis no mato de onde não saíam. Nós, milicianos, os verdadeiros combatentes, costumávamos chamar-lhes "aramistas", pelo facto de estarem sempre dentro do arame farpado. Antes de ir cumprir o meu serviço militar obrigatório, tive oportunidade de conhecer por motivos profissionais, imensos desses senhores, "cansados da guerra" que metiam "cunhas" para serem escolhidos para nova comissão.

Os outros convidados são meros teóricos e/ou fazedores da opinião pública. Alguns deles dizem-se ex-combatentes mas vê-se que nunca estiveram debaixo de fogo, ao contrário do Sargento dos Comandos Africanos, esse sim combatente em toda a acepção da palavra.

É vergonhoso a forma como alguns dos presentes, tentaram confundir este homem relativamente à sua nacionalidade. Creio que ele é mais português do que a maioria dos que o tentaram enxovalhar!

Como é alguns dos presentes podem indignar-se, com a forma como o Estado Português trata os ex-combatentes, se eles estão bem na vida graças ao sangue, suor e lágrimas, vertidos por esses mesmos milicianos de quem eles desdenham?

No debate onde é que estavam os representantes dos que fizeram a guerra no terreno? Onde é que estavam os homens do SMO?

Espero que o trabalho do jornalista consiga superar estes preconceitos.

Realmente basear uma história em quem na realidade não participou activamente nela, é apenas perder mais uma oportunidade de dar a conhecer a realidade nua e crua dessa guerra que todos parecem querer meter debaixo do tapete. Se o anterior regime o fazia, o actual fá-lo ainda com maior acuidade. Provavelmente por muitos dos responsáveis actuais terem sido refractários ou desertores.

Já repararam que o País está cheio de monumentos aos combatentes da 1ª Grande Guerra e quase não existem aos que combateram na Guerra do Ultramar?

No entanto esta última durou mais e causou mais vitimas que a outra. Dá para perceber?

Com a descolonização fechou-se um ciclo da história de Portugal.

Não será tão cedo que Portugal viverá momentos tão gloriosos.

Provavelmente nunca mais acontecerá.

Na história do universo cada Nação parece ter um momento de glória. Nós vivemo-lo entre os fins do século XIV e os do século XX. Tudo na vida tem um princípio e um fim. Em minha opinião foi pena este ciclo, que tinha de mesmo de acabar, ter sido encerrado da forma vergonhosa como o foi.

Agora resta honrar aqueles que se bateram e tudo deram, em alguns casos a própria vida, à sua Pátria.

Cumprimentos

António Pires

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José Carmindo Vigário dos Santos

Furriel Mil.º de Infantaria

CCac2359 – (ZOT), Moçambique Mai68-Mai70

de: José Carmindo Vigário dos Santos
para:
UTW

data: 16 de Outubro de 2007 às 18:00
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Fiquei surpreendido, mais pela negativa do que pela positiva, isto porque me pareceu que não foram abordados os verdadeiros problemas porque passamos, nós os milicianos e soldados, bem como algumas das excepções dos militares do quadro permanente.

Vou apenas abordar uma das questões, que levou a que aquela guerra nunca pudesse ser vencida. Fiz parte «como furriel miliciano» da Companhia de Caçadores n.º 2359, integrada no B. Caç. 2842, que esteve em Moçambique no período de Abril/1968 a Junho/1970, mais concretamente no norte do Distrito de Tete (Vuende - Furancungo - Vila Gamito - Bene – Têmboa), entre outras localidades.

Quando parti da metrópole «era assim que se dizia ao tempo», tal como quase todos os milicianos e soldados e cabos, estava convencido da verdade dos motivos que nos levavam para aquela terra, deixando para trás os familiares, mas chegado a Lourenço Marque «hoje Maputo», logo verifiquei da mentira ao tomar conhecimento «in loco» do regime quase de apartaid. Que ali se praticava, com algumas raras e honrosas excepções.

Mas o mais grave que isso pude constatar no interior daquelas regiões, mato e mais mato, onde os cantineiros «comerciantes portugueses que vendiam tudo, incluindo medicamentos» exploravam os negros até ao tutano «exemplos o sal era vendido ao preço do ouro, os trabalhadores agrícolas, trabalhavam o ano inteiro na cultura do algodão «cultura predominante da zona» e no fim do ano ao fazerem as contas ficavam sempre a dever dinheiro à companhia algodoeira, que apenas se limitava a lavrar as terras e fornecer as sementes, outros eram espancados após a época das culturas, para não lhe pagarem os míseros ordenados – era comum ver os alfaiates a trabalharem nas varandas das ditas cantinas, nas mesmas condições dos outros trabalhadores, cantineiros, alguns dos quais não conheciam uma letra do tamanho de um palácio mas que eram gente grande na terra, que eram protegidos por alguns capangas, e que jogavam com ambas as facções «militares portugueses e da frelimo», etc. etc……..

Recordo uma vez quando entreguei numa povoação um saco de 30 kg. de sal, para seu consumo «aquela gente tinha tudo para viver menos o sal», quase me idolatravam, posteriormente faziam visitas ao quartel para presentearem a nossa furriela vigário «era assim que me chamavam», com cabritos, cucos «galinhas», porcos e até um bovino. Pobres dos negros que causticados pelo regime, sabiam reconhecer aqueles que lhes fazia bem.

Esta era uma das razões porque a grande maioria dos ditos cantineiros não gostarem da permanência do exército português junto deles, estragava-lhes o negócio.

Histórias destas quase todos os militares que como eu serviram o país como carne para canhão, verificaram e que contribuíram e de que maneira para o desfecho final, com erros como tudo na vida, mas desafio muitos dos críticos da nossa praça a justificarem porque por várias maneiras e feitios, tudo fizeram para não embarcarem.

Para terminar posso garantir que não foram os guerrilheiros da frelimo, que mais problemas nos criaram, mas sim aqueles intrusos, que se dedicavam de forma sistemática e gananciosa, à exploração dos negros para depois aparecerem na metrópole, como heróis.

Não posso nem devo generalizar, porque reconheço que como tudo na vida, também lá no mato havia gente honesta, mas coitados não saíram da cepa torta.

Mas meus amigos ou eu, estou errado ou tive o azar de ter verificado aquelas situações, ou então o mundo está distorcido, por aquilo que ouço de muita boa gente.

José Carmindo Vigário dos Santos 

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Carlos Gouveia

Soldado

CCav2752 – (Cabo Delgado e Zambézia), Moçambique Set70-Nov72

de: Carlos Gouveia
para:
UTW
data: 16 de Outubro de 2007 às 18:13
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Caros amigos e Camaradas

Vi com muita atenção o programa Prós e Contras transmitido no dia 15 embora tenha sido bastante tarde para mim visto eu viver na Alemanha e aqui ser uma hora a mais que em Portugal, o entusiasmo foi tão grande que me levou estar a ver televisão até cerca das três horas da manhã.

Este tema na minha perspectiva não trouxe nada de novo até que a discussão dirigida pela jornalista Fátima Ferreira, não deu oportunidade aos ex-militares presentes e que eram muitos, esses sim talvez tivessem muito a contar pelo sofrimento que tiveram mas não, apenas foram entrevistados os Senhores Coronéis e Generais os mesmo que iam para o Ultramar quase voluntários com regalias formidáveis ordenados chorudos e com mais uma promoção garantida no fim de cada comissão.

Alguns desses presentes, e outros a guerra colonial foi um poco e ouro onde ganharam bons ordenados, enquanto que os ex-militares presentes, aqueles que deram o corpo ao manifesto, o que ganharam eles? Eu vi-os ontem e vocês também, estou a referir-me a esses bravos ex-soldados que ficaram feridos para toda vida e abandonados como (cães) desculpem-me esta expressão, hoje ninguém se lembra deles é um escândalo uma vergonha, esses bravos homens que combateram nas Colónias defendendo o que não era deles mas sim uma Colónia Portuguesa.

Voltando a mesma entrevista, é fácil falar-se hoje e dizer que a guerra foi injusta e que o Salazar foi o culpado.

Finalmente. Falando dos tais chamados Retornados ou Desapropriados, não terão sido alguns desses senhores que durante muitos e muitos anos exploraram os indígenas até que depois enfim revoltaram-se ajudados por outros mais inteligentes porque os macondes ou macuas de Mocambique nada sabiam de independência e muito menos de guerra apenas se contentavam com a farinha que os cantineiros a troco de cereais e outras mais valias lhes davam como pagamento.

Eu estive em Moçambique fazendo parte da Companhia de Cavalaria 2752/BCAV.2923, estive na Serra do Mapé em Macomia e sofri na pele, o que não desejava a ninguém assim como os meus camaradas tudo do mais desumano possível porque para alguns senhores oficiais havia tudo, para nós (carne para canhão), nada havia enquanto nos bebíamos água do rio Messalo esses Senhores bebiam água engarrafada, e vem-me então agora para a televisão fazer de Madalena Arrependida. Muito mais havia para escrever mas fica para outra oportunidade.

Agradeço do fundo coração a toda a liga dos combatentes que muito tem ajudado e continuam ajudar, a todos Muito OBRIGADO

Carlos Gouveia

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J. Cabral

Fuzileiro
Companhia de Fuzileiros – Guiné 1970-1972

de: j. cabral
para:
UTW

data: 16 de Outubro de 2007 às 18:17
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Meus Caros Camaradas de Armas e Combate,

- Desiludido, uma pobreza de programa (!...), uma grande decepção (!...), quando sabemos que a Dr.ª Fátima Campos Ferreira quando se prepara domina, não foi o caso! Não quis. Percebeu-se. Perdeu o programa! "Vazio" - Guerra do Ultramar?! Colonial?! África?! Tinha objectivo? Sim.

- O painel envergonhava, apesar de haver lá uma cabeça, mas que puxa para um ultra "lado" !!!!! Que pobreza. Sinceramente.

- Os nossos Militares do Quadro, quase todos, que pena, fazem dó! Apesar de muito agradecido lhes estar por me terem conduzido à Democracia.

- O Senhor jornalista Furtado (....): O Sr. jornalista Furtado , após tanto elogio da Dr.ª Fátima, "explicou" quiz explicar, não sei porquê e para quê o porquê do título do filme: Guerra do Ultramar blá blá blá, Guerra Colonial blá blá blá, Guerra de África blá blá blá, não, "por isso resolvi - Guerra -"!! Muito bem. 

Que conversa vã.

A coincidência do programa (precipitado), com a promoção da série televisiva, para o dia seguinte....., é de mais!!!! Tenham dó.

Um Parêntesis : ( (*) No final das emissões todas (em 2008), esperemos que ponham, depressa, à venda ( vai dar boa massa) a série televisiva, para comprarmos, depressa e de uma vez só, os DVD e oferecer, depressa, aos nossos filhos e netos, para se "deleitarem" a ver os seus pais e avós a pegar fogo nas tabancas com mulheres crianças e velhos a fugirem, a morrerem, cabeças espetadas em paus, a malta a atacar e a ser atacada, berros, gritos, horror, terror, fugir debaixo de fogo a morrer a ficar ferida, as evacuações, os helicópteros os aviões FIAT, os helicanhões, tiros, granadas, bazucas, rajadas, as emboscadas, minas, pernas esfaceladas, os golpes de mão, os prisioneiros, as torturas, os combates, os massacres as bombas, os bombardeamentos aos quartéis, a fome, a sede, o cansaço, a ira, a raiva, o ódio, o medo a coragem, o descontrolo, o pânico, a inconsciência, a responsabilidade pesada, a irresponsabilidade, a maluqueira, o poder, o despudor, as qualidades, as incompetências, o desprezo de muitos responsáveis pela vida dos seus e dos outros, o sofrimento a dor, os caixões etc, enfim o inferno em terra. E nós, nós vamos explicar os filmes, tintim por tintim, o que fizemos e como fizemos!!!!!!!!!......) 

É isto que querem, puxar a raiva, ressentimentos, ódios dor e doença. Pôr ácido em cima das feridas e pô-las a arder mais ainda. Haja juízo. Basta. A Liberdade não é isto nem para isto! Respeitem-nos e deixem-nos tranquilizar a cabeça, caramba. Respeitem os pais e filhos dos Veteranos, sobretudo dos que morreram.

Chega. Não chateiem a gente. Respeitem os Povos de Angola, Guiné e Moçambique. Eles gostam de nós e nós deles. É um facto. É só lá ir.

Preocupem-se em chatear quem nunca olha, ainda não olha e nunca OLHOU, e continua a não querer olhar para nós. TODOS.

RTP, Coragem. Coragem Dr.ª Fátima Campos Ferreira. Agarrem um programa a sério, só para, em público, OBRIGAREM Governantes e Deputados a respeitarem os ex-combatentes e a eles próprios e a Instituição - Liberdade - a que o 25 de Abril, que os ex-combatentes também consubstanciaram, lhes deu acesso.(1)

Querem programas da realidade Ultramar/Colónias/África, façam-no. Sr. jornalista Furtado, sem mostrar a violência da Guerra (dos dois lados) que é o mais hediondo dos actos.

Querem ver filmes de Guerra - quem gosta -, vão ao Video-club e aluguem filmes do Vietnam, mas estes são com actores de cinema.

- No programa de ontem, para falar desta Guerra, à parte dos SALAZARES, a Dr.ª Fátima conhecia e sabia tudo o que estava e esteve por trás da Guerra, durante e pós, quer no contexto nacional quer Internacional! Não conduziu a entrevista!

O nosso País era o que era, uma tristeza. Os Governantes outra.

Nós, os que não podíamos fugir ou não sabíamos ou não queríamos, só tínhamos a Guerra, a Pide, a prisão ou a deserção/refractário, até ao 25Abr, e as vidas a andarem sempre para trás, sem expectativas. Isto mostra a guerra sem tiros, sem prazer mórbido

- Os nossos Veteranos fizeram tudo e só o que lhes mandaram e porque os mandaram, mas fizeram e de que maneira, apesar de tão mal tratados que eram e por quem, e continuam a ser. Regressaram os que regressaram para logo emigrarem. Era o que o País nos oferecia, Guerra e fome.

- A merecerem o nosso maior destaque, estavam os nossos queridos Veteranos camaradas deficientes, com elevadíssima dignidade, uns SENHORES e que são os mais merecedores do nosso maior respeito e de todo o País. Foram o programa. Revejo-me na sua luta, porque continuam a querer esquecê-los e a todos nós (1)

- Quanto aos (*) "filmes" - série televisiva - dispenso obrigado. Gostava muito que os meus filhos não o vissem. Eles sabem que o pai fez a Guerra e ainda está nela, infelizmente. O parentesis (*) que fiz é um alerta. Não revivam o Inferno.

Sejamos muito respeitadores dos nossos portugueses Veteranos que combateram e dos povos de lá e de cá.

(1)-"Conhece-se uma Nação pelos homens que criou, mas também por aqueles de quem se recorda e venera." - J. Kennedy. " O carácter de uma Nação vê-se pela forma como trata os seus Veteranos"- Churchil. )

J. Cabral

Fuz.º (1970/72)

Guiné

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António Inácio Correia Nogueira

CCac16 – (Alf milº Infª - Bachile), Guiné 1970-71

CCav3487 – (Cap milº - Belize, Lândana e Tábi), Angola Mar72-Jun74

de: Inacio Nogueira
para:
UTW
data: 16 de Outubro de 2007 às 18:24
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Um debate adiado. Nem prós nem contras. Uma sessão inerte, aqui e ali conflituosa e a deixar transparecer os antagonismos ainda existentes entre quem considera que o 25 de Abril foi fruto de constrangimentos corporativos ou de opções políticas conscientizadoras da mudança que se requeria para Portugal.

A representatividade dos ex-combatentes não foi cuidada. No painel, ex-oficiais do quadro, com discursos muito difusos, generalistas e pouco esclarecedores - e mais um - sempre o mesmo, sinceramente já estamos fartos das suas teorias e da sua verborreia repetitiva e estafada. Não se podia ter escolhido um ex-combatente miliciano para o painel?

Na plateia visualizámos as mesmas caras de sempre e uma ampla representatividade de deficientes das Forças Armadas. Pareceu-me bem esta última opção. É preciso mostrar ao país, sem peias, as consequências da guerra, para que se possa educar para a paz. Quanto às caras, é tempo de dar voz a outras fisionomias, às organizações de ex-combatentes em concreto, o que não foi feito. Perdeu-se uma boa oportunidade para mostrar o que era há quarenta anos um combatente obrigado a sê-lo, e o que é hoje, já que acarreta uma história de vida fustigada pela guerra. Depois, as escolhas feitas para mostrar ao país os nossos adversários de então, foi inverosímil e insucedida. Os dois representantes pouco disseram, nada acrescentaram e mostraram-se crispados. Má escolha.

Um mau debate, sem ideias e com peias. Assim Não, Dra!... 

Inácio Nogueira

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David Jorge Pinto Barros Guimarães

Furriel Mil.º Atirador (especialista em Minas e Armadilhas)

CArt2716 – (Xitole), Guiné Mai70-Mar72

 

de: David Guimarães

para: LG & Camaradas

 

data: 16 de Outubro de 2007

AMIGOS: parece que vale a pena dizer - estive a ver o programa de Fátima Campos Ferreira.

Estive ontem com muita atenção a ver aquele grande encontro que se deu na Televisão - um debate, uma troca de ideias... Não costumo ser muito dado com os olhos pregados na Televisão pois por norma adormeço - ontem não, não adormeci, estava à espera do resultado, num encontro de gente séria... nisso acredito... NÃO ADORMECI.

E lembrava-me da nossa caserna - mas que lindo termo a nossa caserna, onde andamos há uns tempinhos a dizer muito mais do que aquilo que ontem por lá se disse... Houve um aflorar pela rama da guerra do Ultramar (Colonial, de África), enfim aqueles termos que lhe quiseram chamar... Lembro do termo que as gentes boas da minha aldeia usava: guerra da nossa África.

Não creio que qualquer jovem miliciano ou até Oficial e Sargento do quadro de então desse conotações políticas aos termos usados pelo nosso povo ou pelos políticos de então... Com raras excepções (e sabemos que existiram)... Assim uma coisa ficava bem vincada na nossa cabeça: Guerra... (depois, em África, nas nossas Colónias, Províncias Ultramarinas e finalmente Ultramar, um termo mais genérico).

Afloraram ontem como é que se podia ter evitado a guerra, a inevitabilidade da guerra e até a autenticidade da guerra, ou melhor, o nós tínhamos razão... e hoje ainda lá poderíamos andar... Era mais morto menos morto, porque afinal aquilo era Portugal e na guerra há feridos e mortos... E foram generais, coronéis e um douto Professor que ali se juntaram todos para falarem. E eu fiquei a saber que um era de direita e outro já carregado não sei de que mal - ressaibiado... Por certo um daqueles que ainda pensa em ir conquistar Olivença (não seria ideia inédita!) e que falava à boa maneira da Antiga Assembleia Nacional... Não sei como conseguiu ir até Tenente Coronel... mas foi e deve ser bom homem... pois eu também não sou mau rapaz... e no mundo só há gente boa embora tenham todos o direito de pensar... [...]

... Foi exactamente isso que pensei ontem: novesforanada na base 10 - porque do que se disse ontem sobrou pouco mais que nada, um senhor tenente coronel que cumprimento efusivamente e com respeito, não porque pense como ele, mas porque foi exactamente ele que me manteve acordado... Porque uma das coisas que gosto é de ouvir discursos inflamados e patrióticos como esse - e por ele então NÃO ADORMECI.

Um abraço, David Guimarães

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Inácio Rodrigues da Silva

1º Cabo Apontador de Armas Pesadas

CArt2732 – (Mansabá), Guiné Abr70-Mar72

 

de: Inácio Silva
para:
UTW


data: 16 de Outubro de 2007 às 22:41
assunto: Comentários acerca do debate sobre a Guerra do Ultramar no Prós e Contras

Caros amigos e ex-camaradas:

Presenciei ao debate na RTP1, na passada segunda-feira (15-10-2007), sobre a Guerra do Ultramar, de princípio ao fim. Salvo as intervenções dos membros das associações de defesa dos ex-combatentes, o resto foi tudo "déjà vu": não vislumbrei nenhum interesse, em especial.

Um debate em que a maioria dos intervenientes são ou foram oficiais superiores ou generais, obviamente, só poderia versar sobre as questões belicistas ou político-belicistas. Estes senhores não têm contas a pedir ao Estado, porque, sendo do Quadro Permanente, viram todas as suas regalias satisfeitas, na plenitude. Onde estavam os milicianos e os praças? Provavelmente na plateia. Alguém lhes perguntou alguma coisa? Disseram de sua justiça? Nada!

Todos sabemos que as guerras deixam sequelas de vária ordem: pais que viram desaparecer os seus filhos, esposas, namoradas e amigos que viram partir os seus entes queridos, filhos órfãos de pai, muitos deles nem sequer chegaram a ver o progenitor... Cidadãos deficientes que, com muito esforço, sobrevivem, tentando integrarem-se o melhor possível na sociedade, na esperança de serem reconhecidos e apoiados pelo Estado e por ela. Muitos deles são activos e intervenientes e, graças à sua acção, procuram que o seu presente e o futuro sejam passados com alguma dignidade.

O que é que interessa debater e resolver depois de uma guerra? Não será minimizar os danos e os traumas sofridos, tanto os de ordem material, como os de ordem afectiva, psicológica, moral, social e, até, de cidadania? Nenhuma sociedade viverá em paz consigo mesma se não entender, profundamente, esta realidade! Não é enterrando a cabeça na areia, como faz a avestruz, fazendo de conta que o que aconteceu nada tem a ver consigo que os problemas são resolvidos...

E o Estado Português, representado pelos Órgãos de Soberania, órgãos estes titulados por cidadãos eleitos pela referida sociedade, o que tem feito? Mais de trinta anos decorridos desde o fim da guerra (colonial, do ultramar ou de libertação, como queiram), os ex-combatentes lamentam, diariamente, o divórcio do Estado, relativamente às consequências danosas, de vária ordem, a que foram sujeitos e estão sofrendo na pele, por terem sido OBRIGADOS a combater em territórios que, na altura, os responsáveis por este Estado, entenderam classificá-los como "Províncias Ultramarinas" e, consequentemente, fazendo parte do espaço português!!!

A guerra nunca será esquecida, pelo menos por aquelas que a protagonizaram ou por os que, para ela, foram empurrados. Seria bom que os tais cidadãos, eleitos democraticamente, representantes dos Órgãos de Soberania não agissem com hipocrisia, isto é, reconhecessem o esforço, o sacrifício, a privação, o medo, a dor, a doença, a deficiência, a morte, a perda de empregos, o atraso ou a interrupção dos estudos, enfim, uma panóplia de prejuízos de valor incalculável, e reconhecessem em Lei, perante a sociedade que representam - antes que os ex-combatentes morram - que é necessário eliminar, de uma vez por todas, estas nódoas da guerra, que teimam em eternizar-se...

Se tal não for feito, os ex-combatentes morrerão com a mágoa de terem combatido, em vão, sem o reconhecimento devido, do Estado, a quem serviram. Mas os políticos, titulares dos Órgãos de Soberania, eleitos pela sociedade de que os ex-combatentes são parte integrante, jamais repousarão em paz e serão, sempre, considerados, mesmo pelas gerações vindouras, como políticos incultos, insensíveis, autistas e hipócritas.

Em conclusão: como ex-combatente, não me revejo nesta forma de fazer política. Desejo que fique claro que os políticos a que me refiro são todos os que Portugal, infelizmente, teve depois da instauração da democracia "sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade". Sou democrata e não sou possuído por nenhum sentimento passadista ou saudosista. Mas fico indignado e triste por assistir a tanta indiferença e insensibilidade...

Cumprimentos a todos.

Inácio Silva

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Jacinto Ferreira Gonçalves

Alferes Mil.º

CCac1804 – (Muidumbe e Chibuto), Moçambique Nov67-Nov69

de: Jacinto Gonçalves
para:
UTW

data: 17 de Outubro de 2007 às 02:34
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Debate

Não correspondeu, de todo, às minhas expectativas. Perdeu-se demasiado tempo a discutir "o sexo dos anjos", se guerra o Ultramar, se guerra colonial, ou qualquer outra coisa. Restou pouca paciência para assistir até ao fim. Aguardo com redobrada expectativa para assistir à série televisiva so "A Guerra Colonial".

Jacinto Gonçalves

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Joaquim Ribeiro

Furriel Mil.º

CCav2691 – (Cambamba e AM1/ZMN), Angola Abr70-Mai72

de: Joaquim Ribeiro
para:
UTW

data: 17 de Outubro de 2007 às 12:00
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Caros ex combatentes, companheiros e amigos

Para mim, este debate foi uma vez mais uma desilusão.

Os intervenientes não representavam claramente os operacionais, os que na realidade davam o "corpo ao manifesto", à excepção do sargento comando guineense e dos nossos camaradas deficientes. Deu-se muito ênfase e discutiu-se demasiado sobre questões marginais, como por exemplo o nome pela qual era na época conhecida a guerra, não foi aflorado o verdadeiro sentido do conflito na óptica do combatente no teatro de guerra, as suas angústias, o futuro, a sua realidade como jovem.

Discutiu-se sim, e de forma clara, a visão política/pessoal de alguns intervenientes, o que ao fim e ao cabo, temos assistido ao longo destes trinta e três anos. Um facto positivo em todo o debate, foi o reconhecimento geral que a guerra não foi perdida no campo militar, mas sim no político.

Fico na expectativa que a série "guerra" do sr. Joaquim Furtado, esperando que este venha contribuir de uma vez por todas, com serenidade, sem faltar à verdade, baseado em factos reais e não absurdos, relatar o que foi o teatro desta guerra da qual fomos actores e protagonistas.

Saudações para todos os ex combatentes

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Carlos Alberto Correia Braz Vardasca

Soldado condutor

CCac3309 – (Nangade, Tartibo e Balama), Moçambique Fev71-Mar73

de: Carlos Vardasca
para:
UTW

data: 17 de Outubro de 2007 às 12:47
assunto: Re: guerra colonial no prós & contras RTP 1

Viva Companheiros

Devido ao interesse de que se revestia e à coragem que pareceu existir por parte dos organizadores em se começar a abordar a questão colonial sem complexos, de facto também vi o debate no programa “Prós&Contras na RTP1. Quero vos dizer que as minhas expectativas foram goradas. Alguém nestes comentários disse que “qualquer um de nós faria melhor”, eu não iria tão longe, mas quase. Parece impossível que em pleno século XXI, ainda existam dúvidas se aquela guerra foi; Colonial; do Ultramar ou de África, ou de outra coisa qualquer que vierem a inventar no futuro, para tentarem minimizar ou ocultar a existência daquele conflito de trágicas recordações para quem nele participou.

Em minha opinião, aquele conflito tem toda a legitimidade em se denominar como Guerra Colonial, por razões históricas, que são abrangentes a qualquer conceito político, sejam eles de direita ou de esquerda, e que nenhum deles deve ignorar ou fingir que não sabe, por conveniência ideológica. É do conhecimento geral que aqueles territórios foram ocupados (qual descobertas qual carapuça) e que desde essa altura sempre houveram grandes lutas para que os Portugueses se conseguissem instalar ao longo das suas costas, o que contraria as velhas ilustrações do livros da 4ª Classe onde se vêm os nativos em poses subservientes (quase que a beijar os pés aos navegadores que então iam chegando), quando na realidade, desde esses tempos que foram travadas grandes lutas contra as forças ocupantes (sempre com o clero a abençoar os massacres que então se foram desencadeando durante a ocupação colonial) e onde se notabilizaram grandes guerreiros nativos de que a história fala muito vagamente. É claro que com a Conferência de Berlim (de 15 de Novembro a 26 de Fevereiro de 1885) a questão colonial se acentuou, com o esquartejar do continente africano pelas diversas potências coloniais, ficando continente africano como se encontra hoje, como se fosse uma manta de retalhos, o que tem originado e sido a causa dos diversos conflitos de que nós todos temos conhecimento.

Portanto, carece de legitimidade dizer-se que o que aconteceu na Guiné, Angola e Moçambique (1961-1974) foi uma guerra do Ultramar “porque aquilo era nosso” (diziam) quando se finge desconhecer que a resistência ao ocupante inicia-se desde logo naquele período que nos impingiram na escola e que denominaram “descobertas”.

Quanto ao programa e aos seus diversos intervenientes, considero que foi muito pobre. Até da parte daqueles que se esperava uma posição mais esclarecedora, ficaram-se pelos termos técnicos, quase com receio em definir que tipo de conflito tinha sido aquele, abstendo-se de responder com factos históricos e documentais às provocações de um certo general de que não me lembro o nome, e que criaram a indignação por parte dos deficientes da Forças Armadas. Não fosse a intervenção do representante da FRELIMO, que me pareceu mais sustentada e esclarecedora, ficaríamos sem saber (se não tivéssemos vivido o conflito colonial) da luta heróica de libertação travada pelos povos das ex-colónias, uma vez que aquele embaixador e representante do PAIGC “não soube dizer nada” nem soube explicar porque foi preso pela PIDE nem explicou como deve ser as causas do massacre no Cais de Pidgiguiti em 1959.

Ficou claro que naquele debate ficou quase tudo por dizer, e que espero que o documentário a exibir na RTP ao longo de 18 episódios seja mais esclarecedor, pelo menos que faça lembrar aos que intencionalmente já estejam esquecidos, dos verdadeiros dramas que aquele conflito colonial provocou na sociedade portuguesa.

Por agora fico-me por aqui...haverá decerto muito mais para se dizer...

Um abraço solidário de quem sobreviveu

Carlos Vardasca

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António Pereira de Almeida

Capitão Mil.º de Infantaria

CArt3503 e 3ª/BCac19 – (Mueda e Candulo), Moçambique Out73-Jan75

de: Antonio Almeida
para:
UTW

data: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 às 16:35
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

O debate a que acabamos de assistir, pese as expectativas criadas, quanto a mim, falhou redondamente, pelo menos, num dos objectivos que deveria atingir, isto é, transmitir às gerações posteriores "à guerra" uma ideia de quanto se passou, melhor, quem foram os grandes responsáveis pela sua eclosão e prossecução.

O falhanço, repito, quanto a mim, do debate, como aliás, tem acontecido, sempre que se pretende abordar a questão da "guerra", entre outros fica a dever-se à não participação de ex-combatentes milicianos, nas frentes de guerra.

António Pereira de Almeida

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Augusto Gouveia de Sousa

1º Cabo corneteiro

CCac3440 – (Chimbila e Barraca), Angola Out71-Dez73

de: Augusto Sousa
para:
UTW

data: 17 de Outubro de 2007 às 21:42
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Caros internautas e ex-combatentes esta modesta análise “roça” aspectos políticos mas não podemos desassocia-los da realidade.

O debate de ontem na RTP 1 no programa Prós e Contras serviu quanto mais não fosse para duas coisa.

A primeira é que decorridos todos estes anos ficamos a saber – o que para muitos não era já segredo – que essa maldita guerra, SÓ se tornou uma realidade porque um homem, sem a mínima noção da realidade político/social da época assim o quis. Ou seja, a guerra só foi feita, porque o velho ditador Salazar o entendeu.

Foi avisado pela PIDE e outros militares, mas, casmurro e teimoso qual avestruz de cabeça enterrada na areia, avançou para a guerra.

Esta foi uma constatação que ficou provada e que nenhum dos intervenientes pôs em causa.

A segunda ilação que se extraiu deste debate, foi a realidade nua e crua das sequelas das três frentes de guerra.

Mortos, e deficientes dos dois lados.

Os mortos que ficaram sepultados nas antigas colónias, esquecidos e ignorados pelos sucessivos governos do pós 25 de Abril de 1974.

Os deficientes desses novos países que lutaram em nome de Portugal, abandonados à sua sorte.

Os de cá, poucos menos de que abandonados, por uma Pátria que teima em não querer assumir a sua responsabilidade.

Ficou demonstrado até por um dos intervenientes Guineense, esse abandono e a sua revolta foi bem patente.

Foi reconhecido por todos esse abandono e considerado unanimemente uma vergonha nacional, sendo inclusive afirmado que não é de todo impossível mesmo a um país como o nosso, fazer face aos encargos financeiros que esse reconhecimento acarretará, até porque, como foi afirmado, e é uma realidade, todos os ex-combatentes tem mais de 55 anos.

Serviu também este debate para alguns saudosistas talvez ainda sonhando com um império deixarem isso claro.

Pena que não fosse convidado nenhum governante.

Augusto Gouveia de Sousa

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José António B. da Silva

BCac16, BCac15 e EAMM – (Beira, Mueda e Boane), Moçambique Jun69-Ago71

de: José António
para:
UTW

data: 17 de Outubro de 2007 às 22:49
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Fui um combatente da guerra do Ultramar ou guerra Colonial como queiram chamar para mim tanto faz, sei dizer que tive de ir até lá fazer o meu dever.

Gostei de ver o dito programa com muito respeito, mas é de lamentar de ainda hoje haver pessoas que entraram no debate com grandes patentes e estarem contra certos argumentos que foram ditos, enfim é de lamentar de haver pessoas deste calibre, a vida deve-lhes correr bem.

Lamento bastante que o assunto dos mutilados de guerra não estar resolvido.

Sempre ao vosso dispor

Um combatente da guerra Colonial ou Ultramar - Moçambique 1969 a 1971

Um abraço

José António Silva 

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Ilídio Fernando Santos Costa

1º Cabo mecânico auto-rodas

CCacMP – (Mocímboa da Praia), Moçambique 1966-1968

de: Ilídio Costa
para:
UTW
data: 17 de Outubro de 2007 às 23:02
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Habituado a acompanhar o tema da GUERRA COLONIAL através de livros e publicações e em alguns debates na TV (tenho algumas gravações) já não me espanta o que ali foi dito.

Entendo que foi mais do mesmo.

Ilidio Costa

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Luís Manuel Gonçalves da Cunha

Furriel Mil.º

CArt2718 e Destac. Policial do Songo – (ZOT), Moçambique 1971-1972

de: Luis Cunha
para:
UTW

data: 18 de Outubro de 2007 às 01:23
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Estimados ex-combatentes

A propósito deste debate, acho que o abandono aos combatentes continua.

Foram os combatentes do ar condicionado que dominaram o programa.

Os que combateram estavam lá em cadeira de rodas e de óculos escuros e apenas deram escassos minutos ao seu representante.

Dos restantes… ninguém.

Parabéns ao sargento guineense que combateu ao nosso lado. Um verdadeiro português que, com a razão que a história documenta, provocou “gozo” na classe militar que encheu os bolsos com a guerra e que mostrava serviço à custa do sacrifício dos militares milicianos. Aquela classe, não têm hoje problemas económicos, pois continuam a comer donde sempre comeram, enquanto que muitos milicianos vão vegetando porque a pátria só foi pátria para lhe roubar os melhores anos de vida, e a alguns, a própria vida.

Passar a 1ª parte do programa a discutir o nome da guerra é, em meu entender, completamente ridículo, pois seja qual for o nome que lhe atribuam, os mortos e os deficientes existem na mesma e nestes, quase não se falou.

Nem tão pouco se falou nos combatentes sepultados nas colónias e que jazem em sepulturas ao abandono, como se tivessem morrido ao serviço de outra pátria qualquer. Será que isto não faz parte de “A GUERRA” ?

De positivo, somente encontrei a afirmação dum militar presente, dizendo que o 25 de Abril não foi feito para dar a liberdade aos portugueses nem a libertação às colónias, mas sim como medida contestatária à lei que permitia aos oficiais milicianos passar à frente dos do quadro. Como se nós já o não soubéssemos.

Cumprimentos.

Luís Cunha

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António Carlos Loureiro Cadete

Alferes Mil.º

BCac17, GE803 e GE805 – (ZOT), Moçambique Out72-Dez74

de: António Cadete
para:
UTW

data: 18 de Outubro de 2007 às 08:20
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Meus caros,

Só ontem vi o debate porque estou no estrangeiro e os responsáveis pela RTP entendem que nós não devemos ver este tipo de programas em directo na RTPi. Como aqui são mais duas horas que em Portugal imaginem a que horas me fui deitar já que o programa, embora gravado, é emitido à mesma hora em que vai para o ar na 2ª feira em Portugal. Na verdade mais valia ter estado a dormir tal foi o nível do programa. De qualquer modo felicito a Jornalista e a Direcção de programas por esta iniciativa porque a Guerra do Ultramar deveria, na minha opinião, ser devidamente debatida, enquanto ainda por cá andam alguns dos ex-combatentes, pelo menos por duas ordens de razões:

1. Mostrar às novas gerações, nossos filhos e nossos netos, o que foi suportar 13 anos de guerra em três frentes de combate com as parcas condições que se dispunha na altura. Simultaneamente clarificar as razões próximas e remotas do inicio da “luta armada”, desmistificar alguns tabus, mostrar quais os verdadeiros interesses que fomentaram e alimentaram essa luta, etc.

2. Tentar corrigir ( mais vale tarde que nunca ) a profunda vergonha nacional, o enorme escândalo sucessivamente camuflado que foi e é o abandono de ex-militares Portugueses, eu direi mais, o abandono de Portugueses, que cometeram a insensatez de servir a Pátria, de acreditar que a Pátria não os abandonava e foram atraiçoados (é provavelmente esta a palavra mais adequada para referir este abandono nojento de pessoas boas à sua sorte – e que sorte que muitos tiveram !!!)

O programa de facto pouco servirá para isso. A primeira parte foi a discutir se era guerra colonial, do ultramar ou de libertação. Simplesmente ridículo. Quando eu fui para a guerra, em 1972, fui para o ULTRAMAR. Era assim que era designado. Portanto, para mim, eu estive na Guerra do Ultramar, mas se quiserem podem chamar-lhe outra coisa qualquer porque isso não tem interesse nenhum. Se não fossem as intervenções do ex-furriel Comando Guineense, do Ten.Cor. Brandão Ferreira e de mais dois ou três intervenientes do público, certamente que teria sido um debate absolutamente desinteressante, completamente inútil e fastidioso. A intervenção do Cor. Comando Matos Gomes, pessoa de quem sou amigo e pela qual tenho muita consideração independentemente de não vermos algumas coisas do mesmo modo, foi interessante embora seja, obviamente, no que se refere não aos factos narrados mas às conclusões tiradas, uma visão dos acontecimentos, a sua própria visão, que, embora respeitável é discutível.

Mesmo assim venham mais debates e mais reportagens. Desde que isso possa levar a alguma coisa útil serão sempre bem vindos.

Um abraço para todos os combatentes, da guerra do Ultramar, da guerra Colonial, da guerra de Libertação e de todas as guerras. Nós somos aqueles que generosamente demos o corpo ao manifesto enquanto outros esperavam para tirar os proveitos logo que a coisa ficasse calma.

António Cadete

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Francisco José Branquinho de Almeida

Alferes Mil.º graduado

BCac14 e GE201 – (Cabo Delgado), Moçambique Ago68-Jan72

de: Francisco José Branquinho
para:
UTW
data: 18 de Outubro de 2007 às 14:08
assunto: Prós e Contras da RTP 

Caríssimo:

 

Fica a minha opinião, muito sucinta e rápida sobre esse Programa:


Face às avalizadas opiniões já aqui expressas, pouco mais teria a acrescentar, a propósito deste tema.


Revejo-me nas perspectivas da maioria dos que me antecederam nos comentários, mormente as opiniões esclarecidas dos primeiro e último intervenientes: o Vítor Baião e o António Cadete.


Não deixei foi de, pela leitura que fiz de algumas intervenções aqui postadas, de reforçar a convicção que já ia tendo, passe a assumpção de que são respeitáveis todos os pontos de vista pessoais, do divisionismo que grassa no seio dos ex-combatentes, com reflexos, dificilmente sanáveis, nas suas organizações representativas.


Esquecemos o essencial, as dificuldades por que, na maioria, passámos e da nossa dádiva à Pátria, quando deviam ficar para outros patamares de discussão a justeza ou injustiça daquela Guerra.


Quando, até, se lê por aqui terem sido os "cantineiros" o odioso daquele conflito armado, podemos bem aquilatar do disparate que grassa nas mentes de alguns ex-combatentes. Como se alguém, minimamente informado, pudesse "descobrir" nos cantineiros espalhados pelo mato moçambicano, os verdadeiros colonialistas!... É uma visão redutora, injusta, verter nessa gente o ferrete duma guerra. Como seria, alguém alijar esse labéu naqueles desonestos militares que, sem escrúpulos, vendiam, em proveito próprio, a esses mesmos "cantineiros do mato", o azeite, as batatas, o bacalhau, o gasóleo... destinado à logística das suas unidades!


Perdemo-nos com o acessório.


O essencial radica, como sempre defendi, que a descolonização era inevitável. Falhou foi, duma forma trágica e lesiva da consciência colectiva, no tempo e no modo, porque, essa inevitabilidade que já todos, ao tempo, reconheceríamos, não pressupunha nem apontava para a forma atabalhoada, sem honra e sem vergonha, como lhe demos desfecho, à revelia do sentir das populações. Sem qualquer pressuposto democrático, num país que, desde o 25A vem enchendo a boca de Democracia.


Pior, bem mais humilhante, será a forma aviltante como o Poder instituído, o mesmo que legisla e decide em nome da Pátria, tem tratado os ex-combatentes, os tais que lutaram em nome dessa mesma Pátria (os Poderes mudam, mas a Pátria é a mesma!...), os portugueses de sempre e os que o eram nos territórios hoje independentes e que terceram armas, sofreram e tombaram bem ao nosso lado, fosse qual fosse a pigmentação da sua pele.


E, com os divisionismos já atrás aflorados, errando os alvos, estamos claudicando perante aqueles que não sabem, ou não querem, reconhecer a dívida que o Estado tem para com os seus servidores que sofreram, na carne e na alma, no cumprimento de uma missão que a Pátria lhes impôs.


Saudações, companheiros... todos!


Francisco José Branquinho de Almeida

 

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José Maria Ribeiro da Silva Lessa

1º Cabo enfermeiro

CCac3513 – (Quiende), Angola Abr72-Jun74

de: José Lessa
para:
UTW

data: 18 de Outubro de 2007 às 15:45
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Para ser franco, só tive paciência para ver cerca de uma hora o programa.

Durante essa hora disseram-se banalidades e procurou-se saber o “sexo dos anjos”.

Guerra Colonial???

Guerra nas províncias Ultramarinas???

O que eu gostava que ali fosse tratado era o problema dos Companheiros com Stress de Guerra.

A reforma miserável que deram aos antigos combatentes.

O abandono a que estão entregues muitos (para não dizer todos) Ex. Combatentes.

O abandono do Ex. Combatentes pelas famílias, etc etc.

Por tudo isto o programa foi desmotivante e eu preferi ir dormir porque no dia seguinte tinha que trabalhar.

Felizmente tenho uma família.

Felizmente não sou “stressado de guerra” o que não impede de ainda acordar por vezes “alagado em agua” com sonhos que tenho…

Mas todo o mal seja esse.

Orgulho-me do trabalho que fiz em 27 meses de Angola, a minha arma era a seringa que tanto tratava companheiros como aldeões de cor. Nunca dei um tiro… nem para caçar.

Nada me mói na consciência, se algo de errado fiz, foi beber, beber muito para que o tempo passa-se depressa, felizmente não fiquei com mazelas infelizmente muitos de nós não podem dizer o mesmo.

Um abraço para todos e que a vida seja benevolente com todos.

José Lessa

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Paulo Enes N. C. Lage Raposo

Alferes Mil.º de Infantaria (Minas e Armadilhas)

CCac2405 (4ºPelotão) – (Galomaro e Dulombi), Guiné Ago68-Mai70

 

de: Paulo Raposo

para: LG & Camaradas

data: 19 de Outubro de 2007

Depois de ver o programa, estou a enviar os meus comentários ao que lá foi dito.

Guerra Colonial, do Ultramar ou de Libertação: Foram as opções que nos deram, mas o nome tem de ser consensual e nacional. Uma coisa são os regimes, outra é a Pátria.

Realmente a nossa Guerra em África teve o seu começo na II Guerra Mundial. Se esta foi um grande terramoto, a nossa foi a sua réplica.

Assim, comecemos. A Alemanha teve sempre na mira duas coisas, as suas grandes aspirações:

1 - A Gross Deutschland, ou seja, crescer a Alemanha para leste: para isso lançaram colonatos pela Rússia dentro e ao longo do rio Volga.

2 - Ter um porto de mar de águas quentes que estivesse fora do alcance dos ingleses. O único porto, antes dos Pirinéus, com essas características, é o porto de Bordéus.

Hitler foi tão popular, porque prometeu ao povo alemão estes dois objectivos e conseguiu.

Agora vejamos a vaga de fundo que isto causou. Para o exército alemão entrar na Rússia, o Estado Maior forjou umas cartas trocados com o Estado Maior do exército vermelho, dando a impressão que este facilitaria a entrada dos alemães por território russo com última intenção de derrubar o comunismo.

Arranjaram maneira de que estas cartas chegassem às mãos de Estaline por mero descuido. Estaline acreditou e em consequência decapitou os seus oficias superiores, ou seja, decapitou o seu exército.

A entrada dos alemães pela Rússia foi pão com manteiga até... O General Von Paulus chegou a S. Petersburgo e cercou a cidade a sul, e a norte foi cercada pelos finlandeses. Esperavam que a cidade se rendesse pela fome.

Acontece que os russos conseguiram, apenas por um fio, continuar a alimentar a cidade que resistiu comandada por Kruschef às ordens de Estaline. Neste premeio os alemães convidaram Costa Gomes e Spínola a visitar esta frente e possivelmente entraram em contacto com Van Paulus.

E aqui, em S. Petersburgo, levantou-se uma vaga de fundo que arrastou os alemães até ao Rio Elba. Parou aqui porque estavam as tropas inglesas e americanas, senão só teriam parado em Bordéus.

Foi no levantar nesta vaga de fundo que apareceu pela primeira vez a palavra Descolonização. Pois à medida que os russos avançavam iam descolonizando ou limpando os colonatos alemães a leste.

Diz-se também que, quando Von Paulus se rendeu, ele e o seu Estado Maior começaram a trabalhar para os russos ocupando o lugar dos oficias superiores russos executados.

Portanto a palavra colonato ou descolonização está carregada de ódio entre russos e alemães.

Não nos diz respeito, aqueles são potências continentais e nós estivemos sempre ligados às potências marítimas. É outro campeonato.

Portanto, recuso Guerra Colonial. Pode ser Guerra do Ultramar, está mais correcta mas não é consensual. Guerra da Libertação, muito menos. O nosso inimigo da altura chamava-lhe luta da libertação, não guerra.

Pois guerra implica duas forças beligerantes. De um lado estávamos nós e do outro?

Também não lhe chamaram Guerra Civil, porquê? Portanto acho para ser mais consensual será Guerra de África , ou do Ultramar, se quisermos incluir a invasão de Goa.

Vou tentar escrever sobre cada um dos assuntos que foram tratados no debate.

É a minha opinião que é tão válida como outra qualquer.

Paulo Lage Raposo

 

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Francisco Anselmo Mota das Dores

Furriel Mil.º

CCac3554 – (Mucumbura, Nura e Milange), Moçambique Jul72-Set74
 

de: Francisco Mota
para:
UTW

data: 20 de Outubro de 2007 às 14:25
assunto: Debate "Prós e Contra" Guerra do Ultramar, colonial ou de Libertação

Gostei do programa, mas, perdeu-se muito tempo em discutir "Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial".


O que é que a nós Ex-Combatentes, isto, nos diz? Nada, digo eu. Que há feridas abertas, há e muitas.


É GUERRA e mais nada, e, foi feita por nós contra a nossa vontade.


Agora o 1º Episódio de "GUERRA", foi uma lição de história, e eu espero pela próxima aula.


Assim dá gosto ver Televisão e pode-se afirmar que isto é serviço público de televisão.


Em conclusão o meu grande apreço ao trabalho do Joaquim Furtado.


Aguardo os próximos episódios.

Francisco Dores

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Manuel A. Barreira Mendes

Furriel Mil.º

CCac1480 – (Mueda, Sagal e Montepuez), Moçambique Nov65-Nov67

de: Barreira Mendes
para:
UTW

data: 22 de Outubro de 2007 às 17:42
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

Caros ex. combatentes, companheiros e amigos

Vi o debate no passado dia 15 de Outubro e como já esperava foi uma desilusão. Não trouxe nada de novo. 

Pouco mais quero acrescentar ao que disse o nosso companheiro, ex. Fur. Mil. António Pires, a não ser confirmar que a maior parte da guerra foi suportada pelos milicianos, quer fossem, oficiais, sargentos ou praças. Apesar de "só" fazermos dois anos de comissão em África, conforme um oficial do quadro disse nesse debate, fizemos mais km no mato, que muitos deles em 4 ou 5 comissões. Para eles ficavam a maioria dos louvores.

Mas se já antes pouco esperávamos dos governantes, presentemente também pouco podemos esperar. Depois de termos gasto saúde e energia, alguns de nós agora deficientes vamos sentir na pele a retirada de alguns benefícios fiscais que até agora tínhamos direito.

Um abraço a todos os ex. combatentes

Barreira Mendes

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Manuel dos Santos Araújo

Soldado

CCac3496 – (Negomano e Chingune), Moçambique Mar72-Jun74

 

de: araujoleao
para:
UTW


data: 24 de Outubro de 2007 às 16:21
assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Neste "tu cá tu lá" da guerra, há muitos "clientes do Café Capri", muitos "Administrativos", muita gente do "ar condicionado", muitos que nunca comeram a ração no mato e muitos que nunca cheiraram o trotil. À partida estes programas são muito bons para os tais "papagaios" com muito tempo de lazer a começar pelo jornalista Furtado que me parece também nunca foi tropa (?). Veremos o resto que virá a seguir!

 

Manuel Araújo

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Rui Manuel da Silva Felício

Alferes Mil.º

CCac2405 (3º pelotão) – (Galomaro e Dulombi), Guiné Ago68-Mai70

 

de: Rui Felício

para: LG & Camaradas

data: 25 de Outubro de 2007

Uma perspectiva diferente da Guerra.

Foi nessa altura do 25 de Abril que os seus autores definiram e estabeleceram os argumentos "politicamente correctos" que ainda hoje, como no citado programa Prós e Contras, são defendidos 'à outrance' exactamente por muitos daqueles que, por força da sua natureza de militares profissionais, maiores responsabilidades tiveram nesse arrastamento da guerra e na forma ignominiosa como lhe foi posto fim.

Que não se veja neste meu reparo qualquer intransigência na defesa de qualquer tese específica sobre a guerra de África, mas o que me custa aceitar é que nunca seja feito o confronto e o contraponto às teses correntes que é comum ouvir naquele tipo de programas.

Começa a angustiar que os intervenientes nestes debates sejam sempre os mesmos e conhecidos militares que a todo o preço pretendem convencer-nos da sua heroicidade, do seu profissionalismo (... foi ali dito por um militar de Abril: "nós não perdemos a guerra"... ), da sua resistência política ao anterior regime, como se alguma má consciência os obrigue a constantemente se autoelogiarem.

Por tudo isto, considero que as teses explanadas pelo Paulo Raposo deveriam ser debatidas. Daí, certamente muita da luz que tem estado oculta pudesse vir iluminar as consciências... ou pelo menos dar-lhes uma perspectiva diferente e, quiçá, mais verdadeira das razões da guerra.

Não esquecerei nunca o que ouvi da boca do nosso camarada [Victor José Anastácio] Junqueira que, no almoço da herdade da Ameira, afirmou com orgulho e sem qualquer preconceito aquilo que não se ouve nunca nestes debates televisivos.

Se bem te lembras, ele estava emigrado em França e 'de motu proprio' regressou a Portugal para ser mobilizado para a guerra de África, porque esse era o seu dever...

Bem poderia ele ter ficado em França e ter escapado a esse sacrifício, à semelhança de tantos que a ela fugiram e que agora têm o desplante de se considerarem heróis por terem tido essa coragem de fugir...

Mas o Junqueira [alferes milº CCac2753 Guiné Ago70-Jun72], era um homem de carácter. E essa é a diferença... E quantos "Junqueiras" não haverá?

No Prós e Contras não me lembro de ter sido convidado nenhum. Ou se o foi, não foi ouvido...

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Joaquim Manuel de Magalhães Mexia Alves

Alferes Mil.º de Operações Especiais

CArt3492, PelCacNat52 e CCac15 – (Xitole, Mato Cão e Rio Udunduma, e Mansoa), Guiné Dez71-Dez73

 

de: Joaquim Mexia Alves

para: LG & Camaradas

 

data: 29 de Outubro de 2007

assunto: Prós e Contras

Em 17 deste mês [Outubro de 2007] enviei o mail abaixo. Como não obtive qualquer resposta e o assunto me parece ser actual, fiquei na dúvida se o receberam.

Sei muito bem que nem todos os mails que enviamos são objecto de publicação e, seja qual for o critério dos editores, concordo à partida desde já com eles.

Sei que este assunto é polémico mas também sei que se não enfrentarmos as coisas que vivem nas nossas vidas, dificilmente alcançaremos a paz sobre o nosso passado.

Nós não fomos políticos, fomos apenas os soldados que foram chamados a combater pela sua Pátria, independentemente da razão ou não razão da mesma. Em todas as guerras há sempre diversas visões e a maior parte delas colidem umas com as outras. Para termos paz, pelo menos eu, não podemos atribuir virtudes só a um dos lados e o outro ser o condenado.

Por isso falo em termos militares, puramente militares, pois apenas vejo, (parece-me), grandes feitos de um lado, e defeitos do outro, ao qual eu pertencia.

É muito dificil explicar onde quero chegar, e sei, repito, que o assunto é polémico, mas não há dúvidas que falta essa análise sem vergonhas, nem sentimentos de culpa.

Estarei enganado? É possivel, mas a verdade é que sempre me incomodou dar certas coisas como adquiridas, por isso digo que se calhar ainda é cedo para uma análise desapaixonada deste ponto de vista.

Repito que nada disto implica com a condenação da guerra, (esta e qualquer outra), que ainda bem terminou e nunca devia ter acontecido.

[...]

Também assisti ao Prós e Contras, mas confesso que me começou a faltar a pachorra e fui-me deitar.

Como o Luís, também acho que aquele formato de programa, já não dá. Fico sempre com a impressão que o programa se podia chamar "Fátima e os seus convidados", pois a maior parte das vezes ela fala mais que os convidados e constantemente interrompe o discurso e linha de pensamento dos mesmos.

Bem esta é a minha apreciação, outros verão de modo diferente!

Quanto ao debate: Apesar de já ter passado muito tempo, provavelmente ainda é pouco, porque se nota que as paixões estão à flor da pele. Ou seja todo o debate está eivado de política e por isso mesmo muitas vezes carece de objectividade.

Claro que seria difícil falar de uma guerra destas sem falar da política ou do ponto de vista político, mas a guerra não se resume apenas à política.

Passaram a maior parte do tempo a discutir se a guerra era do ultramar, se colonial, se de libertação.Ora, abóbora, conforme o pensamento de cada um ela terá a designação que cada um lhe quer dar: (i) Do ultramar, porque uns acreditavam ou queriam acreditar servindo os seus interesses, que aqueles territórios eram parte integrante do "todo nacional"; (ii) Colonial por aqueles que viam ou queriam ver, servindo os seus interesses, aqueles territórios como colónias; (iii) De libertação por aqueles que, sendo desses países a fizeram, porque aqueles que sendo desses países os apoiaram, mas lembrando que alguns, sendo desses países, com ela não concordavam, e por isso não seria para eles de libertação.

Como foi chamada a guerra das Malvinas? Do ultramar pelos ingleses, colonial pelos argentinos, de libertação pela população, ou alguma população?

Não me parece que isso seja muito importante, pelo menos para mim não é.

Agora pode-se discutir esta guerra do ponto de vista político, do ponto de vista militar e do ponto de vista politico-militar.

Naquele debate parece-me ter-se discutido apenas do ponto de vista político e, como tal, deu em nada. Acaba por se ver e ouvir sempre os mesmos a dizerem as mesmas coisas, citando outros, mas sem grandes provas que eles o tenham dito, servindo-se de frases muitas vezes tiradas de contexto, etc, etc.

E os milicianos? E aqueles que não eram militares profissionais e oriundos de diversos pensares e vivências? O que pensam eles? Alguém viu? Alguém sabe? Alguém quer saber?

Afinal quem fez a guerra, na sua esmagadora maioria, foram os militares de carreira ou os milicianos?

Com isto não estou de modo nenhum a colocar de lado os militares profissionais, que os há e muitos, cheios de competência e dignidade, e que me orgulho de ter servido sob o seu comando.

Mas a verdade, e é a minha opinião, é que a maior parte tenta sempre demonstrar que a guerra estava perdida, e isso cheira-me muitas vezes a uma qualquer justificação!

Claro que a guerra estava perdida! Estava perdida politicamente, como qualquer guerra daquele tipo, e pelo desgaste e a pressão internacional, estaria também perdida militarmente, pois demorasse o tempo que demorasse acabaria na independência daqueles povos.

Mas agora, e era isso que gostava de ver debatido com verdade e sem paixões políticas e outras, verdadeiramente porque se diz que a guerra estava perdida militarmente na Guiné?

É uma afirmação permanente, com a qual eu não concordo, e até agora ninguém me demonstrou o contrário.

Com isto não quero dizer que não fico muito feliz com a independência da Guiné, (gostava de ver um país próspero e um povo feliz), mas sim que se pode analisar a situação, não por dois ou três lugares ou acontecimentos, mas pelo todo.

Vejamos a titulo de exemplo:

Estive de Dezembro de 1971 a Dezembro de 1973 na Guiné e durante esse tempo, que eu saiba, não houve nenhuma emboscada ou ataque a qualquer coluna na estrada Bambadinca/Xitole, ou Bambadinca/Bafatá, ou Xitole/Saltinho, ou, julgo eu, Bafatá/Gabu (Nova Lamego)

Não houve, que eu me lembre, qualquer ataque a barcos no Geba, entre o Xime e Bafatá.

Em Mansoa estávamos a abrir a estrada de Jugudul, (salvo o erro), Portogole e a mesma avançava, claro que com algumas acções de guerra, mas nada que a impedisse.

Montei várias vezes protecções a colunas na estrada entre Mansoa e Mansabá, na zona do Morés e as colunas passaram sem incidentes.

Isto são só alguns exemplos que logicamente não retratam também o que se passava em toda a Guiné, mas parece-me que os trágicos episódios de Gadamael, Guileje e Guidage acabaram por determinar essa informação que a Guerra estava perdida militarmente.

Em muitas guerras, em muitos lugares, ao longo da história do mundo, se perderam algumas praças, mas não se perdeu a guerra.

Em Angola a guerra estava perfeitamente controlada e isto penso que é opinião geral. Em 74 e 75 fiz milhares de quilómetros no interior de Angola e nem um pequeno incidente aconteceu. Assim o esforço militar que se estava a fazer em Angola, podia ser desviado em parte para a Guiné, mormente Força Aérea com outras capacidades, o que poderia mudar muita coisa na Guiné.

Com isto não estou a dizer que queria que a guerra continuasse! Não, nem tal me passa pela cabeça, ainda bem que acabou, para todos nós, Guineenses e Portugueses!

Apenas quero dizer que, na minha opinião, a guerra militarmente não estava perdida, ou pelo menos ainda não mo conseguiram demonstrar.

Sei que esta é uma abordagem polémica, e que a análise que aqui faço, (se é que se pode chamar análise a este arrazoado de ideias), não demonstra coisa nenhuma, mas talvez suscite discussão sã sobre os méritos ou deméritos das Forças Armadas Portuguesas, às quais pertencemos, embora alguns dos seus elementos nos queiram esquecer.

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De um veterano e colaborador deste portal

de: [...]

para: UTW


data: 19 de Novembro de 2007 às 17:23
assunto: O Terrorismo, sem artifícios linguísticos.

 

Reaberta que foi de forma indecorosa a caixa-de-pandora anticolonialista – e mercantilista! –, será talvez o momento de proporcionar aos visitantes da s/página (e respectivos items, como por exemplo "A Guerra"), umas quantas verdades incontornáveis (como "eles" dizem agora), relativas aos iniludíveis malefícios do terrorismo, politicamente maquilhado na linguagem amaciada de "movimentos de libertação", o qual – no que a nós portugueses afectou (afecta) – ficou amplamente descrito e ilustrado em livro acessível através do link http://ultramar.terraweb.biz/06livros_HoracioCaio.htm

 

Saudações, 

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João Bravo da Mata

Alf Mil.º de Cavalaria

ECav181 – (Furancungo), Moçambique Jul61-Out63

 

Opinião: Clique aqui

 

 

 

 

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