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Henrique Ferreira de
Almeida, Alferes de Artilharia, cmdt. de
pelotão da CArt1689/BArt1913
«...Os processos
individuais dos heróis são sempre
silenciosos, mas
aqueles que os investigam sentem-nos a
queimar nas mãos...»
António José Pereira da Costa,
Coronel de Artilharia
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
 Henrique
Ferreira de Almeida
Alferes de Artilharia, n.º 07105064
Comandante de pelotão da
Companhia de
Artilharia 1689
Batalhão de Artilharia 1913
«POR PORTUGAL – UM POR TODOS, TODOS
POR UM»
Guiné: 01Mai1967 a
14Jul1968 (data do falecimento)
Cruz de Guerra de 2.ª
classe
(a título póstumo)
Louvor Individual
(a título póstumo)
Brevíssima resenha
castrense
Henrique Ferreira de
Almeida, Alferes de Artilharia, n.º
07105064, nascido no dia 10 de Janeiro
de 1947, na freguesia de São Miguel de
Vila
Boa, concelho de Sátão, filho de João
António de Almeida e de Elisa da
Conceição Ferreira, solteiro;
Mobilizado pelo Regimento de Artilharia
Pesada 2 (RAP2 – Vila Nova de Gaia)
«BRAVOS
E SEMPRE LEAIS» para servir Portugal na
Província Ultramarina da Guiné;
No dia 26 de Abril de 1967, na Gare
Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em
Lisboa, embarcou no NTT ‘Uíge’, como
comandante
de pelotão da Companhia de Artilharia
1689 (CArt1689) do Batalhão de
Artilharia 1913 (BArt1913) «POR PORTUGAL
– UM POR TODOS, TODOS POR UM», rumo ao
estuário do Geba (Bissau), onde
desembarcou no dia 01 de Maio de 1967;
A
sua subunidade de artilharia, comandada
sucessivamente pelo Capitão de
Artilharia Manuel de Azevedo Moreira
Maia e Capitão de Infantaria Martinho de
Sousa Pereira, seguiu imediatamente para
Fá Mandinga, a fim de efectuar o treino
operacional, até 24 de Maio de 1967 e
seguidamente reforçar o
dispositivo
e manobra do Batalhão de Caçadores 1888
(BCac1888) «…VENDO, TRATANDO E
PELEJANDO», colmatando anterior saída da
Companhia de Caçadores
1439
(CCac1439) « DADO AO MUNDO POR DEUS, QUE
TODO O MANDE PARA DO MUNDO A DEUS DAR
PARTE GRANDE» e actuando em várias
operações, patrulhamentos, emboscadas e
escoltas realizadas naquele sector, até
18 de Julho de 1967, tendo cedido,
ainda, um pelotão
para
reforço da guarnição de Bambadinca; em
19 de Julho de 1967, em substituição da
Companhia de Cavalaria 1484 (CCav1484)
«QUO TOTA VOCANT» -
«VONTADE
E AUDÁCIA», foi colocada em Catió, como
força de intervenção e reserva do
Comando de Agrupamento 1975 (CmdAgr1975)
«ENTRE TODOS SERÁ SEMPRE O MAIOR» e
depois do Comando
de
Agrupamento 2951 (CmdAgr2951), a fim
de actuar
em diversas operações realizadas na zona
Sul, nas regiões de Cobumba, Afiá, Nhai
e Cabolol
Balanta,
entre outras, em reforço do Batalhão de
Artilharia 1913 (BArt1913) e na região
de Gubia, em reforço do Batalhão de
Artilharia 1914 (BArt1914), de 25 de
Novembro a 23 de Dezembro de
1967;
foi deslocada temporariamente para o
subsector de Cabedú, de 05 a 11 de
Janeiro de 1968, a fim de substituir a
Companhia de
Artilharia
1614 (CArt1614) do Batalhão de
Artilharia 1896 (BArt1896) «BRAVOS E
SEMPRE LEAIS», até à chegada da
Companhia de Caçadores 1788 (CCac1788)
do Batalhão de Caçadores 1932 (BCac1932)
«VONTADE E VALOR»; de 24 de Março a 15
de Maio
de
1968, foi atribuída em reforço do
Batalhão de Artilharia 1896 (BArt1896)
«BRAVOS
E SEMPRE LEAIS», instalando-se
inicialmente em Buba e, a partir de 08
de Abril de 1968, em Gandembel, em
reforço da guarnição local e da
construção do respectivo aquartelamento;
em 10 de Junho de 1968, por troca com a
Companhia
de
Caçadores 1788 (CCac1788) do Batalhão de
Caçadores 1932 (BCac1932) «VONTADE E
VALOR», assumiu a responsabilidade
do
subsector de Cabedú, no sector do
Batalhão de Artilharia 1896 (BArt1896)
«BRAVOS E SEMPRE LEAIS»;
Faleceu no dia 14 de Julho de 1968, em
Cabedú, em consequência de ferimentos em
combate, aquando do ataque inimigo ao
aquartelamento.
Tinha 21 anos de idade.
Paz à sua Alma
Está inumado no cemitério Paroquial de
São Miguel de Vila Boa, concelho de
Satão;
Louvado e agraciado
com a Medalha da Cruz de Guerra de 2.ª
classe, a título põstumo, por acções em
combate na província da Guiné
Portuguesa, pela Portaria de 02 de
Dezembro de 1969, publicado na Ordem do
Exército n.º 2 - 2.ª série, páginas 107,
119 e 120, de 14 de Janeiro de 1970:
Cruz
de Guerra de 2.ª classe
(Título póstumo)
Alferes
de Artilharia
HENRIQUE FERREIRA DE ALMEIDA
CArt 1689/BArt 1913 - RAP
2
GUINÉ
2.ª CLASSE (Título
póstumo)
Transcrição da
Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 2 — 2.ª
série, de 1970.
Por Portaria de 02 de Dezembro de 1969:
Condecorado com a Cruz de
Guerra de 2.ª classe, a título póstumo,
ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do
Regulamento da Medalha Militar, de 28 de
Maio de 1946, por serviços prestados em
acções de combate na Província da Guiné
Portuguesa, o Alferes de Artilharia,
Henrique Ferreira de Almeida, da
Companhia de Artilharia n.º
1689/Batalhão de Artilharia n.º 1913 —
Regimento de Artilharia Pesada n.º 2.
Transcrição do louvor que originou a
condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada
naquela 0E):
Louvado, a título póstumo, o Alferes de
Artilharia, Henrique Ferreira de
Almeida, da Companhia de Artilharia n.º
1689, do Batalhão de Artilharia n.º
1913, Regimento de Artilharia Pesada n.º
2, pela sua brilhante conduta nesta
Unidade, durante cerca de cinco meses,
sempre em missões de intervenção.
Tomando parte em várias operações, em
todas elas demonstrou possuir elevado
espírito de missão, tenacidade, decisão,
coragem, sangue-frio e serena energia
debaixo de fogo, muito contribuindo para
o bom êxito das missões cometidas à sua
Companhia. Oficial muito jovem, mas de
marcada personalidade, pôs sempre, em
todas as circunstâncias, o melhor e mais
generoso entusiasmo em bem servir e
impôs-se pelo exemplo, atributos que
marcaram a sua acção, particularmente
durante o desenrolar de uma das mais
difíceis missões atribuídas à sua
Unidade, durante a qual, e por longo
período, foi chamado a exercer o comando
da Companhia, funções que desempenhou
com notável acerto, espírito de
sacrifício, lealdade e fé inquebrantável
no cumprimento da sua missão.
No ataque inimigo ao aquartelamento de
Cabedú, em que recebeu ferimentos que
lhe provocaram a morte, dirigiu-se
debaixo de fogo a todos os locais mais
ameaçados, incitando e orientando o seu
pessoal e, com palavras esclarecedoras,
conseguia incutir em todos um espírito
agressivo e uma vontade férrea de pôr
termo ao ataque, acção esta que fez com
que o fogo inimigo diminuísse
francamente de intensidade.
Esta multiplicidade de predicados, a sua
conduta leal e sólida formação moral,
aliados à coragem de que deu provas na
sua infelizmente breve carreira, fizeram
do Alferes Ferreira de Almeida, um
oficial de que muito havia a esperar e
que pela sua acção muito prestigiou a
sua Unidade e o Exército.

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