"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA E GLÓRIA |
Elementos cedidos pelo PQ
Pedro Castanheira |
José Henriques Catroga Inês
Coronel de Cavalaria Pára-quedista

Estado
Português da Índia: 1960 a 1962
Comandante do
Esquadrão de Cavalaria 3
Grupo Divisionário de Carros de Combate
Moçambique: 1963 a 1965
Comandante da
1.ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas
«VINCERE ESTE VELLE»
Chefe de Operações e Informações do
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»
3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»
Angola:
1967 a 1969
Comandante da
1.ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas
«IRMÃOS DE MARTE»
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21
«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»
2.ª Região Aérea «FIDELIDADE E GRANDEZA»
Moçambique: 1972 a 1974
2.º Comandante do
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»
3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»
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Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma
Colectiva
(Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 21) |
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Cruz de Guerra de 1.ª classe Colectiva
(Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 31) |
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Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma |
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Medalha de Reconhecimento
(Atribuída aos Prisioneiros de Guerra) |

Biografia do Coronel de Cavalaria Pára-quedista José
Henriques Catroga Inês
O
Coronel Pára-quedista José Henriques Catroga Inês é uma
figura marcante da história militar portuguesa
contemporânea. A sua carreira, iniciada na mítica Arma
de Cavalaria, cruzou-se de forma indelével com a
história das Tropas Pára-quedistas e com alguns dos
palcos mais complexos do antigo Ultramar Português,
desde a invasão de Goa até à Guerra Colonial em
Moçambique e Angola.
1.
Origens e Início da Carreira Militar
José
Henriques Catroga Inês nasceu a 10 de Janeiro de 1937,
na freguesia de São Miguel do Rio Torto, no concelho de
Abrantes.
A
sua vocação militar despertou cedo, tendo sido
incorporado na Escola do Exército (EE) «DULCE ET DECORUM
EST PRO PÁTRIA MORI» a 15 de Outubro de 1955, onde
seguiu a especialidade de Cavalaria. Concluída a sua
formação académica militar, foi promovido a
Aspirante-a-ficial a 01 de Outubro de 1958, iniciando o
seu percurso prático na Escola Prática de Cavalaria (EPC
– Santarém) «AO GALOPE!... À CARGA» - «MENS AGITAT
MOLEN».
2.
A Passagem para os Pára-quedistas e o Teatro da Índia
No
ano de 1959, tomou uma decisão que mudaria o rumo da sua
carreira: ofereceu-se como voluntário para as Tropas
Pára-quedistas.
Frequentou o Curso de Pára-quedismo n.º 8, entre 12 de
Outubro e 06 de Novembro de 1959, data em que recebeu o
Brevet n.º 488. Pouco antes de terminar o curso, a 01 de
Novembro de 1959, foi promovido a Alferes.
A
sua dupla valência (Cavalaria e Pára-quedismo) levou a
que, a 11 de Maio de 1960, fosse requisitado pelo
Exército Português para uma missão de elevada soberania:
comandar o Esquadrão de Cavalaria n.º 3, pertencente ao
Grupo Divisionário de Carros de Combate (G.D.C.C.), que
marchou em direcção ao Estado Português da Índia.
O
Cativeiro em Goa
Promovido
a Tenente a 01 de Dezembro de 1961, encontrava-se na
Índia aquando da invasão das forças da União Indiana.
Após a rendição das forças portuguesas, foi feito
Prisioneiro de Guerra,
permanecendo
internado no Campo de Prisioneiros de Alparqueiros
(Vasco da Gama, Goa).
A
libertação ocorreu a 09 de Maio de 1962. Embarcou no
navio Vera Cruz, que recolheu os prisioneiros
portugueses transportados via Paquistão, regressando
finalmente a Lisboa no dia 22 de Maio de 1962.
Décadas mais tarde, este período de sacrifício seria
reconhecido com a atribuição da Medalha de
Reconhecimento (Decreto-Lei n.º 316/2002).
3.
A Guerra do Ultramar: Moçambique e Angola
Após o regresso da Índia, o oficial reintegrou as forças
pára-quedistas na sua plenitude, sendo mobilizado para
os teatros de operações em África.
Moçambique (1.ª Comissão: 1963–1965)
Chegou
a Moçambique a 04 de Maio de 1963, integrado no Batalhão
de Caçadores Paraquedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE
A PÁTRIA DE TAL GENTE».
Promovido a Capitão a 01 de Dezembro de 1963.
Assumiu
o comando da 1.ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas
(1.ª CCP) «VINCERE ESTE VELLE» entre Janeiro de 1964 e
Outubro de 1965.

Acumulou funções como Chefe de Operações e Informações
entre Novembro de 1964 e Junho de 1965.
Pelo desempenho desta unidade, considerado abrangido
pelo direito ao uso da insígnia da
Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª
classe Coletiva, concedida ao Batalhão de Caçadores
Pára-quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE
TAL GENTE».
Angola (1967–1969)
A
08 de Setembro de 1967, o Capitão Catroga Inês
desembarcou em Angola para
servir
no Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (BCP21) «GENTE
OUSADA MAIS QUE
QUANTAS».
Comandou a 1.ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas (1ª
CCP) «IRMÃOS DE MARTE» deste batalhão de Setembro de
1967 a Setembro de 1968. A sua conduta altamente
meritória valeu-lhe a prestigiada Medalha de Prata de
Serviços Distintos com Palma, outorgada por portaria de
09 de Janeiro de 1969:
Capitão
Pára-quedista
JOSÉ HENRIQUES CATROGA INÊS
1ªCCP/BCP21 - RCP
Angola
Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma
Por
Portaria de 9 de Janeiro de 1969
Louvado, por proposta do comandante da 2ª Região Aérea,
o capitão Pára-quedista José Henriques Catroga Inês, do
Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 21, porque,
durante o período em que comandou uma companhia de
caçadores e em todas as missões que lhe couberam,
demonstrou completo espírito de missão, incutindo nos
subordinados, com o seu exemplo de abnegação, devoção e
sacrifício, um espírito de disciplina e voluntariedade
que foi a base da eficaz capacidade combativa da sua
companhia.
Inteligente, dedicado e profundamente conhecedor dos
meios e medidas a aplicar no combate, desenvolveu, em
circunstâncias adversas e em precárias condições de
saúde, grande actividade, demonstrando ser um verdadeiro
condutor de homens.
Oficial de grandeza moral e formação militar destacadas,
honestíssimo no seu trabalho, criterioso no planeamento
e execução de todas as missões operacionais que levou a
cabo, revelou-se elemento altamente qualificado e
mentalizado para a luta em que estamos empenhados,
merecendo toda a confiança, mesmo na resolução dos mais
difíceis problemas.
Exigente consigo próprio, inflexivelmente devotado à
carreira militar e dotado de irrepreensíveis qualidades
humanas, tornou-se credor da estima, consideração e
respeito dos seus superiores, camaradas e inferiores.
O
capitão Catroga Inês desenvolveu em todos os sectores,
nomeadamente no educativo, disciplinar, instrução e
operacional, uma acção digna de todo o realce, pelo que
os seus serviços merecem ser considerados relevantes,
distintos e extraordinários.
Moçambique (2.ª Comissão: 1972–1974)
Após
ser promovido a Major a 14 de Março de 1970, regressou a
Moçambique e ao Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
(BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE», onde
serviu como 2.º
Comandante
do Batalhão de 27 de Outubro de 1972 até 28 de Setembro
de 1974, vivendo em pleno teatro de operações o processo
que culminaria no fim do conflito e na transição
política de 1974.
Durante este período (em 1973), considerado abrangido
pelo direito ao uso da
insígnia da
Medalha de Ouro de Valor Militar
com Palma
Coletiva,
concedida à sua antiga unidade em Angola (BCP 21),
o
que reflete o esforço de guerra em que o oficial
também tinha participado
ativamente.
4.
Progressão na Democracia e Passagem à Reserva
Com o fim da guerra e a reestruturação das Forças
Armadas na vigência da Terceira República, continuou a
sua progressão na carreira militar:
Promovido a Tenente-Coronel a 10 de Maio de 1976.
Promovido ao posto de Coronel a 01 de Fevereiro de 1981.
Após mais de três décadas de serviço efectivo, marcadas
por saltos de pára-quedas, comandos de combate e a dura
experiência do cativeiro na Índia, o Coronel Catroga
Inês passou oficialmente à situação de reserva a 08 de
Outubro de 1987.

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