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Em duas frentes - Moçambique
- Imagens cedidas por
Constantino Neves
(seu irmão)
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Sérgio Faustino
das Neves
(Guiné) |
Sérgio Faustino das Neves, ex-2.º Sargento Mil.º
(falecido em
25 de Junho de 1997)
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Moçambique
Várias Unidades
Militares
1968 a 1970 |

Sérgio Faustino
das Neves
(Moçambique) |
Constantino Neves
ex-1º. Cabo Escriturário
CCS / B. Caç. 2893
Nova Lamego (Gabu) – Guiné - 1969/71
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Mensagem de 03 de Março
de 2007, às 14H01
Mensagem de
27 de Fevereiro de 2007, às 18H18
Mensagem de
27 de Fevereiro de 2007, às 16H08
Imagens

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Mensagem de 03 de Março de
2007, às 14H01

De:
Tino Neves [mailto:cfneves@netcabo.pt]
Enviada: sábado, 3 de Março de 2007 14:01
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Fotos de Sérgio Faustino das Neves
Já recebi 2 e-mails
um deles dum Alferes Mil. Da Companhia dele em Mueda.
Pensei enviar mais
fotos tanto da Guiné como de Moçambique, e também contar
mais uma história dele em terras de Moçambique.
Esta história que vou
contar, mostra o quanto o meu irmão era de bom, sensível
e justo.
No período em que ele
deu preparação aos mancebos de Lourenço Marques.
Teve conhecimento que
no Pelotão que ele comandava, havia um “menino” branco
que tinha o “preto” criado “serviçal” lá de casa,
pertencente ao mesmo Pelotão, que lhe fazia a cama,
engraxava as botas, etc..
Em face disso, quis
mostrar ao soldado recruta branco, que ali eram todos
iguais sem exceção.
Castigou-o com o
corte de despensa de fim de semana, e ordenou que
durante TODA ESSA SEMANA teria que fazer ao Soldado
recruta, seu serviçal lá em casa, tudo o que ele lhe
fazia a ele até a essa altura, ou seja fazer-lhe a cama
e engraxar-lhe as botas e tudo o mais.
O dito soldado
recruta branco, cumpriu tudo bem, mas acabada a semana,
foi a casa e fez queixinhas ao PAPÁ, o Sr. Papá que era
uma pessoa muito importante, desculpe deveria escrever
com letra maiúscula “IMPORTANTE” lá da cidade, foi logo
de seguida fazer queixinhas ao Comandante do quartel.
O Sr. Comandante,
desculpe mais uma vez, deveria escrever com letra
maiúscula “COMANDANTE”, como o Sr. IMPORTANTE era um Sr.
IMPORTANTE, o Sr. COMANDANTE não deu razão ao meu irmão,
porque ele era “insignificante”.
Após ter recebido um
forte e IMPORTANTE raspanete, o meu irmão perdeu as
estribeiras e foi para a porta de Armas, de arma em
riste, para quando por ali passasse o Sr. IMPORTANTE.
Neste e-mail vou
apenas enviar fotos de Moçambique, mas desde já lhe fico
agradecido.
Um Abraço
Constantino Neves
Almada
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Mensagem de
27 de Fevereiro de 2007, às 18H18
De:
Tino Neves [mailto:cfneves@netcabo.pt]
Enviada: terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007
18:18
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Fotos do meu irmão (Guiné e Moçambique)
Aqui lhe envio algumas fotos do meu irmão, tanto da
Guiné como de Moçambique
Assim espero que apareça alguém que o conheça, tenha
estado com ele, pois gostava de conhecer camaradas do
meu irmão, de quem gostava muito, pois o meu irmão era
daqueles amigos de quem dá a camisa e tudo o mais pelo
seu amigo.
Eu como militar que fui, com comissão na Guiné – Nova
Lamego (Gabú) 1969/71
Era 1º. Cabo Escriturário
E
convivi também com muitos camaradas e sei dar valor aos
Amigos, tanto assim é que quando comecei a ter mais
tempo disponível iniciei o contacto e organização dos
Convívios do meu Batalhão, (Batalhão de Caçadores 2893)
eu pertencia à CCS, escriturário do Comandante de
Companhia.
Sem mais, agradeço-lhe a colaboração e
espero que alguém me contacte
(sublinhado nosso)
Um Abraço
Constantino Neves
Também sou conhecido por: Tino Neves
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Mensagem de
27 de Fevereiro de 2007, às 16H08
-----Mensagem
original-----
De: cfneves@netcabo.pt [mailto:cfneves@netcabo.pt]
Enviada: terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007 16:08
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Sérgio Faustino das Neves -
Fotos do meu irmão (Guiné e Moçambique)
Em MOÇAMBIQUE foi 2º.
Sargento Miliciano
Ele fez mais uma
comissão de serviço em Moçambique, de 1968/1970
Por onde passou:
1 ) - Lourenço
Marques
2 ) – Mueda (C. ART.
2369)
3 ) – Vila Cabral
4 ) – Nampula
5 ) – Meponda - Lago
de Niassa
Talvez não nesta
ordem a seguir a Mueda.
Vou contar um pouco
do Historial do meu irmão em Moçambique, porque da
Guiné, pouco me contou, só quando eu estava na Guiné ele
em Moçambique, e disse-me para ir a Bafatá a um Café,
que ele frequentava muito quando lá ia, porque o dono
também se chamava <<NEVES>>. Fui lá mas o proprietário
desse café já não era o mesmo, e não me souberam dizer
para onde o senhor Neves tinha ido.
O meu irmão era da
Construção Naval (Arsenal do Alfeite), e depois da
Comissão da Guiné emigrou para França (Grenoble) para um
Estaleiro Naval como soldador.
Enquanto lá esteve,
para além do frio e neve que apanhou, estava muito só e
sem dinheiro, mas como se escrevia com camaradas da
recruta e lhe diziam muito bem de Moçambique, que tinham
acabado a Comissão, e ficado como colonos (o Estado
davam-lhes terras para se fixarem lá) e que estavam
muito bem. Ora ele começou a pensar nessa hipótese de
também para lá ir, assim o pensou assim o fez.
Escreveu para o Ministério da Guerra, a pedir para
voltar para o Exército.
Foi chamado e
colocado nos Serviços Mecanográficos do Exército, e logo
pediu para ir para Moçambique. Foi passados 8 meses,
para Lourenço Marques.
Em Lourenço Marques,
passou por vários Serviços incluindo dar Instrução
Militar aos Recrutas.
E por último em
Lourenço Marques, foi para o Serviço de Intendência,
Secção de Cargas, ou seja tratar das Comissões
Liquidatárias das Companhias de Fim de Comissão. Era
bom julgava eu, porque ele dizia-me que só se lembrava
que era militar, quando fazia de Sargento de Dia, porque
na Secção dele, era o único militar, e ele era o Chefe,
da esposa do Major Tal, a filha do Capitão tal, etc.
etc.
Mas ele como operário
do ferro, para ele era um suplicio a papelada e os
problemas, problemas esses, que vou contar o que o fez
sair dali.
Um Major de uma
Companhia Independente, já tinha mandado regressar todos
para a Metrópole ficando ele sozinho a tratar de tudo
sobre a Comissão Liquidatária, mas estava tudo muito
atrasado, e o dito Major foi lá “mandar vir” reclamar
ao meu irmão, que já tinha a viagem marcada para o
regresso, e que o meu irmão estava a demorar muito a dar
o despacho de tudo, e por essa razão pediu para que o
Comandante dos Serviços o atende-se, ao qual lhe fez a
vontade.
Sendo o meu irmão
chamado ao gabinete do Comandante, lhe mostrou todo o
processo dessa Companhia. Conclusão o dito Sr. Major
tinha quase toda a carga da Companhia, encaixotada com a
direcção de sua casa, sendo alguns dos objectos 1 arca
frigorifica, 1 barco pneumático e mais algumas coisas,
todas sem valor nenhum não acham.
E o meu irmão em face
disto pediu ao seu Sr. Comandante, que queria ir para o
mato, que aquilo não era para ele (ser cúmplice de todas
aquelas roubalheiras).
O Sr. Comandante (não
sei o seu nome), só sei que era muito amigo do meu
irmão, “segundo dizia o meu irmão”, ante este pedido e
tentando demovê-lo dessa intenção disse-lhe, SÓ PARA
MUEDA, e ele respondeu-lhe, É PARA AÍ QUE EU QUERO
IR, e fez-lhe a vontade.
MUEDA era como
GUILEGE era para a Guiné, todos aqueles que fossem
castigados, um dos castigos era serem transferidos para
MUEDA . E o meu irmão ofereceu-se para ir para lá, daí
ficar com a alcunha de o “Mercenário”.
Não sei se pela
alcunha que tinha e ficar muito conhecido, quando foi
para Vila Cabral ou Meponda, zona do Lago Niassa,
conheceu e ficou muito amigo dum Senhor muito mais
conhecido e em toda a Moçambique, era ele nem mais nem
menos o Sr. Comandante (apesar de ser um civil, em
Moçambique) DANIEL ROXO, eram tão amigos, que quando o
Sr. Roxo ia para o mato, convidava o meu irmão para ir
também, (assim sem mais nem menos, como se fosse para
beber um copo) e o meu irmão não recusava, ia também,
até que um dia numa coluna militar, arrebentou uma mina
AUTO num Unimog, e foi projectado a 30 metros da
viatura, em Mocimboa da Praia, sendo depois transportado
por helicóptero para Nampula, onde o Cmdt. ROXO ia todos
os dias visitá-lo, porque, para além de ser muito amigo
dele, também queria que ele (meu irmão) ficasse com o
pelotão dele, pois já estava a ficar velho (dizia ele).
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