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Angola - Imagens cedidas por
Fernando
Nunes Marques
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Fernando Nunes Marques
ex- 1.º Cabo,
n.º 159
Companhia de Sapadores 151
Bem digna de ser lembrada
Angola
Junho 1961 a Agosto 1963
Contacto:
fnunesmarq@voo.be
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Imagem cedida
por
Carlos Coutinho |
A informação que se segue foi cedida pelo veterano
LC123278
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A CSap151, mobilizada pelo RE1-Pontinha e comandada pelo
capitão de engenharia Aquilino Gil Miranda, foi
integrada no 4º contingente do Exército destinado a
reforço da guarnição normal da RMA e em 15Jun61, no cais
fluvial de Alcântara (Rocha Conde de Óbidos), embarcou
no NTT "Moçambique" rumo a Luanda, onde nove dias depois
desembarcou e desfilou pela Avenida Paulo Dias de
Novais.
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Sendo a segunda subunidade de Sapadores de Engenharia a
marchar para aquele teatro-de-operações, ali chegada foi
aumentada ao efectivo do respectivo BEng comandado pelo
coronel Armando Girão.
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Até meados de Ago61 foi mantida na capital de Angola,
seguindo ainda naquele mês para a vila do Negaje onde
ficou adstrita ao BCE262, que tinha à sua
responsabilidade o SO2-ZIN (Sector Operacional 2 da Zona
de Intervenção Norte).
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Em Ago62 foi transferida, pelo BEng234/RMA, como unidade
de apoio para o novo Sector F-ZIN (norte distrital do
Zaire), ficando acantonada perto da fronteira com o
Congo-Leo na Fazenda Mamarrosa, juntamente com um
pelotão do ECav253 (ali chegado em 06Jun62) e cerca de
60 civis bailundos contratados, tudo na dependência do
GCav345 comandado pelo tenente-coronel de cavalaria
António de Spínola, desde 11Jun62 estacionado em São
Salvador (rendido em 23Abr63 pelo BCac379).
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A área de maior intensidade operacional, com sede no
Luvo (acantonamento do ECav253),
compreendia: o itinerário Luvo - Lucossa - rio Lungueje
- São Salvador; e a região do Dombo, povo Quienga (pista
de aterragem), infiltrante da UPA no Langano, picadas
Mamarrosa > rio Lungueje, Luvo > ponte do rio M'Pozo
*, Luvo >
Sumpi, Mamarrosa > Cai, região de lavras do povo Uene >
Lombo, Lucossa > Bango, picada de Lien, região da Magina
[08Fev63], Luvo-Lucossa-Sumpi, Monte Tutulo, estrada
Luvo-Sumpi, picadas paralelas à fronteira, Luvo >
Mamarrosa > Magina > pista de aterragem, Langano > rio
Luvo, região fronteiriça até Langano, região de Cama e
região de Luginio.
*
[para reforço ao citado GCav345, em 17Set62-03Mai63
acantonou junto à Ponte do M?Pozo, o ECav148 comandado
pelo capitão de cavalaria João de Almeida Bruno]
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Em 15Ago63 a CSap151 concluiu a sua missão, regressando
a Lisboa, a bordo do NTT "Infante D. Henrique".
Contacto:
fnunesmarq@voo.be
Procura pelos seus camaradas que estão visíveis nas
imagens que se seguem
2 anos no norte de Angola
2 anos de trabalho sem Sábados nem
Domingos
2 anos sem ver um prato nem mesa apenas a
marmita
2 anos sem cama apenas uma manta
Duas grandes crises de paludismo (em
minha pessoa)
E já lá vão 46 anos de pesadelos e outras
perturbações

Negage 1961
Refeitório ao ar livre
durante 2 anos
De pé à direita o nosso
cozinheiro que por vezes fazia milagres

Negage 1961
Lavagem da marmita com um
mínimo de agua
De pé o nosso amigo
Henrique o 161 um verdadeiro transmontano
esperando para lavar a
sua marmita e a de um companheiro adoentado
Foi sempre assim um por
todos e todos por um

O nosso quartel ambulante
Entre Mamarosa e Magina
1962

Construção de uma ponte
bem perto de Magina
O arvoredo não deixa ver
o rio
1962

Um operador e o seu
guarda costas
Construção de uma estrada
entre Magina e a fronteira do Congo
1963

Muito trabalho muitas
vezes em precárias condições físicas

Enquanto se descascavam
as batatas, entoava-se uma bela cantiga Beirã
ou uma linda alentejana
entre outras

Quase todos perderam uns
bons quilos e era tempo de regressar a suas casas para
recuperar
o que não aconteceu com
alguns, não morreram na guerra, mas morreram por causa
da guerra

Se alguém porventura
conhece estes alentejanos o (estafeta) e Manuel de Jesus
Pereira
e outros que se vêem nas
fotos, seria gentil se me informassem
fnunesmarq@voo.be
Eu era o 1.°Cabo, n.º
159, Fernando Nunes Marques mais conhecido por (Sargento
Félix )

Regresso Agosto 1963
Depois de tanto tempo faz
prazer sentar-se de novo a uma mesa farta
E que bom sentir-se em
liberdade
Mas quem diria que a
guerra ia deixar para toda a vida feridas e sentimentos
tão profundos
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