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Sérgio Faustino das Neves
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Uma história passada com o seu irmão,
Sérgio Faustino das Neves, ex-2.º Sargento
Mil.º, em Mueda, Vila Cabral, Meponda e, neste caso,
em Nampula, onde se passou a história, em 1970:
De:
Tino Neves [mailto:cfneves@netcabo.pt]
Enviada: sexta-feira, 15 de Junho de 2007
14:45
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Filme: A Piscina
Vou contar mais uma história passada
com o meu irmão, Sérgio Faustino das Neves,
2º. Sargento em Mueda, Vila Cabral, Meponda
e neste caso em Nampula, que foi onde se
passou esta história, em 1970.
Vou tratar por o Neves, em
referência ao meu irmão
Numa coluna de reabastecimentos nos
caminhos de Mocimboa da Praia a
viatura em que o Neves ia, no lugar ao lado do
condutor, como sabe nos Unimogs as rodas
ficam precisamente por baixo dos acentos, e por esse
facto e a roda do lado dele ter passado por uma
mina, ele foi projectado a mais de 30 metros
da viatura, só vindo a acordar já em pleno voo de
helicóptero para o hospital de Nampula.
Passados uns tempos aí no hospital,
um determinado dia, aliás noite, ia ser exibido no
cinema da cidade, um filme Drama/Thriller de
1969, que toda a gente queria ver (homens
claro), A Piscila com Alain Delon (Jean_Paul)
e Romy Schneider (Marianne) em
que ela aparecia toda nua numa piscina.
O Neves queria também ir ver, mas não
podia, não porque estivesse incapacitado fisicamente
para o fazer, mas sim porque havia no hospital um
Tenente Médico, que embirrou com ele (não gostava),
o impediu de sair para esse fim.
Mas o Tenente não conhecia bem o
Neves (ou conhecia), que ele iria fazer tudo para
ver aquele filme, então ele e um camarada Furriel
Pára-quedista, que estaria nas mesmas condições
(julgo eu), resolveram sair e se deliciarem com o
filme.
No intervalo do filme, viram o
Tenente Médico na plateia, e tentaram não serem
vistos, mas mais tarde ainda no decorrer do filme,
repararam estarem a entrar no salão vários elementos
da PM ou PU (Policia da Unidade) e
mostrarem estarem à procura de alguma coisa (ou
alguém), desconfiaram logo que seriam eles, e por
isso resolveram tentar sair ainda antes de acabar o
filme.
Conseguiram sair, mas no caminho do
hospital encontraram-se com um Cabo Enfermeiro, que
os alertou. Meu Sargento o hospital está de
prevenção, está todo o mundo à vossa procura, não
deixam entrar ninguém.
Visto a situação estar complicada, o
Neves pediu ao Cabo Enfermeiro, se lhe emprestava as
suas divisas e a sua boina de Enfermeiro, que as
cedeu prontamente.
Quando o meu irmão se prontificava a
entrar na porta de armas do hospital, o Soldado
(Nativo), que estava de guarda, manda-o parar.
O guarda -- Não pode entrar ninguém
O Neves -- Isso é que era bom,
eu tenho que entrar agora de serviço, e não me
deixas entrar?
O guarda vendo a reacção dele,
irritado, não com ele, mas sim por ter que ir
trabalhar, resolve deixa-lo entrar.
Já lá dentro da área interna do
hospital, encontra-se com o Furriel Pára-quedista,
todo roto ao passar pelo arame farpado, e diz-lhe e
agora falta entrar no edifício, mas já sei por onde,
vamos lá saber se ele consegue?
Era então um militar ferido, que
estava todo ligado e que se movia com uma certa
dificuldade, mas que estava num quarto individual,
com porta para fora (daquelas que se abrem pela
metade, de cima ou de baixo), ele conseguiu abrir a
parte de baixo, e eles entraram.
Quando o Tenente Médico chega ao
hospital foi logo à procura deles, encontrando-os
nos seus quartos. O Tenente ameaça-os de que iriam
ser castigados (punidos) por terem saído e ido ao
cinema, o que eles negaram categoricamente de que
era mentira, mas o Tenente insistia, que sim porque
os tinha visto lá.
No outro dia o Neves e o Furriel
Pára, foram chamados ao Comandante Chefe do
Hospital, para esclarecer tudo.
Este dizendo que perdoava o
acontecido, só queria saber como conseguiram entrar,
pois tinha dado ordens expressas para que montassem
guarda e que não deixassem entrar ninguém sem seu
conhecimento.
Então o Neves e o Furriel Pára,
confessaram que tinham saído ao cinema, mas que não
poderiam contar como entraram porque implicaria
denunciar 3ºs. (o Cabo e o Soldado de guarda).
Se o Comandante Chefe do Hospital de
Nampula em 1970, e também o Tenente Médico, do qual
não sei o nome, lerem esta história, ficaram a saber
finalmente como eles entraram no hospital.
NOTA: Se por acaso isso venha a
acontecer, eu Constantino Neves, irmão do Sérgio
Neves, teria muito gosto de os conhecer, sem
qualquer problema, pelo contrario imenso prazer,
porque isto faz parte da História de todos nós.
Eu também sou um Ex-Combatente na
Guiné de 1969/71.
Um abraço
Constantino Neves
Almada
E-mail:
cfneves@netcabo.pt
Constantino.neves@gmail.com