«Para quem
não sabe ou já não se lembre (o que é difícil), o Rabaçal, foi um
camarada muito especial que tivemos em Palma, numa altura em que a
guerra para nós se resumia a fazer colunas logísticas de abastecimento a
Pundanhar e Nangade, bem lá no Norte de Moçambique, naqueles anos de 71,
72 e 73.
Naquela época o que nos esperava naqueles 100 quilómetros de picada,
eram minas, sempre e emboscadas de vez em quando. Por vezes também
acontecia sermos apanhados em ataques a Pundanhar, que ficava a meio de
caminho, ou em Nangade.
O Rabaçal foi naquela época o nosso herói. Sim o nosso herói. Foi ao ar
sete vezes em consequência do arrebentamento de minas na viatura em que
seguia. Normalmente ia no "arrebenta minas".
Dizia que não suportava o pó provocado pelas viaturas. Sobreviveu às
situações mais insólitas que se possam imaginar. Enfrentava as mais
difíceis situações com uma calma e desprendimento que nos enervava a
todos.
Muito embora fosse fisicamente pequeno, O Rabaçal tinha uma resistência
física invulgar.
Fez de cada camarada, de cada soldado um amigo.
Pois este nosso amigo, que naquela época tinha saúde para dar e vender,
começou a ser traído pelo coração. Quem diria...
Contudo lá se ia aguentando com aquele apego à vida, qual gato das sete
vidas.
Descansa em paz grande amigo.
A nós resta-nos o dever de te recordar e respeitar a tua memória.
Até sempre grande amigo»
Abílio Durão