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Capitão de Cavalaria Jaime Anselmo Alvim
de Faria Affonso
"Pouco se fala
hoje em dia nestas coisas, mas é bom que
para preservação do nosso orgulho como
Portugueses, elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA
E GLÓRIA |
Elementos cedidos pelos
veteranos
´Vítor
Baião, Walter Pinguinhas e por
um
colaborador do portal UTW
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 Jaime Anselmo Alvim de
Faria Affonso
Major de Cavalaria
Como Capitão de Cavalaria comandante do
Esquadrão de Cavalaria
1
«FÉ, NOBREZA E DECISÃO»
Moçambique:
1970
Cruz de Guerra de 1.ª classe
In Memoriam
Major de
Cavalaria Jaime Anselmo Alvim Faria Affonso
Esquadrão
de Cavalaria 1 — «FÉ, NOBREZA E DECISÃO»
(29 de
Maio de 1932 – 17 de Julho de 1970)
Há datas
que ficam gravadas a sangue e ouro na memória
colectiva de uma Pátria. O dia 17 de Julho de
1970 é uma delas.
Na
imensidão de Moçambique,
no decurso da histórica Operação «Nó Górdio»,
tombava em combate o Capitão de Cavalaria Jaime
Anselmo Alvim Faria Affonso. O seu sacrifício
supremo não foi apenas o cumprimento estrito do
dever militar; foi a consumação de um legado
familiar de profundo patriotismo e de uma vida
inteira dedicada com extrema coragem ao serviço
de Portugal.
Nascido a
29 de Maio de 1932, natural do Lumiar, da
freguesia da Charneca, concelho de Lisboa, Jaime
Faria Affonso trazia no sangue a herança sagrada
dos grandes defensores da memória nacional. Era
filho de Laura da Costa Alvim Faria Affonso e do
ilustre Dr. João Jayme de
Faria Affonso — o dinâmico advogado e veterano
que, em 16 de Outubro de 1921, fundou no seu
escritório a Liga dos Combatentes da Grande
Guerra. Se o pai dedicara a vida a reerguer
e amparar aqueles que haviam dado o sangue pela
Pátria, o filho perpetuou essa mesma devoção na
mais perigosa linha da frente, entregando a sua
própria vida no Teatro de Operações de
Moçambique.
Uma Carreira de Serviço e de Campanhas
A folha de
serviço do Major Faria Affonso reflecte uma
dedicação exemplar ao longo de sucessivas
campanhas em África:
Comissão em Angola:
Como Capitão Miliciano de Infantaria, exerceu o
comando da Companhia de Caçadores 99 (CCac99),
integrada no Batalhão de Caçadores 88 (BCac88)
«SANGUE DE HERÓIS É SEMENTE DE PORTUGAL».
Comissão em Angola:
Exerceu o comando da Companhia de Caçadores 457
(CCac457), integrada no Batalhão de Caçadores
460 (BCac460) «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS» -
«EM GUERRA PELA PAZ».
30 de Agosto de 1964
(Incorporação): Incorporação na Academia Militar
(AM) «DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI»,
como Capitão Miliciano, habilitando-se como
oficial do quadro permanente da Arma de
Cavalaria.
Comissão em Angola:
Já integrado no quadro como Capitão de
Cavalaria, assumiu o comando da Companhia de
Cavalaria 1450 (CCav1450) do Batalhão de
Cavalaria 1863 (BCav1863) «PRONTOS PARA TUDO».
Comissão em Angola:
Exerceu o comando da Companhia de Cavalaria 1705
(CCav1705) do Batalhão de Cavalaria 1917
(BCav1917), unidade recordada sob a divisa dos
«DINOSSÁURIOS».
Maio de 1970 a Julho de
1970 (Moçambique): Mobilizado pelo
Regimento de Cavalaria 6 (RC6 - Porto) «DRAGÕES
DE ENTRE DOURO E MINHO» - «AVANTE PARA A GLÓRIA»
já como Capitão de Cavalaria (oficial do
quadro), para assumir em Mueda o comando do
Esquadrão de Cavalaria 1 (ECav1) «FÉ, NOBREZA E
DECISÃO».

O
Capitão Jaime Faria Affonso, em Montepuez
O Dia do Sacrifício Supremo em Muidumbe
No dia 17
de Julho de 1970, durante a decisiva Operação
«Nó Górdio», uma viatura blindada de
reconhecimento AML - Panhard, pertencente ao 4.º
Pelotão do Esquadrão de Cavalaria 1, regressava
a Miteda após ter escoltado com sucesso uma
coluna militar. No percurso, a viatura accionou
uma mina-anticarro inimiga,
provocando a morte imediata de 4 militares
e ferindo gravemente vários outros.
Perante o
pedido urgente de apoio ao comando do Esquadrão,
o Capitão Faria Affonso deslocou-se de imediato
ao local para tomar controlo da situação,
coordenar com total sangue-frio a evacuação dos
feridos e garantir a digna retirada dos corpos
dos caídos.
Reorganizada a coluna para prosseguir a marcha
para Miteda, e determinado a reerguer o moral
dos seus homens perante a tragédia que acabavam
de testemunhar, o Capitão tomou uma decisão de
extraordinária abnegação. Assumiu pessoalmente o
lugar de maior perigo, tomando a condução da
viatura blindada AML - Panhard de vanguarda. Ao
abrir caminho à testa da coluna, a sua viatura
accionou uma nova mina-anticarro. A violenta
explosão destruiu por completo o veículo,
provocando a morte imediata do capitão e dos
outros dois tripulantes que o acompanhavam.
Reconhecimento e Justiça Histórica
Pela
extrema bravura e amor aos seus homens, o
Capitão Faria Affonso foi condecorado, a título
póstumo, com a prestigiada Medalha da Cruz de
Guerra de 1.ª Classe, por Portaria de 4 de
Agosto de 1971. O louvor oficial destacou:
«(...)
Ao aperceber-se dos
efeitos da explosão no moral dos seus homens,
com um exemplo de audácia, perante o risco
elevado que calculou dever corresponder à missão
e à reputação de "impecável" que dava à sua
Unidade, decidiu continuar, tomando, ousada e
deliberadamente, lugar na viatura que,
prosseguindo à frente do Esquadrão, veio a
provocar novo accionamento de mina anticarro, a
qual destruiu o veículo e os seus ocupantes.
Confirmou, assim, o brio e excepcionais
qualidades de bravura, sentido do dever,
abnegação e sangue-frio (...)»
Décadas
depois, ao abrigo da Lei n.º 15/2000, o Estado
Português promoveu-o, a título póstumo, ao posto
de Major (com antiguidade reportada a 23 de
Abril de 1969), corrigindo e reconstituindo com
justiça a sua brilhante carreira militar:
-
Alferes — antiguidade a 01 de Novembro de
1954;
-
Tenente — antiguidade a 01 de Dezembro de
1956;
-
Capitão — antiguidade a 15 de Junho de 1961;
-
Major
— antiguidade a 23 de Abril de 1969.
Com esta
rectificação, o Major Jaime Anselmo Alvim Faria
Affonso ficou definitivamente posicionado no
Quadro Especial de Cavalaria entre os Majores
João Martins Ribeiro Mateus e António Augusto
Chiado Caçote, garantindo-se também todos os
correspondentes direitos à sua viúva, Maria
Regina Vieira Simões de Faria Affonso.
O seu
exemplo de abnegação extrema e protecção aos
seus homens é uma bússola de honra que
continuará a guiar o Exército Português e a Arma
de Cavalaria.
Paz à sua
Alma.
Honra e
Glória eternas ao Major Jaime Anselmo Alvim de
Faria Affonso.
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Outros elementos
constantes no portal UTW, referentes ao
Capitão de Cavalaria Jaime
Anselmo Alvim de Faria Affonso:
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Sítios
dos veteranos:
Vítor
Baião -
Walter Pinguinhas
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Anotações:
O comandante do
ECav1/RMM,
Capitão Jaime Faria Affonso,
era filho do fundador da Liga dos Combatentes,
julgamos apropriado relembrar:
1921 – Outubro.16 (domingo)
Em Lisboa, o
advogado João Jayme Faria Affonso
promove no seu escritório a assembleia fundacional
da Liga dos Combatentes da Grande Guerra,
cujo núcleo inicial é composto por aquele e outros
veteranos, nomeadamente os tenentes-coronéis de
cavalaria Ferreira do Amaral (comandante da Polícia)
e Francisco Xavier da Cunha Aragão, primeiro-tenente
Horácio Faria Pereira e tenente Joaquim de
Figueiredo Ministro.
Esta comissão de
veteranos justifica os seus objectivos, «em razão
das injustiças feitas aos que na Grande Guerra
combateram, especialmente aos mutilados e
estropiados, e ainda devido ao desprezo a que foram
votados pelos poderes constituídos, os quais não só
não tomaram na devida conta mas até propositadamente
esqueciam as justas reclamações de muitos que, após
haver cumprido o seu dever, cumprido comunhamente
com o juramento que antes haviam feito de darem o
seu sangue pela Pátria, se viam abandonados e na
miséria, com grave prejuízo para o patriotismo,
disciplina e moral do povo português».
(extracto da
«1a Acta da Direcção Central da Liga dos
Combatentes da Grande Guerra», Lisboa 16Out21;
cit. in revista “A Guerra” nº1, LCGG, Lx 1926)
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