Faleceu, no dia 5 de Abril de
2020, o veterano

João Ovídio Rodrigues
Capitão 'Comando'
Guiné:
3.ª Companhia de Comandos
Angola: Comandante da
24.ª Companhia de Comandos
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»
Cruzes de Guerra de 1.ª e 2.ª
classes
A
sua Alma repousa em Paz
Cruz de Guerra de 1.ª classe
Tenente
de Infantaria, Comando
JOÃO OVÍDIO RODRIGUES
3.ªCCmds - RAL1
GUINÉ
1.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada
na OE n.º 2 - 2.ª série, de 1970.
Por Portaria de 02 de Dezembro de
1969:
Condecorado com a Cruz de Guerra de
1.ª classe, ao abrigo dos artigos
9.º e 10.º do Regulamento da Medalha
Militar, de 28 de Maio de 1946, por
serviços prestados em acções de
combate na Província da Guiné
Portuguesa, o Tenente de Infantaria,
João Ovídio Rodrigues, da 3.ª
Companhia de Comandos - Regimento de
Artilharia Ligeira n.º 1.
Transcrição do louvor que originou a
condecoração.
(Por Portaria da mesma data,
publicada naquela OE):
Louvado o Tenente de Infantaria,
Comando, João Ovídio Rodrigues, por,
durante vinte e dois meses de
contínua e intensa actividade
operacional, ter demonstrado sempre
nobres virtudes e qualidades que
caracterizam a grandeza do
verdadeiro militar.
Oficial de excepção, pelas suas
qualidades de arrojo, rara decisão,
sentido de oportunidade em combate e
abnegação, vive com firmeza,
consciência profissional, lealdade e
dedicação, totalmente devotado à
profissão das armas.
Chamado por três vezes ao comando
interino da Companhia de Comandos,
sempre desempenhou essas funções com
valor, equidade, bom senso,
esclarecida competência
profissional, forte consciência do
dever e da disciplina, sem se
desviar das linhas gerais de conduta
anteriormente estabelecidas,
demonstrando inequivocamente a sua
capacidade de chefia no posto
imediato.
Dotado de uma invulgar personalidade
militar e moral, conseguiu,
facilmente, o contacto directo e
construtivo com os seus
subordinados, a quem transmitiu, com
generosidade e competência, todas as
suas qualidades e virtudes que
exemplificou em actos de valentia
frente ao inimigo. O seu entusiasmo
e voluntariado consciente - que
abrangeu a quase totalidade das
operações da sua Companhia -
dinamismo e apurada técnica de
combate, fizeram do seu Grupo de
Comandos, mercê de um trabalho
profundo, paciente, inteligente e
diário de instrução e mentalização,
um todo homogéneo, exuberantemente
agressivo e aguerrido, de elevado
moral e com um espírito de corpo
raro e diferenciado na camaradagem,
interajuda, solidariedade e execução
em combate.
O seu sangue-frio e excepcional
coragem física e moral, a sua
imediata capacidade de percepção e
controlo da situação, ficaram bem
comprovados na operação "Garraio",
pois, como é característico da sua
agressividade e determinação,
procurou com tenacidade e
persistência o inimigo, e quando
este se denunciou - denúncia imposta
pela técnica, flexibilidade,
rapidez, precisão e extraordinário
aproveitamento do terreno do seu
grupo de comandos -, abriu intenso
fogo de armas automáticas. Apesar da
flagrante superioridade numérica e
nítida vantagem no terreno, do
inimigo, dado que estava emboscado,
o Tenente Rodrigues, com total
desprezo pelo perigo e com eminente
risco de vida, correu a peito
descoberto sobre os elementos
inimigos e, fazendo uso de granadas
de mão, obrigou-os a debandar,
havendo captura de armamento
automático e mortos confirmados.
Ainda nas operações "Zorba", "Boa
Bisca" e "Johnnie Walker", o Tenente
Comando, Rodrigues, patenteou, mais
uma vez, decisão, coragem e serena
energia debaixo de fogo, pois foi
sempre dos primeiros a lançar-se,
com evidente risco da própria vida,
debaixo de fogo concentrado do
adversário, sobre um inimigo
instalado.
É, pelas suas qualidades e virtudes
militares, exuberantemente postas em
relevo em todas as missões de
combate que sempre, e integralmente,
cumpriu, que o Tenente Comando,
Rodrigues deve ser apontado entre os
que abnegadamente acrescentaram
glória e prestígio à Pátria e ao
Exército.
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3.ª Companhia de Comandos
Identificação:
3.ªCCmds
Unidade Mobilizadora:
Regimento de Artilharia Ligeira 1
(RAL1 - Lisboa)
Comandante:
Capitão Mil.º Infantaria 'Comando'
Álvaro Manuel Alves Cardoso
Partida:
Embarque em 24 de Junho de 1966;
desembarque em 30 de Junho de 1966
Regresso:
Embarque em 29 de Abril de 1968
Síntese
da Actividade Operacional
Após o desembarque, instalou-se em
Brá (Bissau), onde inicialmente se
dedicou à construção dos alojamentos
próprios e, simultaneamente, a
realizar uma instrução de
aperfeiçoamento e adaptação nas
regiões de Prábis e Nhacra.
Em princípios de Agosto 1966,
iniciou a fase de treino
operacional, que incluiu a
realização de operações nas regiões
de Nova Sintra-Tite-Jabadá e Jugudul-Ponta
Bará e que culminou com a entrega
das insígnias de "comando" em 2 de
Novembro de 1966.
Em virtude dos efectivos da
subunidade se terem sucessivamente
reduzido devido ao desgaste sofrido,
foi formado novo pessoal de
recompletamento, com entrega das
insígnias em 28 de Março de 1967.
Com a sua sede em Bissau, como
subunidade de intervenção e reserva
do Comando-Chefe, actuou em diversas
áreas com efectivos de 1 a 4
pelotões, algumas vezes por
helitransporte e em coordenação com
a Força Aérea, ou em situação de
reforço a diversos batalhões.
Efectuou diversas operações nas
regiões de Susana, Flaque Cibe (Jabadá),
Bissilão (Tite), Insumeté (Bula),
Choquemone (Bula) Catió-Cufar,
Tiligi (Bula). Cabedú, Jol (Teixeira
Pinto), Oio (Mansabá), S. Domingos,
Locher (Mansoa), Poidom (Xime),
Canjambari, Bambadinca, Binar-Bula,
Salancaur (Guileje) e outras.
Pelos resultados obtidos e efectivos
envolvidos, destacam-se as operações
"Vodka", "Nortada", "Xerez", "Bom
Sucesso", "Yungfrau" e
"Rolls-Royce", entre outras, tendo
capturado 4 metralhadoras pesadas, 2
metralhadoras ligeiras, 15
pistolas-metralhadora, 57
espingardas, 2 lança-granadas
foguete e cerca de 9.000 munições de
armas ligeiras.
A partir de 8 de Abril de 1968,
cessou a sua actividade operacional,
a fim de aguardar o embarque de
regresso.
