José Cardoso Manuel, 1.º Cabo
de Infantaria 'Comando', do GrCmds 'Apaches', do BCac442
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

José Cardoso Manuel
1.º Cabo de Infantaria
'Comando', n.º 2150/62
Companhia
de Caçadores 407
Grupo de
Comandos 'Apaches'
Batalhão
de Caçadores 442
«FURÕES DA SELVA»
Angola:
21 de Março de 1963 a 7 de
Junho de 1965
Medalha de Cobre de
Valor Militar com palma
José Cardoso Manuel,
1.º Cabo de Infantaria ‘Comando’, n.º 2150/62.
Mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 5 (BC5 –
Campolide) «MAIS ALTO E MAIS ALÉM» para servir
Portugal
na Província Ultramarina de Angola, integrado na
Companhia de Caçadores 407 do Batalhão de Caçadores 442
«FURÕES DA SELVA»;
No dia 12 de Março de 1963, na Gare Marítima da Rocha do
Conde Óbidos, em Lisboa, embarca no NTT “Vera Cruz” rumo
à cidade de Luanda, onde desembarcou no dia 21 de
Março
de 1963;
Em 15 de Junho de 1963, no Centro de Instrução
16 (CI16
– Quibala Norte) «VIVER PERIGOSAMENTE», inicia o Curso
de Comandos, o qual veio a terminar no dia 15 de
Setembro de 1963, após
651 horas de instrução;
Após o Curso de Comandos, foi integrado no
Grupo de
Comandos ‘APACHES’ «AUDACES FORTUNA JUVAT» do Batalhão
de
Caçadores 442 «FURÕES DA SELVA»;
Em 7 de Junho de 1965, embarca no NTT “Vera Cruz” de
regresso à Metrópole, onde desembarcou no dia 16 de
Junho de 1965.
Louvado e condecorado com a
Medalha de Cobre de Valor
Militar
com palma, pela Portaria de 20 de Julho de 1965,
publicado na Ordem do Exército n.º 24 – 3.ª série, de
1965.
Louvor
colectivo concedido pelo General Comandante da Região
Militar de Angola.
Medalha de Cobre de
Valor Militar com palma
1.º Cabo de Infantaria
‘Comando’, n.º 2150/62
JOSÉ CARDOSO MANUEL
CCac407/BCac442 - BC5
ANGOLA
Grau: Cobre, com palma
Transcrição do louvor concedido pelo Comandante
do Batalhão de Caçadores 442:
Louvo o 1.º Cabo n.º 2150/62, José Cardoso Manuel, da
Companhia de Caçadores 407 e do Grupo de Comandos
[APACHES] deste Batalhão [BCac442], pelas grandes
qualidades militares, generosamente reveladas ao longo
de mais de um ano de actividade operacional ininterrupta
e, muito especialmente, durante as missões que
ultimamente têm sido cometidas ao seu grupo de combate.
Elemento muito rústico, extremamente abnegado, com
grande espírito de iniciativa, arrojo e sensatez, tem
demonstrado, por inúmeras vezes, em combate, a mais
serena energia debaixo de fogo, a maior coragem e
decisão, bem como um assinalado sangue frio e
considerável espírito de sacrifício.
Dotado da melhor vontade de bem cumprir as missões que
superiormente lhe são confiadas, disciplinado, aprumado
e de grande correcção, exerce assim, muitas vezes, esta
praça, um indesmentível ascendente sobre os seus
subordinados, que sabe arrastar para o combate com
energia e optimismo, e que o olham com consideração e
amizade.
Por tudo, muito tem contribuído o 1.º Cabo Manuel para
os bons resultados obtidos pelo seu grupo de combate, ao
serviço do qual sempre tem posto todas as suas
qualidades e, nomeadamente, a sua grande robustez
física, despendendo as suas energias até à exaustão e
sem regatear qualquer esforço, quer físico, quer moral.
Transcrição da Portaria que concede a
condecoração, publicada na Ordem do Exército n.º 24 –
3.ª série, de 1965:
Por Portaria de 20 de Julho de 1965
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
do Exército, condecorar com a Medalha de Cobre de Valor
Militar, com palma, por ter sido considerado ao abrigo
do artigo 7.º e seu parágrafo único do Regulamento da
Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o 1.ºCabo n.º
2150/62, José Cardoso Manuel, do Batalhão de Caçadores
n.º 442 - Batalhão de Caçadores n.º 5.
Ministério do Exército, 20 de Julho de 1965.
O Ministro do Exército, Joaquim da Luz Cunha.
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Jornal do Exército,
n.º 83. pág. 12, de Nov1966
PRIMEIRO CABO JOSÉ
CARDOSO MANUEL
"Condecorado com a
medalha de cobre de Valor Militar com palma, porque no
decorrer de uma operação na Serra da Canda, tendo sido
desugnado para se emboscar num trilho situado ao lado
oposto do objectivo assinalado ao seu grupo de combate,
revelou durante a acção que se seguiu ao assalto
realizado ao mesmo e no qual foram abtidos seis
elementos iniumigos, a par de uma apreciável calma e
serenidade, grande consciência do tipo de luta em que
actualmente nos encontramos empenhados e até apreciáveis
qualidades de comando, muito tendo contribuído pela sua
acção para os bons resultados entõ obtidos."

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GRUPO DE
COMANDOS "APACHES' / BCac442
Constituição do Grupo
Comandante:
Alferes Mil.º de
Infantaria ‘Comando’, José Zeferino Gonçalves Robalo
Sargentos:
Furriel Mil.º de
Infantaria ‘Comando’, António Jaques Afonso
Furriel Mil.º de Infantaria ‘Comando’, Manuel António
Marques Igreja
Furriel Mil.º de Infantaria ‘Comando’, João Elvio
Freitas Faria
Praças:
1.º Cabo ‘Comando’
2150/62, José Cardoso Manuel
1.º Cabo ‘Comando’ 3047/62, Albino António Guimarães
Pereira
1.º Cabo ‘Comando’ 3068/62, Fernando Carvalho Tavares
1.º Cabo ‘Comando’ 723/RD, Virgílio Luís Albuquerque
1.º Cabo ‘Comando’ 2948/62, Dionísio dos Santos Frazão
1.º Cabo ‘Comando’ 2439/62, José Manuel Caçarão
1.º Cabo ‘Comando’ 2371/62, António Pereira Martins
Louro
1.º Cabo ‘Comando’ 2413/62, João Luís das Neves Teixeira
1.º Cabo ‘Comando’ 2216/62, José Maria Pedro
1.º Cabo ‘Comando’ 2236/62, Daniel Costa
1.º Cabo ‘Comando’ 2222/62, Ricardo Filipe Baeta
Rodrigues
1.º Cabo ‘Comando’ 2281/62, Bernardino Silva Rocha
1.º Cabo ‘Comando’ 2297/62, Manuel Inácio Laranjinha
Nunes
1.º Cabo ‘Comando’ 2028/62, José Honorato da Mata
Soldado ‘Comando’ 3118/62, Alfredo de Jesus dos Santos
Soldado ‘Comando’ 3084/62 Francisco Fernando Novais
Soldado ‘Comando’ 2513/62, José Orlindo da Silva Martins
Soldado ‘Comando’ 2193/62, Júlio Pires Marques
Soldado ‘Comando’ 2103/62, José Gonçalves
Soldado ‘Comando’ 2097/62, José Ferreira Gomes
Soldado ‘Comando’ 2098/62, João Ribeiro Barata Gonçalves
Soldado ‘Comando’ 2140/62, Manuel José Marfins da Graça
Soldado ‘Comando’ 2338/62, Salvador Rodrigo Rosário da
Graça
Soldado ‘Comando’ 2399/62, Alfredo José Leão Roneberg
Soldado ‘Comando’ 2439/62, Hilário da Silva Mota
Soldado ‘Comando’ 2404/62, José Ferreira Rodrigues
Morgado
Soldado ‘Comando’ 2394/62, António de Almeida Soeiro
Soldado ‘Comando’ 2171/62, José Joaquim Morais
Soldado ‘Comando’ 2412/62, José Azinheira Geraldes
Actuação do grupo "OS
APACHES"
Foi em princípios de Setembro de 1963 que o grupo,
constituído por elementos escolhidos em todas as
Companhias do Batalhão, terminou a sua preparação
especial, iniciada em meados de Junho do mesmo ano,
nessa escola superior chamada Quibala-Norte, depois de
uma instrução intensíssima, quer sob o ponto de vista de
preparação física, tiro ou táctica, quer ainda no que
diz respeito a uma inteligente e eficaz Acção
Psicológica, no sentido duma completa mentalização dos
instruendos, nos sacrifícios e responsabilidades que se
lhes iriam exigir.
Uma vez elevado à condição de "COMANDOS", pela cabal
satisfação das missões finais e reais que o curso lhe
impôs, deslocou-se o grupo para a ZIN (Zona de
Intervenção Norte), onde foi reforçar o Comando e a
Companhia de Caçadores aí existentes. Titubeante,
inicialmente, nas primeiras missões de que foi
incumbido, foi-se o Grupo tornando cada vez mais
consciente do seu valor, aperfeiçoando-se cada vez mais,
adquirindo um espírito de corpo que o iria unir até ao
fim e levar de vencida muitas dificuldades e
contrariedades que o futuro lhe havia reservado.
Após o Batalhão ter passado à situação de reserva da
Região Militar de Angola, passou o Grupo de Comandos a
trabalhar frequentemente sozinho, o que acabou por o
emancipar completamente, no que diz respeito á
estruturação e cimentação de qualidades que lhe iriam
mais tarde merecer especial distinção.
Tendo percorrido quase todo o Norte de Angola, nas mais
diversas missões, com algumas das quais muito se tem a
honrar e orgulhar, do Úcua a Carmona, de Zala à Canda,
de Cambambe à Beira-Baixa, e tantas outras, procurou o
grupo sempre cumprir, quaisquer que fossem as condições
em que se encontrava, com o reduzido número a que o
esforço o havia limitado, esforço esse, que nem sempre
pode ser justamente atestado por resultados mais
compatíveis com o querer e saber, postos em jogo.
Com a mudança do Batalhão, em Junho de 1964, tendo
terminado a intervenção do Grupo de Comandos como Grupo
autónomo ao serviço do Quartel General da Região Militar
de Angola, continuou todavia este, até ao fim da
comissão de serviço (Junho de 1965) como Grupo
independente, com caserna própria no Campo Militar do
Grafanil e dentro da área pertencente ao Batalhão, do
qual passou directamente a depender, tendo participado
na manutenção do serviço de guarda ao perímetro da
cidade de Luanda, em escoltas de reabastecimento a
unidades no Norte de Angola e também em patrulhamentos e
emboscadas na defesa do referido perímetro (nomeadamente
nas zonas de Viana e Rio Bengo).
Durante todo o tempo de serviço militar, o Grupo sempre
se mostrou cumpridor, justificando os ensinamentos e a
experiência adquiridos, pois que assim o exigia a
responsabilidade da missão, a confiança dos seus Chefes
e o amor à sua Pátria.
(Testemunho do Professor José Robalo de Pina Navarro
(Alferes Mil.º de Infantaria José Gonçalves Robalo)
Síntese da Actividade
Operacional
| |
DESIGNAÇÃO |
PERÍODO |
ZONA DE ACÇÃO |
OBSERVAÇÕES |
| |
Operação
«BOINA VERMELHA I» |
08Set193 |
ZONA DO RIO
LUEGE (Batida) |
Operação
executada durante o período de
instrução no CI16. Actuou com os
GrCmds «OS SEM PAVOR», «DESTEMIDOS»,
«OS GATOS», «ESCORPIÕES» E «TIGRES» |
| |
Operação
«BOINA VERMELHA II» |
13Set1963 |
ZONA DO RIO
LOGE (REGIÃO DE QUIOUON) E REGIÃO DE
MUXIXE (Batida) |
Operação
executada durante o período de
instrução no CI16. Actuou com os
GrCmds «OS SEM PAVOR», «DESTEMIDOS»,
«OS GATOS», «ESCORPIÕES» E «TIGRES» |
| |
Operação
«BOINA VERMELHA III» |
16Set1963 |
ZONA DO RIO
LOGE E REGIÃO ENTRE OS RIOS LUEGE E
LUAIA (Batida) |
Operação
executada durante o período de
instrução no CI16. Actuou com os
GrCmds «OS SEM PAVOR», «DESTEMIDOS»,
«OS GATOS», «ESCORPIÕES» E «TIGRES» |
| |
Operação
«BOINA VERMELHA IV» |
24Set1963 |
ZONA DO RIO
LUAIA (Batida) |
Operação
executada durante o período de
instrução no CI16. Actuou com os
GrCmds «OS SEM PAVOR», «DESTEMIDOS»,
«OS GATOS», «ESCORPIÕES» E «TIGRES» |
| |
Operação «VALE
SUEGE» |
17Out1963 |
ZONA DE ZEMBA
(Patrulhamento) |
|
| |
Operação
«QUUILUNGO» |
19Out1963 |
ZONA DE ZEMBA
(Patrulhamento) |
|
| |
Operação
«MAIORES ALTURAS» |
22Out1963 |
ZONA DE ZEMBA
(Patrulhamento) |
|
| |
Operação «FIM
DE FESTA» |
25 a 28Out1963 |
ZONA DE
QUIMBAGE (Batida) |
|
| |
ACÇÃO |
01 a 02Nov1963 |
ITINERÁRIO
ENTRE ZEMBA E CAMBAMBA (Escolta) |
|
| |
Operação «CAÇA
O RÉPTIL» |
15 a 17Dez1963 |
ZONA DA SERRA
DE UÍGE, REGIÃO ENTRE OS RIOS LUFICO
E MANZENA (Batida) |
|
| |
Operação «TÁ
BENJAMIM» |
18 a
20Dez1963 |
ZONA DA SERRA
DE CAZUNDO (Batida) |
|
| |
Operação «BATE
E REBATE |
23 a
24Dez1963 |
ZONA DA SERRA
DE UÍGE, REGIÃO ENTRE A FAZENDA
CRAVO MARTINS - FORTIM DA OPVDCA E
QUIMALALO (Batida) |
|
| |
Operação
«SENTINELA REDOBRADA» |
30Dez1963 a
01Jan1964 |
ZONA DA SERRA
DE UÍGE (Emboscada) |
|
| |
Operação «TIRA
TEIMAS» |
19 a 29Jan1964 |
ZONA DA SERRA
DE UÍGE (Emboscada) |
|
| |
Operação «PIC» |
31Jan a
02Fev1964 |
ZONA DA SERRA
DE CANDA (Golpe de mão) |
|
| |
ACÇÃO |
01Mar1964 |
ZONA DE
QUILUBO (Escolta) |
|
| |
ACÇÃO |
23Mar a
02Abr1964 |
ITINERÁRIO
LUANDA - NAMBUANGONGO - ZALA
(escolta) (Escolta) |
Actuou com o
GrCmds «OS SEM PAVOR» |
| |
ACÇÃO |
02Abr1964 |
REGIÃO DO ONZO
E "28 DE MAIO" (Golpe de mão) |
Esta acção foi
executada no âmbito da Operação
«TERCEIRO ANO», que decorreu nos
Sectores A, B1, D, I E Q |
| |
Operação
«GUERRA ALEGRE» |
17 a 19Abr1964 |
ZONA DE
CAMBAMBA (Golpe de mão) |
Actuou com o
GrCmds «OS SEM PAVOR» |
| |
Operação
«OPMZ» |
08 a 13Mai1964 |
ZONAS DE
MUCONDO - ZEMBA - CÓLUA - LIBERATO
(Batida) |
Esta operação
decorreu nos Sectores D, I E Q |
| |
Operação «AIUÉ
1» |
06 a 08Jun1964 |
ZONA DA
BEIRA-BAIXA, REGIÃO DOS RIOS
QUIFUSSE E ONZO (Batida) |
Actuou com o
GrCmds «OS SEM PAVOR» |
| |
Operação
«DILUNDO GRANDE» |
21 a 23Jun1964 |
ZONA DE ÚCUA -
REGIÃO DO VALE DO RIO DANGE (Batida) |
Actuou com o
GrCmds «OS SEM PAVOR» |



Louvor colectivo
concedido pelo General Comandante da Região Militar de
Angola:
Sua Excelência o
General Comandante da Região Militar de Angola, em Ordem
de Serviço de 1 de Abril de 1964, louvou o Grupo de
Comandos do Batalhão de Caçadores n.º 442 "OS APACHES",
pela forma briosa e entusiástica com que tem encarado o
desempenhado todas as missões de que tem sido incumbido.
Tendo-lhe sido atribuídos objectivos dos mais difíceis e
arriscados, em função da instrução especial que lhe foi
ministrada e natural robustez física dos seus elementos,
desenvolvida e aperfeiçoada pela prática de exercícios
progressivamente mais duros e relacionados com o
combate, pode no final das acções, à custa de
extraordinário valor, entusiasmo, espírito de sacrifício
e arreigada noção do DEVER, proferir sempre: MISSÃO
CUMPRIDA.
Integrado de elementos possuidores de uma mística de
grupo já muito acentuada em que as acções individuais
são julgadas em função de beneficio colectivo, sóbrios,
duros, abnegados, capazes de arriscar sem hesitação a
vida por um companheiro, atingiu já um tal grau de
eficácia e experiência que o cotam como uma esplêndida
unidade de contra-guerrilha. Vindo a tomar parte em
operações difíceis e exaustivas em várias regiões, tendo
os êxitos destas, motivado os melhores louvores dos
respectivos comandos, muito há a esperar ainda da
actividade operacional deste GRUPO, cujas qualidades de
intrepidez, bravura, audácia e desprezo pelo perigo dos
seus componentes, fazem jus à divisa de todos os
COMANDOS:
AUDACES FORTUNA JUVAT
