José Manuel Armada Elias, Alferes Mil.º
de Infantaria, da 2ª/BCac4810/72
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Nota de óbito |
Informação
extraída do facebook do sítio
«Antigos Combatentes Açorianos»
- João Ramos
Apoio de um colaborador do
portal UTW |
Faleceu, no dia 20 de Fevereiro de 2019,
o veterano
José
Manuel Armada Elias
Alferes Mil.º de Infantaria
2.ª Companhia do
Batalhão de Caçadores 4810/72
«ARMAS NÃO DEIXARÃO ENQUANTO A VIDA OS
NÃO DEIXAR»
Moçambique: 13Out1972
a 13Out1974

José
Manuel Armada Elias, Alferes Mil.º de Infantaria.
Em 12 de Outubro de 1972, tendo sido
mobilizado pelo Batalhão Independente de Infantaria 18
(BII18 - Ponta Delgada) para servir Portugal na
Província Ultramarina de Moçambique, embarcou no
Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) em voo TAM
(Transportes Aéreos Militares) com destino à Base Aérea
n.º 10 (BA10 - Beira), como aspirante-a-oficial
miliciano de Infantaria integrado na 2.ª Companhia do
Batalhão de Caçadores 4810/72.
Em 24 de Novembro de 1972, entretanto promovido a
alferes miliciano, colocado como comandante de
destacamento na Vila Vasco da Gama (noroeste distrital
de Tete);
Em 13 de Outubro de 1974 regressou à Metrópole.
Paz à sua Alma.

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Recordando as palavras
do veterano José Manuel Armada Elias ao jornal «O Povo
da Barca», em 2007:
Elementos cedidos
pelo veterano
António Valentim
“Apesar da Guerra,
era uma terra belíssima, mágica, de paisagens
deslumbrantes”.
José Manuel Armada Elias não esqueceu os horizontes, as
cores, os cheiros, o nascer e o pôr-do-sol numa terra
que tinha tudo para ser abençoada.
“Fiz a especialidade, em Mafra, de Outubro de 1971 a
Março de 1972. De Abril a Setembro, estive em Ponta
Delgada, nos Açores, a dar instrução aos soldados que
depois iriam comigo para Moçambique”.
Depois de uma mês e meio no Centro de Instrução da
Amadora, partiria para África, a 9 de Novembro, num
“Boeing” dos Transportes Aéreos Militares, rumo à Beira.
Integrado no Comando Operacional de Defesa de Cabora
Bassa, que tinha como missão defender a cintura da
célebre barragem com o mesmo nome, ficaria vinte e três
meses em Cantina de Oliveira.
“Obtínhamos energia a partir de um gerador. Vivíamos num
espaço que era um rectângulo do tamanho de um campo de
futebol, cercado de arame farpado e uma paliçada feita
com troncos de árvores, para evitar a flagelação”.
Alguns dos militares dormiam em camaratas subterrâneas,
outros, em camaratas feitas de troncos, sujeitos à
infiltração de animais.
“Fazíamos os chuveiros adaptando bidões de azeite ou de
vinho. Era uma zona em que havia graves problemas no que
respeita ao abastecimento de água”.
Estavam longe de tudo. Tete, a cidade mais próxima,
ficava a seiscentos quilómetros.
“Cheguei a estar nove meses destacado em lugares, como
Vasco da Gama, onde existia apenas a Casa da
Administração que geria alguns aldeamentos minúsculos
das redondezas”.
Em 12 de Abril de 1974, integrado numa operação de
envergadura apoiada por aviões de combate “Camberres”,
vindos da Rodésia, chefiaria um grupo de quinze homens
que, na rectaguarda, apoiava os comandos.
“Era um ataque a aldeamentos, detectados pelos aviões,
onde se suspeitava que os guerrilheiros se refugiavam.
Primeiro, os “Camberres” e os “Unters” bombardearam a
zona, nós fomos lançados a partir de um helicóptero a um
quilómetro desse local.”
À medida que os “comandos” iam destruindo as palhotas,
as granadas e balas nelas armazenadas rebentavam,
ameaçando atingir os homens.
No dia seguinte, os “comandos” foram evacuados e o grupo
chefiado por José Manuel Armada Elias teve de aguardar,
emboscado, um eventual regresso dos guerrilheiros.
“Fomos recolhidos por helicópteros vindos da Rodésia,
recolheram-nos num descampado, tivemos de lançar uma
granada de fumo para nos localizarem.”
A 27 de Abril, através da rádio, onde ouvia as notícias,
seria o primeiro da sua Companhia a saber do Golpe de
Estado ocorrido dois dias antes, em Lisboa.
“Depois do 25 de Abril, não sabíamos se viríamos embora,
chegou a falar-se na possibilidade de um golpe de Kaulza
de Arriaga. A partir de certa altura, primeiro por nossa
iniciativa, depois cumprindo ordens da hierarquia, fomos
estabelecendo os primeiros contactos com os
guerrilheiros da FRELIMO. Deixávamos cartas nos trilhos
de passagem. Acabaram por ser encontros gratificantes,
entre homens que se tinham combatido.”
Em Outubro de 1974, a sua Companhia seria a sexta a
abandonar Moçambique para o desejado regresso a
Portugal.
Como Franquelim Pereira e Jaime Ferreri também José
Manuel Elias fará questão de referir as amizades que,
forjadas na Guerra, se prolongaram na vida.
E, aos 57 anos, mantém um desejo.
“Gostava de visitar aquela terra. Voltar a ver esses
momentos magníficos do nascer e do pôr-do-sol em
África.”