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José Manuel Costa Martins, Capitão Mil.º Graduado de Cavalaria

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Imagens enviadas por um colaborador do portal UTW

e site www.batalhaoasdeespadas.com

 

 

Jos-Manuel-da-Costa-Martins-350Valor-Militar-Colectiva-CG3classe-350José Manuel Costa Martins


Capitão Mil.º Graduado de Cavalaria


Comandante da

Companhia de Cavalaria 2635


Batalhão de Cavalaria 2899

«O ÁS DE ESPADAS»


Angola: 15Dez1969 a 27Fev1970 (data do falecimento)
 

Medalha de Prata de Valor Militar com palma, colectiva

(Título póstumo)

 

Cruz de Guerra de 3.ª classe

(Título póstumo)

 

Louvor Individual

(Título póstumo)

 

Para visualização dos conteúdos clique nos sublinhados existentes no texto que se segue:

 

A noite mais longa (história n.º4/70)

 

Texto do veterano José Reis, Alferes Mil.º de Cavalaria: Cruz de Guerra de 4.ª classe

 

Com os mortos e feridos já a bordo do Alouette do Tenente Antolin, que finalmente apareceu ao fim de uma longa espera de 5 horas, não é possível esquecer o desabafo do Furriel Dias Pereira [Fernando Manuel Dias Pereira - Cruz de Guerra de 4.ª classe] que já a bordo do Helicóptero com uma mão totalmente esfacelada, dizia: -  "Meu alferes, ganhe a sua guerra que eu já ganhei a minha !!!!"

 

O rude golpe da morte do Cap. Costa Martins e do nosso guia  naquela fulminante emboscada, a longa espera pelo apoio aéreo, deixava-nos uma dura tarefa pela frente por nos encontrarmos a mais de um dia de caminho a pé no regresso ao Muié, agravado pelo facto de estarmos perfeitamente controlados pelo IN ao fim de 5 horas no mesmo local.

 

A saída do Chicolui tornava-se pois muito perigosa e o perigo de novas emboscadas dava-nos que pensar.

 

Optámos por subir o rio a caminho da nascente sempre pela margem, com os morteiros afiados, aguardando o anoitecer e dando a ideia que continuaríamos  nessa direcção, ao contrário do que seria o caminho natural pela perigosa picada directa para o Muié, que saía perpendicular ao rio.

 

Logo que anoiteceu, traçámos um plano que consistiu em acamparmos na chana, dando a ideia que ali ficaríamos até de manhã, facto que por certo o IN aproveitaria para nos emboscar na perigosa saída do rio ou mais à frente, sabíamos lá nós onde.......

 

Sobre nós, noite cerrada, desabavam 4 ou 5 trovoadas a toda a volta e uma chuva persistente que não parava de cair. Por vezes parecia fogo de artifício, tornando aquela noite muito dura psicologicamente e uma iluminação sinistra depois de tudo o que se passou , e o que se seguiria.

 

O plano consistia em abastecermos de água ali mesmo e à meia noite de forma inopinada e fora da picada, mata dentro, subirmos a margem em direcção ao Rio Muié, que verificámos depois, estava a mais de um dia de caminho, caminho longo, onde não era possível abastecer de água.

 

Cada secção indicou um elemento para em grupo ir ao Rio Chicolui, ali bem perto, abastecer os cantis mesmo debaixo de trovoada, o dia seguinte ia ser muito duro.

 

Constituído o grupo, este lá foi no escuro trilho abaixo abastecer ao máximo os cantis. O silêncio individual era total por segurança e a atenção era dobrada, ninguém tinha sono, todos aguardavam naquele silêncio, apenas interrompido pela trovoada, que regressasse o pessoal da água.

 

Repentinamente ouviu-se uma grande explosão, todos “morremos” de preocupação, nem um tiro se ouviu, o silêncio só foi interrompido por um elemento que em corrida informou: -  

 

O Cavalinhos rebentou uma armadilha que estava no trilho!!!!     

                           

Regressado todo o grupo, debaixo de capas por forma a não sermos localizados, à luz de isqueiros, foram feitos os primeiros socorros, tínhamos perante nós o radiotelegrafista, com as costas crivadas de estilhaços e um longo caminho a percorrer.

 

Não podíamos ficar ali mais tempo!!!.

 

A meia noite chegou e como previsto, avançámos. O Cabo Cavalinhos estoicamente suportando as dores, incorporou-se na coluna e mata dentro, subindo a margem, aproveitámos a frescura da noite para seguir no mais perfeito corta-mato, contando apenas a direcção da bússola que mais aqui ou ali iria dar ao Rio Muié, mas.............ele estava longe.

 

O Sol quando apareceu veio fortíssimo, e mesmo com todos os apelos à poupança de água, ao meio dia, já muita gente tinha o cantil vazio, depois, depois .... até uma árvore queimada por uma faísca e que tinha água da chuva no tronco, mas.... cheia de bichos, serviu para os mais aflitos.

 

Os comprimidos de cloro trataram os bichos......

 

O rio Muié, só foi alcançado no dia seguinte e tivemos que acampar ainda outra noite numa mata fechada com toda a gente exausta e onde o colchão foram raízes e mais raízes, a segurança a isso obrigou..... FOI A NOITE MAIS LONGA.

 

Alferes José Reis

 

 

 Jos-Manuel-da-Costa-Martins-920

 

 

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